Carteira Recomendada de Ações Internacionais/BDR BTG Pactual [Junho 2026]

Globo, trazendo o mapa internacional em evidência.

Renova Invest · 1 de junho de 2026

Investir no exterior é uma forma de diversificar riscos e acessar as maiores empresas do mundo. A Carteira Recomendada de Ações Internacionais do BTG Pactual reúne, mensalmente, oportunidades globais selecionadas pelo Equity Research, composta por BDRs negociados na B3 — permitindo ao investidor brasileiro exposição a gigantes globais sem a necessidade de conta no exterior.

Em junho de 2026, a carteira passa por três alterações com foco em crescimento estrutural e melhor relação risco-retorno: Netflix (NFLX34), Eli Lilly (LILY34) e Palantir (P2LT34) entram, no lugar de Micron (MUTC34), Walmart (WALM34) e Raytheon (RYTT34).

Objetivo da carteira de ações internacionais

A carteira oferece oportunidades de investimento no exterior, sendo composta exclusivamente por BDRs. O processo de seleção é conduzido pelo time de analistas e estrategistas com base em análise conjunta dos fundamentos das companhias e do cenário econômico global. O objetivo é superar o BDRX, principal benchmark da B3 para os BDRs.

Confira a Carteira de Ações Internacionais | Junho 2026

Empresa BDR Peso
Nvidia NVDC34 13%
Apple AAPL34 9%
Microsoft MSFT34 9%
Alphabet GOGL34 8%
Amazon AMZO34 8%
Meta Platforms M1TA34 8%
TSMC TSMC34 7%
Bank of America BOAC34 7%
Goldman Sachs GSGI34 6%
Newmont N1EM34 6%
Eli Lilly LILY34 4%
Johnson & Johnson JNJB34 4%
Palantir P2LT34 4%
Coca-Cola COCA34 4%
Netflix NFLX34 3%

Fonte: BTG Pactual e Bloomberg.

Alocação setorial e múltiplos

A carteira mantém exposição relevante a tecnologia (~46% via Nvidia, Apple, Microsoft, TSMC, Palantir), complementada por comunicação (19% via Alphabet, Meta, Netflix) e financeiro (13% via Bank of America e Goldman Sachs). Saúde (8% via Eli Lilly e Johnson & Johnson), consumo não discricionário (4% via Coca-Cola), consumo discricionário (8% via Amazon) e materiais básicos (6% via Newmont) completam o portfólio.

Em termos de múltiplos, a mediana da carteira está em 24,3x P/L 2026 e 22,6x para 2027, com CAGR de LPA mediano de 16,0% entre 2025 e 2027. Nvidia negocia a 24,3x P/L 2026 (17,2x para 2027), com CAGR de LPA de 72,1%. Eli Lilly sai a 30,5x P/L 2026 com CAGR de 38,4%. Palantir negocia ao múltiplo mais alto da carteira (107,7x P/L 2026), refletindo o perfil de crescimento acelerado (CAGR LPA de 70,8%). Do lado defensivo, Bank of America negocia a 11,5x P/L 2026 e Newmont a 10,6x — ambos com múltiplos significativamente abaixo da mediana.

Principais mudanças na carteira em junho

  • Saídas: Micron (MUTC34, -3%), Walmart (WALM34, -4%) e Raytheon (RYTT34, -4%)
  • Entradas: Netflix (NFLX34) com 3%, Palantir (P2LT34) com 4% e Eli Lilly (LILY34) com 4%

A estratégia da carteira de junho mantém a tese de IA como pilar central, mas com rotação para nomes de melhor relação risco-retorno. Após a forte valorização do S&P 500 (alta de 10% no ano até o fechamento de maio), a assimetria positiva ficou menos favorável em alguns nomes. Historicamente, os meses que antecedem as eleições de meio de mandato nos EUA apresentam performance mais moderada — outra razão para a postura marginalmente mais cautelosa em junho.

Por que as trocas?

Micron → Netflix: a Micron acumulou valorização muito acima das revisões de lucro líquido, reduzindo a assimetria. Netflix entra após o fim do overhang da negociação com a Warner (Paramount adquiriu o ativo por US$ 81 bilhões), com Netflix preservando disciplina de capital e balanço sólido em 0,3x dívida líquida/EBITDA. Negocia com desconto de 37,8% vs. média histórica de P/L para 2026.

Walmart → Eli Lilly: redução da exposição a um nome com menor atratividade relativa após resultados recentes, e aumento em uma tese de crescimento estrutural. A Eli Lilly segue beneficiada pela expansão do mercado de obesidade e diabetes via GLP-1 — mercado global pode superar US$ 100 bilhões na próxima década, impulsionado por ampliação da cobertura via Medicare e Medicaid. Desconto de 13,6% vs. média histórica.

