A estreia de empresas na bolsa de valores pode trazer novas oportunidades para os investidores. Porém, para participar de um IPO — como é conhecido o processo — é preciso passar por uma fase de reserva e, possivelmente, de rateio.

Essa divisão de ações define quantos papéis você poderá adquirir e, portanto, interfere nos resultados que podem ser obtidos. Logo, vale a pena entender o procedimento para se preparar para ele.

Neste artigo, você conhecerá como acontece o rateio em um IPO e quais são seus impactos nessa oferta. Vamos lá?

O que é o IPO?

Sigla para initial public offering ou oferta pública inicial, o IPO representa o processo de abertura do capital de uma empresa. Ele marca o início das negociações das ações de uma companhia na bolsa de valores.

Para ser realizado, a companhia precisa cumprir diversas etapas, como a realização de auditorias e a apresentação de documentações, balancetes e relatórios de resultados. Além disso, a empresa deve fazer uma divulgação pública para todo o mercado a respeito da futura abertura de capital.

A partir desse momento, os investidores interessados passam pelo período de reserva de ações, quando definem junto ao banco de investimentos quantos papéis desejam adquirir no IPO.

Na sequência, há a etapa de bookbuilding. Ela prevê a formação do preço, na qual os interessados demonstram quanto estão dispostos a pagar pelos papéis. Quem tiver um preço menor que a média é excluído do processo de IPO.

Outra etapa essencial é o rateio de IPO, que serve para definir quantas ações cada um receberá. Você entenderá mais sobre o processo na sequência!

O que é o rateio no IPO?

Como você viu até aqui, a oferta pública inicial traz novas oportunidades de investimento no mercado de ações. Com isso, é preciso considerar a relação de oferta e demanda e como ela pode interferir nos resultados.

Se uma empresa que está prestes a abrir seu capital for vista como um investimento atraente, a tendência é que mais investidores realizem a reserva de ações. Quanto maior for a demanda, maior é o volume de ativos reservados.

Porém, o número de ações disponíveis é limitado. Logo, quando a disponibilidade é menor que o número reservado, é preciso fazer o rateio de IPO. Ele corresponde a uma divisão das ações entre os que manifestaram interesse.

Desse modo, a reserva não garante a obtenção da quantidade desejada de ações. Em ofertas muito procuradas, é comum que os investidores tenham que adquirir uma quantidade menor de papéis.

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Como funciona o rateio em IPO?

O rateio em uma oferta inicial de ações funciona com base na divisão do total de ações entre os que manifestaram interesse no investimento — normalmente, com base no que foi reservado.

Ele ocorre antes da efetiva estreia na bolsa de valores, então é possível saber antecipadamente a quantos papéis você terá direito, caso queira adquiri-los. O funcionamento específico, entretanto, depende do modelo utilizado.

Quais são os tipos de rateio?

Dependendo das condições do IPO e do que ficar definido para o processo, o rateio pode funcionar de três modos. A seguir, você entenderá como é cada um e descobrirá qual pode ser o mais vantajoso em cada situação!

Tradicional

No modelo tradicional, utiliza-se uma regra de proporção em relação ao volume de ações que foi reservado. Então cada investidor poderá comprar a porcentagem definida em relação à quantidade que reservou.

Pense em um IPO de R$ 200 milhões, mas que teve R$ 250 milhões de reserva. Significa que a disponibilidade é de 80%. Essa porcentagem será aplicada ao total da reserva, definindo quantos papéis podem ser comprados. Quem reservou 1000 ações, por exemplo, poderá comprar 800.

Linear

No método linear, o rateio é feito de modo igualitário e sucessivo. Ele prevê a distribuição de ações de acordo com a solicitação de cada investidor na reserva.

Conforme os valores são atingidos por quem reservou, esses investidores saem da compra e o restante das ações é distribuído entre os que restaram, até completar o total em circulação.

Nesse modelo, os pequenos investidores tendem a ser favorecidos. Isso porque é mais provável que consigam comprar exatamente a quantidade reservada. Já os investidores de maior porte tendem a conseguir apenas uma fração do que era desejado.

Ordem de chegada

Já o rateio por ordem de chegada prevê um horário específico para que ocorra a reserva das ações. Cada investidor pode escolher a quantidade desejada, até que o total disponibilizado pela empresa seja reservado.

Portanto, os investidores que chegarem primeiro garantem a reserva, independentemente do tamanho. No momento de estreia na bolsa, eles podem comprar as ações dentro do limite escolhido.

Quais são as consequências desse processo?

A ocorrência do rateio de IPO faz com que nem sempre seja possível participar de um IPO no nível desejado. Dependendo do nível de interesse dos outros investidores na bolsa, você poderá comprar uma quantidade menor que o esperado, o que reduz sua participação nos resultados.

Ao mesmo tempo, os tipos de rateio (exceto o de ordem de chegada) visam a garantir o acesso às ofertas públicas entre os investidores. No rateio linear e tradicional, mesmo que você não consiga todo o lote desejado, ainda há a possibilidade de investir na abertura de capital.

Portanto, ao traçar a estratégia de investimentos nesse mercado é preciso considerar o impacto da divisão de ações. Contudo, não há como saber — com precisão e de modo antecipado — qual será o valor total reservado por outros investidores.

Logo, o ideal é entender que existe a chance de comprar menos papéis que o esperado no momento de estreia. Ao alinhar as expectativas, você poderá participar do IPO de forma mais consciente e estratégica.

Conforme você acompanhou, o rateio em um IPO ocorre quando a demanda é maior que a oferta de ações. Essa divisão pode ser feita de três formas e você deve considerá-la no momento de reservar os papéis na bolsa de valores.

Gostou desse conteúdo? Aprofunde seus conhecimentos e entenda como funciona um IPO!