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Planejamento Sucessório Completo: Estratégias Além do Testamento

Planejamento Sucessório Completo: Estratégias Além do Testamento

Planejamento Sucessório Completo: Estratégias Além do Testamento

Todos os anos, famílias brasileiras perdem entre 10% e 20% do patrimônio acumulado em processos de inventário que poderiam ter sido evitados ou ao menos reduzidos significativamente. O planejamento sucessório completo existe justamente para mudar esse cenário: ele combina previdência privada, holding familiar, doação em vida, seguro de vida e estruturas internacionais para transferir patrimônio entre gerações com eficiência, agilidade e menor custo tributário.

Resposta direta: o testamento é apenas um dos instrumentos disponíveis. Sozinho, ele não garante liquidez imediata, não evita o inventário e não oferece as vantagens fiscais que outras estratégias proporcionam. O planejamento eficiente combina dois ou mais instrumentos de acordo com o perfil familiar e patrimonial.

O que é planejamento sucessório e por que vai além do testamento?

O planejamento sucessório é o conjunto de estratégias jurídicas e financeiras para organizar a transferência de patrimônio entre gerações. Bem estruturado, ele reduz custos, acelera processos e protege os herdeiros de disputas e burocracias desnecessárias.

O testamento é um documento válido e importante. No entanto, por si só, ele não evita o inventário, apenas orienta como o juiz ou tabelião deve distribuir os bens. Mesmo com testamento, a família ainda enfrenta o processo de partilha, com custos e prazos que podem se estender por anos.

Inventário judicial vs. extrajudicial: qual a diferença?

O inventário judicial é obrigatório quando há herdeiros menores, incapazes ou quando existe conflito entre as partes. Dependendo da complexidade, pode levar de 2 a 10 anos. Os custos são elevados: honorários advocatícios (geralmente 6% a 10% do patrimônio), custas processuais e o ITCMD estadual.

O inventário extrajudicial, por outro lado, é feito em cartório, quando todos os herdeiros são maiores, capazes e estão de acordo. É mais rápido (semanas a poucos meses) e mais barato. Ainda assim, há incidência de ITCMD e emolumentos cartorários.

Na prática, mesmo o inventário extrajudicial representa custo e tempo consideráveis. Por isso, o objetivo do planejamento sucessório é justamente evitar ou simplificar esse processo.

Exemplo real: família com imóvel de R$ 500 mil

Sem planejamento: o imóvel vai a inventário judicial. Os custos estimados somam honorários (R$ 35.000 a R$ 50.000), ITCMD em SP (4% = R$ 20.000) e custas cartorárias (R$ 5.000). Total: até R$ 75.000, além de 2 a 4 anos de espera.

Com planejamento (doação em vida + usufruto): o imóvel é transferido em vida, com incidência de ITCMD sobre o valor reduzido pela fração do usufruto. A economia pode chegar a R$ 30.000 ou mais, dependendo da alíquota estadual e do momento da doação. O herdeiro recebe o bem sem inventário após o falecimento do doador.

Para famílias de classe média, a diferença entre planejar ou não pode representar a perda de parte relevante do patrimônio acumulado. Na Renova Invest, orientamos que o planejamento deve começar cedo — não apenas quando o patrimônio é grande.

previdência privada PGBL VGBL

Quais são as principais estratégias de planejamento sucessório em 2026?

As quatro estratégias mais utilizadas no Brasil são: previdência privada (PGBL/VGBL), seguro de vida, holding patrimonial e investimentos no exterior com estruturas offshore. Cada uma atende a um perfil diferente e pode ser combinada com as demais.

Não existe receita de bolo para o planejamento sucessório. A escolha depende do tamanho do patrimônio, da composição familiar, dos objetivos fiscais e da complexidade dos bens envolvidos.

