O investimento em Ações para o longo prazo pode se tornar mais seguro e adequado ao seu perfil quando é feito de maneira consistente. Para analisar os papéis antes da compra, é oportuno utilizar os indicadores fundamentalistas. Entre eles, está o preço da Ação dividido pelos ativos totais.

Ele é uma medida importante da situação financeira do negócio. Assim, pode ajudar a encontrar boas oportunidades e potencial de valorização dos papéis na bolsa.

A seguir, veja o que é o indicador P/Ativos e descubra como usar esse e outros indicadores em suas análises de fundamentos!

O que são os indicadores fundamentalistas?

Para iniciar, vale a pena entender mais sobre a análise fundamentalista. Ela é uma estratégia de avaliação de Ações que tem como foco a qualidade de uma empresa. A avaliação considera diversos fatores e é feita ao longo do tempo, e não somente de forma imediata.

Na análise técnica, por outro lado, o foco está na verificação de gráficos em busca de tendências de queda ou alta da Ação. Essa é uma possibilidade mais utilizada por especuladores, que visam lucros no curto prazo na bolsa.

Sabendo disso, portanto, é possível perceber que os indicadores fundamentalistas servem para que haja a avaliação de longo prazo. Então costuma ser considerada por investidores que querem se manter como sócio de boas empresas ao longo do  tempo.

O que é o P/Ativo?

Entre os indicadores fundamentalistas que estão disponíveis, temos o preço da Ação dividido pelos ativos totais. O conceito também é conhecido como P/Ativo e pode fornecer informações relevantes para você.

Como o próprio nome sugere, ele é calculado pela divisão entre os preços dos papéis negociados na bolsa de valores e os ativos de uma empresa. Seu resultado é dado por:

P/Ativo = Preço da Ação / Ativos totais da empresa por Ação

Para chegar ao valor dos ativos, é preciso calcular o valor contábil por Ação. Nesse caso, deve-se dividir o valor contábil total da empresa pelo número de papéis que ela tem.

O P/Ativo, então, é calculado com base no preço da Ação no momento, dividido pelo valor contábil por Ação.

Para que ele serve e como funciona?

Depois de entender como realizar o cálculo, é a hora de saber como (e por que) aplicar o preço da Ação dividido pelos ativos totais. Basicamente, o indicador serve para avaliar se a empresa está subvalorizada ou supervalorizada, considerando a cotação atual no mercado.

No geral, um índice menor que 1 significa que o valor de mercado da empresa está abaixo do valor contábil de seus ativos. Logo, é possível que haja espaço para valorização em breve. Isso pode indicar uma oportunidade para quem usa a estratégia de value investing.

Contudo, vale destacar que algumas empresas têm ativos mais enxutos e, mesmo assim, apresentam potencial. Por isso, o uso do indicador deve ser conjugado a outros fundamentos para permitir um reconhecimento sobre a situação do negócio.

Quais são os outros indicadores de fundamentos para usar?

Como mostramos, a análise fundamentalista não deve depender de apenas um aspecto. Do contrário, as informações que você considera podem ser enviesadas. Portanto, o preço da Ação dividido pelos ativos totais tem que estar alinhado a outros elementos.

A seguir, veja quais são os indicadores mais relevantes a ser utilizado em conjunto com o P/Ativo e saiba como cada um é calculado!

P/L

O índice P/L é dado pela cotação de um ativo em certo momento dividido pelo lucro por Ações dos últimos 12 meses.

Imagine que uma empresa tem um lucro de R$ 10 milhões e uma quantidade de 5 milhões de Ações. Então o lucro por Ação é de R$ 2,00. Agora, pense que o preço de cotação em determinado momento é de R$ 7,00.

O P/L no nosso exemplo é de 3,5. O indicador pode ser utilizado, em conjunto com outros, para avaliar o retorno que cada papel pode dar ao investidor. Como ele também considera a cotação do mercado, serve para conferir se a Ação está cara ou barata em relação ao seu lucro.

PSR

O Price Sales Ratio (PSR) é mais um indicador fundamentalista. Ele representa o quanto o mercado está disposto a pagar por cada real obtido pela empresa.

Por isso, o seu cálculo depende da relação entre o valor de mercado da companhia e a receita líquida operacional obtida nos últimos 12 meses. Quanto menor for o resultado, maior pode ser a indicação de que as Ações estão subvalorizadas.

Se o seu objetivo for avaliar uma empresa em comparação com outras, é possível comparar com companhias do mesmo setor ou com a média do setor. Um PSR menor que a média pode ser sinal de que existe potencial de expansão para o valor das Ações, o que indicaria perspectiva de ganhos.

Comparar negócios de setores diferentes com alguns indicadores quantitativos não é interessante. Afinal, cada área econômica apresenta especificidades que podem fazer com que os resultados das companhias sejam muito diferentes entre si.

