Usar ferramentas analíticas antes de investir pode ajudar na tomada de decisão para a composição de portfólio. Entre os indicadores disponíveis, é importante saber o que é índice Sharpe, já que ele é muito utilizado para comparar investimentos.

Desenvolvido ainda na década de 1960, esse índice pode ser adotado com diversos produtos e ativos financeiros ou diferentes indicadores. Com as informações que ele fornece, você saberá se vale a pena assumir alguns riscos, considerando o potencial de retorno obtido em troca.

Quer saber mais? Neste artigo, você entenderá como o índice Sharpe funciona e aprenderá a usá-lo em sua tomada de decisão nos investimentos.

Confira!

O que é índice Sharpe?

O índice Sharpe, também conhecido como Sharpe Ratio, foi desenvolvido pelo economista William Sharpe em 1990. Esse matemático e estatístico também foi ganhador do prêmio Nobel de economia, por suas contribuições nessa área.

A ideia de Sharpe foi incluir o risco na análise de ativos, tendo em vista que era muito comum que os investidores avaliassem apenas a rentabilidade de seus investimentos. Com essas observações, Sharpe trouxe mudanças significativas para a avaliação das alternativas do mercado financeiro.

Na prática, ele buscou responder uma pergunta importante dos investidores: qual investimento pode me trazer mais rendimento com um risco aceitável? Apesar de essa ideia parecer simples, na época ela foi revolucionária.

Para entender melhor o índice Sharpe, imagine que você pode optar entre um ativo que tem o potencial de trazer ganhos de 50% em um ano ou outro com potencial de 20% de lucro no mesmo período. A primeira opção parece mais atrativa, não é mesmo?

No entanto, considere que ambos os ativos possuem riscos diferentes. Nesse exemplo, o primeiro tem uma volatilidade de 20%, enquanto o segundo apresenta apenas 5%. Você consegue perceber como o risco influencia na tomada de decisão?

O índice Sharpe pode ser utilizado para avaliar as duas opções e entender qual delas tem a melhor relação entre risco e retorno. Logo, ele serve como indicador financeiro que ajuda na avaliação de um investimento, considerando sua rentabilidade e os riscos.

A intenção é entender se o potencial de retorno de uma alternativa compensa os riscos envolvidos no investimento. Assim, o índice tem como objetivo ajudar o investidor a analisar quando vale a pena ou não assumir determinado risco no mercado.

Como ele funciona?

A análise da relação entre risco e retorno proposta pelo índice Sharpe é feita com base na comparação entre investimentos. A premissa consiste em identificar a rentabilidade de um aporte, considerando o desconto do retorno de uma aplicação financeira conservadora.

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Vale lembrar que a relação entre o risco e a rentabilidade costuma ser inversamente proporcional. Ou seja, quanto maior o risco assumido, mais ganhos o investidor deve esperar, enquanto alternativas menos arriscadas reduzem o potencial de retorno.

Afinal, não faz sentido escolher investimentos mais arriscados se eles não podem trazer mais rentabilidade, certo? No entanto, o mercado financeiro tem diversas nuances — sendo que os riscos e a rentabilidade, na renda variável, não podem ser totalmente previstos.

Nesse cenário, o índice Sharpe busca compreender se o retorno do investimento escolhido foi superior ao que seria obtido ao escolher uma alternativa com menos riscos. A avaliação tem por base essa relação entre risco e retorno.

Imagine que o índice de Sharpe aponte que os ganhos não foram maiores que os de uma aplicação conservadora. Nesse caso, há uma indicação de que não compensou correr o risco atrelado a essa decisão, não é mesmo? Afinal, você teria lucros semelhantes com mais segurança.

Desse modo, se dois ativos tiverem a mesma rentabilidade, a melhor escolha seria aquela em que se corre menos riscos. Assim, o investidor consegue montar uma carteira balanceada e com menos sobressaltos na sua estratégia.

Como calcular o índice Sharpe?

Como você viu, o índice Sharpe está ligado à comparação de investimentos. Então, além de considerar o retorno, é preciso pensar no risco oferecido. Para tanto, a volatilidade do produto ou ativo financeiro deve fazer parte do cálculo.