Raytheon → Palantir: deterioração relativa do sentimento no setor de defesa diante da menor percepção de risco geopolítico no curto prazo. Palantir captura a correção recente do setor de software (sell-off por riscos de disrupção via IA), apesar de fundamentos robustos. A empresa não oferece apenas modelos de IA, mas soluções integradas em áreas críticas (defesa, saúde, energia). Desconto de 56,1% vs. média histórica — a maior compressão de múltiplo entre as três novidades.

Cenário global: EUA à espera da mudança inflacionária

O ambiente macro americano combina dois sinais opostos: atividade resiliente e inflação persistente. Payroll de abril em +152 mil vagas, desemprego estável em 4,3%, e consumo ainda sustentado no 2T26. A projeção do BTG é de crescimento de 2,75% do PIB em 2026, com aceleração no segundo trimestre — esperam 2,5% t/t saar para o consumo total, com 3,6% para bens e 2,0% para serviços.

Do lado inflacionário, o quadro é menos confortável. O núcleo do PCE segue rodando próximo de 3,8% anualizado tanto em 3 quanto em 6 meses — incompatível com uma convergência limpa para a meta. Projeções do BTG: PCE acima de 3,45% e CPI de 3,75% no fim do ano, com balanço de risco altista (energia, tarifas, serviços, efeito climático em alimentos).

Diante disso, o BTG mantém o call de Fed Funds estável ao longo de 2026, no intervalo de 3,50% a 3,75%, mas avalia que o risco de novas altas aumentou caso a inflação não desacelere no 2S26. A reunião de junho será central: novo SEP, nova gestão de Warsh e possível continuidade da divisão interna refletida no dot plot.

Resultados do S&P 500 no 1T26: temporada acima do histórico

Com 97% das empresas do S&P 500 já tendo reportado, a temporada do 1T26 confirmou dinâmica operacional sólida:

  • Surpresa positiva de lucro líquido de 16,4% em relação ao consenso (vs. média histórica de 6,5%)
  • Crescimento de lucro líquido de 27,5% a/a, com receita +11,5%
  • Sexta temporada consecutiva de crescimento de dois dígitos no lucro líquido
  • S&P 500 acumula alta de 10% no ano, com abril sendo o 4º melhor desempenho do mês desde 1928

Os setores de tecnologia e comunicação foram os principais motores, representando ~48% do valor de mercado do índice e com margens estruturalmente superiores. O setor de consumo discricionário teve a maior surpresa positiva (lucro líquido +39,3% vs. consenso), enquanto industrial decepcionou (apenas +8,8% de surpresa, negociando a 25x P/L 2026 — próximo das máximas históricas).

Expectativas do consenso para o S&P 500: +19,8% de lucro líquido em 2026 e +15,2% em 2027, com dividendos crescendo apenas 5,5% — reflexo do elevado capex em IA dos hyperscalers (mais de US$ 750 bilhões projetados para 2026, crescimento superior a 80% a/a).

7 Magníficas: IA gerando expansão de lucros, não apenas narrativa

A temporada das 7 Magníficas confirmou que a demanda por infraestrutura de IA se traduz em surpresas concretas de LPA ao longo da cadeia produtiva:

  • Alphabet: Search resiliente e Google Cloud +63% a/a, com backlog de US$ 460 bilhões
  • Amazon: AWS +28% a/a com trajetória sólida de margens
  • Microsoft: Azure +40% a/a, mas ações pressionadas por capex e múltiplos de software comprimidos por riscos de IA
  • Nvidia: receita de US$ 81,6 bilhões (+85% a/a), LPA +5,6% acima do consenso, margem bruta de ~75% e guidance acima
  • Meta: resultados operacionais fortes, mas penalizada pelo capex elevado para 2026 (US$ 135-145 bilhões, praticamente dobrando vs. 2025)
  • Apple: melhora de execução e mix favorável de serviços, mas dúvidas sobre posicionamento competitivo em IA
  • Tesla: lucro e margens acima do esperado, parcialmente por itens não recorrentes

No financeiro, Goldman Sachs, Morgan Stanley, Citigroup e JPMorgan surpreenderam em investment banking, trading e gestão de ativos, sinalizando recuperação do ciclo de mercados de capitais e atividade institucional.

Resumo das teses das principais posições

Nvidia (NVDC34) — 13%

Principal beneficiária da tese de IA, com ~90% de participação no fornecimento de data centers. Pilares: (i) expansão de mercados endereçáveis em IA e LLMs (saúde, robótica); (ii) atualizações anuais da arquitetura de chips; (iii) liderança em GPUs com eficiência energética superior; (iv) ecossistema CUDA proprietário.

Apple (AAPL34) — 9%

Crescimento da base instalada, maior penetração da plataforma de serviços e novas avenidas em wearables compensam ventos contrários cíclicos em hardware. Tese asset light em IA via parcerias preserva rentabilidade com menor necessidade de investimento.

