A quantidade de investidores na bolsa de valores tem crescido bastante. Contudo, muitas dessas pessoas ainda não têm conhecimento de vários aspectos do mercado de Ações. Por exemplo, entender o que é EV/EBITDA pode ajudar você a escolher uma empresa para investir.

Um dos benefícios disso é poder comprar Ações com mais consciência. Em especial, para quem tem objetivos de longo prazo.

Talvez você já tenha ouvido falar de EV/EBITDA, mas não teve a oportunidade de descobrir do que se trata. Então continue a leitura para conhecer o indicador e ver como ele funciona!

O que é EV/EBITDA

EV/EBITDA se refere à relação entre dois indicadores: EV sobre EBITDA. Confira a seguir o que eles significam:

EV

EV é a sigla para Enterprise Value, ou valor da empresa. Imagine uma companhia que esteja listada na bolsa de valores. Se você quisesse comprá-la, quanto dinheiro seria preciso desembolsar?

Você precisaria comprar de cada acionista as Ações que eles têm dessa empresa. O valor total gasto seria o valor de mercado da companhia. Também seria preciso pagar todas as dívidas que ela tem.

Nesse caso, tenha em mente que, se a companhia tiver recursos, é possível usá-los para pagar o que ela deve. Desse modo, o valor que importa aqui é a dívida líquida, que é a dívida bruta menos o caixa disponível.

Somando o valor de mercado com a dívida líquida, descobrimos qual é o EV. Ou seja, o valor da empresa. A seguir, vamos entender o EBITDA.

EBITDA

EBITDA significa Earnings Before Interest, Taxes, Depreciation, and Amortization. Em português, a sigla é LAJIDA, que se refere a Lucros Antes de Juros, Impostos, Depreciação e Amortização.

Percebe que o EBITDA é um tipo de lucro? Afinal, existem vários:

  • lucro bruto — receita total menos os custos operacionais (matéria-prima e mão de obra);
  • LAJIDA ou EBITDA — lucro bruto menos as despesas administrativas (aluguel, água, energia, telefone, manutenção de veículos etc);
  • lucro líquido — EBITDA menos impostos, juros de financiamentos e depreciação.

Não existe um tipo de lucro mais importante. Cada um deles pode ajudar você a tirar conclusões a respeito da saúde de uma companhia.

Como calcular o EV/EBITDA

Depois de entender o que é cada indicador, é hora de você conhecer o indicador EV/EBITDA. Para compreender como se faz o cálculo, podemos pensar em um exemplo prático.

Veja alguns indicadores fundamentalistas de uma empresa:

  • número de Ações — 1.518.750.000;
  • cotação — R$10,92;
  • dívida líquida — R$12,36 bilhões;
  • EBITDA — R$4,46 bilhões.

Multiplicando os dois primeiros números, nós descobrimos o valor de mercado da companhia: R$16,58 bilhões. Se somarmos isso à dívida líquida, teremos o EV: R$28,94 bilhões.

Agora é possível conferir os dados necessários para calcular o EV/EBITDA:

EV/EBITDA = R$28,94 bilhões ÷ R$4,46 bilhões = 6,48

Pronto! O EV/EBITDA do nosso exemplo é de 6,48. Veja que ele não tem uma unidade de medida. Isso acontece porque o resultado é um múltiplo que mostra uma relação entre dois valores.

Para que serve o EV/EBITDA

Entender o que é o EV/EBITDA levanta outras dúvidas. O que o número quer dizer e por que ele é importante? Na prática, o indicador mostra quanto anos levaria para que o lucro operacional da empresa pagasse o investimento feito para comprá-la.

No exemplo que demos, levaria cerca de seis anos e meio para que isso acontecesse. Então, poderíamos concluir que, quanto menor é o número, melhor é o resultado para o investidor.

Entretanto, é preciso lembrar que algum evento não recorrente pode ocultar a situação real de uma empresa. Por exemplo, uma companhia pode estar endividada, com um EV/EBITDA alto. Mas, no futuro, isso pode mudar.

Quando o negócio está em uma fase de expansão, por exemplo, costuma receber muitos aportes e apresentar dívidas. Entretanto, a situação costuma ser pontual e não significa que a empresa esteja com a saúde financeira comprometida.

Assim, é essencial analisar o indicador em conjunto com outros que também avaliem a qualidade da empresa.

Por que é importante saber analisar o EV/EBITDA

Você já ouviu falar em análise técnica e análise fundamentalista? A primeira é baseada nos gráficos que indicam a variação de preços no mercado. Ela costuma ser usada por pessoas que fazem operações na bolsa de valores visando o curto prazo.

De outro lado, a análise fundamentalista é usada para quem foca no longo prazo. Nesse caso, a análise técnica não é utilizada. Afinal, ela não leva em conta a saúde financeira da empresa na qual você investirá.

A análise dos fundamentos envolve a avaliação de vários indicadores que, juntos, podem ajudar a compreender quão sólida uma companhia é. O EV/EBITDA é um exemplo. Ele permite comparar empresas sujeitas a regimes tributários diferentes.

Afinal, o indicador desconsidera o pagamento de impostos. Assim, é possível até mesmo comparar companhias brasileiras com outras estrangeiras. Contudo, fique atento para considerar empresas de um mesmo setor.

Além disso, apesar de sua importância, o EV/EBITDA não deve ser analisado de forma isolada. Isso poderia fazer você se enganar com respeito à solidez da empresa. É por isso que a análise fundamentalista envolve diversos indicadores.

Outros indicadores usados na análise fundamentalista

Além do EV/EBITDA, uma análise fundamentalista eficiente deve considerar indicadores como:

  • ROE (Return on Equity) — é a relação entre o lucro líquido e o patrimônio líquido. Ele indica o grau de eficiência da companhia;
  • DY (Dividend Yield) — indica a relação entre os dividendos pagos pela empresa e o preço da sua Ação;
  • P/L (Preço sobre Lucro) — é a relação entre o preço da Ação e o lucro por Ação, e indica a disposição do mercado de pagar pelos lucros da companhia;
  • P/VPA — indica a relação entre o preço da Ação e seu valor patrimonial;
  • Demonstrativos financeiros — mostram a qualidade da gestão financeira da empresa.

Como você viu, o indicador EV/EBITDA faz parte da análise fundamentalista. Quanto mais elementos você entender dela, mais segurança poderá sentir ao investir no mercado de Ações. Desse modo, ficará mais fácil escolher as empresas para compor sua carteira!

Quer aprender mais sobre o assunto? Então, confira nosso guia sobre como analisar os fundamentos das Ações!