Como funciona o mercado futuro na bolsa?

mercado futuro

Renova Invest · 13 de junho de 2026

Ao pesquisar sobre investimentos, especulação e proteção de capital, o investidor encontrará informações sobre os ambientes da bolsa de valores. Nesse cenário, o mercado à vista é o mais conhecido. No entanto, também é possível destacar o mercado futuro.

Esse ambiente é utilizado, principalmente, por especuladores e por quem deseja fazer hedge, protegendo seu capital. Como o seu funcionamento tem diferenças importantes em relação ao mercado à vista, entendê-lo é fundamental para conhecer oportunidades.

A seguir, você entenderá o que é o mercado futuro, como ele funciona, seus riscos e vantagens. Confira!

O que é o mercado futuro?

Antes de entender o mercado futuro, é preciso que você saiba que a bolsa de valores possui diversos ambientes. O mais conhecido, como vimos, é o mercado à vista — principalmente porque ele é mais difundido entre os investidores.

Nele, os interessados compram ou vendem ativos de acordo com a cotação e demanda em tempo real. Ou seja, quem quer comprar uma ação, por exemplo, verifica qual é o preço atual, emite a ordem de compra e, assim que ela for liquidada, terá o ativo em carteira.

Já o mercado futuro não negocia ativos, mas sim derivativos. Eles têm esse nome pois são, na verdade, contratos que derivam dos ativos. Eles permitem posicionamento e exposição a esses ativos em relação ao preço em uma data futura.

Ou seja, o preço de negociação desses contratos não é o que está sendo negociado em relação aos ativos no mercado à vista. A cotação, na verdade, se refere a uma data futura, então o ganho ou as perdas ocorrem ao longo do tempo até o vencimento.

Como ele funciona?

Você entendeu que o mercado futuro negocia contratos com data de compra ou venda de ativos no futuro. Então é preciso aprender como ele funciona, como é possível obter lucros e para que ele serve, na prática.

Confira as principais características a seguir:

Qual o valor das negociações?

A primeira informação importante sobre o funcionamento do mercado futuro é a respeito de seus derivativos. Eles são negociados em lotes mínimos de contratos, sendo que também há as opções de minicontratos — podendo ser negociados com valores mais baixos.

O preço dos contratos costuma ser bastante expressivo. Por isso, muitos interessados podem ficar com a impressão de que é preciso ter muito dinheiro para negociar no mercado futuro. Contudo, os valores não se referem ao que o operador precisa ter em conta.

Como funciona a alavancagem?

No mercado futuro se faz uso da alavancagem. Ou seja, o interessado faz uma operação alavancada, em que é preciso apresentar uma margem de garantia, e não o dinheiro todo. Essa margem pode ser dinheiro, títulos de renda fixa ou outros ativos, dependendo das regras específicas.

A garantia se refere a uma porcentagem do contrato ou minicontrato e será utilizada para cobrir eventuais perdas com as negociações. Vale saber que se as perdas forem maiores que a garantia, o operador precisará pagar a diferença.

Com essas características, também é possível entender o funcionamento dos ganhos ou perdas com as negociações. Imagine que você fez uma operação alavancado em contratos de dólar no valor de R$ 50 mil. Ao final da negociação, a posição foi encerrada em R$ 55 mil.

Assim, você terá creditada na sua conta a importância de R$ 5 mil, referente à diferença entre a compra e a venda do contrato, e não os R$ 55 mil. Do mesmo modo, lembre-se de que as perdas são alavancadas. Logo, podem ser maiores do que o dinheiro em conta.

Como se dão os ajustes diários?

Por negociar contratos com uma data futura, é comum pensar que a posição deve ser mantida até o prazo final. No entanto, no mercado futuro existem os ajustes diários, então essas diferenças entre a cotação atual e a negociada são calculadas diariamente.

Vale saber que os derivativos têm apenas liquidação financeira, ou seja, os seus ativos de referência não são realmente negociados. Então o investidor abre a posição de acordo com a cotação de um contrato futuro com data certa.