A fórmula é relativamente simples e ajuda a compreender o potencial ou o comportamento de um investimento. Veja:

Índice Sharpe = (Rentabilidade – Taxa livre de risco) / Volatilidade

Como referência, a taxa livre de risco pode ser a taxa Selic ou o Certificado de Depósito Interbancário (CDI). Isso acontece porque eles costumam estar atrelados a diversos investimentos de renda fixa — que são mais seguros.

Na hora de calcular o índice Sharpe, dois fatores principais podem torná-lo menor. O primeiro é o retorno do investimento que, se não for grande o bastante, pode até gerar um índice Sharpe negativo.

O segundo fator é a volatilidade. Essa característica afeta o resultado da mesma maneira que os ganhos. Nesse caso, se o investimento tiver uma rentabilidade elevada, mas também for muito volátil, isso se refletirá no cálculo do índice Sharpe — e o resultado será menor.

No geral, para que seja oportuno correr riscos maiores, o ideal é que o índice Sharpe seja mais elevado. O resultado indica, na prática, que compensou assumir a maior volatilidade porque houve uma remuneração proporcionalmente mais alta.

Como entender os resultados do índice Sharpe?

Ao aprender sobre o cálculo do índice Sharpe, você conferiu que existem três variáveis importantes: a rentabilidade do ativo analisado, a taxa livre de risco e a volatilidade do ativo analisado. Dessa forma, é preciso entender essas premissas para avaliar o resultado obtido.

Primeiro, é fundamental utilizar dados referentes a períodos mais longos — preferencialmente com 12 meses ou mais. Isso traz mais precisão para o cálculo, tendo em vista que períodos menores podem não refletir corretamente as características do ativo.

Além disso, não se esqueça que esse índice serve, principalmente, como comparação entre dois investimentos. Portanto, o seu resultado sozinho pode não ser um bom indicativo para o investidor fazer uma análise.

Sabendo disso, você deve compreender cada variável da fórmula. A taxa livre de risco indica um investimento possível e com baixíssimos riscos. Por isso, como você percebeu, são mais utilizadas a taxa Selic e o CDI.

A taxa Selic é utilizada como a rentabilidade de um título público, o Tesouro Selic. Como ele é garantido pelo Tesouro Nacional, o seu risco de crédito é o mais baixo possível, tendo em vista a mínima possibilidade de inadimplência.

Dessa maneira, comparar o resultado de possibilidades mais arriscadas com o Tesouro Selic é um bom parâmetro para os investimentos. Afinal, se você está assumindo mais riscos, espera que a rentabilidade seja superior a um investimento com alta segurança, certo?

Então você pode chegar a duas conclusões: um índice Sharpe mais alto significa que o investimento trouxe ganhos compatíveis com os riscos assumidos. Por outro lado, um Sharpe Ratio baixo indica que você correu muitos riscos em troca de uma rentabilidade não tão interessante.

Qual valor representa um bom índice Sharpe?

Você já entendeu que é preciso comparar os ativos e seus índices Sharpe. Mas, afinal, quanto é um bom Sharpe Ratio? Para responder essa pergunta, vale a pena conferir um exemplo de cálculo.

Imagine que você quer avaliar o índice Sharpe de um fundo de investimento que rendeu 12% em um ano. A volatilidade anual desse fundo foi de 10% e a taxa livre de risco utilizada é a Selic, que teve um resultado de 5% no período.

Desse modo, a conta utilizando números decimais fica assim:

índice Sharpe = (0,12 – 0,05) / 0,1

Então o resultado do índice Sharpe desse fundo no período foi de 0,7, comparando-o ao Tesouro Selic. Isso significa que, para cada ponto de risco que você assumiu, o fundo rendeu 0,7 pontos acima da taxa livre de risco.

Em geral, o ideal é que o índice Sharpe seja acima de 1. Contudo, um resultado inferior não significa que o ativo é um investimento ruim. Como você já sabe, tudo depende da comparação com outras alternativas do mercado e suas expectativas de retorno.

Nesse contexto, desde que o Sharpe Ratio seja positivo, houve mais ganhos do que a taxa livre de risco de acordo com os riscos assumidos naquele aporte. Mas vale ter atenção: resultados muito próximos de zero merecem uma análise mais cuidadosa antes de investir.

O que significa um índice Sharpe negativo ou zerado?

Após saber mais sobre o índice Sharpe, você deve entender que ele pode ter resultado negativo ou zerado. Como já vimos, isso acontece quando a rentabilidade do ativo analisado foi baixa ou quando a sua volatilidade foi muito alta.

