Quem começa a investir no mercado financeiro tende a estar sempre em busca de ferramentas e conceitos que amparem sua tomada de decisão, não é mesmo? Nesse momento, saber o que é rating pode ser interessante.

Esse é um conceito classificativo amplamente empregado no mercado. Contudo, para aproveitá-lo e usá-lo ao seu favor, é importante saber do que ele se trata e como pode ser aplicado. Por exemplo, na hora de selecionar ativos para compor sua carteira.

Para entender como usar o rating a seu favor, confira o artigo a seguir e aproveite as informações em sua estratégia!

O que é rating?

É provável que você já tenha ouvido falar do score. Ele diz respeito a uma nota dada aos consumidores brasileiros. Assim, permite que as empresas e prestadoras de serviços saibam qual é a probabilidade de que eles honrem com seus compromissos financeiros.

Do mesmo modo que os cidadãos recebem uma nota, as empresas e seus ativos também passam por uma classificação. Isso é feito pelo rating. A tradução dessa palavra significa exatamente “classificação”.

Com isso, a ferramenta indica o risco de crédito — também conhecido como classificação de risco ou nota de risco. Na prática, o rating mensura a capacidade de um agente econômico honrar com suas responsabilidades.

Como ele funciona?

O rating é realizado por agências de classificação de risco. Elas também são chamadas de agências de rating e são responsáveis por realizar as classificações e dar notas às organizações, além de posicionar seus ativos por graus.

E a nota não se refere apenas às empresas. Ela também pode ser usada para a compreensão da realidade de um país (e de seus títulos públicos). Para tanto, um analista de riscos é enviado pela agência.

Para determinar o rating corretamente, o analista precisa de muita preparação. Isso porque deve conhecer tanto a situação econômica da companhia em questão quanto às condições do país em que ela está inserida.

Para atingir o fim da análise, o profissional tende a consultar membros da administração fiscal da empresa. Além disso, confere documentos financeiros e estuda a realidade econômica em questão.

Saiba mais!

Critérios de análise

Para que a avaliação seja representativa do risco assumido, o analista e a agência de rating procuram entender fatores-chave. Alguns exemplos de aspectos que são considerados pelos profissionais incluem:

  • solidez do balanço patrimonial;
  • taxas de juros;
  • contexto econômico e político do país;
  • fluxo de caixa;
  • nível de alavancagem;
  • tamanho do passivo do negócio, etc.

classificação de risco - rating

Como é possível perceber, tanto critérios quantitativos quanto qualitativos são usados pelos analistas. Observar esse segundo aspecto é importante, pois ele pode impactar a capacidade de uma empresa em honrar com seus compromissos financeiros.

Por exemplo, uma organização inserida em um mercado instável pode receber um rating inferior pela influência de fatores externos a ela. Quadros financeiros complicados durante uma crise financeira, política ou de saúde (como as pandemias) são exemplos disso.

É importante ter em mente, ainda, que cada agência tem seus próprios critérios. Ao fim da análise profissional, é atribuída uma nota e/ou grau ao país ou à companhia em questão, e, consequentemente, aos seus ativos.

Isso geralmente é feito em uma escala de A a D, mas pode variar de acordo com a agência. Depois, o rating servirá de guia aos que desejam fazer negócios com o Governo ou a empresa. É o caso de investidores ou credores.

Vale destacar também que a nota e/ou grau podem ser alterados com o tempo, com a mudança de risco do agente. Para isso, é preciso que uma nova avaliação seja realizada.

Diferenças no rating

Como você viu, existem dois tipos diferentes de rating. Assim, é interessante saber tanto o que é rating por grau (que se divide em especulativo e de investimento) quanto por nota. Eles caminham juntos.

O rating por grau mostra a posição de um determinado ativo em relação ao seu risco de crédito. Já o rating por nota mostra a posição do ativo (seu nível de risco) dentro de cada grau (especulativo ou de investimento).

Ao conhecê-los, os interessados na classificação da empresa podem compreender melhor a relação entre risco e retorno de seus ativos. No rating por grau, o especulativo diz respeito aos maiores riscos de inadimplência.