Ao fim do dia, a própria bolsa de valores publica o ajuste para cada contrato, servindo de parâmetro para todas as negociações. Assim, os ganhos e as perdas seguem a diferença entre o ajuste divulgado e o anterior.

Nesse sentido, a posição pode ser encerrada a qualquer tempo. Ou seja, os operadores não precisam esperar o vencimento do contrato para contabilizar e liquidar seus resultados.

Quais são os contratos negociados?

Os contratos futuros são divididos em quatro segmentos: índices, juros, moedas e commodities. Dentro desses grupos pode haver diversos tipos de derivativos. Confira uma lista com os principais e seus tickers:

  • Ibovespa (índice) e mini Ibovespa: IND e WIN;
  • DI Futuro (juros): DI1 — negocia a taxa CDI esperada até o vencimento;
  • Dólar (moeda) e mini dólar: DOL e WDO;
  • Commodities: café (ICF), boi gordo (BGI), milho (CCM), soja (SFI).

Além dessas letras, no ticker também estará especificado o mês e o ano de vencimento do referido contrato. Eles são identificados por uma letra e dois números ao final do código, conforme a tabela da própria B3.

💡 DI Futuro em 2026: Com a Selic a 14,50% a.a., o mercado de DI1 (futuro de juros) é hoje um dos mais líquidos da B3. Ele é usado por instituições para hedge de carteiras de renda fixa e por especuladores que apostam na trajetória dos juros. O DI1 reflete as expectativas do mercado para a taxa CDI até o vencimento do contrato.

Quais são as vantagens e riscos do mercado futuro?

Após entender como o mercado futuro funciona, é válido conhecer suas vantagens e os riscos. Para saber se ele vale a pena para você, é preciso conhecer seu perfil de investidor e objetivos financeiros.

Nesse sentido, esse tipo de negociação tem como característica a alta volatilidade e riscos maiores. As oscilações diárias e o curto prazo das posições expõem essas operações a elevados riscos de mercado.

Ademais, há dois principais objetivos com o mercado futuro: especulação para obtenção de lucro em curto prazo e operações de hedge. Então é preciso verificar se é isso que você deseja alcançar ao utilizar o seu capital.

Conhecendo esses riscos e as possibilidades de perdas financeiras, há vantagens em operar no mercado futuro. Uma das principais é a sua acessibilidade. Como você viu, é preciso apenas apresentar uma margem de garantia. Logo, a disponibilidade financeira não precisa ser tão alta.

Outra vantagem é que ele permite flexibilidade. É possível se posicionar comprado ou vendido, o que permite diversas estratégias de especulação ou hedge. Os ganhos podem vir tanto de movimentos de alta nos preços como de queda nas cotações dos derivativos.

Tributação no mercado futuro (IR 2026)

Um aspecto fundamental para quem opera no mercado futuro é entender o tratamento tributário. Diferente das ações à vista, não existe isenção de IR para ganhos no mercado futuro — independentemente do valor negociado. As alíquotas são:

  • Operações normais (swing trade/posições): alíquota de 15% sobre o ganho líquido;
  • Day trade: alíquota de 20% sobre o ganho líquido do dia.

O recolhimento é feito via DARF, código 6015, com prazo até o último dia útil do mês seguinte ao do ganho. A retenção na fonte (0,01% para operações normais ou 1% para day trade — o chamado “dedo-duro”) é antecipação do IR total.

Compensação de prejuízos

Perdas no mercado futuro podem ser compensadas com ganhos futuros na mesma categoria (derivativos), sem prazo limite para a compensação. A partir de 1º/01/2026, a legislação permite a compensação cruzada entre classes (ex.: ganho em ações x prejuízo em futuros), simplificando o planejamento tributário do investidor.

Sempre declare as operações no IRPF em Renda Variável > grupo 04 (derivativos, código 04).

Conclusão

Conseguiu entender como funciona o mercado futuro e as suas características? Como você viu, ele é voltado para pessoas com mais resistência aos riscos e para operações de hedge. Por isso, sempre avalie esses fatores antes de fazer a alocação de seu capital.

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