Quem tem uma empresa ou comercio sabe que um dos maiores custos pode estar relacionado ao consumo de energia elétrica. Porém, desde 1995, empresas, lojas, agricultores, pecuaristas entre outros, contam com a possibilidade de compra de energia no mercado livre. Você sabia disso?

No Brasil, existem diversas companhias que trabalham com a produção de energia de variadas fontes – como hidrelétricas, termoelétricas, eólica, entre outras. Logo, você não precisa estar vinculado apenas à concessionária de energia elétrica da sua região.

Que tal conhecer um pouco mais sobre o mercado livre de energia e ver algumas dicas de investimento nesse setor que está em ampla expansão no Brasil? Não deixe de acompanhar!

O que é o mercado livre de energia?

O mercado livre de energia é um ambiente em que a energia elétrica pode ser negociada livremente. Nele os participantes podem negociar todas as condições comerciais como fornecedor, preço, quantidade, prazo de fornecimento, formas de pagamento etc.

Este mercado foi criado como uma alternativa encontrada pelo Governo Federal para gerar competitividade no setor de produção de energia. Além disso, beneficiou o comércio e o setor industrial, pois começaram a escolher o seu fornecedor de energia elétrica.

Como funciona a compra de energia no mercado livre?

A estruturação do setor elétrico no Brasil buscar promover o acesso da energia a todos, a segurança no suprimento e a moderação dos preços. Assim, o mercado de energia é divido em ACR (ambiente de contratação regulada) e ACL (ambiente de contratação livre).

No modelo ACR, o consumidor depende das concessionárias de energia regionais, com tarifas regulamentadas pelo Governo. No modelo ACL, o consumidor é livre para escolher de quem comprará energia, bem como pode negociar o preço e condições.

No entanto, existem algumas regras específicas que precisam ser observadas. Para participar do mercado livre de energia o consumidor será classificado de acordo com a sua demanda de energia. As principais categorias são:

  • consumidores livres: aqueles com demanda igual ou superior a 2.000kw;
  • consumidores especiais: aqueles que demandam 500kw ou mais.

O consumidor livre poderá adquirir energia de qualquer fonte de geração – por exemplo, usinas termonucleares, hidrelétricas, termoelétricas e outras. Já o consumidor especial fica restrito a adquirir energia incentivada de fontes como solar, eólica, a hidráulica etc.

Assim, dentro da sua categoria, o interessado poderá negociar livremente com as geradoras ou comercializadoras de energia elétrica. O contrato é feito de forma bilateral, de modo que as partes negociam as condições, o preço, o prazo, o volume e assim por diante.

Qual é o preço da energia nesse mercado?

Embora a negociação do preço seja livre, normalmente se observa um referencial de preço – como o PLD (Preço de Liquidação de Diferenças). Esse indicador é calculado pela diferença entre o volume de energia contratado e o montante consumido, nas operações de mercado de curto prazo.

O PLD contribui para equilibrar as diferenças regionais na geração elétrica que impactam nos preços. Por exemplo, na região Sul a produção de energia é mais concentrada em usinas hidrelétricas – como a usina de Itaipu. Já na região Nordeste, a presença de usinas eólicas é maior.

Além disso, os preços também são baseados em três patamares de carga:

  • leve: horários do dia em que o consumo de energia é baixo;
  • médio: horários do dia em que o consumo de energia é mediano;
  • pesado: horários de pico no dia, onde o consumo de energia é alto.

As negociações são registradas na plataforma online da CCEE (Câmara de Comercialização de Energia Elétrica). Caberá ao vendedor inserir o contrato na plataforma, e ao consumidor realizar a validação das informações da compra de energia.

É importante pontuar que o consumidor precisará manter dois contratos. Um com a geradora, responsável pela produção de energia, e outro com a distribuidora, em razão da necessidade do uso da fiação de transmissão.

Ainda que no mercado livre de energia existam as peculiaridades vistas, nele podem ser encontrados bons negócios. Com um preço fechado, o consumidor tem maior previsibilidade quanto aos gastos com energia, e não ficam sujeitos às oscilações de preços com as mudanças das bandeiras tarifárias.

Quais são outras formas de participar do setor da energia elétrica?

Depois de ter visto o que é e como funciona o mercado livre de energia, vale a pena saber também como investir no setor de energia elétrica. Essa pode ser mais uma forma de se proteger das oscilações de preço da eletricidade consumida.

Faça a seguinte correlação: quando o preço da energia elétrica aumenta, as companhias fornecedoras de energia tendem a faturar mais. Nesse sentido, o aumento pode influenciar no valor de mercado, resultados e na distribuição de lucros da empresa.

Agora, imagine economizar nos gastos de energia ao comprá-la no mercado livre e, por outro lado, lucrar com os investimentos em companhias ligadas ao setor elétrico. Pode ser uma boa ideia?

Quais alternativas de investimentos disponíveis?

Caso você tenha se interessado pela possibilidade de investir no setor de energia elétrica, confira algumas alternativas disponíveis no mercado financeiro:

Ações

Diversas empresas produtoras — e também transmissoras — de energia elétrica estão listadas na B3 (a bolsa de valores brasileira). As ações são uma pequena fração do capital social dessas companhias. Ao comprar o ativo, você se tornará acionista do negócio e participará dos lucros e prejuízos.

Muitas companhias de capital aberto realizam o pagamento de dividendos (parte do lucro do negócio) aos acionistas. Logo, possuir ações de empresas do setor elétrico que fazem a distribuição poderá resultar em uma renda passiva recorrente.

ETFs

ETFs (exchange traded funds) ou fundos de índice são veículos de investimento que – através de um gestor profissional – aportam em ativos ligados a um índice de referência. Na bolsa, por exemplo, existe o IEE (índice de energia elétrica) composto por ações de empresas do setor elétrico.

O gestor de um ETF vinculado ao IEE distribuirá o patrimônio do fundo em ações que compõe o referido índice. Deste modo, o investidor que tiver cotas desse ETF terá seu capital exposto a diversas companhias de energia elétrica.

BDRs

BDRs (brazilian depositay receitps) são títulos atrelados a papéis que não são negociados no Brasil. Uma instituição depositária compra títulos internacionais, como ações, ETFs, títulos públicos etc., e emite BDRs para negociá-los na bolsa brasileira.

Assim, adquirir um BDR seria equivalente a investir no exterior, mas sem sair do Brasil. Essa pode ser uma alternativa para quem está à procura de investir no setor de energia elétrica estrangeiro, aproveitando oportunidades variadas.

Como você viu, comprar energia no mercado livre pode ajudar a economizar. Por outro lado, investir no setor de energia elétrica também traz a possibilidade de rentabilizar seu capital e aumentar sua margem de lucro. Assim, são opções que podem fazer sentido, se estiverem alinhadas ao seu perfil e objetivos.

Achou interessantes as oportunidades? Entre em contato conosco e saiba mais como investir no setor de energia elétrica!