David Vélez: quem é o fundador colombiano que criou o Nubank

David Vélez: quem é o fundador colombiano que criou o Nubank

Imagine abrir uma conta bancária em minutos, sem filas, sem papelada interminável e sem tarifas abusivas. Essa foi a promessa que David Vélez, um colombiano, trouxe para o Brasil em 2013. Fundador e CEO do Nubank, Vélez identificou algo que os grandes bancos ignoravam: milhões de brasileiros eram mal atendidos por um sistema caro, burocrático e concentrado em poucas mãos. Com uma formação sólida em Stanford e experiência no coração do Vale do Silício, ele transformou essa oportunidade em um dos maiores casos de sucesso do empreendedorismo brasileiro.

Hoje, o Nubank não é apenas o maior banco digital da América Latina, mas também uma das empresas mais valiosas do país. Para quem acompanha o mercado financeiro, conhecer David Vélez ajuda a entender como uma ideia disruptiva pode transformar setores inteiros. Vale ressaltar, porém, que a trajetória do Nubank constitui um estudo de caso para análise do setor e não determina, por si só, a atratividade de qualquer ativo.

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Quem é David Vélez? O homem por trás do Nubank

David Vélez Osorno não é apenas o fundador do Nubank: ele é o CEO, presidente do conselho e a figura central nas decisões estratégicas da empresa. Nascido em Medellín, Colômbia, em 1981, Vélez construiu uma trajetória impressionante, passando por algumas das melhores universidades e instituições financeiras do mundo antes de desembarcar no Brasil com uma missão clara: reinventar o sistema bancário.

Portanto, o Nubank não é apenas uma fintech brasileira. Fundado em São Paulo em 2013, opera atualmente em Brasil, México e Colômbia — e tem sede legal nas Ilhas Cayman, além de estar em processo de expansão para os Estados Unidos, tendo recebido aprovação condicional do OCC em janeiro de 2026 para a formação de um banco nacional. Além disso, suas ações são negociadas na Bolsa de Nova York (NYSE) sob o ticker NU, com BDRs disponíveis na B3 sob o código ROXO34. Em julho de 2026, Vélez continua à frente das operações, mantendo controle direto sobre a estratégia da companhia.

Para investidores brasileiros, entender quem é David Vélez vai além da curiosidade. Afinal, ele lidera uma empresa cujos papéis são negociados na B3, e suas decisões impactam diretamente o desempenho do ativo. A permanência do fundador no comando pode favorecer a continuidade estratégica, mas é preciso considerar o outro lado: segundo o formulário 20-F de 2025 da Nu Holdings, Vélez detinha cerca de 74,3% do poder de voto ao fim de 2025, o que representa risco de governança e reduz a influência dos acionistas minoritários, podendo levar a decisões contrárias às preferências de outros investidores.

Além disso, Vélez ganhou destaque extra em 2026. Em 21 de julho daquele ano, ele foi nomeado para os conselhos da OpenAI Foundation e da OpenAI Group PBC. Segundo a OpenAI, sua experiência em tecnologia, serviços financeiros e ampliação de acesso deve contribuir para a governança das organizações, em um contexto de fortalecimento de mercados públicos e governança financeira diante de um possível IPO da companhia de inteligência artificial.

De Medellín ao Vale do Silício: a formação que moldou Vélez

A história de Vélez antes do Nubank é uma combinação rara de educação de elite e experiência prática nos maiores centros de inovação do mundo. No entanto, o que realmente destaca sua trajetória é como essa bagagem foi aplicada de forma prática para criar um negócio disruptivo no Brasil.

Graduação em Stanford: onde tudo começou

Vélez cresceu em Medellín, mas sua jornada para o sucesso começou nos Estados Unidos. Ele é bacharel em Management Science and Engineering por Stanford (2005) e, anos depois, concluiu um MBA na Stanford Graduate School of Business (2012). Na prática, essa combinação de formação técnica e de negócios lhe deu uma visão ampla: a capacidade de pensar tanto na construção de um produto quanto em sua viabilidade econômica. Uma bagagem valiosa, especialmente no mundo das startups.

Mas Stanford não foi apenas um diploma. Foi o portal para uma das redes mais poderosas do mundo empreendedor. Essa rede seria fundamental para o que viria depois — tanto em termos de oportunidades quanto de aprendizado.

