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Insider trading: o que é, como funciona e os principais casos no Brasil e no mundo

imagem mostra uma grande lupa com gráficos do mercado de ações refletido nela.

No mercado de capitais, informação é preço. Por isso, quando alguém usa insider trading para negociar antes do restante do mercado, a disputa deixa de ser justa e a confiança, que sustenta todo o sistema, começa a se desgastar.

Em outras palavras, insider trading não é “esperteza”: é o uso indevido de uma informação relevante e ainda não pública para obter vantagem financeira. Além de ser uma prática reprovável, ela é combatida no Brasil por um arcabouço regulatório que busca garantir o princípio do full and fair disclosure, isto é, divulgação completa, verdadeira e simultânea para todos os investidores.

Ao longo deste artigo, vamos explicar o conceito, os tipos, quem pode ser insider, casos no Brasil e no mundo, punições e efeitos.

Insider trading: o que é e por que o mercado trata como crime?

Insider trading é a negociação com valores mobiliários (ações, derivativos ou ativos referenciados) feita com base em informação privilegiada, isto é, material e não pública, capaz de influenciar o preço e a decisão de investidores. Em termos práticos, ocorre quando alguém compra ou vende antes do “fato relevante” virar conhecimento geral, aproveitando-se da vantagem informacional.

No Brasil, a lógica é simples: se a informação tem potencial de mexer com preço e decisão, ela precisa chegar ao mercado de forma simultânea e clara. Caso contrário, cria-se uma assimetria que distorce a formação de preços e penaliza quem opera sem acesso aos “bastidores”.

O que é “informação privilegiada” na prática?

A CVM explica que uma informação privilegiada combina dois elementos: confidencialidade (ainda não é pública) e materialidade (é relevante a ponto de influenciar o preço ou a decisão do investidor).

Confidencialidade: quando a informação vira pública “de verdade”

Mesmo após a divulgação, pode existir um tempo de disseminação para que o investidor comum consiga absorver o conteúdo. Por isso, a regulação incentiva que informações relevantes sejam divulgadas, sempre que possível, antes da abertura ou após o fechamento do pregão. Se a divulgação precisar ocorrer durante o pregão, pode haver, inclusive, pedido de suspensão de negociação para permitir disseminação adequada.

Além disso, existe uma exceção importante: a companhia pode manter temporariamente um fato sob sigilo para proteger um interesse legítimo. Entretanto, se a informação “escapar ao controle” ou se houver oscilação atípica de preço/volume, a empresa deve divulgar imediatamente para reduzir a vantagem de quem eventualmente esteja se beneficiando.

Confira o material completo da CVM: Uso indevido de informação privilegiada

Materialidade: o que realmente mexe com preço e decisão

Uma informação tende a ser material quando pode influenciar de modo relevante:

  • a cotação do ativo;

  • a decisão de comprar, vender ou manter;

  • o exercício de direitos do investidor.

Na prática, entram nesse grupo eventos como fusões e aquisições, reorganizações societárias, mudança de controle, lucros/prejuízos e dados financeiros ainda não divulgados, justamente porque costumam reprecificar o ativo rapidamente.

Quem pratica insider trading: insiders primários, secundários e até “acidentais”

Nem sempre o “insider” é apenas o diretor da empresa. O uso indevido pode acontecer por diferentes canais:

  • Insider primário: quem tem acesso direto pela função ou vínculo com o emissor (controladores, administradores, conselheiros, empregados com acesso sensível) e também profissionais que prestam serviços e entram no circuito de informação (auditores, advogados, consultores, assessores financeiros).

  • Insider secundário (tippee): quem recebe a informação do primário, direta ou indiretamente, e ainda assim não pode negociar com base nela.
  • Insider acidental: alguém que tem acesso por uma circunstância fortuita, como ouvir uma conversa em local público. Mesmo nesse cenário, negociar continua sendo vedado.

Ou seja, o risco de insider trading não fica restrito ao “C-level”: ele cresce à medida que a informação circula.

Insider trading e “tipping”: negociar não é o único problema

Existe uma segunda frente de proibição que muita gente ignora: revelar informação sigilosa a terceiros (tipping). Em outras palavras, mesmo que a pessoa não opere, ela pode violar regras ao “dar a dica” e permitir que outro negocie ou repasse adiante.

Por isso, controles internos, educação e governança não são acessórios: eles reduzem o risco de vazamento e a probabilidade de um caso virar crise.

Quais são as punições e como a fiscalização funciona?

No Brasil, insider trading pode gerar responsabilização administrativa, penal e civil, e essas esferas são independentes. Assim, a mesma conduta pode resultar em multa e inabilitação (administrativo), reclusão e multa (penal) e indenização por perdas e danos (civil).

Do ponto de vista de supervisão, a CVM atua com apoio de mecanismos de monitoramento do mercado para identificar transações atípicas (volume, preço, timing), mapear quem teve acesso à informação e cruzar relacionamentos. Além disso, a regulação reconhece que provas indiciárias podem sustentar condenação quando os indícios são fortes e convergentes, o que reforça o caráter dissuasório da fiscalização.

