Investir no exterior é uma forma de diversificar riscos e acessar as maiores empresas do mundo. A Carteira Recomendada de Ações Internacionais do BTG Pactual reúne, mensalmente, oportunidades globais selecionadas pelo Equity Research, composta por BDRs negociados na B3 — permitindo ao investidor brasileiro exposição a gigantes globais sem a necessidade de conta no exterior.
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Resumo rápido: Em setembro de 2026, a Carteira de Ações Internacionais do BTG Pactual ficou mais defensiva: saíram Meta Platforms e Johnson & Johnson (5% cada); entraram Exxon Mobil e Walmart (4% cada). O BTG também elevou a Alphabet de 10% para 12%, para compensar parte do movimento defensivo. No pano de fundo, Jackson Hole reabriu o debate sobre novas altas de juros nos EUA — Kevin Warsh mostrou que 54% dos componentes do PCE ainda sobem acima de 3% —, e o banco mantém o call de alta na reunião de setembro, condicionado ao CPI de agosto. Em agosto, a carteira subiu +9,3%, à frente do BDRX (+6,0%).
Objetivo da carteira de ações internacionais
A carteira oferece oportunidades de investimento no exterior, sendo composta exclusivamente por BDRs. O processo de seleção é conduzido pelo time de analistas e estrategistas com base em análise conjunta dos fundamentos das companhias e do cenário econômico global. O objetivo é superar o BDRX, principal benchmark da B3 para os BDRs.
Confira a Carteira de Ações Internacionais | Setembro 2026
| Empresa | Setor | BDR | Peso |
|---|---|---|---|
| Nvidia | Tecnologia | NVDC34 | 13% |
| Alphabet | Comunicação | GOGL34 | 12% |
| TSMC | Tecnologia | TSMC34 | 10% |
| Microsoft | Tecnologia | MSFT34 | 9% |
| Amazon | Consumo Discricionário | AMZO34 | 8% |
| Bank of America | Financeiro | BOAC34 | 8% |
| Goldman Sachs | Financeiro | GSGI34 | 6% |
| Newmont | Materiais Básicos | N1EM34 | 6% |
| Eli Lilly | Saúde | LILY34 | 5% |
| Walmart | Consumo não discricionário | WALM34 | 4% |
| Exxon Mobil | Energia | EXXO34 | 4% |
| Palantir | Tecnologia | P2LT34 | 4% |
| GE Vernova | Indústria | G2EV34 | 4% |
| Freeport-McMoRan | Materiais Básicos | FCXO34 | 4% |
| Micron | Tecnologia | MUTC34 | 3% |
Fonte: BTG Pactual e Bloomberg.
Alocação setorial e múltiplos
Com as mudanças do mês, a carteira passa a ter 39% em tecnologia (Nvidia, TSMC, Microsoft, Palantir e Micron), 14% em financeiro (Bank of America e Goldman Sachs), 12% em comunicação (apenas Alphabet, após a saída da Meta), 10% em materiais básicos (Newmont e Freeport-McMoRan), 8% em consumo discricionário (Amazon), 5% em saúde (apenas Eli Lilly, após a saída da Johnson & Johnson) e 4% em cada um dos três setores estreantes ou reforçados na ponta defensiva: consumo não discricionário (Walmart), energia (Exxon Mobil) e indústria (GE Vernova).
Em termos de múltiplos, a mediana da carteira está em 20,8x P/L 2026 e 19,7x para 2027, com CAGR de LPA mediano de 22,0% (2025E-2027E) e ROE mediano de 35,2% em 2026 e 32,4% em 2027. A Nvidia negocia a 23,8x P/L 2026, caindo para 14,4x em 2027, com CAGR de LPA de 76,1% e ROE acima de 90%. A Alphabet, reforçada no mês, sai a 17,9x P/L 2026. A Palantir segue com o múltiplo mais alto da carteira (115,0x P/L 2026), refletindo seu perfil de crescimento acelerado (CAGR de 81,8%), e a Micron, no outro extremo, a 13,2x P/L 2026 e apenas 6,3x para 2027, com CAGR de LPA de 335,0% — reflexo de uma base de lucro ainda deprimida — e ROE projetado de 74,2%. Entre as estreantes, a Exxon Mobil é uma das mais baratas da seleção (13,6x P/L 2026) e o Walmart, uma das mais caras (36,3x), com o menor CAGR de LPA da carteira (6,7%). Do lado mais defensivo, o Bank of America negocia a 13,3x P/L 2026 e a Newmont a 13,4x.