Sequoia Capital: o aprendizado que levou ao Nubank

Após se formar, Vélez mergulhou no mercado financeiro. Inicialmente, atuou em bancos de investimento, passando pelo Morgan Stanley e pelo Goldman Sachs. Em seguida, trabalhou na General Atlantic, um dos maiores fundos de private equity do mundo, especializado em empresas de alto crescimento. Depois, deu um passo decisivo: ingressou na Sequoia Capital, o lendário fundo de venture capital por trás de empresas como Apple, Google, WhatsApp e Airbnb.

Na Sequoia, Vélez foi designado para buscar oportunidades de investimento na América Latina. Poucos percebem, mas foi exatamente essa missão que o trouxe ao Brasil — e o fez enxergar uma lacuna que ninguém estava explorando. Durante esse período, ele se deparou com um sistema bancário que considerava arcaico: concentrado, caro e burocrático. Em resumo, um terreno fértil para disrupção.

Em vez de recomendar investimentos em bancos existentes para a Sequoia, Vélez decidiu ser o investimento. A lição que ele trouxe do Vale do Silício era clara: um novo banco não precisa competir em tamanho com os gigantes — precisa ser mais simples, ágil e escalável. E foi exatamente isso que ele colocou em prática no Brasil.

Como David Vélez fundou o Nubank em 2013?

David Vélez não acordou um dia com a ideia de criar o Nubank. Portanto, a fundação do banco digital foi resultado de uma conclusão clara: os bancos tradicionais brasileiros ignoravam uma demanda enorme. A experiência pessoal de Vélez foi o estopim. Ao tentar abrir uma conta no Brasil, ele enfrentou processos que levavam semanas, exigiam pilhas de documentos e cobravam tarifas que ele considerou abusivas.

Para alguém acostumado à simplicidade dos serviços financeiros nos Estados Unidos, a experiência foi um choque. No entanto, também foi uma oportunidade. Se até algo básico como abrir uma conta era complicado, Vélez imaginou quantas outras pessoas enfrentavam o mesmo problema — e quantas permaneciam fora do sistema financeiro por pura burocracia.

Os cofundadores: a equipe que completou Vélez

Vélez sabia que não conseguiria construir o Nubank sozinho. Consequentemente, escolheu cofundadores que complementavam suas habilidades:

  • Cristina Junqueira: brasileira, engenheira e ex-executiva do Itaú. Trouxe o conhecimento essencial sobre regulação bancária e mercado local.
  • Edward Wible: americano, engenheiro de software. Foi o responsável pela construção da infraestrutura tecnológica que permitiu ao Nubank operar 100% no digital.

A tríade fundadora reunia expertise em tecnologia, finanças e operações — a base perfeita para criar uma fintech escalável.

Primeiro produto: o cartão roxo que mudou tudo

Em 2014, o Nubank lançou seu primeiro produto: um cartão de crédito roxo, sem anuidade, gerenciado inteiramente por app. A proposta era radicalmente diferente do que o mercado oferecia: sem agências, sem papelada, sem tarifas escondidas. Na prática, uma experiência bancária simplificada.

A experiência na Sequoia Capital havia ensinado uma lição crucial a Vélez: o sucesso não dependia de competir em tamanho com os bancos tradicionais, mas sim de ser mais simples, eficiente e escalável. O Nubank nasceu com essa mentalidade de startup, não de instituição financeira convencional.

Os primeiros investidores incluíram a própria Sequoia Capital — onde Vélez havia trabalhado — além de outros fundos internacionais. Esse apoio financeiro foi essencial para financiar o crescimento inicial, antes mesmo de o Nubank gerar receita significativa.

A trajetória do Nubank: do cartão roxo à maior fintech da América Latina

O Nubank começou como uma simples empresa de cartão de crédito, mas rapidamente se transformou em um ecossistema financeiro completo. A estratégia de expansão foi clara: conquistar o cliente com um produto simples e acessível, e depois oferecer outros serviços aproveitando a confiança já estabelecida.

Em 2017, por exemplo, o Nubank lançou a NuConta, uma conta digital que se tornou um dos produtos mais populares da empresa. Em seguida, vieram empréstimos, seguros, investimentos, previdência e até câmbio. Cada novo produto utilizava os dados e o relacionamento já construídos com os clientes.

A internacionalização veio logo depois. O México foi o primeiro destino em 2019, seguido pela Colômbia — país natal de Vélez — em 2020. Dessa forma, o Nubank deixou de ser apenas uma fintech brasileira para se tornar uma plataforma regional. Mais recentemente, a companhia iniciou processo de expansão para os Estados Unidos, tendo recebido aprovação condicional do OCC em janeiro de 2026.

