O Tesouro Prefixado trava a taxa de juros no momento da compra — você sabe exatamente quanto receberá no vencimento, independentemente do que acontecer com a Selic ao longo do caminho. Essa previsibilidade é sua principal vantagem. Mas também é sua principal armadilha para quem não entende a marcação a mercado — o mecanismo que faz o preço do título flutuar diariamente no mercado, muitas vezes contra as expectativas do investidor iniciante.
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Resposta direta: O Tesouro Prefixado é um título do Governo Federal com taxa de rentabilidade fixa no ato da compra. Você recebe o valor contratado se manter o título até o vencimento. Existe em duas versões: LTN (pagamento único) e NTN-F (com cupons semestrais). O grande risco é vender antes do prazo em cenário de alta de juros — a marcação a mercado pode resultar em perdas nominais.
O que é o Tesouro Prefixado?
O Tesouro Prefixado é um título público federal emitido pelo Governo Federal e negociado via Tesouro Direto, operacionalizado pela B3. Ao comprá-lo, você empresta dinheiro ao governo e recebe uma taxa de juros nominal fixa — definida no momento da aplicação e válida até o vencimento do papel.
Essa característica o diferencia radicalmente dos demais títulos do Tesouro Direto. O Tesouro Selic varia conforme a taxa básica de juros — portanto, quanto maior a Selic, maior o rendimento, mas sem previsibilidade. O Tesouro IPCA+ combina uma taxa real com a inflação medida pelo IPCA — você fica protegido contra pressões inflacionárias, mas não sabe o retorno nominal exato.
No Tesouro Prefixado, a rentabilidade é 100% conhecida desde o primeiro dia — sem surpresas para cima ou para baixo no vencimento. Essa é a promessa. O risco está em outro lugar: na possibilidade de precisar do dinheiro antes de vencer.
O título existe em duas versões principais:
- LTN (Letra do Tesouro Nacional): você investe hoje e recebe tudo no vencimento em um único pagamento, sem cupons intermediários.
- NTN-F (Nota do Tesouro Nacional série F): você recebe cupons semestrais de juros ao longo da vida do título e devolve o principal no vencimento.
Na plataforma do Tesouro Direto, esses papéis aparecem como “Tesouro Prefixado” (LTN) e “Tesouro Prefixado com Juros Semestrais” (NTN-F). Os vencimentos disponíveis variam conforme a oferta do Tesouro Nacional — as LTN têm prazos de referência de 6, 12, 24, 36, 48 e 72 meses, e as NTN-F, de 5, 7 e 10 anos.
Um ponto essencial: a taxa contratada é nominal, não real. Isso significa que ela não desconta a inflação automaticamente. Se a inflação subir além do esperado, o ganho real do investidor pode ser menor do que o planejado — embora o valor nominal prometido continue garantido pelo governo.
O risco de crédito do Tesouro Prefixado é o menor possível em reais: o emissor é o Governo Federal. Por isso, o título é classificado como de risco soberano. Não há cobertura do FGC — esse mecanismo se aplica a produtos bancários como CDBs e LCIs, não a títulos públicos. A garantia aqui é a própria capacidade de pagamento do Estado.
Na prática, o Tesouro Prefixado é indicado para quem quer previsibilidade total no retorno e tem horizonte de investimento compatível com o vencimento do título. Resgatar antes do prazo expõe você à marcação a mercado — tema que será detalhado mais adiante e que muda tudo na equação de risco.
Como funciona o Tesouro Prefixado na prática?
O funcionamento é direto: você compra o título hoje por um preço determinado e recebe, no vencimento, o valor de face acrescido da taxa contratada. O Tesouro Nacional recompra os papéis diariamente, garantindo liquidez — mas o preço de recompra varia conforme as condições de mercado.
O mecanismo de precificação segue a lógica do valor presente. O título tem um valor de face padronizado de R$ 1.000,00 no vencimento. Quando você compra um Tesouro Prefixado com taxa de 13% ao ano e vencimento em três anos, paga hoje um valor menor que R$ 1.000,00 — o desconto reflete exatamente os juros que você receberá acumulados ao longo do período.
Conforme o tempo passa e o título se aproxima do vencimento, seu preço converge naturalmente para R$ 1.000,00. Esse movimento é chamado de “andar na curva” — um dos conceitos mais importantes para entender títulos de renda fixa.
