Os investimentos da bolsa de valores podem trazer diversas vantagens para os investidores. Ao comprar uma ação, por exemplo, você pode lucrar com a valorização dela e também com o pagamento de proventos.

Os proventos são procurados principalmente por quem deseja ter uma renda passiva. Mas, para aproveitar ao máximo essa oportunidade, é importante entender como funciona a distribuição deles e quais tipos existem.

Então continue a leitura e tire suas dúvidas sobre o assunto!

O que são proventos?

Proventos são os benefícios — na forma de dinheiro ou de algum direito — que as empresas de capital aberto distribuem aos acionistas. Quem está começando a investir na bolsa às vezes se engana, pensando que só é possível lucrar com a valorização da ação.

No entanto, os proventos são uma fonte de renda que muitos consideram importante. Grandes investidores, como Warren Buffett e Luiz Barsi têm interesse sobre essa fonte de ganhos na renda variável.

Há pessoas que investem pensando em obter uma renda passiva, e os proventos são uma forma de fazer isso. Logo, alguns investidores formam uma carteira de investimentos que visa a distribuição de dividendos e outros proventos.

O dinheiro recebido contribui para o aumento do patrimônio e, no longo prazo, pode ajudar você a alcançar a independência financeira.

Vale notar que nem todos os acionistas de uma empresa recebem proventos na mesma data ou com o mesmo valor. Na verdade, isso difere em relação ao tipo de ação. Quem tem ações PN (ou preferenciais) tem preferência na distribuição de proventos.

Além disso, as ações não são um único tipo de ativo que proporciona proventos. Alguns fundos imobiliários distribuem aos cotistas a maior parte do lucro obtido com o aluguel dos imóveis da carteira.

Quais são os principais tipos de proventos?

No mercado de ações brasileiro existem diversos tipos de proventos. Estes incluem os dividendos e os juros sobre o capital próprio (JCP), que são os mais conhecidos. Mas há outros tipos que nem todos conhecem, como os direitos de subscrição e as bonificações.

A seguir, você entenderá como funciona cada um deles!

Dividendos

Até mesmo em pequenos negócios, é comum que os sócios recebam parte do lucro. O mesmo vale para as grandes empresas, incluindo as de capital aberto. Afinal, um dos objetivos principais de toda empresa é justamente fornecer lucro aos seus proprietários.


Os dividendos são parte do lucro líquido que as empresas distribuem aos acionistas. O valor que essas pessoas recebem depende do tipo e da quantidade de ações que elas detêm.

Vale destacar que a distribuição de dividendos é regulamentada pela Lei das Sociedades por Ações. De acordo com ela, o acionista de uma companhia tem o direito de participar de seus lucros, não importa se ela é aberta ou fechada.

Naturalmente, uma empresa não pode distribuir a totalidade de seu lucro líquido. Parte desse valor pode ser reinvestida no negócio, aumentando a capacidade de geração de lucro da empresa.

Além disso, é prudente formar uma reserva, que poderá ser usada em momentos de necessidade.  Assim, a empresa pode evitar contrair empréstimos, o que poderia ser prejudicial para sua saúde financeira.

Na assembleia geral ordinária de acionistas, a companhia apresenta as suas demonstrações financeiras e a sua proposta de distribuição de dividendos. Então, cabe aos acionistas aprovar ou não.

Depois, a companhia informa à Comissão de Valores Mobiliários (CVM) como se dará a distribuição de dividendos. Assim, o mercado toma conhecimento do que foi decidido.


Na demonstração de resultados do exercício (DRE), é possível notar que o lucro líquido é apurado após o pagamento do Imposto de Renda. Por isso, os acionistas estão isentos de pagar imposto sobre os dividendos.

Juros sobre o capital próprio

Os JCP são similares aos dividendos, mas existe uma diferença contábil entre eles. Enquanto os dividendos são calculados com base na última linha da DRE, os JCP são calculados em uma linha um pouco mais acima.

Isso faz com que os JCP sejam considerados uma despesa. Desse modo, abate-se a base de cálculo do Imposto de Renda e da CSLL (Contribuição Social sobre o Lucro Líquido).

Assim, a empresa não paga Imposto de Renda sobre esse lucro distribuído aos acionistas. O IR fica a cargo do investidor, que tem a alíquota de 15% retida na fonte ao receber os proventos.

Direito de subscrição

Uma companhia pode decidir fazer uma nova emissão de ações, como é o caso de um follow on. Quando isso acontece, os acionistas possuem o direito de manter a sua proporção de participação na empresa.

Por isso, antes de emitir novos papéis, a empresa distribui aos acionistas o direito de subscrição. Isso dá a eles a oportunidade de adquirir as ações — proporcionalmente àquelas que eles já possuem.

