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Além de decidir como o seu portfólio será dividido entre renda fixa e renda variável é importante pensar em diversificar em mais de um mercado. Considerando que o mercado dos Estados Unidos tem grande destaque, é oportuno saber como investir na bolsa americana.
Antes de direcionar o seu dinheiro para investimentos no exterior, entretanto, você precisa conhecer melhor as alternativas para tomar decisões informadas. Além disso, é indispensável alinhar as escolhas ao seu perfil de investidor e, portanto, à sua tolerância ao risco.
Quer descobrir como aportar parte do seu patrimônio na bolsa dos Estados Unidos? Confira como fazer!
Por que vale a pena investir no exterior?
Saber como investir no exterior, como na bolsa americana, se justifica pelos benefícios que podem decorrer dessa decisão. Pensando nos Estados Unidos, especificamente, há vantagens relacionadas ao maior mercado mundial.
O mercado de ações americano apresenta um imenso volume de negociação e é muito desenvolvido. Todo o sistema financeiro do país é considerado o maior do mundo e, com isso, é possível encontrar oportunidades únicas.
Tanto volume também garante um nível maior de liquidez. Para quem investe diretamente na bolsa internacional, significa que é fácil resgatar seus investimentos quando desejar — considerando as regras locais.
Você poderá investir em algumas das maiores empresas do planeta, do Google à Coca-Cola, e terá a chance de conseguir resultados mais atraentes. No longo prazo, isso pode se refletir em riscos diluídos, já que há empresas cujas ações são negociadas há mais de 100 anos.
Também há uma grande versatilidade, sendo possível investir em ações, índices e muitas alternativas do mercado. Então os perfis com diversas tolerâncias ao risco são contemplados e é possível definir a proporção mais adequada para as suas expectativas e objetivos.
Além de tudo, sair do mercado brasileiro permite diversificar os riscos da sua carteira. Seu dinheiro deixa de estar exposto apenas às condições internas e varia, também, com possibilidades do cenário internacional. Especialmente em momentos de crise, isso pode ser muito útil.
Não menos importante, está a questão dos gastos dolarizados. Muitos preços praticados no Brasil estão atrelados ao dólar e a sua variação gera grandes impactos. Logo, o investimento no exterior ajuda a ter também ganhos em dólares. Assim, você passa a sofrer menos com a oscilação cambial.
Como investir na bolsa americana sem sair do Brasil?
Como você viu, há vantagens de aproveitar oportunidades internacionais. Para não depender apenas dos investimentos internos, vale a pena conhecer quais são as opções para alocar seus recursos nos Estados Unidos.
Se você estiver em busca de praticidade, é possível investir sem sair da bolsa brasileira. A seguir, veja quais são algumas das possibilidades que você pode aproveitar:
ETFs de índices americanos
Os ETFs nada mais são que Fundos de Índice. Eles visam replicar a carteira teórica de um índice (de ações, por exemplo) em busca de resultados semelhantes ao comportamento do indicador. Na B3, existem alguns ETFs que acompanham índices internacionais, como o S&P 500.
Ele é o principal indicador de ações americanas, pois representa as 500 maiores empresas das bolsas de lá. Então alocar recursos em ETFs permite que você exponha o seu capital às condições estrangeiras — e sem ter que sair da bolsa de valores brasileira.
Exemplos de ETFs disponíveis na B3 com exposição americana: SPXI11 (S&P 500), IVVB11 (S&P 500 com variação cambial), NASD11 (Nasdaq 100), entre outros.
BDRs
O Brazilian Depositary Receipt (BDR) é outra possibilidade para quem deseja investir na bolsa americana sem sair do Brasil. Trata-se de um certificado que pode ser lastreado em ações estrangeiras, em títulos de dívidas ou em ETFs internacionais, por exemplo.
A alternativa começa com a aquisição do investimento por parte de uma instituição financeira. Depois, os títulos ou ações são devidamente protegidos para que não possam ser movimentados. Afinal, eles servem para emissão dos certificados.
Quem investe em BDR tem o certificado com lastro nesses ativos financeiros internacionais. Logo, seus resultados ficam atrelados a eles. Por exemplo, se uma ação internacional se valorizar ou pagar dividendos, o investidor do BDR poderá aproveitar esses resultados.
Os BDRs podem ser patrocinados ou não. A negociação é feita na própria B3 e se tornou acessível a todos os investidores.
Fundos de Investimentos com exposição internacional
O Fundo de Investimento funciona como um condomínio financeiro, em que vários investidores se reúnem e adquirem cotas. A partir disso, podem participar dos resultados do fundo, cujos recursos são alocados por um gestor profissional, com base em sua estratégia.
Há diversas alternativas disponíveis no mercado, como Fundos de Ações e Fundos Multimercados. Muitos deles são focados em investimentos no exterior. Um Fundo de Ações que priorize as empresas do cenário norte-americano, por exemplo, tem uma exposição desse tipo.
Uma das vantagens de investir em fundos internacionais é a sua versatilidade, já que as cotas podem garantir acesso a muitos investimentos diferentes. Portanto, também pode servir para diversificar o risco da carteira.