O mecanismo de “andar na curva” — com números concretos
Para deixar claro: imagine um Tesouro Prefixado com taxa de 13% ao ano, vencimento em dois anos, e valor de face de R$ 1.000,00. No dia da compra, o preço que você paga é de aproximadamente R$ 783,15 (R$ 1.000 ÷ 1,13²) — esse é o valor presente dos R$ 1.000,00 que receberá em dois anos, descontados pela taxa de 13% ao ano.
Seis meses depois, faltam apenas 1,5 anos para o vencimento. O mesmo título, com a mesma taxa de 13% ao ano, passa a valer aproximadamente R$ 833,63 — o preço subiu naturalmente porque está mais próximo do pagamento final de R$ 1.000,00. Esse movimento ascendente é o “andar na curva”.
Se você mantiver o título até o vencimento (dois anos), seu preço continuará subindo gradualmente até atingir exatamente R$ 1.000,00. Você receberá o valor contratado — nem mais, nem menos. A marcação a mercado não afeta esse resultado final; afeta apenas o que você receberia se vendesse antecipadamente.
Fluxo de pagamento: LTN (bullet) versus NTN-F (cupons)
Na LTN, o fluxo é simples: você aplica hoje e recebe tudo no vencimento. Não há pagamentos intermediários. Esse modelo é chamado de bullet (como uma bala, tudo sai de uma vez) e favorece o efeito dos juros compostos, pois o rendimento se acumula sem interrupção.
Na NTN-F, o título paga cupons semestrais equivalentes a aproximadamente 10% ao ano (5% a cada semestre sobre o valor de face de R$ 1.000,00). Esses pagamentos intermediários exigem decisão: você pode gastar o dinheiro ou reinvestir para manter a rentabilidade contratada. Se não reinvestir, o retorno efetivo pode ser menor.
Quem recebe cupons semestrais da NTN-F e não reinveste o valor pode perder parte da rentabilidade contratada. Cada real não reinvestido é uma oportunidade perdida de juros compostos.
Considere um exemplo prático com a LTN: você aplica R$ 10.000,00 em um Tesouro Prefixado com taxa de 13% ao ano e vencimento em dois anos. Mantendo até o vencimento, o rendimento bruto acumulado seria de aproximadamente 27,69% no período — resultado de (1,13)² − 1. Sobre esse rendimento, incide IR de 15% (prazo acima de 720 dias), resultando em rendimento líquido de aproximadamente 23,54%. O valor final ficaria em torno de R$ 12.354,00.
Esse cálculo é apenas ilustrativo. Os valores reais dependem da taxa exata do título no momento da compra, da taxa de custódia da B3 e da data precisa de resgate. O simulador oficial do Tesouro Direto fornece os números precisos para cada papel disponível.
A implicação prática é clara: o Tesouro Prefixado entrega o que promete — desde que você não precise do dinheiro antes do vencimento.
LTN ou NTN-F: qual a diferença entre os dois prefixados?
A escolha entre LTN e NTN-F depende do seu objetivo: acumular capital ou receber renda ao longo do tempo. Ambas têm taxa prefixada, mas o fluxo de caixa é completamente diferente — e isso impacta tanto a rentabilidade quanto a tributação.
| Característica | LTN (sem cupom) | NTN-F (com cupons) |
|---|---|---|
| Fluxo de pagamento | Único no vencimento | Cupons semestrais + principal |
| Ideal para | Acumulação de longo prazo | Renda recorrente |
| Reinvestimento | Automático (juros compostos) | Manual (exige decisão) |
| IR nos cupons | Incide uma única vez, no vencimento | Incide a cada pagamento semestral |
| Eficiência tributária (>2 anos) | Alta (IR de 15% no vencimento) | Moderada (cupons pagos nos primeiros dois anos podem ser tributados a 22,5% ou 20%) |
O ponto mais relevante da comparação é o impacto tributário. Na NTN-F, cada pagamento semestral sofre incidência de IR na tabela regressiva — mas o prazo considerado é o tempo desde a compra do título até aquele pagamento específico. Nos primeiros anos, os cupons podem ser tributados a 22,5% ou 20%, reduzindo a rentabilidade efetiva.
Na LTN, o IR incide uma única vez, no vencimento ou resgate. Se você mantiver o título por mais de dois anos, toda a rentabilidade é tributada a 15% — a menor alíquota da tabela regressiva. Isso faz da LTN a opção mais eficiente do ponto de vista tributário para quem tem horizonte de investimento superior a dois anos.
Quando escolher cada uma?
NTN-F faz sentido se você: está aposentado e precisa de complemento de renda semestral; quer reforçar o caixa periodicamente sem esperar o vencimento; consegue reinvestir os cupons de forma disciplinada.
