David Vélez: a história do fundador colombiano que criou o Nubank

David Vélez: a história do fundador colombiano que criou o Nubank

Em 2012, um executivo colombiano passou semanas tentando abrir uma conta bancária em São Paulo — a mesma experiência que milhões de brasileiros vivem como rotina. Essa frustração simples se transformou em uma das maiores empresas financeiras da América Latina. David Vélez Osorno fundou o Nubank em 2013, e hoje a Nu Holdings Ltd. atende cerca de 139 milhões de clientes no Brasil, México e Colômbia. Esse artigo conta a trajetória completa — de Medellín à NYSE — do empreendedor que transformou não apenas o mercado bancário, mas a forma como investidores acompanham inovação em renda variável.

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Quem é David Vélez? Resposta direta

David Vélez é o cofundador, CEO e Chairman do Nubank. Nasceu em Medellín, Colômbia, em 1981, e fundou a fintech em São Paulo em 2013 ao lado de Cristina Junqueira e Edward Wible. Hoje, a Nu Holdings atende cerca de 139 milhões de clientes na América Latina.

Sua trajetória profissional passou por instituições de elite: Stanford (graduação em Management Science and Engineering), Goldman Sachs (análise de crédito), Morgan Stanley (operações na América Latina), General Atlantic (avaliação de empresas em mercados emergentes) e Sequoia Capital (cobertura de venture capital para a América Latina). Sua fortuna foi estimada em US$ 14,5 bilhões pela lista da Forbes de março de 2026 — número que oscila conforme a cotação das ações da Nu Holdings e que varia entre diferentes rankings de bilionários. Em qualquer dos levantamentos, ele figura entre os colombianos mais ricos do mundo.

Regulatoriamente, o Nubank opera como instituição de pagamento e sociedade de crédito direto, com licença de corretora de títulos. Está enquadrado no segmento S2 (grandes instituições) do Banco Central do Brasil — o que significa supervisão integral, não uma zona cinzenta regulatória. Para o investidor, isso é crítico: o Nubank não é apenas um produto de consumo, é uma empresa de capital aberto negociada na NYSE (ticker NU) e via BDR na B3 (ROXO34).

Essa distinção importa. O que Vélez construiu não é um app de pagamento. É uma instituição financeira com acesso a mercados de capitais globais — estrutura que a maioria das fintechs nunca alcança.

De Medellín a São Paulo: a dor que originou o Nubank

David Vélez cresceu na Colômbia dos anos 1980 e 1990 — período marcado por instabilidade econômica e exclusão financeira estrutural. Naquela época, o sistema bancário colombiano era altamente concentrado em grandes bancos e caro para o cliente médio. Para abrir conta, exigia-se renda formal comprovada, referências, documentação excessiva e múltiplas visitas presenciais. O resultado era que uma parcela expressiva da população colombiana permanecia fora do sistema bancário formal — desbancarizada.

Essa realidade deixou uma marca em Vélez. Ele viu de perto como bancos usavam complexidade como ferramenta de exclusão, não proteção. Quando sua família se mudou para a Costa Rica durante a adolescência, ele passou a observar o sistema financeiro através de dois ângulos: o da dor que havia vivido e o da capacidade analítica que desenvolvia nos Estados Unidos.

A transição para Stanford foi determinante. Lá, ele estudou Management Science and Engineering — exatamente o tipo de formação que constrói soluções escaláveis, não patches paliativos. Nesse contexto acadêmico, Vélez começou a formular uma pergunta: se a tecnologia poderia escalar produtos financeiros com custo marginal próximo a zero, por que bancos continuavam operando como há décadas?

Quando chegou ao Brasil em 2012, já tinha essa lente clara. O país tinha mais de 200 milhões de pessoas, sistema bancário fortemente concentrado em poucos grandes bancos, tarifas elevadas, digitalização incipiente e população de renda média com acesso restrito ao crédito. Era o laboratório perfeito para aplicar uma tese forjada na observação de problemas latino-americanos.

