No mercado financeiro, é bastante comum encontrar investidores que buscam investimentos que pagam dividendos mensais. Nesses casos, a ideia é conseguir montar uma carteira que permita o recebimento de uma renda recorrente ao longo do tempo.

Contudo, não são todos os investimentos que se alinham a objetivo. Ademais, considerando a grande variedade de alternativas no mercado, o investidor pode ficar confuso e se equivocar no momento de montar seu portfólio. Então é importante aprender mais sobre o tema.

Caso seu objetivo seja o recebimento de dividendos mensais, continue a leitura deste conteúdo. Nele, você aprenderá 6 dicas essenciais de como receber esse provento.

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O que são dividendos?

Os dividendos representam frações do lucro de uma pessoa jurídica, sendo distribuídos entre todos aqueles que investiram nela. Em geral, esse termo está associado aos investimentos de renda variável, como ações, FIIs (fundos imobiliários) e alguns BDRs (brazilian depositary receipts).

Na prática, a distribuição de dividendos acontece de forma proporcional à quantidade de ações, cotas ou certificados que cada investidor possui. Além disso, os recebimentos podem ser mensais, trimestrais, semestrais ou anuais, dependendo das escolhas da empresa, FII ou BDR.

Com isso, investir com o objetivo de receber dividendos costuma fazer sentido para quem busca renda passiva. Porém, lembre-se de que eles se relacionam com a renda variável, então não é possível falar em certeza de seu recebimento, mas na expectativa de recebimento.

Tenha em mente que somente haverá a distribuição de dividendos se a empresa ou fundo tiver registrado lucro no respectivo período. Caso contrário, o pagamento do provento pode ser suspenso, sem qualquer irregularidade.

Quais são os investimentos que pagam dividendos?

Como você aprendeu, existem 3 principais investimentos de renda variável que pagam dividendos: as ações, os FIIs e os BDRs. Conheça melhor cada uma delas!

Ações

As ações são a menor parte negociável do capital social de uma empresa. Ao investir em ações, você se torna acionista da organização e passa a participar dos seus lucros e riscos. Na bolsa de valores brasileira (B3), é possível encontrar ações ordinárias, preferenciais e units.

As ações ordinárias (ON) garantem o direito a voto nas decisões importantes da companhia. Ações preferenciais (PN), por sua vez, oferecem a preferência no recebimento de dividendos. Já as units, são cestas compostas de ações ON e PN de uma empresa.

FIIs

Os fundos imobiliários são veículos de investimento coletivo. Eles reúnem o capital de diversos investidores com o objetivo de investir no mercado imobiliário. O patrimônio reunido é administrado por um gestor profissional, que fica responsável por montar a carteira do fundo.

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Os FIIs podem ser divididos em 3 tipos: de papel, de tijolo ou fundos de fundos (FOFs). Fundos de papel investem em títulos de renda fixa relacionados ao setor imobiliário. Fundos de tijolo priorizam a compra, venda e aluguel de imóveis físicos. Os FOFs, investem em cotas de outros FIIs.

BDRs

A sigla BDR pode ser traduzida como certificado de depósito de valores mobiliários. Trata-se de uma alternativa de investimento nacional que está atrelada a investimentos no exterior. Ou seja, seria como investir em ativos de bolsas internacionais sem precisar sair do Brasil.

Seu funcionamento depende de uma instituição depositária que realiza os investimentos no estrangeiro e, depois, emite os BDRs com lastro neles. Assim, o investidor não se torna o titular do investimento no exterior, mas de um certificado atrelado a ele.

Como funcionam os pagamentos de dividendos nas ações?

Em relação às ações, vimos que a distribuição de dividendos é feita aos acionistas de acordo com a quantidade de papéis que eles possuem. Por lei, uma companhia de capital aberto deve distribuir seu lucro aos acionistas, ao menos, uma vez por ano.

No entanto, a condição essencial para que ocorra o pagamento é a apuração de lucro no período. Ademais, a companhia fica livre para decidir o percentual de distribuição — a informação pode ser encontrada em seu estatuto.

É comum encontrar no mercado empresas que distribuem 25% de seus lucros. Porém, também podem ser encontrados percentuais menores e maiores. Quando os dividendos são distribuídos, o dinheiro é enviado diretamente para a conta do acionista no banco de investimentos — onde o investimento está custodiado.