Principais mudanças na carteira em setembro
Saída: Meta Platforms (-5%) Saída: Johnson & Johnson (-5%) Entrada: Exxon Mobil com 4% Entrada: Walmart com 4% Aumento: Alphabet (10% → 12%)
Por que as trocas?
Meta → Exxon Mobil: a substituição reduz o duration implícito da carteira. O BTG continua reconhecendo a qualidade dos ativos da Meta e seu posicionamento em publicidade digital e inteligência artificial, mas entende que a companhia enfrenta um ambiente de maior escrutínio regulatório, com potenciais impactos financeiros relevantes, e um nível elevado de capex que deve seguir pressionando as ações no curto prazo. Em seu lugar entra a Exxon Mobil, que negocia a aproximadamente 12x o lucro estimado para 2027 — desconto de 8% frente à média de dois anos — e se beneficia de um contexto geopolítico mais volátil, que tende a aumentar o prêmio de risco implícito nos preços do petróleo, além de margens de refino sustentadas por uma oferta global mais restrita de capacidade de processamento. Na prática, o banco trocou uma empresa mais dependente de crescimento de longo prazo por um ativo com maior geração de caixa corrente e valuation mais descontado.
Johnson & Johnson → Walmart: a troca mantém a exposição a um segmento defensivo, mas com maior potencial de crescimento. O BTG segue com visão positiva sobre a Johnson & Johnson, porém a combinação de uma valorização de cerca de 22% em 2026 com um valuation próximo de 30x lucros — prêmio de aproximadamente 48% sobre a média histórica — reduziu significativamente a margem de segurança da tese. O Walmart oferece características defensivas semelhantes, sustentadas pela resiliência do consumo não discricionário, mas com catalisadores adicionais: crescimento de 23% no e-commerce global, avanço de 38% na receita de publicidade e expansão de 17% nas receitas de memberships, além da plataforma logística Spark, que continua fortalecendo o ecossistema digital da companhia.
Alphabet: os dois movimentos defensivos foram parcialmente compensados pelo aumento da posição na Alphabet, de 10% para 12%. Para o BTG, a companhia se destaca como uma das principais vencedoras do ciclo de investimentos em inteligência artificial, combinando liderança em modelos de IA, desenvolvimento de chips proprietários (ASICs) e uma posição cada vez mais relevante em computação em nuvem. As ações negociam a aproximadamente 18x o lucro estimado para 2026, um desconto de cerca de 28% em relação à média dos últimos cinco anos.
Cenário global: Jackson Hole reabre o debate sobre altas de juros
Agosto terminou com Kevin Warsh endurecendo o tom em Jackson Hole. O discurso reafirmou a meta de 2% no PCE como alvo firme e fixo, e trouxe a frase que organiza o resto do ano: a estabilidade de preços não é automática, nem a inflação necessariamente reverte à média. Warsh acrescentou que o salário deixou de ser indicador sustentável de inflação futura, que é difícil chamar as condições financeiras de restritivas e que a economia se fortaleceu.
O argumento central foi a difusão. Warsh desagregou os 199 componentes do PCE e mostrou que, em doze meses, 54% dos bens e serviços da cesta sobem acima de 3% — contra 77% no pico pós-pandemia e 32% nas duas décadas anteriores. Em seis meses anualizados, 49% seguem acima de 3%. É o dado que sustenta a tese de que não se trata de inflação pontual.
As duas medidas de inflação divergiram em julho. O CPI cheio avançou 0,1% no mês e desacelerou de 3,5% para 3,4% na comparação anual, com o núcleo em 0,2% no mês e 2,5% ao ano — o menor patamar desde janeiro, com a queda concentrada em bens e energia. O PCE, medida preferida do Fed, foi na direção oposta: o núcleo acelerou de 0,15% para 0,25% no mês, com leitura anual de 3,34%, e o cheio avançou 0,2% mantendo 3,7% ao ano. A divergência é de composição — o PCE pondera mais saúde e outros serviços, onde a pressão persiste. O supernúcleo segue em patamar desconfortável, com médias anualizadas de três e seis meses acima de 3,5%.
Diante dessa assimetria, o BTG reduziu as projeções de inflação cheia e elevou as de núcleo: o CPI cheio de 2026 caiu de 3,42% para 3,27% e o PCE cheio de 3,45% para 3,39%, enquanto o núcleo do CPI subiu de 2,75% para 2,85% e o núcleo do PCE de 3,00% para 3,17%. Para 2027, o CPI cheio sobe de 2,48% para 2,55%.
