ETFs listados na B3: todos os 204 fundos de índice em 2026

ETFs listados na B3: todos os 204 fundos de índice em 2026

A B3 encerrou junho de 2026 com 204 ETFs listados — número que dobrou em menos de dois anos. Se você quer entender como cada categoria funciona, qual a tributação correta e qual ETF faz sentido para seu objetivo, este artigo cobre tudo: de BOVA11 a ETFs de renda fixa, passando por internacionais e temáticos.

Resposta direta: ETFs (Exchange Traded Funds) são fundos de índice negociados em bolsa como ações. A B3 tem 204 ETFs listados em 2026, divididos em categorias como ações brasileiras, internacionais, renda fixa, commodities, FIIs e ESG. Cada cota comprada no home broker dá exposição automática a dezenas ou centenas de ativos de uma só vez.

O que é um ETF e por que a B3 já tem mais de 200 listados

Um ETF é um fundo de índice cujas cotas são negociadas em bolsa exatamente como uma ação ordinária. Ele busca replicar a performance de um índice de referência — o Ibovespa, o S&P 500 ou o IMA-B, por exemplo. O investidor compra e vende cotas pelo home broker durante o pregão, com liquidação em D+2.

Como funciona a negociação de um ETF

A diferença central em relação a um fundo tradicional é a negociação contínua. Em um fundo convencional, o resgate ocorre em datas específicas e pelo valor da cota calculado ao fim do dia. No ETF, o preço oscila ao longo do pregão, refletindo oferta e demanda — além do valor dos ativos subjacentes.

Por outro lado, o ETF mantém a essência do fundo: um gestor (ou regra sistemática) define a carteira com base no índice-alvo. Há um mecanismo de arbitragem que mantém o preço da cota próximo ao valor patrimonial.

O mecanismo de arbitragem

Quando a cota negocia com deságio, agentes autorizados compram cotas e resgatam os ativos; quando há ágio, fazem o caminho inverso. Esse processo limpa distorções de preço e garante que o ETF acompanhe fielmente o índice replicado — evitando os prêmios e deságios que afetam fundos imobiliários.

No Brasil, os ETFs são regulados pela CVM e estruturados como fundos de investimento em índice de mercado. A B3 organiza o mercado secundário, garante liquidação e mantém o registro das cotas escriturais. Portanto, o investidor tem a proteção regulatória de um fundo e a praticidade de uma ação.

Por que o mercado de ETFs cresceu tão rápido

O crescimento acelerado tem três razões principais:

  • Tecnologia mais acessível: a queda nos custos de tecnologia reduziu o custo de lançar e gerir um ETF, tornando viável oferecer produtos antes considerados nicho.
  • Investimento passivo em alta: o avanço da cultura de investimentos passivos — que questiona se gestores ativos conseguem superar o índice de forma consistente — aumentou a demanda por fundos indexados.
  • Regulação facilitada: a CVM facilitou o processo regulatório para novos produtos, abrindo espaço para ETFs temáticos, ESG, setoriais e de renda fixa que antes não eram permitidos.

Na prática, isso significa que o investidor brasileiro hoje tem acesso, com uma única conta em corretora, a ETFs que replicam desde o Ibovespa até índices de governança corporativa, ouro, mercados emergentes e debêntures. A diversificação que antes exigia carteiras complexas agora cabe em uma única operação de compra.

Para o iniciante, o ponto de entrada é simples: abrir conta em corretora habilitada na B3, buscar o ticker do ETF desejado no home broker e executar a ordem de compra. Não há carência, não há prazo mínimo de permanência e não há come-cotas semestral — diferentemente dos fundos tradicionais de renda fixa.

Um detalhe importante: assessorias como a Renova Invest orientam que o primeiro passo antes de escolher um ETF é entender o índice que ele replica — porque o risco do ETF é, essencialmente, o risco do índice subjacente.

Lista completa de ETFs da B3 por categoria

Os 204 ETFs listados na B3 se organizam em oito grandes categorias. Cada uma replica um tipo diferente de índice e carrega um perfil de risco distinto. Conhecer essa divisão é o primeiro passo para montar uma carteira coerente com seus objetivos.