Vale destacar que, além dos dividendos, uma companhia pode distribuir outros tipos de proventos. É o caso dos JCP (juros sobre capital próprio), direito de subscrição e bonificação em ações. Contudo, o dividendo costuma ser o mais buscado, especialmente porque é isento de Imposto de Renda (IR).

Como funcionam os pagamentos de dividendos nos FIIs?

Agora que você já sabe como funcionam os pagamentos de dividendos em ações, vale conferir como se dá a distribuição nos FIIs. Embora os fundos imobiliários sejam um tipo de fundo de investimento, ao contrário de outros tipos de fundos, ele distribui seus lucros entre seus cotistas.

Essa distribuição é uma obrigação legal, que determina o repasse de, no mínimo, 95% de seus rendimentos por semestre. Ainda que a lei mencione o pagamento semestral, muitos fundos se organizam para fazer a distribuição mensal.

Nesse sentido, a frequência de distribuição costuma ser maior que a realizada nas ações — embora também dependam da existência de lucro. Normalmente, a maior regularidade nos pagamentos é encontrada nos fundos de tijolo. Isso porque é comum um FII desse tipo focar na locação dos imóveis que integram seu portfólio.

Desse modo, as chances de ter dinheiro entrando mensalmente no seu fluxo de caixa são maiores. Além disso, os FII tendem a agradar quem deseja participar do mercado imobiliário sem precisar adquirir um imóvel.

Como funcionam os pagamentos de dividendos nos BDRs?

Você viu que os BDRs também podem distribuir dividendos. Contudo, nem todos os certificados contam com esse pagamento. Para que a emissora de um certificado pague os dividendos ao seu titular, o investimento ao qual ele está atrelado deve fazer essa distribuição.

Portanto, a existência de proventos nos BDRs depende das regras do país onde o investimento original foi realizado. Por exemplo, nos Estados Unidos, as empresas não são obrigadas a distribuir os lucros. Mas isso também não impede que elas o façam.

Outra questão importante tem relação com os ETFs (fundos de índice) internacionais. Eles podem distribuir esse provento, diferentemente do que acontece com os ETFs brasileiros. Logo, um BDR atrelado a um ETF estrangeiro que distribua dividendos repassará os valores recebidos ao titular do certificado no Brasil.

Dessa maneira, antes de investir em um BDR, é pertinente pesquisar se o ativo ao qual ele está lastreado faz ou não a distribuição desse provento. Na prática, os certificados podem ser uma alternativa para quem deseja receber dividendos de empresas e fundos internacionais, sem sair do país.

Como receber dividendos mensais? Confira 6 dicas!

Sabendo, agora, o que são dividendos e como eles funcionam, chegou o momento de conferir como receber esses proventos mensalmente.

Veja 6 dicas!

1. Procure por alternativas que paguem mensalmente

Embora essa possa parecer uma dica simples, você viu que não são todos os investimentos que pagam dividendos mensais. Há alternativas, por exemplo, que fazem o pagamento anual e que podem não atender ao objetivo de ter uma renda frequente.

Então, para facilitar o processo, pode ser interessante buscar por aquelas que tenham essa regularidade no pagamento. Outra possibilidade é montar uma carteira com diferentes alternativas considerando datas de pagamento variadas, viabilizando uma renda passiva mensal.

2. Diversifique sua carteira

A próxima dica é adotar a estratégia da diversificação do seu portfólio. Ela consiste em distribuir o seu capital em investimentos de distintos segmentos e níveis de risco. Isso ajuda a equilibrar os riscos, bem como potencializa as chances de ganhos.

Por exemplo, pode ser o caso de investir em ações de companhias nacionais, BDRs de empresas ou fundos internacionais de outros setores e ter mais de um tipo de FII. Dessa forma, será possível buscar ganhos em diferentes cenários e frequências.

Caso um setor da economia seja afetado e prejudique a distribuição dos dividendos de determinada alternativa, as demais podem manter os pagamentos, reduzindo os impactos na sua carteira.