P/VPA

O P/VPA é conhecido como Preço sobre Valor Patrimonial por Ação. O múltiplo pode ser considerado como mais uma representação do quanto o mercado pretende pagar pelos ativos em determinado momento.

O cálculo do VPA é dado pelo patrimônio líquido dividido pelo total de Ações no mercado. Depois, o resultado do P/VPA é dado por:

P/VPA = Cotação atual da Ação / Valor Patrimonial por Ação

Com base no valor final, é possível saber se a empresa está subprecificada ou não. Na prática, é uma forma de tomar decisões em busca de oportunidades específicas. Por exemplo, encontrando empresas que estão sendo negociadas com desconto no momento.

DY

Existem indicadores específicos para investidores interessados em renda passiva frequente. Um deles é o Dividend Yield, que ajuda a calcular a capacidade de distribuição de proventos de uma determinada Ação.

Com isso, serve para apresentar quais empresas dividem mais lucros com seus acionistas. Assim, mais do que entender um desempenho no curto prazo, esse é um indicador que procura demonstrar a capacidade de divisão de lucros ao longo do tempo.

O seu cálculo é dado por:

DY = Dividendos pagos por Ação / Preço Unitário da Ação no momento

Um número maior de DY pode parecer atraente, mas é importante considerar o contexto. Em especial, o histórico de lucros — para saber se o valor tem sido consistente ou é fruto de um crescimento pontual.

ROE

O Return on Equity ou Retorno sobre o Patrimônio líquido é um dos indicadores fundamentalistas mais relevantes. Ele é dado por:

ROE = Lucro líquido/ Patrimônio líquido

Em geral, há a ideia de que, quanto maior o indicador for, melhor é a percepção financeira sobre o negócio. Afinal, significa potencialmente que a empresa consegue lucrar mais com um patrimônio e investimento menores.

No entanto, é preciso ter cuidado, pois o valor pode ser apenas fruto de um patrimônio líquido reduzido. Assim como os outros indicadores, o investidor deve ficar atento para interpretar o contexto.

EG

O Índice de Endividamento Geral também ajuda a avaliar o nível de saúde financeira da empresa, pois analisa suas dívidas. Quanto maior for o valor dele, mais endividado o negócio pode estar. Logo, os riscos do investimento podem ser maiores.

Basicamente, ele é dado pela fórmula:

EG = (Capital de terceiros / Ativos totais) x 100%

A união desse indicador com outras alternativas traz uma visão geral e necessária sobre o negócio. Assim, fica mais fácil estabelecer se a empresa tem capacidade de se manter ou mesmo de crescer de forma saudável, por exemplo.

A análise do EG é importante porque demonstra o grau de comprometimento dos ativos da empresa com as dívidas. Ou seja, você sabe quais são as condições dela de arcar com as obrigações. Isso poderá evitar que se invista em uma empresa que está altamente endividada.

Margem líquida

Na análise fundamentalista de aspectos quantitativos referentes às finanças das empresas, a análise da margem líquida pode ser útil.

A métrica é dada por:

Margem líquida = (Lucro líquido / Receita total) x 100%

Ela se refere a quanto a empresa recebe, de fato, por suas atividades. Quanto maior for a margem líquida, maior é a capacidade de obter lucratividade. Junto com o DY, por exemplo, é possível encontrar Ações com bom potencial de pagamento de proventos.

Como usar os indicadores fundamentalistas?

Independentemente dos índices que você decidir usar, é preciso pensar, em primeiro lugar, que uma boa análise fundamentalista compreende diversos aspectos. Isso significa que não é indicado analisar apenas indicadores isolados, como a margem líquida ou o enterprise value.

O ideal é ter uma visão mais ampla, considerando diversos aspectos da empresa. Vale a pena, ainda, compreender como os elementos se relacionam e como eles podem afetar a tendência de crescimento ou de consolidação do negócio.

Além de dados da própria empresa, você também deve utilizar informações sobre o setor e o mercado de maneira geral. Isso permite, então, que o seu entendimento não esteja limitado a poucas informações.

Além disso, é recomendado ponderar a influência do tempo em alguns dos indicadores. Por exemplo, há impacto da volatilidade do mercado nos que consideram o preço da Ação. Com isso, o indicador precisa ser avaliado focado no momento presente.

Neste conteúdo, você viu que o indicador de preço da Ação dividido pelos ativos totais aponta se os papéis estão subvalorizados ou supervalorizados. Ao considerá-lo em conjunto com outros fundamentos que viu aqui, ficará mais fácil fazer sua análise!

Já que falamos da situação financeira dos empreendimentos, aproveite para descobrir o que é o lucro operacional e como esse indicador funciona!