LTN faz sentido se você: está acumulando patrimônio e não precisa de fluxo intermediário; quer maximizar o efeito de juros compostos; prefere uma cobrança de IR menor (15% no vencimento versus 20-22,5% a cada cupom).
A resposta prática: defina primeiro se você precisa de fluxo de caixa intermediário ou se pode esperar o vencimento. Essa escolha determina qual versão do prefixado faz mais sentido para o seu perfil financeiro.
Quando vale a pena investir no Tesouro Prefixado?
O Tesouro Prefixado vale a pena principalmente quando a taxa de juros está em patamar elevado. Nesse cenário, você trava uma taxa atrativa hoje — e se os juros caírem no futuro, pode vender o título com ganho de capital. Se mantiver até o vencimento, garante um retorno nominal que não será disponível no futuro.
Esse raciocínio é o núcleo da estratégia com prefixados. Quando o mercado espera que os juros futuros sejam menores do que os atuais, o preço dos títulos prefixados sobe — quem comprou antes da queda lucra com a valorização. Esse movimento é chamado de “aposta na trajetória da taxa de juros”.
Três cenários em que o prefixado é vantajoso
1. Juros altos com expectativa de queda: Este é o cenário clássico. Se a Selic está em 14% e o mercado precifica queda para 12% nos próximos 18 meses, você trava a taxa alta comprando prefixados hoje. Duas coisas podem acontecer: a queda se confirma e seu título se valoriza (possibilidade de venda com ganho); ou a Selic fica elevada e você recebe o retorno contratado no vencimento. Ambos os cenários são favoráveis.
2. Metas financeiras com prazo definido: Quem sabe que vai precisar de um valor específico em uma data futura — para pagar uma faculdade, uma viagem ou uma entrada de imóvel — pode usar o prefixado para garantir o montante exato. A previsibilidade elimina a incerteza do planejamento financeiro.
3. Planejamento patrimonial de longo prazo: Investidores que constroem reservas para objetivos de cinco a dez anos podem travar taxas atrativas por períodos longos, especialmente em janelas de juros elevados. Atualmente, com a Selic em 14%, prefixados de longo prazo oferecem rendimento nominal robusto.
Em janelas de juros elevados, travar uma taxa prefixada pode ser relevante para quem tem horizonte de cinco anos ou mais. A leitura é que existe custo de oportunidade em não travar caso os juros recuem — mas o resultado depende da trajetória efetiva das taxas, que é incerta.
Dois cenários em que o prefixado não é recomendado
1. Inflação acima do esperado: O prefixado oferece taxa nominal fixa, não proteção real contra a inflação. Se o IPCA acelerar além da taxa contratada, o ganho real do investidor pode ser negativo. Para proteção inflacionária, o Tesouro IPCA+ é mais adequado — ele combina uma taxa real fixa com a variação do IPCA. Atualmente, com IPCA acumulado em 4,22% em 12 meses (BCB), um prefixado contratado em torno de 13% implica ganho real positivo na hipótese de a inflação se manter nesse patamar — mas a análise muda se a inflação acelerar.
2. Necessidade de liquidez no curto prazo: Se houver chance real de precisar do dinheiro antes do vencimento, o prefixado é uma armadilha. Em cenário de alta de juros — quando os juros do mercado sobem acima da taxa que você travou — o preço do título cai. Quem vender antecipadamente pode resgatar menos do que investiu em termos nominais. Nesse caso, o Tesouro Selic, que não oscila, é mais seguro.
A implicação prática é direta: o Tesouro Prefixado é um instrumento de convicção. Ele recompensa quem acredita na trajetória dos juros e tem disciplina para manter o título até o vencimento. Para quem tem dúvida sobre liquidez ou teme a inflação, existem alternativas mais adequadas.
Marcação a mercado: o risco que poucos explicam — e que custa real
A marcação a mercado é o mecanismo pelo qual o preço do Tesouro Prefixado oscila diariamente conforme as expectativas de juros futuros. Quem vende antes do vencimento recebe o preço de mercado do dia — que pode ser maior ou menor do que o valor investido. Esse é o risco que mais surpreende investidores iniciantes.
Muitos compram o prefixado pensando que é um investimento “seguro” — porque o governo não vai calotear. Aí, durante um período de alta de juros, veem o saldo em vermelho na plataforma e ficam assustados. O título não perdeu valor no sentido de inadimplência — o governo continua devendo o combinado. O que mudou foi o preço de mercado do papel. E se você precisar vender nesse momento, receberá menos do que investiu.