Desse modo, as agências consideram que escolher os produtos financeiros da empresa em questão, ou títulos públicos do país, é um modo de especulação — e não de investimento, pelo risco ser mais elevado.

Já no segundo caso, que é o grau de investimento, estão classificadas as companhias ou Governos que apresentam boas notas de rating. Ou seja, que não oferecem tantos riscos.

Quais são os principais tipos de rating?

Como você acabou de ver, o grau do rating varia entre especulação e investimento. No entanto, essas não são as únicas classificações existentes. Dependendo do objeto da avaliação de crédito, é possível chegar a tipos diferentes de rating.

Há, por exemplo, o rating em nível nacional ou internacional. No rating internacional, é feita uma comparação da avaliação de crédito em escala global. Ele permite descobrir se um país oferece riscos maiores que outro.

No caso do rating nacional, a comparação é interna e costuma envolver os estados — que também tendem a apresentar níveis de risco distintos.

A essa classificação, podem-se somar as avaliações de moeda nacional e de moeda estrangeira. O primeiro tipo de rating avalia a capacidade de pagamento na moeda em circulação no país, enquanto o segundo envolve um câmbio estrangeiro.

Então, é possível saber se um país tem capacidade de pagamento em sua moeda e em um câmbio de referência. Essa é uma forma de ter uma visão mais completa sobre os riscos que alguém assume ao fazer um investimento.

Além desses tipos majoritários, há outras possibilidades de rating. O de títulos, por exemplo, avalia a capacidade de pagamento dos emissores, dentre os quais pode estar o Governo Federal.

Já o rating de empresas busca compreender a capacidade que a companhia apresenta de cumprir com seus pagamentos. Por exemplo, o de créditos obtidos, de investimentos e de proventos de ações, se for o caso.

Cada agência define quais tipos de rating pode oferecer, utilizando sua metodologia específica e seu nível de classificação. Com os resultados, é possível fazer comparações entre as oportunidades.

Qual a importância do rating para o mercado financeiro?

O rating é relevante para o mercado financeiro por ajudar os investidores a conhecer as condições de risco envolvidas em um investimento antes de aportar seu dinheiro. Portanto, faz parte de uma gestão de risco estratégica.

Isso é fundamental, visto que não ter atenção com tal ponto pode culminar em não receber o rendimento esperado. Além disso, pode levar o investidor a obter perdas. Sendo assim, é possível dizer que o rating é uma ferramenta útil de análise de viabilidade.

Contudo, sua relevância vai além desse aspecto. Isso porque o rating impulsiona o controle e a estabilidade econômica de empresas e Governos. Inevitavelmente, eles são os alvos das agências.

Desse modo, ao serem avaliados, precisam adequar seu prêmio de risco e suas dívidas ao mercado. Isso impacta nos juros envolvidos em solicitações de crédito — o que também influencia os ganhos dos investidores.

Quais são as principais agências de rating?

Existem diversas agências de classificação pelo mundo, contudo, há três que se destacam. São elas: Standard & Poor’s, Moody’s e Fitch. Elas são chamadas de Big Three ou, as Três Grandes, em tradução livre, por sua relevância em termos de análise de risco.

A avaliação realizada por essas três agências é considerada por países, investidores e agentes de mercado de todo o globo. Desse modo, observá-las pode ser uma boa ideia para os investidores que desejam tomar decisões mais conscientes.

Para entender melhor como cada uma atua, conheça as metodologias das principais agências de avaliação de risco!

Moody’s

A Moody’s publicou sua primeira análise de rating em 1900, referente ao mercado dos Estados Unidos — que estava em desenvolvimento. Ao longo dos anos, a agência desenvolveu metodologias específicas para cada análise.

Assim, o rating de carteiras de certificados de recebíveis, por exemplo, é diferente da metodologia de teto-país utilizada. Também há diferenciações entre empresas gerais e de valores mobiliários.

O objetivo é aumentar a precisão da avaliação, de modo que o resultado seja mais representativo do grau de risco apresentado. Além dos tipos principais de ratings, a agência realiza outros serviços de avaliação. Alguns exemplos incluem:

  • rating de fundos de bonds;
  • avaliações de fundos de ações;
  • avaliações de green bonds;
  • ratings indicativos;
  • rating de ações em escala nacional;
  • estimativas de crédito e outros.

