Carteira Recomendada de Ações Internacionais/BDR BTG Pactual [Agosto 2026]

Globo, trazendo o mapa internacional em evidência.

Renova Invest · 1 de agosto de 2026

Investir no exterior é uma forma de diversificar riscos e acessar as maiores empresas do mundo. A Carteira Recomendada de Ações Internacionais do BTG Pactual reúne, mensalmente, oportunidades globais selecionadas pelo Equity Research, composta por BDRs negociados na B3 — permitindo ao investidor brasileiro exposição a gigantes globais sem a necessidade de conta no exterior.

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Resumo rápido: Em agosto de 2026, a Carteira de Ações Internacionais do BTG Pactual trocou quatro posições: saíram Coca-Cola e Netflix; entraram Freeport-McMoRan e Micron. O BTG também aumentou a TSMC (7% → 10%) e reduziu a Meta (8% → 5%), elevando a exposição a semicondutores após a correção recente do setor. No pano de fundo, o Fed manteve os juros em julho com decisão dividida (9 a 3) e comunicação lida como dovish, mas o BTG mantém o cenário de duas altas de 25 bps em 2026 (setembro e dezembro), levando a taxa para 4,00%–4,25% ao final do ano. Em julho, a carteira subiu +0,6%, à frente do BDRX (-2,0%).

Objetivo da carteira de ações internacionais

A carteira oferece oportunidades de investimento no exterior, sendo composta exclusivamente por BDRs. O processo de seleção é conduzido pelo time de analistas e estrategistas com base em análise conjunta dos fundamentos das companhias e do cenário econômico global. O objetivo é superar o BDRX, principal benchmark da B3 para os BDRs.

Confira a Carteira de Ações Internacionais | Agosto 2026

Empresa Setor BDR Peso
Nvidia Tecnologia NVDC34 13%
Alphabet Comunicação GOGL34 10%
TSMC Tecnologia TSMC34 10%
Microsoft Tecnologia MSFT34 9%
Amazon Consumo Discricionário AMZO34 8%
Bank of America Financeiro BOAC34 8%
Goldman Sachs Financeiro GSGI34 6%
Newmont Materiais Básicos N1EM34 6%
Meta Platforms Comunicação M1TA34 5%
Eli Lilly Saúde LILY34 5%
Johnson & Johnson Saúde JNJB34 5%
Palantir Tecnologia P2LT34 4%
GE Vernova Indústria G2EV34 4%
Freeport-McMoRan Materiais Básicos FCXO34 4%
Micron Tecnologia MUTC34 3%

Fonte: BTG Pactual e Bloomberg.

Alocação setorial e múltiplos

Com as mudanças do mês, a carteira passa a ter 39% em tecnologia (Nvidia, Microsoft, TSMC, Palantir e Micron), 15% em comunicação (Alphabet e Meta), 14% em financeiro (Bank of America e Goldman Sachs), 10% em saúde (Eli Lilly e Johnson & Johnson), 10% em materiais básicos (Newmont e a recém-chegada Freeport-McMoRan), 8% em consumo discricionário (Amazon) e 4% em indústria (GE Vernova).

Em termos de múltiplos, a mediana da carteira está em 22,3x P/L 2026 e 19,3x para 2027, com CAGR de LPA mediano de 21,8% e ROE mediano em torno de 35% para os dois anos. A Nvidia negocia a 22,5x P/L 2026 (15,6x para 2027), com CAGR de LPA de 73,1%. A Eli Lilly sai a 34,2x (CAGR de 39,1%) e a GE Vernova a 44,2x (CAGR de 78,8%). A Palantir segue com o múltiplo mais alto da carteira (83,4x P/L 2026), refletindo seu perfil de crescimento acelerado (CAGR de 71,4%). A recém-chegada Micron negocia a apenas 11,3x P/L 2026 (5,4x para 2027), com CAGR de LPA de 334,9% — reflexo de uma base de lucro ainda deprimida — e ROE projetado de 74,6% para 2026. Do lado mais defensivo, a Newmont negocia a 10,0x P/L 2026, o Bank of America a 13,3x e a Meta a 15,6x — o hyperscaler mais barato da seleção.

