Carteira de Ações BTG Pactual 10SIM: Recomendadas em 2026 [Setembro 2026]

A Carteira Recomendada de Ações 10SIM do BTG Pactual reúne uma seleção das melhores oportunidades da Bolsa, feita por analistas certificados.
Carteira 10 SIM

Onde investir na Bolsa este mês? A Carteira Recomendada de Ações 10SIM, do BTG Pactual, é uma das principais referências do mercado brasileiro para responder a essa pergunta. Trata-se de uma curadoria mensal feita pelo time de estrategistas do Research, com cerca de 10 ações selecionadas a partir de uma análise conjunta com analistas setoriais — sem necessariamente seguir índices de referência ou critérios de liquidez.

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Em setembro de 2026, a 10SIM se posiciona para um segundo turno que ficou indefinido. Depois de um agosto em que os estrangeiros retiraram R$ 18,5 bilhões da Bolsa — a maior saída mensal desde agosto de 2022, também véspera de eleição —, o BTG reforça a fatia de fluxo de caixa de long duration: entram a Sabesp, no lugar da Copasa, e a Rede D’Or, no lugar da Totvs. Para abrir espaço, o peso do Itaú cai de 15% para 10% e o da Cury, de 10% para 5%. A carteira fica com metade em serviços básicos, infraestrutura e long duration, e 35% em posições que protegem contra a deterioração fiscal.

Resumo rápido: Em setembro de 2026, a Carteira Recomendada de Ações 10SIM do BTG Pactual fez quatro alterações. Saíram Copasa (CSMG3) e Totvs (TOTS3); entraram Sabesp (SBSP3, 10%) e Rede D’Or (RDOR3, 10%); o peso do Itaú (ITUB4) caiu de 15% para 10%, e o da Cury (CURY3), de 10% para 5%. Com isso, a carteira passa a ter 50% em serviços básicos, infraestrutura e ações de fluxo de caixa de long duration, 20% em posições de câmbio (Embraer e Gerdau), 15% em petróleo/câmbio/dividendos (Petrobras), 10% em financeiro (Itaú) e 5% em construtoras de baixa renda (Cury). Em agosto, a 10SIM subiu +1,8%, superando o Ibovespa (-0,3%) e o IBrX-50 (-0,1%).

Neste artigo

  • Objetivo da Carteira Recomendada de Ações 10SIM
  • Confira a Carteira 10SIM | Setembro 2026
  • Múltiplos das principais posições
  • Principais mudanças na carteira em setembro
  • Visão do BTG: equilibrada entre juros de longo prazo e câmbio
  • Valuations atrativos e a saída dos estrangeiros em agosto
  • Resumo das teses de setembro
  • Desempenho da 10SIM em agosto
  • Eleições no Brasil: avanço de Augusto Cury torna o segundo turno inevitável
  • Mais carteiras recomendadas para você explorar
  • Informações importantes

Objetivo da Carteira Recomendada de Ações 10SIM

A 10SIM tem como objetivo capturar as melhores oportunidades e performances do mercado de ações brasileiro, sugerindo cerca de 10 ativos a cada mês. A construção é feita pelo time de estrategistas do Research do BTG Pactual, com base em análise conjunta com analistas setoriais, sem necessariamente considerar índices de referência ou liquidez como filtros prévios.

Confira a Carteira 10SIM | Setembro 2026

Empresa Ticker Peso
Petrobras PETR4 15%
Itaú Unibanco ITUB4 10%
Axia Energia AXIA3 10%
Sabesp SBSP3 10%
Rede D’Or RDOR3 10%
Embraer EMBJ3 10%
Eneva ENEV3 10%
Gerdau GGBR4 10%
Motiva MOTV3 10%
Cury CURY3 5%

Fonte: Economática e BTG Pactual.

Múltiplos das principais posições

Em termos de valuation, o portfólio de setembro combina commodities, um banco e um bloco grande de ativos regulados a múltiplos majoritariamente descontados. A Petrobras segue como a posição mais barata da carteira, a 4,5x P/L 2026 (5,8x 2027) e 2,5x EV/EBITDA, com upside estimado de 14%. A Gerdau vem logo atrás, a 8,4x P/L 2026 (7,7x 2027) e 3,9x EV/EBITDA, negociando abaixo do valor patrimonial (0,9x P/VPA). O Itaú, com peso reduzido, sai a 8,5x P/L 2026 (7,6x 2027) e 2,1x P/VPA, com o maior upside entre as large caps da seleção: 37%.