Microsoft (MSFT34) — 9%

Integração de IA em Office e Bing, soluções em realidade virtual e ciclo de crescimento via Azure. Negocia a 26,1x P/L 2026 com ROE projetado de 30,9% para o mesmo ano.

Alphabet (GOGL34) — 8%

Cinco pilares: liderança em busca online (~90% de share), avanço em IA e machine learning, expansão do Google Cloud, fortalecimento do YouTube e exposição a ativos estratégicos. Negocia a 26,8x P/L 2026.

Amazon (AMZO34) — 8%

Crescimento via AWS (+28% a/a no 1T26), oportunidades em IA e avanço do Amazon Prime no streaming. 26,3x P/L 2026 com CAGR LPA de 16,1%.

Meta Platforms (M1TA34) — 8%

Quatro pilares: geração de caixa do negócio legado de publicidade, monetização de IA em Instagram/WhatsApp, verticalização de infraestrutura via parceria com Broadcom (~1 GW de chips customizados), e potencial inflexão competitiva em publicidade digital. Múltiplo mais barato entre os hyperscalers (18,0x P/L 2026).

TSMC (TSMC34) — 7%

Principal empresa global de fundição de semicondutores, com mais de 60% de share. Beneficiária central da cadeia de IA via liderança em nós avançados e empacotamento avançado. Negocia a 23,9x P/L 2026 com ROE projetado de 38,4%.

Bank of America (BOAC34) — 7%

Resultados acima do consenso no 1T26 (LPA de US$ 1,11 vs. consenso de US$ 1,01), sustentados por resiliência da NII e bom desempenho em Global Markets. Negocia a 1,4x P/VP — atrativo vs. médias históricas e pares.

Goldman Sachs (GSGI34) — 6%

Bem posicionado para retomada do ciclo de mercados de capitais (IPOs, follow-ons, M&A). ROE estruturalmente superior aos bancos regionais. Múltiplos atrativos vs. ciclos anteriores de forte atividade.

Newmont (N1EM34) — 6%

Maior mineradora de ouro do mundo, com reservas superiores a 100 milhões de onças. Yield de fluxo de caixa de 7,8% (acima da média histórica de 6%). Cenário macro favorável para ouro: incerteza geopolítica e demanda de bancos centrais (China, Rússia, Índia, Turquia).

Eli Lilly (LILY34) — 4% (Novidade)

Forte posicionamento em obesidade e diabetes via GLP-1. Resultado do 1T26 com LPA +3,3% acima do consenso, receita +45% a/a e expansão de margem de 300 bps t/t. Mercado global de obesidade pode superar US$ 100 bilhões na próxima década com ampliação de cobertura via Medicare/Medicaid. Negocia com desconto de 13,6% vs. média histórica.

Johnson & Johnson (JNJB34) — 4%

Tese defensiva com modelo de negócios resiliente, ROE projetado de 34% em 2027. Diversificação entre farma e medtech, com demanda previsível. Pagadora de dividendos com 63 anos consecutivos de aumento.

Palantir (P2LT34) — 4% (Novidade)

Software de IA para integração de dados e decisão em ambientes críticos (defesa, saúde, energia). LPA do 1T26 18,7% acima do consenso, crescimento comercial nos EUA de 130% a/a, guidance elevado. Maior desconto entre as três novidades: 56,1% vs. média histórica de P/L 2026.

Coca-Cola (COCA34) — 4%

Tese de resiliência beneficiada pela busca por defensividade. Forte poder de precificação em cenário inflacionário. ROE projetado de 39% em 2026. Negocia a 24x P/L 2026, em linha com a média histórica.

Netflix (NFLX34) — 3% (Novidade)

Principal plataforma global de streaming. Tese sustentada por expansão da base global, monetização via publicidade e disciplina de alocação de capital. Fim do overhang da Warner (Paramount adquiriu por mais de US$ 80 bilhões) reforça disciplina financeira. Desconto de 37,8% vs. média histórica.

Performance da carteira em maio

No último mês, a carteira de ações internacionais apresentou alta de +8,1%, contra +9,2% do BDRX — performance ligeiramente abaixo do benchmark, mas em linha com o forte momento positivo do mercado americano. Os destaques individuais foram Micron (+90,4%), Apple (+18,2%), Microsoft (+11,3%), Goldman Sachs (+10,8%) e Nvidia (+8,1%). Do lado negativo, Walmart (-10,0%) e Bank of America (-1,4%) pressionaram o resultado.

Rentabilidade acumulada

Período Carteira BDRX
2022 -21,0% -28,1%
2023 +25,0% +26,3%
2024 +72,2% +70,6%
2025 +6,2% +8,3%
2026 (YTD) +1,7% +4,4%
Acumulado desde 14/07/2021 +108,3% +104,4%

Fonte: BTG Pactual e Bloomberg.

Desde o início (julho de 2021), a carteira acumula retorno superior ao BDRX em cerca de 4 pontos percentuais, consolidando o objetivo de outperformance vs. o benchmark.

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