Investir no exterior é uma forma de diversificar riscos e acessar as maiores empresas do mundo. A Carteira Recomendada de Ações Internacionais do BTG Pactual reúne, mensalmente, oportunidades globais selecionadas pelo Equity Research, composta por BDRs negociados na B3 — permitindo ao investidor brasileiro exposição a gigantes globais sem a necessidade de conta no exterior.
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Investir no exterior é uma forma de diversificar riscos e acessar as maiores empresas do mundo. A Carteira Recomendada de Ações Internacionais do BTG Pactual reúne, mensalmente, oportunidades globais selecionadas pelo Equity Research, composta por BDRs negociados na B3 — permitindo ao investidor brasileiro exposição a gigantes globais sem a necessidade de conta no exterior.
Resumo rápido: Em julho de 2026, a Carteira de Ações Internacionais do BTG Pactual saiu da Apple e incluiu a GE Vernova (G2EV34), reforçando ainda as posições em Alphabet, Bank of America, Eli Lilly e Johnson & Johnson — um reposicionamento para elevar qualidade e defensividade. O pano de fundo mudou: com o Fed sob Kevin Warsh mais duro, o BTG passou a projetar duas altas de juros nos EUA em 2026. Em junho, a carteira caiu -2,6%, abaixo do BDRX (-0,8%).
Objetivo da carteira de ações internacionais
A carteira oferece oportunidades de investimento no exterior, sendo composta exclusivamente por BDRs. O processo de seleção é conduzido pelo time de analistas e estrategistas com base em análise conjunta dos fundamentos das companhias e do cenário econômico global. O objetivo é superar o BDRX, principal benchmark da B3 para os BDRs.
Confira a Carteira de Ações Internacionais | Julho 2026
| Empresa | BDR | Peso |
|---|---|---|
| Nvidia | NVDC34 | 13% |
| Alphabet | GOGL34 | 10% |
| Microsoft | MSFT34 | 9% |
| Amazon | AMZO34 | 8% |
| Meta Platforms | M1TA34 | 8% |
| Bank of America | BOAC34 | 8% |
| TSMC | TSMC34 | 7% |
| Goldman Sachs | GSGI34 | 6% |
| Newmont | N1EM34 | 6% |
| Eli Lilly | LILY34 | 5% |
| Johnson & Johnson | JNJB34 | 5% |
| GE Vernova | G2EV34 | 4% |
| Palantir | P2LT34 | 4% |
| Coca-Cola | COCA34 | 4% |
| Netflix | NFLX34 | 3% |
Fonte: BTG Pactual e Bloomberg. Códigos BDR de GE Vernova (G2EV34) e Goldman Sachs (GSGI34) conferidos junto à B3.
Alocação setorial e múltiplos
A carteira mantém exposição relevante a tecnologia (~33% via Nvidia, Microsoft, TSMC e Palantir), complementada por comunicação (21% via Alphabet, Meta e Netflix) e financeiro (14% via Bank of America e Goldman Sachs). Saúde (10% via Eli Lilly e Johnson & Johnson), consumo discricionário (8% via Amazon), materiais básicos (6% via Newmont), consumo não discricionário (4% via Coca-Cola) e indústria (4% via GE Vernova) completam o portfólio.
Em termos de múltiplos, a mediana da carteira está em 22,7x P/L 2026 e 20,3x para 2027, com CAGR de LPA mediano em torno de 18% entre 2025 e 2027. A Nvidia negocia a 22,2x P/L 2026 (15,5x para 2027), com CAGR de LPA de 73,0%. A Eli Lilly sai a 33,0x P/L 2026 (CAGR de 38,5%) e a GE Vernova, recém-incluída, a 57,0x (CAGR de 77,7%). A Palantir negocia ao múltiplo mais alto da carteira (79,5x P/L 2026), refletindo o perfil de crescimento acelerado (CAGR de LPA de 70,8%). Do lado mais defensivo, a Newmont negocia a 9,4x P/L 2026, o Bank of America a 12,7x e a Meta a 14,0x — o hyperscaler mais barato da seleção.
Principais mudanças na carteira em julho
- Saída: Apple (AAPL34, -9%)
- Entrada: GE Vernova (G2EV34) com 4%
- Aumentos: Alphabet (8% → 10%), Bank of America (7% → 8%), Eli Lilly (4% → 5%) e Johnson & Johnson (4% → 5%)
As alterações refletem um reposicionamento para elevar a qualidade e a resiliência do portfólio, com postura mais cautelosa diante da proximidade das eleições de meio de mandato nos EUA e do aumento esperado de volatilidade com a temporada de resultados do 2T26.
Por que as trocas?