Entre as posições novas, a Rede D’Or entra a 15,4x P/L 2026 (12,9x 2027) e 7,0x EV/EBITDA, com o maior upside de toda a carteira — 65% — enquanto a Sabesp sai a 19,0x P/L 2026 (13,6x 2027) e 8,8x EV/EBITDA, com TIR real estimada de 10,5%. A Axia negocia a 16,2x P/L 2026, caindo para 10,2x em 2027 conforme a geração de caixa amadurece, e a Motiva a 12,1x P/L 2026 com TIR real de 12%. A Cury segue como um dos nomes mais baratos (8,0x P/L 2026 e 6,0x para 2027), e a Eneva mantém o P/L distorcido pela base de lucro contábil baixa (80,4x em 2026, 75,6x em 2027) — o múltiplo relevante ali é o EV/EBITDA de 12,5x, num momento em que a companhia migra de exposição a preços spot para um perfil de fluxo de caixa contratado.

Principais mudanças na carteira em setembro

O BTG realizou quatro alterações em setembro, mantendo a estratégia de equilibrar exposição a juros de longo prazo e a câmbio diante de uma eleição que segue indefinida:

  • Saída: Copasa (CSMG3, -5%)
  • Saída: Totvs (TOTS3, -5%)
  • Entrada: Sabesp (SBSP3) com peso de 10%
  • Entrada: Rede D’Or (RDOR3) com peso de 10%
  • Redução: Itaú Unibanco (ITUB4) de 15% para 10%
  • Redução: Cury (CURY3) de 10% para 5%

A leitura por trás das mudanças: nas duas trocas, o BTG manteve o setor e melhorou o ativo. No saneamento, a Sabesp entra no lugar da Copasa porque, negociando a uma TIR real de 10,5%, oferece uma relação risco-retorno que o banco considera mais atrativa. Na segunda troca, a Rede D’Or substitui a Totvs — que teve desempenho muito bom desde que entrou na 10SIM alguns meses atrás. A rede hospitalar é descrita como uma ação de alta qualidade e fluxo de caixa de long duration, com alavancagem controlada (dívida líquida/EBITDA de 1,8x) e negociando a 13x P/L 2027 contra uma média histórica de 18x.

Com a nova composição, a 10SIM passa a ter 50% em serviços básicos, infraestrutura e ações de fluxo de caixa de long duration (Axia, Eneva, Sabesp, Motiva e Rede D’Or), 20% em posições de câmbio (Embraer e Gerdau), 15% em petróleo/câmbio/dividendos (Petrobras), 10% em financeiro (Itaú) e 5% em dividendos e construtoras de baixa renda (Cury).

Visão do BTG: equilibrada entre juros de longo prazo e câmbio

A tese central do mês é uma assimetria: para o BTG, os juros de longo prazo e as ações já precificam uma quantidade considerável de risco fiscal, enquanto o real não. Daí a estratégia de manter exposição às duas classes de ativos que devem reagir com mais força em qualquer um dos cenários. Se o ajuste fiscal se concretizar, os juros longos devem cair e as ações de fluxo de caixa de long duration performam bem. Se a situação fiscal continuar se deteriorando, o real deve se enfraquecer ainda mais — e é aí que entram as posições de câmbio.

Na prática, a carteira está montada nas duas pontas: em um cenário de melhora das contas fiscais e juros de longo prazo mais baixos, a fatia exposta a serviços básicos, infraestrutura, financeiro e construtoras — 65% do 10SIM — deve performar bem. Se as coisas caminharem na direção oposta, as posições de câmbio somadas à Petrobras, 35% da carteira, devem oferecer alguma proteção.

Os juros reais de longo prazo recuaram 17 pontos-base em agosto e encerraram o mês em 7,7%. Embora um pouco menores do que no mês anterior, seguem precificando um grande risco político e fiscal. Na visão do banco, o mercado está precificando a reeleição do presidente Lula e a expectativa de que, em um quarto mandato, ele não fará muito para enfrentar os desequilíbrios fiscais do país. O BTG argumenta que, com desemprego em níveis reduzidos e capacidade ociosa limitada na indústria, o aumento dos gastos públicos pode produzir apenas inflação, não crescimento — e, se a inflação for pressionada, o Banco Central não conseguirá reduzir os juros. Com a população de baixa renda altamente alavancada, juros mais altos por mais tempo poderiam desencadear uma crise de crédito mais generalizada.