Instrumento Perfil indicado Vantagem fiscal Complexidade
Previdência Privada (VGBL) Qualquer investidor com dependentes Não entra em inventário Baixa
Seguro de vida Famílias com dívidas ou imóveis Isento de ITCMD na maioria dos estados Baixa
Holding patrimonial Patrimônio acima de R$ 1,5 milhão Planejamento de ITCMD e governança Alta
Estrutura offshore (trust/fundação) Patrimônio acima de R$ 3 milhões Diversificação e flexibilidade sucessória Muito alta

A implicação prática é direta: investidores iniciantes devem começar com previdência privada e seguro de vida. Quem já acumulou patrimônio relevante deve avaliar holding e offshore com apoio especializado.

Previdência privada como ferramenta sucessória: PGBL e VGBL

A previdência privada, especialmente o VGBL, não entra em inventário e pode ser transferida diretamente aos beneficiários indicados, sem partilha judicial. Essa é uma das vantagens mais práticas e acessíveis do planejamento sucessório.

A diferença entre PGBL e VGBL para fins sucessórios é fundamental. O PGBL permite dedução de até 12% da renda bruta anual no IRPF mas compõe a base de cálculo do IR no resgate. O VGBL não oferece dedução, porém o IR incide apenas sobre os rendimentos e, mais importante para a sucessão, não integra o espólio.

PGBL vs. VGBL: o que muda na sucessão?

O VGBL é o instrumento ideal para quem quer usar a previdência como ferramenta sucessória. Como não é considerado herança pela legislação brasileira (STJ, REsp 1.645.489), o saldo é pago diretamente ao beneficiário indicado no contrato, sem inventário, sem ITCMD na maioria dos estados e sem espera judicial.

O PGBL, por sua vez, é mais indicado para dedução fiscal durante a fase de acumulação. Em caso de falecimento, porém, seu saldo pode ser questionado judicialmente quanto à incidência de ITCMD, dependendo do estado. Para fins puramente sucessórios, o VGBL é a escolha mais segura.

Simulação: investidor de 50 anos protegendo o cônjuge

Um investidor de 50 anos aporta R$ 2.000 por mês em VGBL com rentabilidade de 100% do CDI (considerando CDI de 10,75% a.a. em 2026). Em 15 anos, o saldo acumulado pode superar R$ 800.000, valor que será transferido diretamente ao cônjuge indicado como beneficiário, sem inventário e sem ITCMD.

Esse mesmo montante, se estivesse em imóveis ou investimentos comuns, exigiria inventário com custos estimados entre R$ 60.000 e R$ 120.000. Além da economia expressiva, o cônjuge recebe os recursos em dias, não em anos.

Para o leitor: indique os beneficiários no contrato de previdência e revise essa indicação a cada mudança familiar relevante: casamento, divórcio, nascimento de filhos. Sem beneficiário indicado, o saldo pode ir a inventário.

O que poucos explicam sobre a previdência como herança

A maioria das pessoas contrata um VGBL pensando em aposentadoria. Poucos percebem que ele também é, na prática, o instrumento de transferência patrimonial mais eficiente disponível para a pessoa física no Brasil, especialmente para quem não quer (ou não pode) arcar com os custos de uma holding.

O erro mais caro aqui é deixar o campo de beneficiários em branco ou desatualizado. Vemos isso com frequência: o titular se casa, tem filhos, se divorcia e o beneficiário do VGBL ainda é o mesmo de 15 anos atrás. Nesse caso, a vantagem sucessória se perde inteiramente.

Se você fizer só uma coisa depois de ler este artigo: abra o contrato da sua previdência e confirme quem está indicado como beneficiário. Esse ato simples pode poupar dezenas de milhares de reais e meses de processo para a sua família.

Seguro de vida: proteção imediata e liquidez para herdeiros

O seguro de vida garante liquidez imediata aos herdeiros sem depender do inventário. O capital segurado é pago diretamente aos beneficiários em poucos dias após o sinistro, o que faz toda a diferença quando a família precisa arcar com os custos do processo sucessório.