1. Ações brasileiras amplas — replicam índices de mercado como Ibovespa e IBrX-100. Exemplos: BOVA11, BRAX11, XBOV11.

2. Ações internacionais — dão exposição a índices estrangeiros em reais. Exemplos: IVVB11 (S&P 500), WRLD11 (MSCI World), ACWI11.

3. Setoriais e temáticos — replicam índices de setores específicos ou temas como dividendos, small caps, consumo e financeiro. Exemplos: SMAL11, DIVO11, FIND11, UTIL11, MATB11.

4. Renda fixa — replicam índices de títulos públicos prefixados ou de crédito privado. Exemplos: FIXA11 (IRF-M), IRFM11.

5. Inflação — replicam índices de títulos atrelados ao IPCA. Exemplos: IMAB11 (IMA-B), B5P211 (IMA-B5).

6. Commodities e ouro — oferecem exposição a commodities físicas ou derivativos. Exemplo: GOLD11 (ouro).

7. FIIs (Fundos Imobiliários) — replicam índices de fundos imobiliários listados na B3. Exemplo: RBFF11 (IFIX).

8. ESG e governança — replicam índices com critérios ambientais, sociais e de governança. Exemplos: GOVE11 (IGCT), ECOO11 (ICO2), ESGB11.

Ticker Índice replicado Categoria
BOVA11 Ibovespa Ações amplas BR
SMAL11 SMLL (Small Caps) Temático
DIVO11 IDIV (Dividendos) Temático
IVVB11 S&P 500 Internacional
IMAB11 IMA-B Inflação
B5P211 IMA-B5 Inflação
FIXA11 IRF-M Renda fixa
GOLD11 Ouro Commodities
GOVE11 IGCT (Governança) ESG
ECOO11 ICO2 ESG

Qual ETF escolher conforme seu perfil

Com 204 opções, é fácil ficar paralisado. Aqui está o atalho:

  • Se você é iniciante: comece com BOVA11 (ações brasileiras) + IVVB11 (S&P 500) + IMAB11 (proteção contra inflação). Três tickers, três classes de ativos, diversificação instantânea. Taxa baixa, alta liquidez.
  • Se você é intermediário: mantenha a base anterior e adicione ETFs setoriais conforme sua convicção (FIND11 para financeiro, UTIL11 para energia, ECOO11 para sustentabilidade). Cada setor adicional representa uma aposta consciente, não dispersão.
  • Se você é avançado: explore ETFs temáticos de menor volume, operações com derivativos e estratégias de renda fixa mais elaboradas (KDIF11 para crédito privado, DEBB11 para debêntures). Risco maior exige conhecimento maior.

Na prática, essa diversidade de categorias permite ao investidor montar uma carteira completa usando apenas ETFs. Um portfólio simples poderia combinar BOVA11 (ações brasileiras), IVVB11 (internacional) e IMAB11 (proteção contra inflação) — três tickers, três classes de ativos distintas.

As taxas de administração variam bastante entre categorias. ETFs de índices amplos costumam ter taxas mais baixas — BOVA11, por exemplo, cobra cerca de 0,10% ao ano. ETFs temáticos ou de estratégias mais complexas podem cobrar acima de 0,50% ao ano. Sempre confira a taxa no prospecto antes de investir, pois ela reduz diretamente o retorno líquido.

ETFs de ações brasileiras: do Ibovespa às small caps

ETFs de ações brasileiras replicam índices como Ibovespa (BOVA11), Small Caps (SMAL11), dividendos (DIVO11) e governança (GOVE11), permitindo diversificação instantânea com uma única cota. São os ETFs de maior liquidez na B3 e os mais indicados para quem está começando.

O BOVA11 é o ETF mais negociado da B3. Ele replica o Ibovespa, índice que reúne as ações de maior liquidez e representatividade da bolsa brasileira — atualmente mais de 80 empresas. Com taxa de administração de aproximadamente 0,10% ao ano, é uma das formas mais baratas de ter exposição ao mercado de ações nacional.

Cenário prático: um investidor que aplica R$ 1.000 em BOVA11 obtém, com uma única operação, exposição proporcional a mais de 80 ações do Ibovespa. Não precisa selecionar papéis, acompanhar balanços individuais nem rebalancear manualmente. O próprio índice faz o rebalanceamento periódico.

O SMAL11 replica o índice SMLL, que concentra empresas de menor capitalização de mercado. Small caps historicamente apresentam maior volatilidade, mas também potencial de retorno superior no longo prazo. É indicado para investidores com maior tolerância a oscilações.