E o que isso significa? Quando o resultado do Sharpe Ratio é negativo, há uma indicação de que assumir aqueles riscos não é vantajoso, considerando a possibilidade de escolher um investimento mais seguro.

Nesse cenário, o ativo teve um resultado pior do que a taxa livre de risco. Ou seja, levando em conta o exemplo utilizado no tópico anterior, se você investisse no Tesouro Selic, a rentabilidade seria maior e os riscos menores. Assim, o Sharpe Ratio não foi favorável ao fundo.

Já o Sharpe Ratio zerado ou muito próximo de zero indica que, apesar de o ativo ter resultados melhores ou iguais à taxa livre, os riscos assumidos podem não compensar. Como você já viu, quando há rentabilidades iguais, é preferível correr menos riscos.

Nesse cenário, o investidor também pode chegar à mesma conclusão do índice negativo. Se o risco assumido é tão alto, talvez não seja adequado priorizar o ativo-alvo frente à taxa livre de risco.

Por que é importante conhecê-lo?

Agora você sabe que entender o que é índice Sharpe é fundamental para otimizar a sua tomada de decisão na hora de compor o portfólio. Graças a ele, é possível estabelecer uma comparação de investimentos, trazendo análises objetivas sobre os resultados e o desempenho relativo.

Na hora de selecionar uma alternativa entre os fundos de investimentos, por exemplo, um dos critérios pode ser o índice Sharpe. Afinal, escolher fundos com um indicador mais elevado pode ajudar a diminuir os impactos da volatilidade da carteira, enquanto permite aproveitar melhor as oportunidades.

Essa também é uma forma de entender como a gestão ativa de um fundo tem se comportado. Se os resultados não forem maiores que a média de mercado, talvez seja mais interessante investir na gestão passiva (como por meio de fundos de índice ou ETF).

Considere um fundo de ações de gestão ativa e um ETF que espelha o Ibovespa — principal índice de ações do mercado brasileiro. Se o fundo de ações tiver um índice Sharpe menor que o ETF, pode ser mais vantajoso escolher o fundo de gestão passiva, que já busca refletir o indicador de mercado.

Logo, o índice Sharpe é uma ferramenta que ajuda a identificar cenários em que são assumidos riscos desnecessários. Se a remuneração por uma volatilidade alta não for maior que o valor pago por uma aplicação conservadora, pode não fazer sentido se expor, concorda?

Dessa forma, o índice pode ajudar a rentabilizar a carteira e a diversificá-la de modo mais estratégico. Por meio da análise, você saberá quais são os riscos mais adequados, considerando os impactos no rendimento do portfólio.

Como usar o índice Sharpe na sua tomada de decisão?

Você acabou de ver que o índice Sharpe é um recurso útil na hora de escolher investimentos com mais clareza e consciência. No entanto, ele tem limitações que devem ser consideradas na hora de utilizá-lo.

Aqui, o principal ponto é que o indicador engloba apenas o risco de mercado. Portanto, não é possível entender, por exemplo, o risco de crédito, o de liquidez ou o operacional ao observar apenas o índice Sharpe. É por isso que, para que o gerenciamento de riscos seja efetivo, o mais indicado é unir essa avaliação a outras considerações sobre os investimentos.

Outra consideração importante diz respeito aos dados utilizados. As informações para compor o cálculo do índice Sharpe derivam de resultados passados. Mas sabemos que, na renda variável, não há garantias de que a rentabilidade ou a volatilidade se comportará da mesma forma no futuro.

Vale apontar, ainda, que faz mais sentido comparar produtos e ativos semelhantes. E, junto aos cuidados na hora de avaliar o resultado do indicador, é interessante identificar seu perfil de investidor e os prazos dos seus objetivos financeiros para fazer melhores escolhas.

Agora você sabe que é o índice Sharpe e que ele ajuda a avaliar a relação entre risco e retorno de um investimento em relação a um aporte com baixo risco. Desde que você considere as limitações do indicador e outros fatores relevantes para a decisão, ele poderá ajudá-lo a tomar decisões ao investir.

Quer auxiliar outros investidores a escolherem seus produtos e ativos para a carteira de investimentos? Compartilhe esse artigo nas suas redes sociais!