Stanford, Goldman Sachs e Sequoia: como a carreira preparou o negócio

A sequência de experiências de Vélez não foi aleatória. Cada etapa ensinou um componente específico do Nubank.

Em Stanford, ele absorveu a cultura de startups e modelos de negócios baseados em tecnologia e escala — não em relacionamento bancário tradicional. Na Goldman Sachs, aprendeu como grandes bancos precificam risco de crédito e estruturam produtos financeiros. Esse conhecimento foi direto para a estratégia de limite de crédito automático do Nubank — algoritmo que concede crédito sem consultor humano, apenas análise de risco. Na General Atlantic, vivenciou como avaliar empresas de crescimento em mercados voláteis, o que o preparou para priorizar disciplina de caixa sobre crescimento sem limites.

Mas foi na Sequoia Capital que tudo convergiu. Vélez foi designado para cobrir a América Latina — mercado subestimado pelo venture capital global na época. Durante essa imersão em Brasil, México e Colômbia, ele identificou um padrão: o sistema bancário era o maior problema não resolvido da região. Altamente concentrado, caro, tecnologicamente obsoleto.

A Sequoia não foi apenas escola. Foi investidora semente do negócio. O aporte inicial de US$ 2 milhões, em 2013, foi dividido entre Sequoia Capital e Kaszek Ventures — validação que abriu caminho para rodadas posteriores com fundos como Tiger Global e DST Global. Para investidores acompanhando a Nu Holdings hoje, esse detalhe é relevante: o Nubank foi financiado por capital inteligente desde o nascimento, não apenas capital abundante. Isso ajudou a moldar uma cultura de eficiência operacional que persiste.

Como surgiu a ideia: frustração se torna tese de negócio

Em 2012, Vélez se mudou para São Paulo com a missão de cobrir investimentos para a Sequoia Capital. Ao tentar abrir conta em um banco tradicional brasileiro, enfrentou semanas de burocracia. Documentos excessivos, visitas presenciais repetidas, desconfiança institucional. A experiência foi clara: essa não era uma falha individual de um banco — era o modelo de negócio inteiro do sistema financeiro brasileiro.

O contexto de 2012 era eloquente. Poucos grandes bancos concentravam a maior parte dos ativos do setor. Anuidades de cartão de crédito da ordem de algumas centenas de reais por ano eram comuns. Abrir conta normalmente exigia presença em agência. O atendimento era precário. A proposta de cartão sem anuidade do Nubank eliminava esse custo recorrente do orçamento do cliente — algo pouco usual no Brasil daquele momento.

A tese de negócio foi construída assim: se o custo de aquisição fosse baixo (sem agências), se a operação fosse 100% digital (zero papel) e se a escala fosse massiva (milhões de clientes), seria possível oferecer melhor produto a custo menor. Isso dependia de duas coisas que Vélez havia dominado: tecnologia (Vale do Silício) e análise de crédito (Goldman Sachs).

O que poucos percebem: o Nubank não cresceu apesar das deficiências do sistema bancário brasileiro. Cresceu porque essas deficiências criaram demanda reprimida por uma alternativa. Cada banco tradicional que cobrava tarifa, cobrava anuidade, exigia documentação excessiva — era um recruta para a fila de espera do Nubank.

Nubank em 2013: fundação, cofundadores e estratégia de entrada

O Nubank foi fundado em 2013 por três cofundadores com perfis complementares. David Vélez trouxe visão estratégica e acesso a investidores globais. Cristina Junqueira, ex-executiva do Itaú Unibanco, trouxe conhecimento profundo de crédito e operações no Brasil. Edward Wible, engenheiro norte-americano, construiu a infraestrutura tecnológica.

O produto inicial era um cartão de crédito sem anuidade, gerenciado inteiramente por app. Nada de agências, nada de telefone com música de espera, nada de tarifas escondidas. Tudo controlável pelo celular: limite, fatura, bloqueio de cartão. Em 2013, no Brasil, era algo raro.

A estratégia regulatória foi intencional: começar como instituição de pagamento (entrada rápida, licença mais simples) e expandir para banco digital completo conforme o crescimento. Isso permitiu lançar o produto em meses, não anos. Depois, quando a base de clientes alcançou escala, o grupo obteve as licenças adicionais de sociedade de crédito direto e corretora de títulos.