Principais mudanças na carteira em agosto

Saída: Coca-Cola (-4%) Saída: Netflix (-3%) Entrada: Freeport-McMoRan com 4% Entrada: Micron com 3% Aumento: TSMC (7% → 10%) Redução: Meta Platforms (8% → 5%)

Por que as trocas?

Coca-Cola → Freeport-McMoRan: a Coca-Cola sai da carteira após alta de aproximadamente 5,6% em julho, puxada por resultados sólidos do 2T26 e revisão positiva do guidance para 2026 (crescimento de 11% no lucro por ação). O BTG segue construtivo com os fundamentos de longo prazo da companhia, mas entende que parte relevante das boas notícias já foi incorporada ao preço, abrindo espaço para outras oportunidades. Em seu lugar, entra a Freeport-McMoRan, sustentada por um 2T26 forte (lucro líquido 23% acima das expectativas, impulsionado pela alta de 36% no preço realizado do cobre, de US$ 4,54/lb para US$ 6,17/lb), produção de 710 milhões de libras acima do guidance e custo caixa líquido de US$ 1,97/lb (11% abaixo da própria projeção da empresa) — além de uma perspectiva de longo prazo favorável para o cobre, sustentada por eletrificação, expansão de redes elétricas, investimentos em data centers/IA e crescimento de veículos elétricos.

Netflix → Micron: a Netflix sai após um resultado que reforça a normalização do crescimento da companhia — o guidance de receita para o 3T26 (US$ 12,86 bilhões) veio abaixo do consenso (US$ 13,0 bilhões), e a empresa reduziu ainda mais o nível de divulgação de métricas operacionais (passará a reportar engajamento apenas uma vez por ano), o que reduz a visibilidade em um ambiente de competição mais intensa no streaming. Em seu lugar, volta a Micron, sustentada por um ciclo de memória favorável — o setor deve seguir subofertado no médio prazo, com preços de memória acumulando alta de 6x em menos de cinco meses e a HBM negociando a cerca de 3x o preço da memória tradicional. O BTG vê o recente sell-off das ações do setor como desproporcional aos fundamentos (amplificado por investidores de varejo e ETFs alavancados no mercado sul-coreano) e destaca os resultados recordes de SK Hynix e Samsung, além das revisões positivas nos investimentos em IA por parte de Microsoft, Amazon, Meta e Alphabet.

TSMC e Meta: o BTG também reduziu marginalmente a exposição em Meta e aumentou a posição em TSMC, elevando a exposição ao setor de semicondutores após a recente correção das ações do setor.

Cenário global: EUA em um novo cenário

Julho foi marcado pela escalada das tensões entre Irã e EUA, com o fechamento do Estreito de Hormuz elevando os preços do petróleo e reacendendo preocupações com inflação e crescimento global. Apesar do ambiente de maior aversão ao risco, a economia americana permaneceu resiliente: embora o PIB do 2T26 tenha crescido 1,5% t/t anualizado (abaixo do esperado), a composição mostrou forte aceleração da demanda doméstica privada — que passou de 1,74% para 3,94% t/t anualizado, com consumo das famílias em 3,16% e investimento fixo privado em 6,96% (impulsionado por equipamentos, +15,17%, e propriedade intelectual, +8,77%), confirmando a continuidade do ciclo de capex em inteligência artificial. A surpresa negativa ficou concentrada em componentes voláteis — estoques, setor externo e gasto do governo —, que não alteram a leitura de momentum: o consumo acelerou 0,40% m/m em junho, o desemprego segue em torno de 4,3% e a renda real do consumidor continua resiliente.

Diante disso, o BTG revisou sua projeção de crescimento do PIB dos EUA em 2026 de 2,70% para 2,40%, mas com maior convicção no cenário de atividade forte. Na inflação, o núcleo do PCE avançou 0,13% m/m em junho (abaixo do esperado), com a leitura anual desacelerando de 3,42% para 3,29%; o PCE cheio recuou 0,11% m/m, para 3,67% na comparação anual, ajudado pela queda de 9,23% da gasolina. Já o supernúcleo avançou 0,12% m/m, com variação anual ainda em 3,81% — patamar desconfortável para o Fed. O banco revisou suas projeções de fim de ano para PCE cheio de 3,45% e núcleo de 3,00% (ante 3,66% e 3,17% anteriormente).