O DIVO11 replica o IDIV, índice de empresas com histórico consistente de distribuição de dividendos. Diferentemente de uma ação individual, o ETF reinveste automaticamente os proventos recebidos na carteira — o que tem implicação tributária importante: o investidor não recebe dividendos em conta, portanto não há evento tributável no recebimento. O ganho se materializa apenas na venda das cotas.

O GOVE11 é o ETF de governança da B3, replicando o IGCT (Índice de Governança Corporativa Trade). Empresas nesse índice seguem práticas elevadas de transparência e gestão. É uma escolha para investidores que priorizam qualidade de gestão corporativa junto à exposição ao mercado brasileiro.

Outros ETFs relevantes nessa categoria:

  • ECOO11 — replica o ICO2, índice de empresas com compromissos de redução de emissões de carbono.
  • MATB11 — replica o IMAT, focado no setor de materiais básicos (mineração, siderurgia, papel e celulose).
  • FIND11 — replica o IFNC, concentrado no setor financeiro (bancos, seguradoras, financeiras).
  • UTIL11 — replica o UTIL, com foco em empresas de utilidade pública (energia elétrica, saneamento).

Para o investidor iniciante, o ponto de partida mais lógico é BOVA11 ou BRAX11 (IBrX-100). São os mais líquidos, os mais baratos em taxa e os que oferecem a exposição mais ampla ao mercado brasileiro. ETFs setoriais como FIND11 e MATB11 fazem mais sentido como complemento, não como posição central.

ETFs internacionais na B3: como investir no S&P 500 sem sair do Brasil

ETFs internacionais listados na B3 permitem ao investidor brasileiro comprar cotas em reais e ter exposição a índices como S&P 500, MSCI World e MSCI Emerging Markets — sem precisar abrir conta no exterior. Toda a operação ocorre pelo home broker, com liquidação em reais.

O IVVB11 é o ETF internacional mais negociado da B3. Ele replica o S&P 500 — índice das 500 maiores empresas americanas por capitalização de mercado, incluindo Apple, Microsoft, Amazon e Nvidia. Ao comprar IVVB11 em reais, o investidor automaticamente ganha exposição cambial ao dólar: se o dólar sobe, o valor das cotas em reais tende a subir junto.

Cenário prático: um investidor que compra R$ 500 em IVVB11 está, na prática, investindo em uma fatia proporcional das 500 maiores empresas americanas, com proteção natural contra desvalorização do real. Se o dólar passar de R$ 5,11 para R$ 5,50, o valor das cotas em reais sobe mesmo que o S&P 500 não se mova.

Esse risco cambial é uma faca de dois gumes. Em cenários de fortalecimento do real, o retorno em reais pode ser menor do que o retorno do índice em dólar. Por outro lado, em momentos de stress econômico doméstico, a exposição cambial funciona como hedge natural da carteira.

Além do IVVB11, outros ETFs internacionais relevantes na B3:

  • WRLD11 — replica o MSCI World, índice de ações de países desenvolvidos (EUA, Europa, Japão, Canadá e outros).
  • ACWI11 — replica o MSCI ACWI (All Country World Index), que inclui tanto países desenvolvidos quanto emergentes.
  • ESGB11 — ETF internacional com filtro ESG, replicando índice de empresas globais com critérios ambientais e de governança.

Existe também uma categoria adjacente: os BDRs de ETFs (Brazilian Depositary Receipts). São certificados de depósito que representam cotas de ETFs estrangeiros, como o SPY (S&P 500) ou QQQ (Nasdaq). A diferença em relação a ETFs como IVVB11 é estrutural: o BDR é um certificado emitido por um banco depositário, enquanto o IVVB11 é um fundo local que compra os ativos do S&P 500. Para o investidor de varejo, a diferença prática é pequena — ambos dão exposição ao mesmo índice em reais.

Para quem quer saber como investir fora do Brasil com ETFs internacionais sem abrir conta no exterior, IVVB11 e WRLD11 são os caminhos mais diretos disponíveis na B3 hoje. A escolha entre eles depende do quanto o investidor quer de concentração nos EUA versus diversificação global.

