É comum que o contexto geopolítico mundial, em muitas situações, deixe os investidores brasileiros receosos. Afinal, não é possível prever, por exemplo, como o mercado financeiro se comportará em tempos de guerra — especialmente no curto e médio prazo. Contudo, mesmo em épocas de instabilidade, é possível encontrar oportunidades de investimento.

Para isso, é importante conhecer o contexto que gera as oscilações no mercado e como ele impacta a economia. Ainda, existem outros fatores que devem ser analisados para tomar decisões de investimento mais acertadas e montar uma carteira sólida, adequada às suas necessidades.

Assim, esse artigo pode ajudá-lo a entender esse cenário e a investir melhor em tempos de guerras e instabilidades econômicas. Vamos lá?

Como o cenário de guerra afeta o mercado financeiro?

Para começar, vale considerar o contexto que se apresentou no final de fevereiro de 2022 — com a invasão russa em território ucraniano — e que afetou o mercado financeiro mundial. O conflito entre os países gerou oscilações nas bolsas de valores de diversos países, além da escassez de oferta de alguns produtos.

Como consequência, houve aumento nos preços de commodities — principalmente petróleo e gás. Mas a cotação de outras commodities também dispararam, como cobre, trigo, milho, café e soja.

Essa escalada nos preços afetou diretamente a inflação, fazendo com que os países aumentassem a taxa de juros como mecanismo de controle inflacionário. É o que pode ser observado no Brasil — durante o conflito, o país apresentava inflação e taxa básica de juros da economia brasileira (Selic) em alta.

Por outro lado, essa política monetária tende a reduzir o PIB (Produto Interno Bruto). Logo, a instabilidade no campo econômico costuma ser seguida por consequências negativas, como desemprego, falência de empresas e endividamento da população.

Além disso, a duração do conflito e o peso das sanções costumam ser incertos. Portanto, também não é possível prever os impactos das guerras nos mercados globais. Nesse sentido, diante do conflito da Rússia com a Ucrânia, por exemplo, os investidores brasileiros notaram uma queda nas ações e no preço do dólar.

Ademais, as sanções impostas às empresas russas — como retiradas das listas de bolsas de valores fora do país — ajudaram a atrair capital para o Brasil. Esse movimento ajudou a justificar a queda na cotação do dólar durante o conflito.

Como investir em tempos de guerra?

Como você viu, tempos de guerras tendem a causar bastante tensão no campo dos investimentos. Nesses períodos, é comum observar a bolsa de valores em fortes e frequentes quedas, já que o medo dos investidores se intensifica.

Dessa forma, as crises causadas pelos conflitos afetam, em especial, a renda variável. Afinal, essa classe de investimentos está diretamente ligada às oscilações do mercado.

Assim, é comum se perguntar como investir diante desse cenário, certo? Saiba que o ideal é ter estratégias que ajudem a proteger a carteira de investimentos e a aproveitar as oportunidades do mercado.

INVESTIR FORA DO BRASIL? DESCUBRA COMO Investir fora do Brasil

INVESTIR FORA DO BRASIL? DESCUBRA COMO Investir fora do Brasil

Aprenda a como investir no exterior de forma prática

Um exemplo é a diversificação dos investimentos — bastante importante em qualquer contexto. A estratégia consiste em alocar o capital em investimentos de diferentes classes, tipos, setores e níveis de risco.

O objetivo é evitar que a carteira sofra perdas muito intensas por ter exposição mais direta a um ou poucos ativos ou produtos financeiros. Vale ressaltar que é possível diversificar também considerando economias variadas.

Na prática, se expor ao mercado internacional pode agregar mais segurança ao seu portfólio. Afinal, esses investimentos permitem acessar economias mais sólidas e que tendem a ser mais resilientes em momentos econômicos delicados, por exemplo.

Além disso, ao escolher os investimentos, é preciso analisar a correlação entre eles. Quando há uma forte correlação positiva entre os ativos, os resultados caminham para a mesma direção diante de determinada condição.

Em contrapartida, quando a correlação é negativa os investimentos caminham em direções diferentes. Quando são descorrelacionados, não é possível identificar qual comportamento uma alternativa terá em relação a outra diante das mesmas condições.

Onde investir diante desse cenário?

Percebeu a importância de ter uma estratégia de investimentos em tempos de guerra e instabilidades financeiras? Se você deseja evitar a redução do seu patrimônio, é fundamental saber onde investir diante desse cenário.

Conheça alternativas que podem trazer mais segurança para a sua carteira ou representar oportunidades de incluir a descorrelação no seu portfólio:

Tesouro IPCA

Como você aprendeu, a escalada no preço das commodities, por exemplo, afeta diretamente a inflação. Por isso, proteger seu dinheiro da perda do poder de compra pode ser interessante. Nesse caso, o Tesouro IPCA é uma alternativa de título de renda fixa que costuma se adequar a esse objetivo.

A rentabilidade desse título público disponível na plataforma do Tesouro Direto combina um índice financeiro de inflação (IPCA — Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) acrescido de uma taxa prefixada.

Dessa forma, o rendimento estará sempre acima da inflação, pois os ganhos reais serão atrelados à taxa prefixada oferecida. Ademais, não há apenas um título de IPCA disponível no mercado. Na prática, é possível escolher entre alternativas com prazos e taxas diferentes.

Também há títulos com fluxo de pagamento distintos. No caso do Tesouro IPCA sem juros semestrais, a rentabilidade combinada será paga no resgate. Já o Tesouro IPCA com cupom paga o rendimento obtido a cada seis meses.

Fundos de investimento em ouro

Expor parte do seu patrimônio ao ouro também pode ser uma estratégia atrativa em tempos de guerra e instabilidades,  pois ele tem descorrelação com diversos investimentos. Ou seja, mesmo que outros ativos se desvalorizem, o metal pode manter o seu valor ou até se valorizar.

Uma possibilidade para investir em ouro é por meio dos fundos de investimento. Trata-se de uma modalidade coletiva, na qual os recursos são administrados por um gestor profissional. Para participar dos resultados do fundo, os investidores devem adquirir cotas.

Já a exposição ao metal pode ser feita por ativos ou derivativos, como contratos futuros. Ademais, o fundo de investimento em ouro pode ter uma estratégia multimercado, o que resulta em mais flexibilidade para o gestor e versatilidade para o investidor.

Fundos cambiais

Os fundos cambiais também são modalidades coletivas de investimento, mas o foco está nas moedas estrangeiras, como dólar e euro. Contudo, os aportes não são realizados diretamente nas moedas. Normalmente, o gestor compra e vende ativos atrelados a elas.

As alocações também podem ser feitas em derivativos de moedas. As escolhas do gestor dependerão da estratégia do fundo. Para evitar a alta volatilidade — especialmente resultante das variações do câmbio — e equilibrar os riscos, uma parte dos recursos pode ser aplicada em títulos de renda fixa.

Agora você sabe como e onde investir em tempos de guerra e instabilidades financeiras. Assim, fica mais fácil tomar melhores decisões de investimento para compor um portfólio sólido e evitar perdas diante de diferentes cenários.

Ainda está na dúvida sobre o melhor investimento para compor a sua carteira no cenário atual? Então entre em contato conosco e converse com um de nossos assessores!

 

Para aprofundar ainda mais seus conhecimentos sobre o mercado financeiro, nos acompanhe nas redes sociais. Estamos no YouTubeInstagramFacebook e LinkedIn!