Essa liquidez é especialmente valiosa quando a família precisa pagar ITCMD, honorários e emolumentos sem ter que vender bens precipitadamente. Na prática, o seguro de vida funciona como um colchão financeiro para a sucessão.

Como calcular o capital segurado ideal?

Uma regra prática usada por planejadores financeiros é cobrir três frentes: dívidas em aberto, custos estimados de inventário (10% a 20% do patrimônio) e renda de substituição para dependentes por 3 a 5 anos.

Por exemplo: família com imóvel de R$ 500.000, dívidas de R$ 80.000 e dois filhos dependentes. O capital segurado ideal seria de aproximadamente R$ 250.000 a R$ 350.000, suficiente para cobrir o inventário e garantir renda temporária. O prêmio mensal para uma apólice desse valor, para um adulto de 40 anos sem comorbidades, costuma ficar entre R$ 150 e R$ 400 mensais.

Seguro de vida paga ITCMD?

Na maioria dos estados brasileiros, o capital de seguro de vida é isento de ITCMD, pois não é considerado herança, mas sim indenização contratual. Alguns estados já tentaram tributar esse valor. Por isso, recomenda-se verificar a legislação do seu estado e, em caso de dúvida, consultar um advogado especializado.

A implicação prática: o seguro de vida é uma das ferramentas mais acessíveis e eficientes para qualquer patrimônio. Mesmo para famílias de classe média, contratar uma apólice com capital adequado pode evitar a venda emergencial de bens para pagar o inventário.

seguro de vida para planejamento sucessório

Holding patrimonial: quando vale a pena criar uma empresa familiar?

A holding patrimonial é uma pessoa jurídica criada para concentrar e administrar os bens da família. A sucessão ocorre via transferência de cotas societárias, processo mais ágil e com maior controle fiscal e de governança.

Ela é mais indicada para quem possui volume significativo de imóveis, negócios ou participações societárias que justifiquem os custos de constituição e manutenção contábil. Via de regra, patrimônios abaixo de R$ 1,5 milhão raramente se beneficiam do custo-benefício de uma holding.

Vantagens fiscais e de governança

Entre os principais benefícios estão: possibilidade de planejamento do ITCMD via doação de cotas com cláusulas restritivas (usufruto, inalienabilidade, impenhorabilidade), centralização da gestão patrimonial e facilidade para incluir regras de governança familiar no contrato social.

Além disso, a holding pode oferecer vantagens no ITBI (imposto sobre transmissão de bens imóveis) em algumas situações, dependendo da interpretação municipal, embora esse benefício seja objeto de disputas jurídicas. Consulte sempre um advogado tributarista antes de estruturar com base nessa premissa.

Quando a holding NÃO vale a pena?

Para patrimônios menores que R$ 1,5 milhão, os custos de constituição (R$ 5.000 a R$ 15.000) e manutenção contábil anual (R$ 8.000 a R$ 20.000) superam os benefícios fiscais. Nesses casos, a combinação de VGBL + doação em vida + testamento costuma ser mais eficiente e mais barata.

Investimentos no exterior e estruturas offshore no planejamento sucessório

Investimentos internacionais protegem o patrimônio de riscos cambiais e permitem estruturas sucessórias mais flexíveis. Para brasileiros, a principal vantagem é a diversificação de risco-país e o acesso a instrumentos como o trust, inexistente no direito brasileiro.

Essa estratégia é mais indicada para patrimônios acima de R$ 3 milhões, dado o custo de estruturação e manutenção de entidades no exterior. Para patrimônios menores, BDRs e ETFs internacionais negociados na B3 já oferecem diversificação sem a complexidade offshore.

Como funciona um trust para fins sucessórios?

O trust é uma estrutura jurídica do direito anglo-saxão. O instituidor (settlor) transfere ativos para um administrador (trustee), que os gere em benefício dos beneficiários indicados. Em caso de falecimento do instituidor, os ativos são distribuídos conforme as regras do trust, sem inventário no exterior.