3. Faça aportes frequentes

Quando se fala em investimentos para o recebimento de renda passiva, uma estratégia que costuma fazer sentido é a realização de aportes frequentes. Ao aumentar a quantia investida, é natural que o investimento tenha um retorno cada vez maior — especialmente em relação aos dividendos.

Portanto, é fundamental que você tenha um bom planejamento financeiro para que consiga poupar uma parte de seu capital com esse objetivo. Ter o controle de quanto entra e sai do seu orçamento é válido para cortar gastos desnecessários e fazer sobrar mais dinheiro para investir.

Quanto mais recursos você investe, maiores tendem a ser os dividendos — especialmente no longo prazo. Agindo com dedicação nesse quesito, você tem chances de alcançar os seus objetivos de forma mais célere.

4. Aprenda a fazer uma análise fundamentalista

Existem diversas formas de analisar um investimento para tomar uma decisão no mercado financeiro. Contudo, uma das práticas mais utilizadas entre investidores que visam objetivos de longo prazo — como o recebimento de dividendos — é a análise fundamentalista.

Ela consiste em analisar os fundamentos de uma companhia (nacional ou internacional) ou fundo de investimento. Assim, é possível aprofundar seus conhecimentos sobre a saúde financeira do negócio, a qualidade da gestão, as perspectivas de crescimento, o pagamento de dividendos, etc.

Ao analisar indicadores fundamentalistas como o DY (dividend yield), você identifica o quanto a empresa ou fundo distribuiu de dividendos em relação ao preço da ação ou cota. Já por meio do DP (dividend payout), é possível descobrir como funciona a política de distribuição dos dividendos.

Outro indicador importante é o P/VPA (preço da ação sobre o valor patrimonial). Ele pode ser útil para identificar se o preço da ação ou cota está maior que o seu valor patrimonial, por exemplo. Assim, você poderá buscar por aquelas que estejam com os preços descontados e potencializar seus ganhos com a valorização dos ativos.

Analisando diferentes indicadores fundamentalistas, será possível fazer comparações entre empresas de um mesmo setor ou fundos de um mesmo tipo, visando descobrir qual deles é o melhor pagador de dividendos. Assim as suas escolhas tendem a ser mais acertadas.

5. Examine a lâmina ou o prospecto do fundo

Quando se fala na análise de um FII, vale a pena consultar a chamada “lâmina” do fundo. Trata-se de um documento com informações essenciais sobre o veículo financeiro — como o histórico de rendimentos e as estratégias adotadas.

Caso queira se aprofundar ainda mais sobre ele, pode ser o caso de consultar o seu prospecto. Esse é um documento que apresenta de forma destacada as principais informações relevantes para o investidor contidas no regulamento no fundo.

Entre as informações que você deve analisar para tomar decisões mais acertadas estão a taxa de administração, direitos e responsabilidades, riscos envolvidos e políticas de investimentos.

6. Direcione seus investimentos para o longo prazo

Se você quer receber dividendos mensais de ações, FIIs e BDRs, é pertinente focar no longo prazo. Ao investir visando períodos maiores, você dilui os riscos da volatilidade de preço que, no curto prazo, é mais elevada.

Por exemplo, imagine que você tenha investido em um papel que pague dividendos mensais. No entanto, se deparou com uma queda generalizada na bolsa de valores. Nesse cenário, de curto prazo, se você desfizer das suas ações, poderá realizar prejuízos maiores que os ganhos com os dividendos.

Por outro lado, quando se investe pensando em horizontes de prazos maiores, as variações de preço de curto prazo não afetam seu investimento. Afinal, ele poderá continuar a render dividendos independentemente da sua cotação, certo?

Além disso, o tempo age de modo a potencializar o retorno sobre o seu capital — principalmente quando você reinveste os dividendos obtidos. Isso porque ele gera o chamado “efeito bola de neve”, em que seu capital cresce e cada vez proporciona um retorno maior, em um ciclo contínuo.

Neste artigo, você acompanhou 6 dicas de como receber dividendos mensais. No entanto, antes de tomar qualquer decisão de investimento, é necessário revisitar o seu perfil de investidor e objetivos financeiros. Isso facilitará a escolha das alternativas mais adequadas para você!

Você quer conhecer melhor os investimentos mencionados neste artigo? Então entre em contato com a nossa equipe de assessores!