ETFs de renda fixa na B3: Tesouro, inflação e crédito privado em bolsa

ETFs de renda fixa listados na B3 replicam índices de títulos públicos e crédito privado, permitindo negociação intradiária com transparência de preço. Apesar do nome “renda fixa”, esses ETFs têm volatilidade de preço — porque o valor de mercado dos títulos oscila conforme as taxas de juros.

Esse é o ponto mais contraintuitivo para o investidor iniciante. Um ETF que replica o IMA-B pode cair 5% em um mês se as taxas de juros longas subirem bruscamente — mesmo que os títulos na carteira sejam do Tesouro Nacional. O risco não é de crédito, mas de duration (sensibilidade à variação de juros).

Os principais ETFs de renda fixa na B3:

  • FIXA11 — replica o IRF-M, índice de títulos públicos prefixados com prazo de até um ano. Menor duration, menor volatilidade.
  • IRFM11 — também replica o IRF-M, com estrutura similar ao FIXA11.
  • B5P211 — replica o IMA-B5, índice de títulos públicos atrelados ao IPCA com prazo de até cinco anos. Duration intermediária.
  • IMAB11 — replica o IMA-B completo, que inclui títulos IPCA+ de todos os prazos. É o de maior duration entre os ETFs de inflação — portanto, o mais volátil.
  • KDIF11 — exposição a crédito privado, com foco em ativos de renda fixa de empresas.
  • DEBB11 — replica índice de debêntures, oferecendo exposição a crédito corporativo em bolsa.
Ticker Índice Perfil de risco
FIXA11 IRF-M Baixo (curto prazo)
B5P211 IMA-B5 Médio (inflação curta)
IMAB11 IMA-B Alto (inflação longa)
DEBB11 Debêntures Médio-alto (crédito)

Uma vantagem relevante desses ETFs é a ausência de come-cotas — o recolhimento semestral antecipado de IR que afeta fundos de renda fixa tradicionais (conforme Lei 10.892/2004). No ETF de renda fixa, o IR incide apenas no momento da venda das cotas, com alíquota regressiva exclusiva na fonte (detalhada na seção de tributação).

Para o investidor que busca proteção contra a inflação no longo prazo, o IMAB11 oferece exposição ao IMA-B de forma simples e líquida. Por outro lado, quem tem horizonte mais curto e menor tolerância a volatilidade pode preferir o B5P211, que concentra títulos de prazo mais curto e, portanto, oscila menos.

Tributação dos ETFs: ações vs. renda fixa vs. ações diretas

A tributação é o fator que mais impacta o retorno líquido. ETFs de renda variável pagam 15% de IR sobre ganho de capital, mas não têm a isenção de R$ 20 mil/mês que vale para ações individuais. ETFs de renda fixa têm tributação regressiva exclusiva na fonte — e um detalhe crítico: não pagam come-cotas semestral.

ETF vs. Ações: Comparação Tributária

ETFs de renda variável — regras fiscais:

  • Alíquota: 15% sobre ganho de capital em operação comum; 20% em day trade.
  • Isenção mensal: não há isenção de R$ 20 mil/mês como existe para ações individuais. Todo lucro é tributado a 15%, independentemente do valor vendido no mês.
  • Recolhimento: via DARF, código 6015, até o último dia útil do mês seguinte à venda.
  • Prejuízos: podem ser compensados com ganhos futuros em ETFs ou ações.
  • Come-cotas: não há recolhimento semestral (exclusivo de fundos tradicionais de renda fixa).

ETFs de renda fixa — regras fiscais:

  • Alíquota regressiva exclusiva na fonte: 25% (até 180 dias), 20% (181 a 720 dias), 15% (acima de 720 dias).
  • Nota importante: essa tabela é exclusiva de ETFs de renda fixa — difere da tabela padrão de renda fixa que vai de 22,5% a 15%.
  • Recolhimento: IR retido na fonte pela instituição — o investidor não precisa emitir DARF.
  • Come-cotas: não há recolhimento semestral.

Ações individuais — para comparação:

  • Alíquota: 15% sobre ganho de capital em operação comum; 20% em day trade.
  • Isenção mensal: vendas mensais de até R$ 20 mil por mês são isentas — desde que não haja day trade acumulado.
  • Dividendos: desde janeiro de 2026, por força da Lei 15.270/2025, lucros e dividendos pagos por uma mesma empresa a pessoa física residente que superem R$ 50 mil em um mesmo mês sofrem retenção de 10% (IRPFM). Abaixo desse valor, permanecem isentos.
  • Come-cotas: não há (fundos abertos de ações também não cobram).