Na reunião de julho, o FOMC manteve a meta em 3,50%–3,75%, mas em decisão dividida por nove votos a três — a primeira vez desde 2016 que três membros divergem na mesma direção. Warsh evitou dar forward guidance e reiterou que “não existe meta de inflação leniente”, com o aperto se dando via condições financeiras. A comunicação foi lida pelo mercado como dovish e evasiva, derrubando o dólar e inclinando a curva de juros. Ainda assim, o BTG mantém o cenário-base de alta de 25 bps em setembro e 25 bps em dezembro, elevando a meta para 4,00%–4,25% ao final do ano, com uma terceira alta (de menor convicção) em março de 2027, para um terminal de 4,25%–4,50%.

S&P 500: temporada do 2T26 confirma forte ciclo de crescimento dos lucros

A temporada de resultados do 2T26 segue reforçando a resiliência dos lucros corporativos nos EUA. Até o momento, 305 das 498 empresas do S&P 500 já divulgaram resultados, com crescimento agregado de 57,0% no lucro por ação e 14,8% na receita, além de surpresas positivas de 31,1% nos lucros e 3,1% nas receitas frente ao consenso — o que deve tornar o 2T26 a segunda temporada consecutiva com crescimento de lucros superior a 20% e a sétima consecutiva com expansão acima de 10%. O setor de Tecnologia (~38% do valor de mercado do S&P 500) teve crescimento de 61,1% nos lucros e 25,3% na receita; o setor de Energia cresceu 135,7% nos lucros e 39,1% na receita, refletindo a valorização do petróleo pelas tensões no Oriente Médio. Tecnologia e Energia foram os dois setores que mais contribuíram para o crescimento do lucro líquido do índice.

Resumo das teses das principais posições

Nvidia (NVDC34) — 13% Principal beneficiária da tese de IA e LLMs, com participação de aproximadamente 90% no fornecimento de data centers. Pilares: expansão de mercados endereçáveis (saúde, robótica), atualizações anuais da arquitetura de chips, liderança tecnológica em GPUs com eficiência energética superior e ecossistema de software proprietário (CUDA e bibliotecas otimizadas).

Alphabet (GOGL34) — 10% Holding com presença em busca, publicidade digital, software, sistemas operacionais móveis e hardware. Cinco pilares: liderança em busca (~90% de share via Google Search), avanço consistente em IA/machine learning, expansão via Google Cloud Platform, fortalecimento do YouTube e exposição a ativos estratégicos.

TSMC (TSMC34) — 10% (aumentou) Principal empresa global de fundição de semicondutores, com mais de 60% da receita do mercado. Visão construtiva sustentada pela liderança tecnológica e capacidade de execução para capturar oportunidades estruturais em IA, 5G, HPC e veículos elétricos, além da posição central na cadeia de IA via nós avançados e empacotamento avançado.

Microsoft (MSFT34) — 9% Comercialização de softwares (Windows, Office) e serviços de nuvem (Azure). Tese baseada em: integração de IA no Office e no Bing, desenvolvimento de soluções em realidade virtual e novo ciclo de crescimento via expansão do Azure.

Amazon (AMZO34) — 8% Varejista com atuação em e-commerce, computação em nuvem (AWS), soluções de IA e streaming (Prime). Tese: crescimento de AWS, novas oportunidades em IA e avanço das operações de streaming.

Bank of America (BOAC34) — 8% Opera via Consumer Banking, Global Wealth & Investment Management, Global Banking e Global Markets. No 2T26, reportou LPA 7,3% acima do consenso, impulsionado pela expansão da receita com juros (NII), com ROTCE de 17,0%. Negocia a ~1,6x P/VP, patamar considerado atrativo frente aos pares.

Goldman Sachs (GSGI34) — 6% Bem posicionado para a retomada da atividade econômica, com reabertura dos mercados de capitais e aumento de M&A e emissões de ações. ROE estruturalmente superior aos bancos regionais, com múltiplos que seguem atrativos frente a ciclos anteriores de forte atividade.

Newmont (N1EM34) — 6% Maior mineradora de ouro do mundo, com reservas superiores a 100 milhões de onças e diversificação geográfica relevante. Fluxo de caixa com yield de 10% (acima da média histórica de 6% desde 2015). Cenário macro favorável ao ouro, sustentado por incerteza geopolítica e demanda de bancos centrais (China, Rússia, Índia, Turquia).