Com a Lei 14.754/2023, o Brasil passou a regulamentar a tributação de investimentos no exterior e de trusts por residentes brasileiros. A lei estabeleceu regras de transparência fiscal e determinou que os rendimentos de trusts sejam tributados no IR brasileiro. Portanto, a vantagem não é de evasão fiscal mas de organização e flexibilidade sucessória.

Para investidores iniciantes ou com patrimônio intermediário, a alternativa mais simples são ETFs internacionais na B3, que oferecem exposição a mercados globais sem necessidade de conta no exterior. A sucessão ocorre normalmente via inventário, mas o patrimônio fica protegido da desvalorização cambial.

Doação em vida com usufruto: como antecipar a herança com segurança

A doação em vida permite transferir bens aos herdeiros ainda em vida, com possibilidade de manter o usufruto vitalício. O doador continua morando ou usufruindo do bem até o falecimento e o herdeiro recebe a propriedade plena sem necessidade de inventário.

É uma das estratégias mais eficientes para reduzir o ITCMD e evitar o inventário, especialmente em estados com alíquotas progressivas. Além disso, pode ser realizada com cláusulas de proteção ao patrimônio doado.

ITCMD na doação: alíquotas por estado

Estado Alíquota ITCMD Observação
São Paulo 4% Alíquota fixa
Rio de Janeiro até 8% Alíquota progressiva
Minas Gerais até 5% Progressiva por faixas
Rio Grande do Sul até 6% Progressiva por faixas

As alíquotas acima são referência para 2026, mas podem ser alteradas por lei estadual. Confirme a legislação vigente do seu estado antes de tomar qualquer decisão.

Testamento: qual é o papel real dele dentro de uma estratégia completa?

O testamento é um instrumento complementar não substitui as demais estratégias, mas formaliza vontades que a lei sozinha não resolve. Ele é indispensável para definir ativos específicos, tratar diferenças entre herdeiros e registrar disposições sobre a parte disponível do patrimônio.

Pelo Código Civil Brasileiro, quem tem herdeiros necessários (cônjuge, filhos, pais) pode dispor livremente apenas de 50% do patrimônio, a chamada “parte disponível”. Os outros 50% são a “legítima”, que obrigatoriamente vai aos herdeiros necessários.

Tipos de testamento no Brasil

O testamento público é lavrado em cartório, com maior segurança jurídica. O cerrado é escrito pelo testador e guardado pelo tabelião com sigilo. O particular é escrito e assinado pelo testador com testemunhas mais simples, porém com maior risco de contestação.

Para famílias reconstituídas, segundos casamentos, enteados, filhos de relacionamentos anteriores —, o testamento é especialmente importante. Essas situações exigem atenção redobrada na definição da parte disponível e na nomeação de tutores para filhos menores.

Quando o testamento é suficiente?

Para patrimônios simples um imóvel, uma conta bancária, bens de baixo valor, o testamento combinado com um VGBL pode ser suficiente. O VGBL garante liquidez imediata; o testamento orienta a partilha do restante. Essa combinação é acessível, barata e resolve a maioria dos casos de classe média.

O Método das Quatro Camadas: como montar um planejamento sucessório passo a passo

O processo começa com o mapeamento do patrimônio e identificação dos herdeiros, passa pela escolha das estratégias adequadas ao perfil e termina com a formalização jurídica e revisão periódica. Na Renova Invest, organizamos esse processo em quatro camadas progressivas:

Camada O que fazer Instrumentos envolvidos
1. Diagnóstico Mapear bens, dívidas, herdeiros e objetivos Planilha patrimonial, consulta jurídica inicial
2. Proteção imediata Garantir liquidez e evitar inventário nos ativos principais VGBL com beneficiários, seguro de vida
3. Estruturação Organizar a transferência dos bens de maior valor Doação com usufruto, holding (se aplicável)
4. Formalização e revisão Registrar tudo em cartório e manter atualizado Testamento, contrato social, revisão periódica
  1. Inventariar bens e dívidas: liste todos os ativos (imóveis, investimentos, participações societárias, veículos) e passivos (financiamentos, dívidas). Inclua bens no exterior.
  2. Mapear herdeiros e dependentes: identifique cônjuge, filhos, pais e eventuais dependentes econômicos. Considere situações especiais: filhos menores, herdeiros com necessidades especiais, famílias reconstituídas.
  3. Definir objetivos: proteger o cônjuge? Reduzir o ITCMD? Evitar conflitos entre irmãos? Garantir liquidez? Cada objetivo aponta para instrumentos diferentes.
  4. Escolher os instrumentos: com base no patrimônio e nos objetivos, defina a combinação de estratégias (VGBL, seguro de vida, doação em vida, holding, testamento).
  5. Consultar especialistas: um advogado especializado em direito sucessório e um planejador financeiro são indispensáveis para estruturar corretamente. O custo dessa consultoria é irrisório frente à economia gerada.
  6. Formalizar os documentos: contratos de previdência com beneficiários atualizados, escritura de doação, contrato social da holding, testamento registrado em cartório.
  7. Revisar periodicamente: a cada 2 a 3 anos ou após mudanças familiares relevantes — casamento, divórcio, nascimento, falecimento. Um planejamento desatualizado pode ser tão prejudicial quanto a ausência de planejamento.

O planejamento sucessório não deve ser tratado como evento único, mas como um processo contínuo — revisado sempre que o patrimônio ou a composição familiar mudar.

Tributação na herança: ITCMD, IR e como reduzir os custos legalmente

A tributação é um dos principais motivadores do planejamento sucessório. O ITCMD pode chegar a 8% sobre o valor dos bens em alguns estados e há propostas legislativas de elevação das alíquotas em discussão no Congresso. Ignorar esse risco é, na prática, abrir mão de um planejamento que pode economizar centenas de milhares de reais.

O ITCMD é um imposto estadual. As alíquotas variam entre 2% e 8%, conforme a legislação de cada estado. A previdência VGBL e o seguro de vida são, via de regra, isentos de ITCMD na maioria dos estados, o que os torna especialmente atrativos do ponto de vista fiscal.

IR sobre herança: quando incide?

Em geral, a herança em si não é tributada pelo Imposto de Renda. Há exceções relevantes, porém: rendimentos produzidos pelos bens após o falecimento do titular (mas antes da partilha) são tributáveis pelo espólio. Além disso, fundos de investimento com come-cotas podem gerar tributação no processo de transferência.

Conforme a Receita Federal do Brasil, a herança recebida não é rendimento tributável no IRPF mas os rendimentos gerados pelos bens herdados após a transferência passam a compor a base de cálculo do herdeiro. Consulte as orientações no portal da Receita Federal para detalhes sobre a declaração de bens herdados.

Estratégias legais de redução tributária

  • Usar VGBL e seguro de vida (isentos de ITCMD na maioria dos estados)
  • Antecipar doações em estados com alíquotas progressivas, antes de aumentos legislativos
  • Estruturar holding para parcelar a transferência de cotas ao longo dos anos
  • Aproveitar isenções e reduções específicas de cada estado (consulte a legislação local)

Planejamento sucessório vale a pena para patrimônios menores?

Sim e essa talvez seja a pergunta mais importante deste artigo. Mesmo famílias com patrimônio simples podem enfrentar inventário judicial custoso e demorado sem planejamento prévio. O planejamento sucessório não é exclusivo de grandes fortunas.

Um inventário judicial pode custar entre 10% e 20% do valor do patrimônio em honorários e taxas, além de levar anos. Para uma família com um imóvel de R$ 350.000, isso representa entre R$ 35.000 e R$ 70.000 em custos, sem contar o desgaste emocional.