ETFs de FIIs: seguem a regra de ETF de renda variável (15%), não a regra dos FIIs individuais. Portanto, não há isenção de IR sobre rendimentos distribuídos — porque, como em todos os ETFs, os proventos são reinvestidos, não distribuídos.

Cenário prático de impacto tributário: um investidor vende R$ 15.000 de BOVA11 com ganho de R$ 3.000. Paga IR normalmente: R$ 450 (15% × R$ 3.000). Se tivesse vendido R$ 15.000 em ações diretas no mesmo mês, teria gasto R$ 0 em IR, pois está dentro da isenção mensal de R$ 20 mil.

Para quem vende menos de R$ 20 mil por mês em ações, a carteira direta tem vantagem tributária sobre o ETF — especialmente no curto prazo. Para quem investe valores maiores ou prefere simplicidade, o ETF costuma ser mais eficiente.

ETF vs. ações diretas: qual escolher na prática?

A principal diferença é que o ETF oferece diversificação automática com uma única operação, enquanto a ação direta exige seleção individual de papéis. Na tributação, a ação tem isenção de R$ 20 mil/mês em vendas; o ETF não tem essa isenção — e esse detalhe pode mudar bastante o resultado líquido.

Cenário prático comparativo: um investidor tem R$ 5.000 para investir em ações brasileiras.

Opção A — Carteira de 10 ações diretas: para diversificar adequadamente, precisaria de pelo menos R$ 500 por papel. Teria custos de corretagem em cada operação, precisaria acompanhar os balanços das 10 empresas e rebalancear manualmente quando os pesos se desviassem. Mas em vendas mensais abaixo de R$ 20 mil, não pagaria IR sobre o ganho.

Opção B — BOVA11 com R$ 5.000: uma única operação dá exposição a mais de 80 ações. Taxa de administração de cerca de 0,10% ao ano. Zero trabalho de seleção ou rebalanceamento. Porém, qualquer lucro na venda é tributado a 15% — sem isenção de valor.

Para quem vende menos de R$ 20 mil por mês em ações, a carteira direta pode ter vantagem tributária sobre o ETF — especialmente no curto prazo. Para quem investe valores maiores ou prefere simplicidade, o ETF costuma ser mais eficiente.

Outras diferenças relevantes:

  • Dividendos: ações distribuem dividendos diretamente ao investidor — isentos de IR para PF até R$ 50 mil por mês recebidos de uma mesma empresa; acima disso, há retenção de 10% (Lei 15.270/2025, vigente desde janeiro de 2026). ETFs reinvestem os proventos automaticamente — não há distribuição direta, portanto não há isenção de dividendos aplicável.
  • Tracking error: ETFs podem ter pequena divergência em relação ao índice replicado, especialmente em índices menos líquidos. Ações individuais não têm esse risco.
  • Custo total: a taxa de administração do ETF é cobrada continuamente. Uma carteira de ações diretas não tem taxa de gestão, mas exige mais tempo e conhecimento do investidor.
  • Liquidez: ETFs amplos como BOVA11 e IVVB11 têm liquidez muito alta. ETFs temáticos menores podem ter spreads maiores e menor volume diário.

Para investidores iniciantes com menos de R$ 10.000 para investir, os ETFs costumam ser a escolha mais racional. A diversificação automática compensa a ausência da isenção de R$ 20 mil — especialmente porque, nesse patamar, as vendas mensais raramente atingiriam o limite de isenção de qualquer forma. Para investidores intermediários com carteiras maiores e disposição para selecionar papéis, a combinação de ações diretas e ETFs pode ser a estratégia mais eficiente.

Resumo prático

  • A B3 tem 204 ETFs listados em 2026, divididos em 8 categorias: ações brasileiras, internacionais, setoriais, renda fixa, inflação, commodities, FIIs e ESG.
  • ETFs de renda variável pagam 15% de IR sobre ganho de capital, sem isenção de R$ 20 mil/mês — diferente das ações individuais. Todo lucro é tributado.
  • ETFs de renda fixa têm tributação exclusiva na fonte com alíquota regressiva de 25% a 15%, sem come-cotas semestral.
  • BOVA11 (Ibovespa) e IVVB11 (S&P 500) são os ETFs de maior liquidez na B3 — bons pontos de partida para iniciantes.
  • ETFs reinvestem dividendos automaticamente; investidores não recebem proventos em conta, o que elimina a isenção de IR sobre dividendos.
  • Para carteiras abaixo de R$ 10.000, ETFs costumam ser mais eficientes que ações diretas pela diversificação automática e baixo custo operacional.