Indicador Nubank 2013 Nubank 2026
Clientes Lista de espera ~139 milhões
Produtos Cartão de crédito Cartão, conta, crédito, seguros, investimentos
Países Brasil Brasil, México, Colômbia
Modelo regulatório Instituição de pagamento Banco digital S2 do BCB

Os primeiros anos foram de crescimento orgânico via boca a boca. Não havia publicidade convencional em larga escala. Clientes indicavam amigos. Havia fila de espera para obter o cartão roxo — essa escassez controlada criava desejo. O crescimento foi mais cultural que comercial: o Nubank virou marca identitária de uma geração que rejeitava bancos tradicionais.

Para investidores que acompanham a estrutura de custos de fintechs, vale notar: cada novo cliente tende a custar uma fração do que custaria em um banco com agências, gerentes e atendimento presencial. Essa vantagem de custo marginal é o motor econômico que permite ao Nubank competir em preço e buscar rentabilidade conforme cresce.

Do cartão roxo ao IPO: crescimento, expansão e mercado de capitais

Em menos de uma década, o Nubank evoluiu de um único produto para um ecossistema financeiro completo. Cada linha de produtos foi adicionada com propósito estratégico.

Primeiro veio a NuConta (hoje Conta do Nubank), conta digital com remuneração do saldo atrelada ao CDI — proposta difícil de replicar em banco tradicional por causa da estrutura de custos. Depois, crédito pessoal sem burocracia, seguros, plataforma de investimentos (NuInvest) e produtos para pequenas empresas. Cada um desses produtos ampliava o relacionamento com o cliente e redimensionava o modelo financeiro da empresa.

A expansão internacional começou em 2019 (México) e 2020 (Colômbia). Em ambos os mercados, replicou a estratégia: cartão como entrada, crescimento por indicação, sem agências. Nesses países, a parcela desbancarizada da população é relevante, o que sustenta a tese de demanda potencial — sem garantia de que o ritmo brasileiro se repita.

O IPO foi concluído em 10 de dezembro de 2021, na NYSE. Na precificação, a Nu Holdings ofertou 289 milhões de ações a US$ 9, captando aproximadamente US$ 2,6 bilhões; com o exercício parcial da opção dos coordenadores, o montante chegou a cerca de US$ 2,8 bilhões, conforme documento 6-K arquivado pela companhia na SEC. Foi uma das maiores aberturas de capital latino-americanas da história. Para o investidor brasileiro, a forma de acesso é via BDR (Brazilian Depositary Receipt) com ticker ROXO34 na B3. Cada BDR representa uma fração de ação ordinária negociada na NYSE, na proporção definida pelo programa do emissor, permitindo participação sem conta em corretora internacional.

David Vélez permanece como CEO e Chairman. Em julho de 2026, foi anunciada sua indicação para os conselhos da OpenAI Foundation e do OpenAI Group PBC — movimento lido pelo mercado como sinal de proximidade com a agenda de inteligência artificial. A leitura corrente é que a empresa tende a intensificar o uso de IA em análise de crédito, detecção de fraude e personalização de produtos, ainda que isso não configure anúncio de produto.

A implicação para o investidor é direta: o Nubank não é mais uma startup em fase inicial. É instituição madura, regulada pelo BCB no segmento S2, com operações em três países. Há quem argumente que o perfil de risco do BDR é hoje mais mapeável do que na fase pré-IPO — mas isso não elimina a volatilidade típica de renda variável em mercado emergente.