O marco mais visível de toda essa trajetória foi o IPO na NYSE em dezembro de 2021. A abertura de capital avaliou a empresa em cerca de US$ 41 bilhões, tornando-se um dos maiores IPOs de fintechs da história. No IPO de 2021, os BDRs foram listados na B3 sob o código NUBR33. Em agosto de 2023, após a mudança de categoria do programa de BDR, o código passou a ser ROXO34, permitindo que investidores brasileiros acessassem o papel em reais.

Ao fim de 2025, o Nubank consolidou sua posição entre as empresas mais valiosas com forte presença no Brasil. Em 31 de dezembro de 2025, com base no formulário 20-F, a Nu Holdings — juridicamente constituída nas Ilhas Cayman, mas com operação principal na América Latina — tinha valor de mercado aproximado de US$ 81,3 bilhões. Vale destacar que esse valor oscila diariamente conforme o preço da ação NU na NYSE.

Outro momento marcante na trajetória pública de Vélez foi sua declaração de que o Nubank pagaria mais impostos, proporcionalmente, do que os grandes bancos tradicionais. Trata-se de uma afirmação do próprio executivo, com fins de posicionamento no debate público, e não de um dado comparativo verificado por órgão regulador. O tema é controverso: comparações consistentes exigiriam analisar tributos totais, alíquota efetiva, período e perímetro societário a partir das demonstrações financeiras de cada instituição.

Patrimônio e fortuna: o que a fortuna de Vélez diz sobre o Nubank

David Vélez é um dos bilionários mais jovens do mundo. Em 2025, a Forbes o incluiu em seu ranking global, com um patrimônio líquido na casa dos bilhões de dólares — valor que varia conforme a cotação das ações do Nubank na NYSE.

Sua fortuna está majoritariamente concentrada em ações da própria empresa. Segundo registros públicos de transações (arquivados na SEC, como os formulários da série 13G e comunicados relacionados), Vélez realizou vendas relevantes de ações nos últimos anos. A operação mais documentada com precisão ocorreu em agosto de 2024, com a venda de aproximadamente 31 milhões de ações, movimentando cerca de US$ 404 milhões, com parte dos recursos associada a projetos filantrópicos. Eventuais transações adicionais devem ser verificadas diretamente nos arquivamentos oficiais.

Outro gesto que colocou Vélez em destaque foi sua adesão ao Giving Pledge, compromisso criado por Warren Buffett, Bill Gates e Melinda French Gates, no qual signatários se comprometem a doar a maior parte de sua fortuna durante a vida ou em testamento. Vélez e sua esposa, Mariel Reyes, aderiram ao compromisso em agosto de 2021. Dessa forma, o casal se posiciona entre os empreendedores de tecnologia que veem a filantropia como uma prioridade central.

Para investidores que acompanham o ROXO34 na B3, as movimentações de ações pelo fundador merecem atenção, mas devem ser interpretadas com cautela. É importante considerar a quantidade vendida, a participação remanescente, a existência de um plano de vendas programadas (como o 10b5-1) e a finalidade declarada. Isoladamente, essas vendas não constituem sinal positivo ou negativo sobre o desempenho futuro da ação.

Resumo prático: os marcos que definem David Vélez e o Nubank

Em resumo: a trajetória de David Vélez e do Nubank é feita de visão, ousadia e execução. Aqui estão os principais marcos dessa história:

  • 1981: David Vélez nasceu em Medellín, Colômbia.
  • Formação em Stanford: bacharelado em Management Science and Engineering (2005) e MBA na Stanford Graduate School of Business (2012), com acesso à rede de elite do Vale do Silício.
  • Carreira financeira: passagens por Morgan Stanley, Goldman Sachs, General Atlantic e, depois, Sequoia Capital, onde aprendeu lições de escalabilidade que moldariam o Nubank.
  • 2013: Fundação do Nubank em São Paulo, ao lado de Cristina Junqueira e Edward Wible.
  • 2014: Lançamento do cartão roxo sem anuidade — o primeiro produto que mudou o mercado.
  • 2017: Lançamento da NuConta, consolidando a expansão para além do cartão de crédito.
  • 2021: IPO na NYSE (NU) e listagem de BDRs na B3 (então NUBR33); adesão de Vélez e Mariel Reyes ao Giving Pledge, em agosto.
  • 2023: mudança de categoria do programa de BDR, com o código passando a ROXO34.
  • 2025: Nubank entre as empresas mais valiosas com atuação no Brasil; Vélez na lista da Forbes como um dos bilionários globais.
  • 2026: Vélez é nomeado, em 21 de julho, para os conselhos da OpenAI Foundation e da OpenAI Group PBC.