Cenário real: família de classe média

Sem planejamento: imóvel de R$ 350.000 vai a inventário judicial. Honorários (8%) = R$ 28.000 + ITCMD em SP (4%) = R$ 14.000 + custas = R$ 5.000. Total: cerca de R$ 47.000. Prazo: 2 a 5 anos.

Com planejamento (VGBL + testamento): o casal contrata VGBL com beneficiário indicado para cobrir liquidez imediata. O testamento orienta a partilha do imóvel. O inventário extrajudicial (cartório) custa cerca de R$ 15.000 a R$ 20.000 e é resolvido em semanas. Economia estimada: R$ 25.000 a R$ 30.000.

Instrumentos acessíveis para qualquer patrimônio: testamento (custo a partir de R$ 500 em cartório), VGBL (sem custo inicial, apenas contribuições mensais) e seguro de vida (prêmio mensal de R$ 100 a R$ 400). O investimento no planejamento é baixo e o retorno, em termos de proteção familiar, é expressivo.

Resumo prático

  • O testamento é indispensável, mas sozinho não evita inventário nem garante liquidez imediata, combine-o com VGBL e seguro de vida no mínimo.
  • O VGBL não entra em inventário e pode ser transferido diretamente ao beneficiário indicado é a ferramenta sucessória mais acessível e eficiente para a maioria dos investidores.
  • A holding patrimonial vale a pena a partir de R$ 1,5 milhão em patrimônio abaixo disso, os custos de manutenção costumam superar os benefícios fiscais.
  • A doação em vida com usufruto reduz a base de cálculo do ITCMD e elimina a necessidade de inventário para o bem doado, estratégia eficiente e segura para imóveis.
  • Revise seu planejamento a cada 2 a 3 anos ou após mudanças familiares, um planejamento desatualizado pode ser tão prejudicial quanto a ausência dele.
  • Para patrimônios simples (um imóvel + poupança), a combinação VGBL + seguro de vida + testamento já representa um planejamento eficaz e acessível.

Perguntas frequentes sobre planejamento sucessório

O VGBL entra no inventário em 2026?

Não. O VGBL não integra o espólio do falecido e, portanto, não entra em inventário. Essa interpretação é consolidada pelo STJ (REsp 1.645.489) e prevalece em 2026. O saldo acumulado é pago diretamente aos beneficiários indicados no contrato, sem necessidade de processo judicial ou extrajudicial de partilha.

Importante: é fundamental manter os beneficiários atualizados. Se nenhum beneficiário for indicado ou todos falecerem antes do titular, o saldo pode ser incorporado ao espólio. Além disso, a isenção de ITCMD sobre o VGBL é aplicada na maioria dos estados mas convém verificar a legislação específica do seu estado.

Qual a diferença entre testamento e holding patrimonial?

O testamento registra a vontade do titular sobre a distribuição do patrimônio após o falecimento mas não evita o inventário. A holding patrimonial é uma pessoa jurídica que concentra os bens da família; a sucessão ocorre via transferência de cotas societárias, com maior controle fiscal e de governança.

O testamento é acessível e indicado para qualquer patrimônio; a holding é mais complexa e indicada para patrimônios relevantes (acima de R$ 1,5 milhão em geral). As duas estratégias não são excludentes: uma holding pode coexistir com um testamento que regula aspectos não cobertos pelo contrato social.

Quanto custa fazer um inventário no Brasil em 2026?

Os custos variam conforme o tipo de inventário e o estado. No inventário extrajudicial, emolumentos e ITCMD somam, em média, 4% a 8% do patrimônio. No inventário judicial, os custos sobem significativamente: honorários advocatícios (6% a 10%), custas processuais e ITCMD podem totalizar 10% a 20% do valor dos bens, além de um prazo que pode se estender por 2 a 10 anos.

Para um patrimônio de R$ 500.000, o custo do inventário judicial pode variar entre R$ 50.000 e R$ 100.000. Daí a importância do planejamento preventivo, que pode reduzir esses custos drasticamente com instrumentos como VGBL, doação em vida e holding.