Resumo prático

  • Origem: Colombiano nascido em Medellín (1981), cresceu na Costa Rica, estudou em Stanford e trabalhou em Goldman Sachs, Morgan Stanley, General Atlantic e Sequoia Capital antes de fundar o Nubank.
  • Motivação central: Experiência pessoal de exclusão financeira na Colômbia e frustração ao tentar abrir conta em São Paulo em 2012 geraram a tese do Nubank.
  • Cofundadores e fundação: Nubank fundado em 2013 por Vélez (estratégia/investidores), Cristina Junqueira (crédito/operações) e Edward Wible (tecnologia). Produto inicial: cartão sem anuidade, 100% digital.
  • Capital semente: US$ 2 milhões em 2013, divididos entre Sequoia Capital e Kaszek Ventures.
  • Modelo regulatório: Começou como instituição de pagamento (entrada rápida); evoluiu para banco digital S2 com licenças de sociedade de crédito direto e corretora.
  • Escala 2026: cerca de 139 milhões de clientes no Brasil, México e Colômbia; portfólio diversificado (cartão, conta, crédito, seguros, investimentos).
  • IPO: Nu Holdings captou cerca de US$ 2,6 bilhões na precificação na NYSE, com conclusão em 10/12/2021 (aproximadamente US$ 2,8 bilhões com o exercício parcial da opção dos coordenadores, conforme 6-K na SEC); acessível no Brasil via ROXO34 na B3.
  • Patrimônio de Vélez: Estimado em US$ 14,5 bilhões pela Forbes em março de 2026, oscilando com a cotação das ações da Nu Holdings.

Dúvidas frequentes

David Vélez é brasileiro ou colombiano?

Colombiano, nascido em Medellín em 1981. Após passar pela Costa Rica e Estados Unidos (Stanford), se mudou para o Brasil em 2012 e fundou o Nubank em São Paulo. Apesar de anos vivendo no Brasil, mantém identidade colombiana e frequentemente cita a perspectiva latino-americana como central à missão da empresa.

O Nubank é banco ou fintech?

Na prática, opera como banco digital. Regulatoriamente, atua por meio de instituição de pagamento, sociedade de crédito direto e corretora, com enquadramento no segmento S2 (grandes instituições) do Banco Central do Brasil. A confusão existe porque começou como instituição de pagamento (entrada mais rápida) e expandiu para estrutura bancária completa. Para o investidor: é supervisionado integralmente pelo BCB, não está em zona cinzenta regulatória.

Quando foi fundado o Nubank?

2013, em São Paulo, por David Vélez (estratégia), Cristina Junqueira (ex-Itaú, crédito) e Edward Wible (tecnologia). Produto inicial: cartão de crédito sem anuidade, 100% digital. A empresa cresceu majoritariamente por boca a boca, não por publicidade tradicional.

Quantos clientes o Nubank tem em 2026?

Cerca de 139 milhões no Brasil, México e Colômbia. O Brasil é a base maior; México e Colômbia partem de bases menores e crescem em ritmo mais acelerado. Isso consolida o Nubank como um dos maiores bancos digitais da América Latina por volume de clientes.

Qual é a fortuna de David Vélez?

A Forbes estimou seu patrimônio em US$ 14,5 bilhões em março de 2026. O valor varia conforme a cotação de NU na NYSE e conforme a metodologia de cada ranking. Ele é apontado como um dos colombianos mais ricos do mundo.

Onde investir em Nubank como brasileiro?

Via BDR (Brazilian Depositary Receipt) com ticker ROXO34 na B3. Cada BDR representa uma fração de ação ordinária da Nu Holdings negociada na NYSE, conforme a proporção do programa. Permite participação do crescimento da empresa sem precisar de conta em corretora internacional.

Antes de alocar no BDR da Nu Holdings, a pergunta central não é “o Nubank vai crescer?” — é “esse risco de empresa de capital aberto em mercado emergente cabe na minha carteira, em qual proporção e qual é meu horizonte de retirada?”. A história de David Vélez mostra um empreendedor com visão clara e execução consistente, mas isso não reduz a volatilidade de ações em mercados emergentes nem garante desempenho futuro. A Renova Invest conecta você a assessores que avaliam esse tipo de exposição dentro do contexto completo da sua estratégia de investimento — sem conflito de interesse. Fale com um assessor para estruturar essa decisão adequadamente.

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Fonte: Banco Central · 01/10/2026
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Fonte: Brapi e Banco Central · 02/10/2026 às 16h57

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