Perguntas frequentes: David Vélez e o Nubank

Qual é o modelo de negócio do Nubank?

O Nubank oferece serviços financeiros 100% digitais — como cartões, contas, empréstimos e seguros — com foco em baixo custo operacional. Como não possui agências físicas, consegue oferecer produtos mais baratos e com menos burocracia. Conforme suas apresentações de resultados, a monetização vem principalmente de três frentes:

  1. Receitas de crédito: juros e encargos gerados por cartões e empréstimos;
  2. Receitas de aplicação de recursos e saldos (float): geradas pela gestão dos recursos e depósitos dos clientes;
  3. Receitas de tarifas: incluindo intercâmbio de cartões, câmbio, seguros e outros serviços.

Essas receitas devem ser analisadas em conjunto com os custos de captação, de crédito e de transações. O modelo é viável porque a estrutura digital reduz custos operacionais em comparação com bancos tradicionais.

Como o Nubank ganha dinheiro?

De forma simplificada, o Nubank obtém receita a partir de diferentes fontes, das quais deve descontar seus custos. Por exemplo:

  • Crédito: o resultado depende das receitas de juros menos os custos de captação, as perdas e provisões de crédito, os custos transacionais, os tributos e as despesas operacionais;
  • Tarifas e serviços: câmbio, seguros, intercâmbio de cartões e outros produtos geram receita recorrente;
  • Aplicação de recursos: a gestão de saldos e depósitos também contribui para as receitas.

Nos últimos anos, a empresa reportou lucro, indicando a evolução do modelo. O crescimento de receita tem sido expressivo — em torno de 36% no período mais recente reportado, segundo divulgações da companhia —, mas os números variam por ano e devem ser conferidos nos relatórios oficiais arquivados na SEC.

Qual é a diferença entre Nubank e bancos tradicionais?

Os bancos tradicionais — como Itaú, Bradesco e Banco do Brasil — operam com um modelo híbrido: agências físicas, estruturas pesadas e muitos intermediários. O Nubank, por outro lado, é 100% digital. Isso traz vantagens claras:

  • Custos: sem agências, os custos operacionais tendem a ser menores;
  • Velocidade: abertura de conta, solicitação de cartão e resolução de problemas acontecem em minutos pelo app;
  • Tarifas: muitos serviços são gratuitos ou mais baratos que nos bancos convencionais.

Quanto ao portfólio, o Nubank vem ampliando sua oferta. No segmento de seguros, por exemplo, disponibiliza o Nu Vida, com coberturas para morte natural ou acidental, assistência funeral e opções adicionais, como hospitalização e invalidez por acidente. Ainda assim, há produtos específicos que podem não estar disponíveis, como o consórcio, o que vale verificar caso a caso na plataforma.

Posso investir em ações do Nubank pela B3?

Sim! O Nubank está listado na NYSE (ticker NU) e também oferece BDRs (Brazilian Depositary Receipts) na B3 sob o código ROXO34. O ROXO34 é negociado em reais, mas seu preço sofre influência da cotação de NU e da variação cambial — ou seja, mantém exposição à ação estrangeira e ao dólar. Em termos de liquidez, o ROXO34 possui volume relevante entre os BDRs na B3 (aparecendo entre os mais negociados dessa categoria em levantamentos recentes), porém geralmente inferior ao das ações primárias de grandes empresas brasileiras. Volume, spread e profundidade de mercado devem ser verificados antes de qualquer negociação.

Se você acompanha o setor de fintechs ou considera adicionar ativos de tecnologia financeira à sua carteira, entender a trajetória de David Vélez — e como ela moldou a estratégia do Nubank — pode ajudar em decisões mais informadas.

David Vélez não apenas criou um banco digital. Ele redefiniu a relação de muitos brasileiros com o sistema financeiro, mostrando que é possível inovar mesmo em mercados altamente regulados e concentrados. Para investidores, a história do Nubank é um estudo de caso sobre inovação e concorrência no setor financeiro — mas não determina, por si só, a atratividade do ativo. Uma decisão de investimento exige avaliação de preço, resultados, crédito, regulação, governança, câmbio e perfil de risco.

Em resumo: Vélez identificou uma falha no sistema, reuniu a equipe certa, apostou na simplicidade e escalou um negócio que hoje vale bilhões. E, mais importante, ele mostrou que, com visão e execução, até os setores mais tradicionais podem ser transformados.

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Leia também: Roberto Campos Neto no Nubank: de trader a vice-chairman estratégico


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Fonte: Banco Central · 17/08/2026

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