Por que o prefixado é o mais volátil do Tesouro Direto?
A sensibilidade de um título prefixado às variações de juros é maior quanto mais longo for o prazo. Isso acontece porque todos os fluxos futuros (cupons e principal) são descontados pela nova taxa de mercado. Se os juros sobem, o valor presente desses fluxos cai — e o preço do título recua.
Entre os títulos do Tesouro Direto, o prefixado é o que mais sofre com esse efeito:
- Tesouro Selic: praticamente não oscila, pois acompanha a taxa básica diariamente.
- Tesouro IPCA+: oscila, mas menos que o prefixado puro, pois parte do retorno está indexada à inflação (reduz impacto de variação de juros).
- Tesouro Prefixado de longo prazo: a referência mais volátil. Um Tesouro Prefixado de 5 anos pode perder 10%, 15% ou mais do valor de mercado em períodos de alta intensa de juros — mesmo sem nenhum risco de crédito.
Sensibilidade em números concretos
Para ilustrar: um Tesouro Prefixado de 5 anos com taxa de 13% sofre impacto de aproximadamente -4,5% no preço de mercado para cada aumento de 1% na taxa de juros. Se você comprou quando o prefixado de 5 anos rendia 13% e os juros sobem para 14%, seu título desvaloriza cerca de 4,5%.
Isso não é perda real se você esperar o vencimento — mas é uma perda concreta se você precisar vender antes. E é exatamente aí que muitos investidores se veem forçados: uma emergência, uma oportunidade melhor de alocação, uma mudança de cenário macroeconômico.
A implicação prática é fundamental: se você não tem certeza absoluta de que manterá o título até o vencimento, o Tesouro Prefixado não é o investimento certo para você. O risco de marcação a mercado é real e pode resultar em perdas nominais no curto prazo.
Tributação do Tesouro Prefixado: IR, IOF e taxa de custódia
O Tesouro Prefixado segue a tabela regressiva de IR para renda fixa, com alíquotas que diminuem conforme o prazo de aplicação aumenta. O imposto é retido automaticamente na fonte — você não precisa emitir DARF nem fazer nenhum cálculo manual.
Eis a tabela completa:
| Prazo de aplicação | Alíquota de IR | Percentual de retenção |
|---|---|---|
| Até 180 dias | 22,5% | Você fica com 77,5% do rendimento |
| 181 a 360 dias | 20,0% | Você fica com 80,0% do rendimento |
| 361 a 720 dias | 17,5% | Você fica com 82,5% do rendimento |
| Acima de 720 dias | 15,0% | Você fica com 85,0% do rendimento |
A mensagem implícita da tabela é clara: quanto mais tempo você mantiver o título, menor será a “mordida” do IR. Para horizontes superiores a dois anos, a alíquota de 15% torna o título bastante competitivo em termos de eficiência tributária.
IOF nos primeiros 30 dias
Além do IR, resgates realizados em menos de 30 dias estão sujeitos ao IOF sobre os rendimentos. A alíquota é regressiva diariamente: começa em 96% no primeiro dia e chega a zero no 30º dia. Na prática, resgatar um Tesouro Prefixado nos primeiros 30 dias é quase sempre desvantajoso — você perde praticamente todo o rendimento em impostos.
Taxa de custódia da B3 — como funciona agora
O Tesouro Prefixado está sujeito à taxa de custódia da B3 de 0,20% ao ano, calculada sobre o valor dos títulos e provisionada diariamente na posição do investidor, a partir da liquidação da compra (D+1). Ela se aplica de forma pro rata ao Tesouro Selic, Tesouro IPCA+ e Tesouro Prefixado — no caso do Tesouro Selic, há isenção até o estoque de R$ 10.000,00 por CPF. O impacto é pequeno em aplicações de curto prazo, mas relevante em horizontes longos — em dez anos, representa uma redução de aproximadamente 2% do patrimônio acumulado.
Exemplo prático com R$ 10.000 — cálculo completo
Considere uma aplicação de R$ 10.000,00 em Tesouro Prefixado com taxa bruta de 13% ao ano:
- Resgate em 6 meses (até 180 dias): rendimento bruto aproximado de 6,30%. IR de 22,5% reduz para 4,88% líquido. Valor final estimado: R$ 10.488,00. A taxa de custódia da B3 incide pro-rata também nesse prazo.