Meta Platforms (M1TA34) — 5% (reduzida) Quatro pilares: geração de caixa do negócio legado de publicidade, monetização de IA em Instagram/WhatsApp, verticalização de infraestrutura via parceria com a Broadcom (~1 GW de chips customizados) e potencial inflexão competitiva em publicidade digital. Múltiplo mais barato entre os hyperscalers.

Eli Lilly (LILY34) — 5% Forte posicionamento em obesidade e diabetes via GLP-1. Tese: expansão estrutural do mercado de GLP-1 e ampliação do mercado endereçável via maior cobertura de tratamentos em programas federais dos EUA. Resultado recente acima do esperado (LPA +3,3%, receita +45% a/a, expansão de margem de 300 bps t/t). Negocia com desconto de 26% frente à média histórica de P/L 2026.

Johnson & Johnson (JNJB34) — 5% Tese defensiva, com modelo de negócios resiliente e ROE de 34% estimado para 2027. Diversificação entre farma e medtech, com demanda previsível. Pagadora de dividendos com 63 anos consecutivos de aumento.

Palantir (P2LT34) — 4% Software de IA para integração de dados e tomada de decisão em ambientes críticos (defesa, saúde, energia). Resultado recente acima do esperado (LPA +18,7%, guidance elevado). Negocia com desconto de 34,1% frente à média histórica de 2 anos, embora ao múltiplo mais alto da carteira.

GE Vernova (G2EV34) — 4% Uma das principais fornecedoras globais de equipamentos para geração, transmissão, conversão e armazenamento de energia (turbinas a gás, nuclear, hidrelétrica, eólica, eletrificação). Pilares: liderança no mercado de turbinas a gás (~35% de share), ciclo estrutural de expansão da infraestrutura elétrica puxado por data centers, e potencial revisão positiva dos investimentos dos hyperscalers na temporada de resultados do 2T26.

Freeport-McMoRan (FCXO34) — 4% (novidade) Bem posicionada para capturar o ciclo estrutural de valorização do cobre (eletrificação, expansão de redes elétricas, data centers/IA, veículos elétricos). No 2T26, entregou surpresa positiva de 23% no lucro líquido, com alta de 36% no preço realizado do cobre (US$ 4,54/lb → US$ 6,17/lb), produção de 710 milhões de libras acima do guidance e custo caixa líquido de US$ 1,97/lb (-11% vs. a própria projeção).

Micron (MUTC34) — 3% (novidade, retorno à carteira) Desenvolve e comercializa produtos de memória globalmente. Tese sustentada por um ciclo favorável de memória, com o setor devendo seguir subofertado no médio prazo — preços acumulando alta de 6x em menos de cinco meses, com a HBM a ~3x o preço da memória tradicional. ROE projetado pelo consenso de 74% em 2026, negociando a apenas 6x lucros (patamar descontado frente à média histórica).

Desempenho da carteira em julho

Em julho, a carteira de ações internacionais subiu +0,6%, à frente do BDRX (-2,0%). Os destaques positivos foram Microsoft (+22,5%), Amazon (+11,1%), Bank of America (+6,4%) e Coca-Cola (+5,6% — ação que deixou a carteira em agosto). Do lado negativo, GE Vernova (-16,7%) e TSMC (-16,4%) foram as maiores detratoras, seguidas por Eli Lilly (-6,2%), Meta Platforms (-3,3%) e Netflix (-3,0% — também removida da carteira este mês).

Rentabilidade acumulada

Período Carteira BDRX
2022 -21,0% -28,1%
2023 +25,0% +26,3%
2024 +72,2% +70,6%
2025 +6,2% +8,3%
2026 (YTD, até julho) -0,3% +1,4%
Acumulado desde 14/07/2021 +104,2% +98,6%

Fonte: BTG Pactual e Bloomberg.

Desde o início (julho de 2021), a carteira mantém um alpha de +5,6 pontos percentuais em relação ao BDRX — vantagem ampliada frente ao mês anterior, já que em julho a carteira voltou a superar o benchmark (+0,6% vs. -2,0%), revertendo o desempenho mais fraco registrado em junho. Rentabilidade passada não representa garantia de resultados futuros.

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Fonte: Banco Central · 06/08/2026

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