Na atividade, a segunda leitura do PIB do 2T26 confirmou 1,5% no trimestre anualizado, mas revisou as vendas finais a compradores domésticos privados de 3,9% para 4,2% — o maior ritmo em mais de três anos —, com o consumo das famílias subindo para 3,4%. É a métrica que importa para a política monetária, porque isola a demanda doméstica de estoques, comércio externo e governo. O BTG mantém a projeção de crescimento de 2,4% para o ano.
Sobre os próximos passos: não houve sinalização explícita para setembro, mas a reunião ficou claramente viva. O mercado voltou a precificar cerca de 60% de probabilidade de alta, e esse segue sendo o cenário-base do BTG, condicionado ao CPI de agosto, que sai antes do encontro de 15 e 16 de setembro. Outubro, com a reunião marcada a poucos dias das eleições de meio de mandato, não parece plausível ao banco; dezembro dependerá do passo mensal do núcleo, com a faixa de 0,20% a 0,25% como fronteira.
Resumo das teses das principais posições
Nvidia (NVDC34) — 13% Principal beneficiária da tese de IA e LLMs, com participação de aproximadamente 90% no fornecimento de data centers. Pilares: expansão de mercados endereçáveis (saúde, robótica), atualizações anuais da arquitetura de chips, liderança tecnológica em GPUs com eficiência energética superior e ecossistema de software proprietário (CUDA e bibliotecas otimizadas).
Alphabet (GOGL34) — 12% (aumentou) Holding com presença em busca, publicidade digital, software, sistemas operacionais móveis e hardware. Cinco pilares: liderança em busca (~90% de share via Google Search), avanço consistente em IA e machine learning, expansão via Google Cloud Platform, fortalecimento do YouTube e exposição a ativos estratégicos. Para o BTG, a atuação integrada em modelos, chips proprietários e nuvem a coloca entre as principais vencedoras do ciclo de IA, e o papel negocia a ~18x o lucro estimado para 2026 — desconto de cerca de 28% frente à média dos últimos cinco anos.
TSMC (TSMC34) — 10% Principal empresa global de fundição de semicondutores, com mais de 60% da receita do mercado. Visão construtiva sustentada pela liderança tecnológica e capacidade de execução para capturar oportunidades estruturais em IA, 5G, computação de alto desempenho (HPC) e veículos elétricos, além da posição central na cadeia de IA via nós avançados e empacotamento avançado.
Microsoft (MSFT34) — 9% Comercialização de softwares (Windows, Office) e serviços de nuvem (Azure). Tese baseada em: integração de IA no Office e no Bing, desenvolvimento de soluções em realidade virtual e novo ciclo de crescimento via expansão do Azure.
Amazon (AMZO34) — 8% Varejista com atuação em e-commerce, computação em nuvem (AWS), soluções de IA e streaming (Prime). Tese: crescimento de AWS, novas oportunidades em IA e avanço das operações de streaming.
Bank of America (BOAC34) — 8% Opera via Consumer Banking, Global Wealth & Investment Management, Global Banking e Global Markets. No 2T26, reportou LPA 7,3% acima do consenso, impulsionado pela expansão da receita com juros (NII), com ROTCE de 17,0%. Negocia a 13,3x P/L 2026, patamar considerado atrativo frente aos pares.
Goldman Sachs (GSGI34) — 6% Bem posicionado para a retomada da atividade econômica, com reabertura dos mercados de capitais e aumento de M&A e emissões de ações. ROE estruturalmente superior aos bancos regionais, com múltiplos que seguem atrativos frente a ciclos anteriores de forte atividade.
Newmont (N1EM34) — 6% Maior mineradora de ouro do mundo, com reservas superiores a 100 milhões de onças e diversificação geográfica relevante. Cenário macro favorável ao ouro, sustentado por incerteza geopolítica e demanda de bancos centrais (China, Rússia, Índia, Turquia). Negocia a 13,4x P/L 2026 — múltiplo que subiu frente ao mês anterior justamente por causa da valorização do metal.
Eli Lilly (LILY34) — 5% Forte posicionamento em obesidade e diabetes via GLP-1. Tese: expansão estrutural do mercado de GLP-1 e ampliação do mercado endereçável via maior cobertura de tratamentos em programas federais dos EUA. Resultado recente acima do esperado (LPA +3,3%, receita +45% a/a, expansão de margem de 300 bps t/t). Negocia com desconto de 26% frente à média histórica de P/L 2026.