Em relação à classificação, como você verá na tabela de escala de ratings, o grau mais alto de investimento é o Aaa. O mais baixo, por sua vez, é o C. A diferença principal de nomenclatura para outras agências está nos níveis intermediários, como Aa1, Aa2 e Aa3, em vez de AA+, AA e AA-.

Para o grau de investimento, a Moody’s considera as seguintes escalas:

  • Aaa;
  • Aa1, Aa2 e Aa3;
  • A1, A2 e A3;
  • Baa1, Baa2 e Baa3.

Já as notas de grau especulativo são as seguintes:

  • Ba1, Ba2 e Ba3;
  • B1, B2 e B3;
  • Caa, Ca e C.

Standard & Poor’s

O surgimento da Standard & Poor’s aconteceu em 1860, mas a primeira publicação foi apenas em 1923. Embora hoje seja uma das principais agências de rating do mercado financeiro, ela surgiu como uma instituição focada na publicação de índices.

O S&P 500, por exemplo, está entre os mais relevantes e tem uma metodologia que reúne as ações das 500 empresas mais negociadas do mercado norte-americano.

Ao longo do tempo, a S&P passou a oferecer também o serviço de análise de crédito. Além dos tipos mais comuns, outros serviços de avaliação incluem:

  • ratings de fundos de investimento;
  • ratings de seguros;
  • ratings de operações estruturadas;
  • ratings de instituições financeiras e outros.

Em relação à escala de análise, as notas de grau de investimento são:

  • AAA;
  • AA+, AA e AA-;
  • A+, A e A-;
  • BBB+, BBB e BBB-.

Para o grau especulativo, são dadas as seguintes notas:

  • BB+, BB e BB-;
  • B+, B e B-;
  • CCC, CC e C.

Fitch

A Fitch foi criada em 1913 e foi a primeira a adotar o sistema de classificação de AAA a D, que hoje é amplamente utilizado em todo o mercado. Para atuar globalmente, a empresa conta com subsidiárias e realiza treinamentos para que a metodologia por ela adotada seja contemplada.

A agência avalia tanto corporações quanto países, além de outras avaliações — como aquelas que são feitas em relação à força financeira. Entre as alternativas, estão:

  • rating de recuperação;
  • ratings de viabilidade;
  • ratings de qualidade de crédito de fundos e outros.

Na escala de avaliação da Fitch, as notas de grau de investimento são:

  • AAA;
  • AA+, AA e AA-;
  • A+, A e A-;
  • BBB+, BBB e BBB-.

Por sua vez, as notas de grau especulativo incluem:

  • BB+, BB e BB-;
  • B+, B e B-;
  • CCC; CC e C.

Apesar de o sistema de avaliação ser relativamente compartilhado entre as principais agências, os resultados podem variar de acordo com as metodologias utilizadas. Logo, o mesmo país pode apresentar um grau AA+ (ou Aaa1) em uma agência e AA (ou Aa2) em outra, por exemplo.

Portanto, não é preciso buscar a convergência de análise de ativos e mercados entre as instituições. O mais importante é entender os critérios de avaliação de cada uma, para compreender qual é a conclusão que você pretende considerar.

Como aplicar o conceito de rating?

Agora você entende o que é rating e como ele impacta o ambiente de investimentos, tanto em renda fixa quanto em renda variável. Além disso, pôde conferir os efeitos que eles geram em Governos e empresas.

Na hora de usá-lo como uma ferramenta de consulta, é importante alinhar a observações com as suas características pessoais. Isso significa verificar, junto ao rating, seu perfil de investidor e seus objetivos. Assim, suas decisões de investimento serão mais efetivas.

Depois de saber o que é rating e conferir este conteúdo completo, será mais fácil avaliar e selecionar investimentos de forma embasada, com uma gestão de risco adequada. Ao mesmo tempo, não perca de vista as suas necessidades e os objetivos ao realizar investimentos nas diversas classes!

E então, gostou deste conteúdo? Deixe seu comentário a seguir ou compartilhe suas dúvidas sobre o tema conosco! E, se precisar de ajuda para conhecer os investimentos disponíveis no mercado, entre em contato!