Outro ponto relevante: intermediários do mercado também têm deveres, inclusive de comunicar indícios de violações quando identificados.

Efeitos do insider trading: por que isso prejudica o investidor comum?

Existem três impactos principais:

  1. Quebra de igualdade de acesso: quem chega depois da informação compra mais caro ou vende mais barato, sem saber o que já estava no radar de poucos.

  2. Destruição de confiança: quando o investidor acredita que o jogo é desigual, ele reduz participação, liquidez cai e o mercado perde eficiência.

  3. Risco reputacional e custo de capital: a companhia pode sofrer com perda de credibilidade, o que aumenta o custo de captação e eleva o “desconto” que o mercado exige.

Em síntese: insider trading não é só “um crime contra o mercado”. É uma ameaça direta à integridade do sistema de preços.

Insider trading vs. front running: qual a diferença?

Ambos podem envolver vantagem informacional, mas costumam ter origens diferentes:

  • Insider trading: normalmente nasce dentro do emissor (ou de quem está no seu entorno informacional).

  • Front running: acontece quando um intermediário antecipa uma ordem relevante de cliente e opera antes para lucrar com o impacto no preço.

Ou seja, no front running o problema central é colocar o interesse do agente à frente do cliente; no insider trading, o problema central é operar com informação relevante ainda não pública.

Casos Brasil de insider trading: o que o mercado aprendeu

Joesley Batista e o “Joesley Day”

Um dos episódios mais marcantes envolveu os irmãos Batista, controladores ligados à JBS. Operações relevantes ocorreram antes da divulgação de fatos que mexeriam com câmbio e ações, e o dia em que a informação veio a público entrou para a história como “Joesley Day”.

Além do impacto de curto prazo, o caso reforçou uma lição: eventos de alta sensibilidade ampliam o dano, porque a reprecificação tende a ser rápida e violenta, e quem chega atrasado paga a conta.

Eike Batista e OGX

O caso de Eike Batista também ganhou destaque por envolver acusações e condenações relacionadas a insider trading e manipulação. Aqui, o aprendizado é igualmente importante: comunicação e governança importam e o mercado pune a perda de confiança com desconto de valuation, restrição de capital e reputação abalada.

Sadia/Perdigão: operações em período sensível

Casos envolvendo executivos e negociações antes de movimentos estratégicos (como tentativas de aquisição) mostram que insider trading pode nascer em janelas curtas e em contextos específicos. Por isso, políticas internas e controles de acesso são tão relevantes quanto o discurso de transparência.

Americanas e o avanço das apurações

Quando casos corporativos entram no radar do regulador, o mercado passa a observar não só o evento, mas também a qualidade dos controles internos, o ambiente de compliance e a estrutura de governança. Investidor de longo prazo presta atenção nisso porque governança fraca costuma significar risco maior.

Casos Mundo de insider trading: exemplos que viraram referência

Walt Disney: tentativa de venda de informação confidencial

Nos EUA, um caso envolvendo a Walt Disney chamou atenção por combinar informação sensível com tentativa de comercialização dessas “dicas” para participantes do mercado. O ponto central é claro: o enforcement também evolui, e operações disfarçadas mostram que a fiscalização busca flagrar não só quem negocia, mas também quem alimenta o esquema.

Amazon: uso indevido de informação privilegiada

 Em 2017, o ex-analista financeiro Brett Kennedy foi acusado de repassar informações confidenciais sobre resultados da empresa antes da divulgação oficial. Com base nesses dados, um terceiro negociou ações e obteve cerca de US$ 116 mil em lucro, segundo a SEC (Securities and Exchange Commission). O episódio mostra que qualquer uso ou repasse de informação relevante não pública para negociar ativos caracteriza insider trading e compromete a integridade do mercado.

Ataque de Trump à Venezuela

O mais recente caso é que, dias antes da prisão de Nicolás Maduro em janeiro de 2026, uma conta recém-criada na plataforma Polymarket apostou US$ 30 mil em sua queda e lucrou mais de US$ 400 mil. Em outro episódio, apostas sobre a duração de uma coletiva da Casa Branca renderam ganhos de até 50x, após uma aposta feita segundos antes do encerramento. Todo esse movimento tem levantado cada vez mais suspeitas sobre as plataformas de apostas e mercado de previsões.

Como o investidor pode se proteger do risco de assimetria?

Você não controla o que terceiros fazem, mas controla como investe. Para reduzir ruído e vulnerabilidade:

  • desconfie de “dicas quentes” e promessas de retorno rápido;

  • priorize empresas com governança e transparência consistentes;

  • evite operar por impulso em boatos e movimentos abruptos;

  • diversifique para não depender de um único evento;

  • use estratégia, processo e acompanhamento, e não “oportunidades mágicas”.

E aqui vale a mensagem final: insider trading é crime e prejudica a lógica mais básica do mercado: igualdade de acesso à informação. Por isso, investir bem é construir método, não depender de atalhos.

Quer montar uma estratégia sólida, diversificada e alinhada aos seus objetivos, sem ruído e sem depender de “dicas”? Fale com a Renova Invest e converse com nossos assessores para estruturar sua carteira com visão de longo prazo e acompanhamento próximo.

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