Como investir diretamente no exterior?
Investir sem sair do Brasil não é a única possibilidade. Também é viável abrir uma conta internacional para aproveitar as oportunidades da bolsa americana. Nesse caso, você fará suas operações diretamente nas bolsas do país, tudo de forma online.
O processo começa pela abertura de conta. É comum ter que apresentar comprovante de residência, documentos pessoais e outras informações solicitadas. Com os passos finalizados, você poderá acessar o home broker para negociar diretamente os investimentos disponíveis.
Contudo, antes de emitir a primeira ordem de compra é preciso conhecer muito bem o mercado externo. Somente assim você pode diminuir os riscos atrelados. E não se esqueça de que os investimentos deverão constar na sua declaração de Imposto de Renda.
Principais plataformas em 2026
Para investir diretamente no exterior, as plataformas mais utilizadas por brasileiros em 2026 são:
- Avenue Securities: corretora americana com plataforma em português, foco em ações e ETFs americanos
- Nomad: conta digital com acesso a investimentos nos EUA, boa para quem também quer conta corrente em dólar
- XP Internacional: braço internacional da XP Investimentos para quem já é cliente
- Inter Invest: conta global do Inter com acesso à bolsa americana
- BTG Pactual Internacional: voltado para investidores com patrimônio maior
Todas essas plataformas permitem investir em ações, ETFs e outros ativos diretamente nas bolsas americanas (NYSE, Nasdaq). O aporte mínimo varia por plataforma; Avenue e Nomad são as mais acessíveis para investidores pessoa física.
IOF e câmbio: o que custa enviar dinheiro ao exterior
Para investir diretamente no exterior, você precisará converter reais em dólares e transferir os recursos para a sua conta internacional. Esse processo envolve câmbio e incide IOF (Imposto sobre Operações Financeiras).
Pela legislação vigente (Decreto 12.499/2025), a alíquota do IOF sobre câmbio está unificada em 3,5% para operações de remessa ao exterior. Ou seja, para cada R$1.000 enviados, R$35 vão para o IOF — além do spread cambial cobrado pela instituição financeira.
Já quem investe em BDRs e ETFs internacionais na B3 não precisa realizar câmbio, pois as operações são em reais. Nesses casos, o IOF sobre câmbio não se aplica, tornando a operação mais simples e menos custosa.
Ao calcular a rentabilidade de um investimento no exterior, sempre inclua na conta o custo do câmbio (IOF + spread) e a variação do dólar no período.
Tributação ao investir na bolsa americana
A tributação varia conforme a forma de investimento escolhida. Veja as principais regras em vigor para 2026:
| Tipo de investimento | Tributação | Observação importante |
|---|---|---|
| ETFs internacionais na B3 (IVVB11, SPXI11) | 15% (ganho de capital) / 20% day trade | Isenção de R$20k/mês NÃO se aplica a ETFs (somente a ações à vista) |
| BDRs — ganho de capital | 15% sobre o ganho | Isenção de R$20k/mês NÃO se aplica a BDRs |
| BDRs — dividendos | 15% IRRF na fonte | BDR NÃO tem isenção de dividendos como ações brasileiras |
| Investimento direto (conta exterior) — dividendos | Progressivo IRPF (0% a 27,5%) | Declarar no IRPF anual; sem retenção na fonte no Brasil |
| Investimento direto — ganho de capital | 15% a 22,5% (GCAP) | Varia com o valor total de ganho; DARF pelo aplicativo da Receita |
Muitos investidores confundem: ações brasileiras têm isenção de IR para vendas mensais até R$20.000 e dividendos isentos (para valores abaixo do teto da Lei 15.270/2025). BDRs não têm essa isenção de R$20k e os dividendos são tributados em 15% IRRF na fonte. Considere isso na comparação de rentabilidade líquida.
Para investimentos diretos no exterior (conta em corretora americana), os rendimentos e ganhos de capital devem ser declarados anualmente no IRPF na ficha “Rendimentos Recebidos do Exterior”. O câmbio usado é o PTAX do Banco Central no último dia útil do mês anterior ao recebimento.
Vale a pena em 2026 com a Selic em 14,5%?
Com a Selic em 14,5% ao ano, muitos investidores questionam se vale a pena assumir riscos cambiais e de mercado para investir no exterior. A resposta depende do objetivo:
- Proteção cambial: se você tem gastos dolarizados ou planeja morar/estudar no exterior, faz sentido ter dólares independentemente da Selic
- Diversificação real: o S&P 500 acumula retornos históricos de ~10% a.a. em dólar; combinado com valorização do dólar, pode superar o CDI em períodos longos
- Tecnologia e inovação: setores como IA, chips e biotecnologia têm mais representatividade nas bolsas americanas do que no Brasil
- Hedge de carteira: em crises domésticas, ativos dolarizados costumam se valorizar quando o real se deprecia
Uma estratégia equilibrada em 2026 pode incluir uma parcela (10-20% do portfólio) em ativos internacionais, preservando a maior parte em renda fixa enquanto a Selic permanece elevada.