Apple → GE Vernova: a saída da Apple reflete a expectativa de maior pressão sobre as margens, com custos de memória para a nova geração de produtos entre 6x e 10x superiores aos da geração anterior e pouco espaço para repasse; a ação negocia a cerca de 31x P/L, aproximadamente 10% acima da média histórica. Em seu lugar, a GE Vernova amplia a exposição ao ciclo estrutural de infraestrutura de energia: a companhia tem cerca de 35% do mercado global de turbinas a gás e deve se beneficiar de uma eventual revisão positiva dos planos de investimento dos hyperscalers no 2T26.
Reforços em qualidade e defensividade: a posição em Alphabet foi aumentada após a correção de ~7% das ações (ruído sobre retenção de talentos na DeepMind, não deterioração de fundamentos), com a ação voltando a negociar a cerca de 23x P/L [texto do BTG cita ~23x; tabela do relatório traz 25,0x]. A posição em Bank of America foi ampliada pela tese de retorno de capital superior à média do S&P 500 (recompra de US$ 7,2 bi no 1T26, +60% a/a). E a exposição a saúde foi reforçada via Eli Lilly e Johnson & Johnson, elevando a defensividade da carteira.
Cenário global: EUA em um novo cenário
O segundo semestre começa em um ambiente macro mais favorável para ativos de risco, impulsionado pela normalização do mercado de petróleo após o acordo entre Estados Unidos e Irã, que reabriu gradualmente o Estreito de Ormuz e levou o Brent para baixo de US$ 80/barril — aliviando o canal de energia da inflação. Ao mesmo tempo, a economia americana segue resiliente: o payroll de maio surpreendeu (+172 mil vagas, ante consenso de +88 mil), o desemprego permanece em torno de 4,3% e o BTG mantém a projeção de crescimento de 2,75% do PIB em 2026.
A principal mudança está na política monetária. Sob a presidência de Kevin Warsh, o Fed adotou comunicação mais assertiva e reduziu a sinalização de flexibilização. Com o núcleo do PCE ainda rodando acima de 4% anualizado e projeções de fim de ano de PCE em 3,66% e CPI em 3,75%, o BTG revisou seu call: em vez de juros estáveis, passou a projetar duas altas de 25 pontos-base em 2026 (setembro e dezembro), elevando a taxa para o intervalo de 4,00% a 4,25% ao final do ano, com uma terceira alta de menor convicção em março de 2027. Assim, o principal catalisador para os mercados deixa de ser o crescimento e passa a ser a trajetória dos juros.
S&P 500: alta puxada por lucros, não por múltiplos
O cenário para a renda variável americana segue construtivo, sustentado por crescimento robusto dos lucros e um mercado de capitais aquecido (emissões de dívida investment grade acima de US$ 1 trilhão até maio; emissões de ações +34% no ano). O S&P 500 acumula cerca de +9,5% no ano e encerrou o 2T com ganho aproximado de 15%, impulsionado principalmente pelo crescimento dos lucros — no 1T26, o LPA do índice avançou cerca de 30% a/a, o melhor desempenho desde 2021-2022. O consenso projeta crescimento de ~22% do LPA em 2026, com a temática de inteligência artificial respondendo por aproximadamente 75% dessa expansão.
O índice negocia a 21x P/L 2026, dentro da média dos últimos cinco anos, mas abaixo da máxima de 23x dos últimos 12 meses. O principal desafio permanece o nível elevado das taxas reais de juros (Treasuries de 2 e 10 anos em 1,9% e 2,2%). Com isso, a continuidade da valorização dependerá cada vez mais da capacidade das empresas de entregar lucros acima do esperado — o que torna a temporada de resultados do 2T26 o principal catalisador dos próximos trimestres.
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Resumo das teses das principais posições
Nvidia (NVDC34) — 13%
Principal beneficiária da tese de IA, com ~90% de participação no fornecimento de data centers. Pilares: expansão de mercados endereçáveis (saúde, robótica), atualizações anuais da arquitetura de chips, liderança em GPUs com eficiência energética superior e ecossistema CUDA proprietário. Negociada a 22,2x P/L 2026.
Alphabet (GOGL34) — 10% (aumentou)
Posição ampliada após correção de ~7% ligada a ruído sobre retenção de talentos na DeepMind, e não a deterioração de fundamentos. Cinco pilares: liderança em busca (~90% de share), avanço em IA/machine learning, Google Cloud, YouTube e ativos estratégicos. Voltou a negociar em linha com a média histórica.
Microsoft (MSFT34) — 9%
Integração de IA em Office e Bing, soluções em realidade virtual e ciclo de crescimento via Azure. Negociada a 21,8x P/L 2026, com ROE projetado de ~31%.
Amazon (AMZO34) — 8%
Crescimento via AWS, novas oportunidades em IA e avanço do Prime no streaming. Negociada a 23,3x P/L 2026, com CAGR de LPA de 16,2%.
Meta Platforms (M1TA34) — 8%
Quatro pilares: geração de caixa do negócio legado de publicidade, monetização de IA em Instagram/WhatsApp, verticalização de infraestrutura via parceria com a Broadcom (~1 GW de chips customizados) e potencial inflexão competitiva em publicidade digital. Múltiplo mais barato entre os hyperscalers (14,0x P/L 2026).