Walmart (WALM34) — 4% (novidade) Entra no lugar da Johnson & Johnson mantendo o perfil defensivo da posição, mas com catalisadores de crescimento. A tese se apoia na resiliência do consumo não discricionário somada à transformação digital em curso: crescimento de 23% no e-commerce global, avanço de 38% na receita de publicidade e expansão de 17% nas receitas de memberships. A plataforma logística Spark reforça o ecossistema digital e amplia a competitividade da companhia no longo prazo. É a posição com o múltiplo mais alto entre as defensivas (36,3x P/L 2026).
Exxon Mobil (EXXO34) — 4% (novidade) Atua nos segmentos de Petróleo & Gás e produtos petroquímicos. A visão positiva se sustenta em quatro pilares: (i) valuation atrativo, com a ação negociando a aproximadamente 12x o lucro estimado para 2027, desconto de 8% em relação à média de dois anos; (ii) um contexto geopolítico mais volátil, que tende a aumentar o prêmio de risco implícito nos preços do petróleo; (iii) o movimento de consolidação do setor, evidenciado por transações como a compra da Pioneer Natural Resources pela própria Exxon (US$ 64,5 bilhões), da Hess pela Chevron (US$ 53 bilhões) e da Marathon Oil pela ConocoPhillips (US$ 22,5 bilhões), que devem expandir a margem operacional das companhias via redução de despesas de S&GA e ganhos de escala; e (iv) margens de refino em patamares elevados, apoiadas por uma oferta global mais restrita de capacidade de processamento, resultado de anos de baixos investimentos no segmento e de disrupções recentes em mercados relevantes como Rússia e Oriente Médio.
Palantir (P2LT34) — 4% Software de IA para integração de dados e tomada de decisão em ambientes críticos (defesa, saúde, energia). Tese baseada na aceleração da adoção de IA por empresas, na relevância das plataformas em ambientes críticos e na capacidade de entregar soluções personalizadas com elevada segurança e precisão operacional. Resultado recente acima do esperado (LPA +18,7%, guidance elevado), embora negocie ao múltiplo mais alto da carteira (115,0x P/L 2026).
GE Vernova (G2EV34) — 4% Uma das principais fornecedoras globais de equipamentos para geração, transmissão, conversão e armazenamento de energia (turbinas a gás, nuclear, hidrelétrica, eólica, eletrificação). Pilares: liderança no mercado de turbinas a gás (~35% de share) e ciclo estrutural de expansão da infraestrutura elétrica puxado por data centers.
Freeport-McMoRan (FCXO34) — 4% Bem posicionada para capturar o ciclo estrutural de valorização do cobre (eletrificação, expansão de redes elétricas, data centers/IA, veículos elétricos). No 2T26, entregou surpresa positiva de 23% no lucro líquido, com alta de 36% no preço realizado do cobre (US$ 4,54/lb → US$ 6,17/lb), produção de 710 milhões de libras acima do guidance e custo caixa líquido de US$ 1,97/lb (-11% vs. a própria projeção).
Micron (MUTC34) — 3% Desenvolve e comercializa produtos de memória globalmente. Tese sustentada por um ciclo favorável de memória, com o setor devendo seguir subofertado no médio prazo — preços acumulando alta de 6x em menos de cinco meses, com a HBM a ~3x o preço da memória tradicional, o que reforça a melhoria do mix e da rentabilidade. ROE projetado pelo consenso de 74% em 2026, negociando a 13,2x P/L 2026 e apenas 6,3x para 2027.
Desempenho da carteira em agosto
Em agosto, a carteira de ações internacionais subiu +9,3%, à frente do BDRX (+6,0%) — o melhor mês do ano e a segunda superação consecutiva do benchmark.
Rentabilidade acumulada
| Período | Carteira | BDRX |
|---|---|---|
| 2022 | -21,0% | -28,1% |
| 2023 | +25,0% | +26,3% |
| 2024 | +72,2% | +70,6% |
| 2025 | +6,2% | +8,3% |
| 2026 (YTD, até agosto) | +9,0% | +7,6% |
| Acumulado desde 14/07/2021 | +123,2% | +110,6% |
Fonte: BTG Pactual e Bloomberg.
Desde o início (julho de 2021), a carteira mantém um alpha de +12,6 pontos percentuais em relação ao BDRX — mais que o dobro da vantagem de +5,6 pontos registrada no mês anterior, resultado do desempenho de agosto. No ano, a carteira também voltou a ficar à frente do benchmark, revertendo o quadro de julho, quando acumulava -0,3% contra +1,4% do BDRX. Rentabilidade passada não representa garantia de resultados futuros.
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