Quem já investiu ou está estudando sobre os títulos do Tesouro Direto, provavelmente já se deparou com o termo “marcação a mercado”. Porém, nem todos sabem ao certo o que ele significa e como pode impactar esse tipo de investimento.

De modo geral, a expressão se refere a uma atualização dos preços de títulos de renda fixa e cotas de fundos de investimentos. Isso permite que o investidor saiba o quanto receberia naquele dia, caso escolhesse realizar o resgate.

Portanto, conhecer o conceito e funcionamento da marcação a mercado é importante para você tomar decisões mais acertadas ao investir no Tesouro Direto.

Quer aprender mais sobre o assunto? Então confira este artigo!

O que é o Tesouro Direto?

Para entender o que é a marcação a mercado é preciso conhecer primeiro o conceito de Tesouro Direto. Esse é um programa feito pelo Governo Federal em parceria com a B3 (a bolsa de valores brasileira) para a venda de títulos públicos.

No passado, apenas pessoas jurídicas tinham acesso a eles. Assim, o programa democratizou o acesso, permitindo que pessoas físicas também pudessem negociar essas aplicações.

Além disso, quem investe nesses títulos empresta dinheiro ao Governo. Em troca, recebe uma remuneração específica acordada previamente. Logo, os títulos do Tesouro Direto são considerados investimentos de renda fixa, pois a rentabilidade é conhecida antes mesmo de investir neles.

Para entender melhor como funciona essa alternativa, confira os tipos títulos disponíveis na plataforma do Tesouro Direto:

Tesouro Selic

O Tesouro Selic é um título com rentabilidade pós-fixada que está indexado à taxa Selic — a taxa básica da economia brasileira. Nesse sentido, seu rendimento será de 100% da variação da Selic no período.

Tesouro prefixado

O Tesouro Prefixado, como o nome indica, tem um retorno fixo, indicado por um percentual. Por exemplo, caso seja estabelecido uma rentabilidade de 9% ao ano, ao final do investimento, o valor investido renderá esse percentual por cada ano decorrido.

Tesouro IPCA+

O Tesouro IPCA+ é um título híbrido. Assim, a rentabilidade é calculada pela soma do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) e uma taxa de juros prefixada. Por exemplo, uma aplicação pode remunerar o investidor em 100% do IPCA mais uma taxa de 4% ao ano.

O que é a marcação a mercado?

Como você viu, os títulos públicos do Tesouro Direto garantem uma rentabilidade que o investidor já conhece antes mesmo de realizar o investimento. No entanto, para que ela seja paga em sua integralidade, é preciso manter o investimento até a data de vencimento.

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Porém, os títulos do Tesouro Direto têm liquidez diária, pois o Governo garante a recompra. Nesse caso, ao optar pelo resgate antecipado, a marcação a mercado se torna relevante. Na prática, ela tem a função de calcular o quanto um investimento vale em uma data anterior ao seu vencimento.

Desse modo, a marcação a mercado representa o cálculo do valor atual do título. Ele é feito considerando as flutuações do mercado devido à oferta e demanda, bem como a variação das taxas de juros que os lastreiam.

Ademais, ela acontece em todos os títulos — prefixados, pós-fixados e híbridos. Porém, a volatilidade dos prefixados e híbridos tende a ser maior. Afinal, quando existem juros fixos, eventual variação nas taxas de mercado pode pressionar a emissão de novos títulos por parte do Governo.

Imagine que você investiu no Tesouro Prefixado a 6% ao ano. Contudo, diante do aumento na taxa Selic e no IPCA, o Governo emite novos títulos prefixados pagando 9% ao ano. Aqui, o objetivo é torná-los competitivos com o Tesouro Selic ou Tesouro IPCA + que já acompanharam o aumento.

Nesse cenário, os títulos que você investiu perderiam valor — já que há uma alternativa no mercado mais rentável. Contudo, o contrário também poderia acontecer. Se uma queda de juros pressionar a emissão de títulos com uma rentabilidade menor, os títulos tendem a se valorizar naquele momento.

Quais os riscos da marcação a mercado e como evitá-los?

Entendendo o conceito, fica mais fácil avaliar os riscos que a marcação a mercado traz para os títulos do Tesouro Direto. Nesse sentido, o principal risco é o de resgatar um investimento com prejuízo ou com uma rentabilidade abaixo do esperado.

Entretanto, é possível evitar esse risco ao evitar o resgate antecipado. Isso porque, ainda que o preço do título seja alterado pela marcação a mercado, você receberá a integralidade do rendimento combinado no final do investimento.

Uma maneira de reduzir as chances de recorrer ao resgate antecipado é criando um bom planejamento financeiro. Para tanto, identifique o seu perfil de investidor, objetivos e o prazo para cumpri-los. Assim, será possível fazer escolhas mais alinhadas, visando manter o aporte até o vencimento.

Por fim, vale destacar que incide o Imposto de Renda (IR) sobre os rendimentos dos títulos do Tesouro Direto. O tributo segue a tabela regressiva, então quanto menos tempo durar o investimento, maior será a alíquota. Logo, fazer os resgates em prazos menores pode reduzir ainda mais o retorno obtido.

Quais as oportunidades que a marcação a mercado pode oferecer?

Se você tiver um perfil arrojado e um apetite maior aos riscos, a marcação a mercado pode fornecer oportunidades de especulação — isto é, chances de obter lucro no curto prazo. Acompanhar as movimentações dos juros poderá indicar momentos de comprar ou vender esses títulos.

Por exemplo, prevendo um cenário de queda nos juros, você poderá adquirir títulos prefixados ou híbridos para vendê-los, posteriormente, por um preço maior. Afinal, com os juros em queda, o Governo tende a emitir novos títulos com rentabilidade menor, valorizando os que você adquiriu.

Caso o cenário não se confirme, basta manter o investimento até o final para receber o valor proposto neles. Ou seja, mantendo o título, há chances de evitar prejuízos. Dessa forma, especular na renda fixa apresenta riscos menores que na renda variável, apesar de ainda ser uma estratégia arriscada.

Agora você sabe o que é e como funciona a marcação a mercado nos títulos do Tesouro Direto. Então, não deixe de considerá-la antes de montar sua carteira de investimentos ou de antecipar o resgate de um investimento. Assim, é possível evitar perdas financeiras.

Quer conhecer mais sobre os títulos do Tesouro? Então leia também o post Quais os riscos do Tesouro Direto? Descubra a resposta!