Assim que recebe o direito de subscrição, o acionista tem no mínimo 30 dias para se manifestar a respeito do seu interesse. O prazo exato consta no estatuto social ou pode ser definido em uma assembleia de sócios.

O investidor pode preferir não comprar novas ações da empresa. Em alguns casos, ele pode vender o seu direito de subscrição no mercado. Trata-se de um procedimento similar ao da venda de ações, podendo gerar ganho de capital.

Caso você decida comprar as novas ações, geralmente tem a oportunidade de comprá-las por um preço abaixo ao do valor de mercado da companhia. Assim, a aquisição pode ser vantajosa.

Bonificação

Como você viu, as empresas não distribuem todo o lucro líquido aos acionistas, uma vez que parte dele é mantido em reserva.

Em alguns momentos, pode ser decidido que parte do lucro acumulado será distribuído. Trata-se de um pagamento extra, que pode ser feito na forma de dinheiro ou de novas ações da empresa.

Como receber proventos?

Para receber proventos, você deve dar atenção a alguns fatores, como o seu perfil de investidor, seus objetivos e a escolha acertada de ativos.

A seguir, veja dicas importantes!

Considere seu perfil de investidor

Para investir com foco em proventos, primeiro é preciso avaliar o seu perfil de investidor. Afinal, os investimentos que oferecem tal vantagem são de renda variável. Logo, é preciso tolerar algum nível de risco.

É comum que investidores de perfil conservador deem preferência à renda fixa. Quando eles incluem investimentos de renda variável na carteira, estes geralmente representam uma proporção pequena do portfólio.

Assim, sua carteira de ações pode não ser suficiente para gerar um volume significativo de proventos. Por outro lado, se você tem um perfil moderado ou arrojado, suas possibilidades de obter uma renda passiva proveniente de proventos são maiores.

Defina objetivos claros

Algumas pessoas querem lucrar no curto prazo com a valorização das ações. No entanto, pode ser difícil encontrar um ativo que ofereça, no curto prazo, potencial de valorização e um volume significativo de proventos.

Por outro lado, quem investe visando o longo prazo pode se beneficiar mais desses pagamentos. Assim, é importante definir seus objetivos para alinhar os investimentos a eles. Será mais fácil encontrar ativos que sejam bons pagadores de proventos para metas de longo prazo.

Escolha investimentos de maneira estratégica

Algumas empresas são consideradas boas pagadoras de dividendos. Outras talvez não paguem valores tão expressivos. Apesar de serem obrigadas a distribuir lucro, é preciso ter em mente que a frequência e o percentual são definidos pela companhia.

Além disso, negócios que enfrentem prejuízo não possuem lucro para distribuir, certo? Logo, a análise dos investimentos deve ser estratégica. Um bom indicador para avaliar é o DY (dividend yield).

Ele indica o quanto a empresa distribuiu em dividendos aos acionistas nos 12 meses anteriores. Também é válido considerar outros indicadores fundamentalistas para entender a situação financeira da empresa.

Se for sólida e lucrativa, ela poderá ser uma boa fonte de proventos para você. Lembre-se, ainda, de que alguns fundos imobiliários também pagam proventos frequentes. Em especial, os fundos de tijolo que investem em imóveis para aluguel.

Na análise de ações e cotas de fundos, tenha em mente que a distribuição de proventos ocorrida no passado não garante a distribuição no futuro. Eles dependem de a empresa ou fundo continuar obtendo lucros. Por isso, considere sempre os riscos.

Atente-se ao calendário de pagamentos

É conhecida como data da declaração aquela em que o conselho de administração da empresa divulga a data de pagamento dos proventos. Esta se refere ao dia em que se dará a distribuição desses benefícios.

Outro evento importante no calendário de pagamentos é a data de registro. É nela que a empresa registra formalmente quem está apto a participar da distribuição de proventos.

Esse pagamento é feito aos acionistas que compraram ações até determinada data, que é chamada de data-com. O dia seguinte é conhecido como data-ex. Quem compra ações a partir dela não tem o direito de receber os proventos que foram anunciados.

Conclusão

Os proventos são uma importante fonte de ganho de capital para quem investe na bolsa de valores. Eles podem contribuir significativamente para o aumento do seu patrimônio e o atingimento de objetivos financeiros de longo prazo.

Um desses objetivos é a independência financeira. Muitos investidores querem alcançá-la para terem mais liberdade e qualidade de vida. Assim, isso pode passar pela escolha de ativos que sejam bons pagadores de proventos!

Ficou com dúvidas ou quer conhecer melhor as possibilidades? Entre em contato conosco e fale com um assessor!