Planejamento sucessório é só para quem tem muito dinheiro?

Não. Essa é uma das maiores ideias equivocadas sobre o tema. Famílias com patrimônio simples de um imóvel, uma conta de investimentos ou um carro podem enfrentar inventários judiciais custosos e demorados sem qualquer planejamento. Um inventário judicial para um imóvel de R$ 350.000 pode custar R$ 40.000 a R$ 70.000 em honorários e taxas, além de anos de espera.

Instrumentos acessíveis como VGBL, seguro de vida e testamento resolvem a maior parte dos casos de classe média com custo baixo. O planejamento sucessório não é um luxo, é uma decisão financeira responsável para quem tem dependentes e patrimônio a proteger.

Como funciona a doação em vida com usufruto?

É uma operação jurídica em que o titular transfere a propriedade de um bem (em geral, imóvel) a um herdeiro, mas mantém o direito de uso e gozo (usufruto) durante toda a vida. O herdeiro recebe a nua-propriedade imediatamente, mas só consolida a propriedade plena após o falecimento do doador, sem necessidade de inventário para aquele bem.

O ITCMD incide no momento da doação, sobre o valor da nua-propriedade (inferior ao valor total do bem, pois desconta o usufruto). Podem ser incluídas cláusulas de inalienabilidade (o herdeiro não pode vender), impenhorabilidade (protege de credores) e incomunicabilidade (o bem não entra na partilha em caso de divórcio).

Qual o imposto sobre herança no Brasil em 2026?

O imposto sobre herança no Brasil é o ITCMD (Imposto sobre Transmissão Causa Mortis e Doação), de competência estadual. As alíquotas variam entre 2% e 8% conforme o estado, em SP é de 4%; no RJ, pode chegar a 8% para valores mais altos.

A herança em si não é tributada pelo Imposto de Renda, mas rendimentos produzidos pelos bens após o falecimento e antes da partilha são tributáveis pelo espólio. Previdência VGBL e seguros de vida são, via de regra, isentos de ITCMD na maioria dos estados. Há projetos de lei em tramitação para elevar as alíquotas máximas, acompanhe a legislação do seu estado para decisões de planejamento.

Quando devo começar o planejamento sucessório?

O momento ideal é agora, independentemente da idade ou do tamanho do patrimônio. Quanto mais cedo o planejamento é iniciado, maior a margem para estratégias de longo prazo (como acumulação em VGBL) e menor o custo tributário.

Na prática, recomenda-se iniciar ao adquirir o primeiro bem relevante, ao ter filhos ou ao constituir união estável ou casamento. Além disso, o planejamento deve ser revisado a cada 2 a 3 anos ou após eventos familiares relevantes. Esperar pela velhice para iniciar é o erro mais comum e o mais caro.

O seguro de vida paga imposto de herança?

Em geral, não. O capital pago pelo seguro de vida não é considerado herança pelo direito brasileiro é uma indenização contratual. Por isso, na maioria dos estados, o valor recebido pelos beneficiários está isento de ITCMD. Além disso, o seguro de vida não entra no inventário, não passa por partilha judicial e é pago diretamente ao beneficiário em poucos dias.

Para o IR, o capital de seguro de vida recebido por pessoa física também é isento, conforme a legislação vigente. Recomenda-se verificar a situação específica no estado de domicílio, especialmente se houver alterações legislativas recentes.

A maioria das famílias só descobre o quanto poderia ter economizado quando o inventário já está aberto e as opções de planejamento, esgotadas. A Renova Invest pode calcular quanto o seu patrimônio pagaria de ITCMD hoje, quais instrumentos fazem mais sentido para o seu perfil e como estruturar a transferência de bens com o menor custo possível. Fale com um assessor antes que a decisão deixe de ser sua.

Leia também: como declarar imóvel recebido por herança no IR.

Leia também: comparativo de jurisdições internacionais para trust.

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