- Resgate em 1 ano (até 360 dias): rendimento bruto de 13%. IR de 20% reduz para 10,40% líquido. Valor final estimado: R$ 11.040,00. Custódia de ~R$ 20,00 não incluída.
- Resgate em 2 anos (acima de 720 dias): rendimento bruto acumulado de 27,69%. IR de 15% reduz para 23,54% líquido. Valor final estimado: R$ 12.354,00. Custódia de ~R$ 49,00 não incluída.
Esses valores são aproximados e não incluem a taxa de custódia da B3 em detalhes. Use o simulador oficial do Tesouro Direto para cálculos precisos com a taxa exata disponível no dia da sua aplicação.
A implicação prática é clara: quanto mais tempo você mantiver o Tesouro Prefixado, melhor a eficiência tributária. Para horizontes superiores a dois anos, a alíquota de 15% torna o título bastante competitivo frente a alternativas de renda fixa.
Tesouro Prefixado vs. CDB prefixado: matriz de decisão
O Tesouro Prefixado tem risco soberano — o menor risco de crédito em reais. O CDB prefixado tem risco do banco emissor, coberto pelo FGC até R$ 250.000 por CPF por instituição. A escolha entre os dois depende de três fatores: o valor aplicado, a taxa oferecida e o seu perfil de risco.
Comparativo estruturado:
| Fator | Tesouro Prefixado | CDB Prefixado |
|---|---|---|
| Emissor | Governo Federal | Banco privado |
| Risco de crédito | Soberano (mínimo) | Bancário (maior que soberano) |
| Garantia de seguro | Nenhuma (sem FGC) | FGC até R$ 250 mil/CPF/instituição |
| Liquidez | Diária via Tesouro Direto | Varia (alguns têm liquidez diária, outros têm prazos mínimos) |
| Tributação | IR regressivo 22,5% a 15% | IR regressivo 22,5% a 15% (idêntica) |
| Taxa típica (2026) | ~13% a.a. (taxa de mercado) | Pode superar o Tesouro em bancos de menor porte, conforme condições de mercado |
Regra prática para escolher
Se o valor é acima de R$ 250.000: escolha Tesouro Prefixado. O limite do FGC não o protege completamente — o risco de calote do banco ainda existe. O risco soberano em moeda local é estruturalmente inferior.
Se o valor é abaixo de R$ 250.000 E o CDB oferece +0,75% ou mais em relação ao Tesouro: considere o CDB, desde que seja de uma instituição de grande porte e com boa avaliação de crédito. O spread adicional compensa o risco ligeiramente maior.
Se o valor é abaixo de R$ 250.000 E o CDB oferece até +0,50%: Tesouro é mais simples e seguro — prefira.
A lógica final: CDBs de bancos de médio porte frequentemente oferecem taxas prefixadas superiores às do Tesouro — justamente para compensar o risco adicional e a eventual menor liquidez. Mas esse spread só compensa se você realmente mantiver até o vencimento. Assessorias como a Renova Invest orientam que essa comparação seja feita sempre com os números reais do dia — não com valores históricos.
Resumo prático: os sete pontos que você precisa lembrar
- O Tesouro Prefixado trava a taxa no momento da compra — previsibilidade total de retorno até o vencimento.
- Duas versões: LTN (pagamento único, melhor tributariamente para >2 anos) e NTN-F (cupons semestrais, ideal para renda).
- O maior risco é a marcação a mercado: vender antes do vencimento em cenário de alta de juros pode gerar perda nominal de 10% a 15% em prefixados de longo prazo.
- Tributação regressiva: 22,5% (até 180d) a 15% (>720d). Para horizontes >2 anos, a alíquota é baixa e competitiva.
- Frente ao CDB prefixado, o Tesouro oferece risco soberano sem limite de cobertura — vantagem clara para valores >R$ 250.000.
- Vale a pena quando os juros estão altos (como em 2026 com Selic em 14%) e você espera queda — você trava a taxa favorável e protege o retorno futuro.
- “Andar na curva” é automático: o preço do título sobe naturalmente conforme se aproxima do vencimento, independentemente do que a Selic fazer.
FAQ: perguntas frequentes sobre Tesouro Direto
Quanto rende R$ 1.000 no Tesouro Direto hoje?
Depende do título escolhido. No Tesouro Selic, R$ 1.000,00 rendem aproximadamente R$ 139,00 bruto em 12 meses — assumindo o CDI atual de 13,90% a.a. constante. Cálculo: R$ 1.000 × (1 + 0,1390) = R$ 1.139,00 bruto.