Bank of America (BOAC34) — 8% (aumentou)
Tese de retorno de capital ao acionista superior à média do S&P 500. No 1T26, entregou ROTCE de 16,0%, recomprou US$ 7,2 bi em ações (+60% a/a) e distribuiu US$ 2,0 bi em dividendos, sustentado pela resiliência da NII. Negociada a 1,5x P/VP, patamar atrativo vs. histórico e pares.
TSMC (TSMC34) — 7%
Principal empresa global de fundição de semicondutores, com mais de 60% de share. Beneficiária central da cadeia de IA via liderança em nós avançados e empacotamento avançado. Negociada a 30,7x P/L 2026, com ROE projetado de ~39%.
Goldman Sachs (GSGI34) — 6%
Bem posicionado para a retomada dos mercados de capitais (IPOs, follow-ons, M&A), com ROE estruturalmente superior aos bancos regionais e múltiplos atrativos vs. ciclos anteriores de forte atividade. Negociado a 16,9x P/L 2026.
Newmont (N1EM34) — 6%
Maior mineradora de ouro do mundo, com reservas superiores a 100 milhões de onças. Yield de fluxo de caixa de 9,3% (acima da média histórica de 6%). Cenário macro favorável para o ouro, com incerteza geopolítica e demanda de bancos centrais (China, Rússia, Índia, Turquia). Negociada a 9,4x P/L 2026.
Eli Lilly (LILY34) — 5% (aumentou)
Forte posicionamento em obesidade e diabetes via GLP-1. No 1T26, LPA +3,3% acima do consenso, receita +45% a/a e expansão de margem de 300 bps t/t. O mercado global de obesidade pode superar US$ 100 bilhões na próxima década, com ampliação de cobertura via programas federais dos EUA. Negociada com desconto de 26% vs. a média histórica de P/L 2026.
Johnson & Johnson (JNJB34) — 5% (aumentou)
Tese defensiva com modelo de negócios resiliente e ROE projetado de ~34% em 2027. Diversificação entre farma e medtech, com demanda previsível. Pagadora de dividendos com 63 anos consecutivos de aumento.
GE Vernova (G2EV34) — 4% (novidade)
Uma das principais fornecedoras globais de equipamentos para geração, transmissão e armazenamento de energia. Pilares: liderança no mercado de turbinas a gás (~35% de share), ciclo estrutural de expansão da infraestrutura elétrica puxado por data centers de IA e potencial revisão positiva dos investimentos dos hyperscalers no 2T26. Negociada a 57,0x P/L 2026, com CAGR de LPA de 77,7%.
Palantir (P2LT34) — 4%
Software de IA para integração de dados e decisão em ambientes críticos (defesa, saúde, energia). No 1T26, LPA +18,7% acima do consenso e guidance elevado. Negociada com desconto de 34,1% vs. a média histórica de 2 anos, embora ao múltiplo mais alto da carteira (79,5x P/L 2026).
Coca-Cola (COCA34) — 4%
Tese de resiliência, beneficiada pela busca por defensividade. Forte poder de precificação em cenário inflacionário e ROE projetado de 39% em 2026. Negociada a cerca de 25x P/L 2026, em linha com a média histórica.
Netflix (NFLX34) — 3%
Principal plataforma global de streaming, sustentada por expansão da base global, monetização via publicidade e disciplina de alocação de capital. O fim do overhang da Warner (Paramount adquiriu o ativo por mais de US$ 80 bilhões) reforçou a disciplina financeira. Negociada com desconto de 44% vs. a média histórica de 5 anos. Múltiplo de 20,3x P/L 2026.
Desempenho da carteira em junho
Em junho, a carteira de ações internacionais caiu -2,6%, ficando abaixo do BDRX (-0,8%). Os destaques positivos foram TSMC (+16,5%), Johnson & Johnson (+15,9%), Bank of America (+13,8%) e Eli Lilly (+12,2%). Do lado negativo, Palantir (-22,5%), Microsoft (-14,4%) e Netflix (-14,1%) pressionaram o resultado.
Rentabilidade acumulada
| Período | Carteira | BDRX |
|---|---|---|
| 2022 | -21,0% | -28,1% |
| 2023 | +25,0% | +26,3% |
| 2024 | +72,2% | +70,6% |
| 2025 | +6,2% | +8,3% |
| 2026 (YTD) | -0,9% | +3,5% |
| Acumulado desde 14/07/2021 | +102,9% | +102,7% |
Fonte: BTG Pactual e Bloomberg.
Desde o início (julho de 2021), a carteira mantém um alpha de +0,2 ponto percentual em relação ao BDRX. O desempenho de junho (-2,6% vs. -0,8% do benchmark) reduziu a vantagem acumulada, que vinha mais ampla nos meses anteriores. Rentabilidade passada não representa garantia de resultados futuros.
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