FAQ — Perguntas frequentes sobre ETFs na B3

ETF é renda fixa ou renda variável?

Depende do índice replicado. ETFs que replicam índices de ações (como BOVA11 e IVVB11) são de renda variável. ETFs que replicam índices de títulos públicos ou crédito privado (como IMAB11 e FIXA11) são classificados como ETFs de renda fixa. A tributação de cada tipo é diferente — confirme a categoria antes de investir.

Qual ETF tem mais liquidez na B3?

BOVA11 e IVVB11 são consistentemente os ETFs com maior volume diário negociado na B3. BOVA11 replica o Ibovespa; IVVB11 replica o S&P 500 em reais. Alta liquidez significa spreads menores e facilidade para comprar ou vender sem impactar o preço.

ETF paga dividendos?

Não diretamente. ETFs reinvestem automaticamente os dividendos e juros sobre capital próprio recebidos dos ativos da carteira. O investidor não recebe proventos em conta. O ganho se acumula no valor da cota e só é realizado na venda. Isso elimina a isenção de IR sobre dividendos que existe para ações individuais.

Como declarar ETF no Imposto de Renda 2026?

Na declaração do IRPF 2026 (ano-calendário 2025): informe as cotas em “Bens e Direitos” com o saldo em 31/12/2025. Ganhos de capital tributados via DARF vão na ficha “Renda Variável”. Rendimentos de ETFs de renda fixa retidos na fonte vão em “Rendimentos Sujeitos à Tributação Exclusiva”. Consulte a IN RFB vigente para códigos atualizados.

ETF tem a mesma tributação que ações individuais?

Não — essa é a diferença crítica. Ações individuais têm isenção de IR em vendas mensais de até R$ 20 mil, desde que sem day trade. ETFs de renda variável não têm essa isenção — todo ganho de capital é tributado a 15%. Para valores pequenos vendidos mensalmente, ações diretas têm vantagem tributária. Para valores maiores, ETFs podem ser mais eficientes no conjunto (taxa baixa + diversificação).

Quanto rende um investimento em IMAB11 no longo prazo?

IMAB11 replica títulos públicos atrelados ao IPCA+. Seu rendimento varia conforme a taxa de juros dos títulos, que oscila ao longo do tempo. Exemplo ilustrativo: se a taxa de um Tesouro IPCA+ está em 5,5% a.a. acima da inflação, e o IPCA acumulado for 4,22% a.a. (último dado divulgado), o retorno bruto total seria ~9,95% a.a. (composição: 1,055 × 1,0422 − 1). Líquido de IR (15% após 720 dias), seria ~8,46% a.a. Este é um cenário ilustrativo — taxas reais variam diariamente. Consulte o portal do Tesouro Direto para simulações com rentabilidades atuais.

Como começar a investir em ETF?

Quatro passos: (1) abra uma conta em uma corretora habilitada pela B3 (Bradesco, Itaú, XP, Renova, e outras); (2) faça a transferência do dinheiro; (3) acesse o home broker e busque o ticker do ETF desejado (ex: BOVA11); (4) execute a ordem de compra. A operação é processada durante o pregão (pré-abertura das 9h45 às 10h; negociação das 10h às 17h, conforme horário vigente desde 9 de março de 2026) e liquidada em D+2. Não há carência. Se precisar sair, vende a qualquer momento durante o pregão — sem período de lock-in.

Quer montar uma carteira com ETFs adequada ao seu perfil e ao seu momento de vida? A diferença entre escolher os ETFs certos e os errados não está só nos tickers — está em entender o índice replicado, a tributação aplicável e o prazo do seu objetivo. Muitos investidores deixam de ganhar dezenas de milhares de reais por não alinharem a escolha de ETF com a estratégia tributária. A Renova Invest pode ajudar você a estruturar isso com clareza — fale com um assessor.

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Fonte: Banco Central · 21/09/2026

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