Descontando IR de 20% (prazo de 181 a 360 dias, aplicável a um resgate em 12 meses): R$ 139,00 × 0,80 = R$ 111,20 de rendimento líquido. Valor final: R$ 1.111,20 (aproximado).
No Tesouro Prefixado, o rendimento depende da taxa travada no momento da compra — pode ser 13%, 14% ou outra, conforme o vencimento. Após IR, o retorno líquido será proporcionalmente menor. Use o simulador oficial do Tesouro Direto para calcular com a taxa exata disponível no dia da aplicação.
Quanto rende R$ 20 mil no Tesouro Direto por mês?
No Tesouro Selic, R$ 20.000,00 rendem aproximadamente R$ 231,67 bruto por mês (13,90% ÷ 12 meses). Descontando IR de 22,5% (se resgatado em até 180 dias), o rendimento líquido mensal seria de cerca de R$ 179,54. Em 12 meses, sem reinvestimento, você acumularia R$ 2.780,00 brutos (13,90% ao ano), equivalentes a cerca de R$ 2.363,00 líquidos com IR de 15% (acima de 720 dias não se aplica; para 12 meses, IR de 20% resultaria em R$ 2.224,00).
No Tesouro Prefixado, o rendimento mensal é equivalente — mas só se realiza no vencimento ou na venda antecipada. Para renda mensal real, a NTN-F paga cupons semestrais (não mensais), e você precisa reinvestir ou usar esses valores para manter a rentabilidade contratada.
Como funciona o Tesouro Direto?
O Tesouro Direto é um programa do Governo Federal que permite pessoas físicas comprar títulos públicos federais pela internet. É operacionalizado pela B3 em parceria com o Tesouro Nacional.
Processo prático:
- Você acessa a plataforma via corretora ou banco habilitado como agente de custódia do Tesouro Direto.
- Escolhe o título (Tesouro Selic, IPCA+ ou Prefixado) e o vencimento.
- Define o valor e confirma a compra.
- Os títulos ficam custodiados pela B3 em seu nome.
- O Tesouro recompra os papéis diariamente, garantindo liquidez (em dias úteis).
- A tributação de IR é automática na fonte — sem necessidade de DARF.
Quanto rende R$ 100 mil no Tesouro Direto?
No Tesouro Selic (referência mais próxima ao CDI), R$ 100.000,00 rendem aproximadamente R$ 1.158,33 bruto no primeiro mês (13,90% ÷ 12). Em 12 meses, o valor bruto acumulado seria de cerca de R$ 113.900,00.
Descontando IR de 20% (prazo de 181 a 360 dias, aplicável a um resgate em 12 meses): rendimento de R$ 13.900,00 × 0,80 = R$ 11.120,00 líquido. Valor final: aproximadamente R$ 111.120,00.
No Tesouro Prefixado, o retorno depende da taxa travada no momento da compra. Simulações assumem taxa atual constante — rentabilidade passada não garante resultados futuros.
Vale a pena investir no Tesouro Direto com pouco dinheiro?
Sim. Desde novembro de 2024, o Tesouro Direto não tem valor mínimo de aplicação — é possível investir a partir de cerca de R$ 2,00 (fração de título). Para valores pequenos, o Tesouro é superior a outras opções por causa da segurança (risco soberano) e da liquidez diária. A taxa de custódia de 0,20% a.a. tem impacto mínimo em pequenos saldos. A lógica: é melhor começar com R$ 100 no Tesouro do que esperar juntar R$ 1.000 em uma poupança.
O caminho prático para você
O Tesouro Prefixado é um instrumento poderoso — mas exige disciplina. Se você compra com intenção de vender antes do vencimento em caso de oportunidade melhor, estará exposto ao risco de marcação a mercado. Se você compra com convicção de manter até o vencimento, tranca a taxa e “dorme”, o prefixado entrega exatamente o que promete.
A questão central não é “qual é a melhor taxa de Tesouro Prefixado disponível hoje?” — essa varia conforme o dia e o vencimento. A questão é: “Preciso do dinheiro em 2, 3, 5 anos? Se sim, qual taxa travo agora?” A resposta honesta a essa pergunta determina se o prefixado é para você.
Quer entender se o Tesouro Prefixado faz sentido para sua situação específica — considerando seu horizonte, sua necessidade de liquidez e a estrutura de imposto que você precisa otimizar? A Renova Invest analisa isso com você, olhando não só para o Tesouro, mas também para o CDB, os FIIs e as estratégias de renda fixa que podem estar sendo negligenciadas. Fale com um assessor da Renova.