Valuations atrativos e a saída dos estrangeiros em agosto

As ações brasileiras seguem em níveis que o BTG considera atrativos. Excluindo Petrobras e Vale, o Ibovespa negocia a 9,7x P/L projetado para os próximos 12 meses — um desvio-padrão abaixo do nível histórico — e a 8,2x quando as duas são incluídas.

O fluxo, porém, foi na direção oposta. Mesmo com o Ibovespa praticamente estável no mês, agosto registrou a maior saída mensal de 2026: os investidores estrangeiros retiraram R$ 18,5 bilhões em ações brasileiras, o que levou o acumulado do ano a R$ 18 bilhões de captação. Foi a maior saída mensal desde agosto de 2022 — também às vésperas de uma eleição. O movimento se concentrou na primeira parte do mês: até 20 de agosto os estrangeiros já tinham retirado R$ 23 bilhões, e nos últimos 10 dias voltaram a comprar cerca de R$ 5 bilhões.

Com isso, o Ibovespa encerrou agosto praticamente estável em reais (-0,3%), mas em queda de 2,3% em dólares — desempenho consideravelmente inferior ao da maioria dos pares latino-americanos e ao do S&P. No mesmo período, a Colômbia caiu 0,8%, o Chile subiu 2,3% e o S&P avançou 2,6%.

O contraste está no fluxo global: as alocações ao Brasil subiram em fundos Globais (+6 pontos-base), Globais ex-EUA (+6 pontos-base) e LatAm (+103 pontos-base). Os fundos de mercados emergentes captaram US$ 10,5 bilhões em agosto, levando o acumulado do ano a US$ 63,3 bilhões — o maior nível em mais de 25 anos —, e os fundos Globais acumulam US$ 271 bilhões em 2026, mais de 1,5x o registrado em 2025. Já os fundos de ações locais seguem em ambiente difícil: cerca de R$ 3 bilhões em resgates em agosto, com saída acumulada de R$ 11 bilhões no ano. Ainda assim, o quadro é bem melhor que o de 2025, quando as saídas já beiravam R$ 54 bilhões no mesmo ponto do ano.

Resumo das teses de setembro

Petrobras (PETR4) — 15% Maior posição da carteira. A tese combina desempenho operacional robusto — a produção acumulada do ano, de ~2,77 milhões de barris/dia, corre acima do guidance de 2,4 a 2,6 milhões — com forte capacidade de precificação, já que cerca de 70% da produção é usada como insumo em refinarias e a companhia captura o upside das margens de refino via crack spreads. O BTG estima que o breakeven de fluxo de caixa livre pode se aproximar de US$ 60/barril, ante US$ 67/barril em janeiro de 2026, permitindo reduzir a dívida bruta para perto da meta de US$ 65 bilhões. Com Brent a US$ 70/barril e crack spreads de ~US$ 30/barril, o banco projeta yield de fluxo de caixa ao acionista de ~11% e dividend yield de ~9% para 2027; com crack spreads de ~US$ 45/barril, esses números poderiam chegar a 15% e ~12%. Recomendação de COMPRA.

Itaú Unibanco (ITUB4) — 10% (peso reduzido) As ações caíram cerca de 10% em dólar em agosto, em meio ao aumento dos resgates de estrangeiros conforme a incerteza eleitoral subiu. A visão do BTG segue inalterada: o cenário macro continua desafiador, com juros mais altos por mais tempo e preocupações com um ciclo de crédito potencialmente mais difícil em 2027, mas o Itaú permanece a tese de qualidade do setor e o banco large-cap preferido do banco, sustentado por qualidade de ativos de primeira linha e gestão de risco proativa. O posicionamento mais conservador resultou em crescimento de receita mais fraco no curto prazo, o que o BTG lê como preparação prudente. Negociado a 7,6x P/L 2027.

Axia Energia (AXIA3) — 10% Segue como um dos nomes preferidos do BTG para o ambiente atual. A visão otimista para os preços de energia é particularmente positiva para a companhia, dada a quantidade substancial de energia disponível para venda — preços mais altos se traduzem diretamente em geração de caixa mais forte. Com a alavancagem devendo permanecer abaixo de 3x neste ano e cair para 2,1x em 2027, a Axia deve seguir como forte pagadora de dividendos, encurtando a duration da tese. O banco estima dividend yield médio de 10% em 2027-2029 e TIR real de 13,0%.

Sabesp (SBSP3) — 10% (nova posição) Entra no lugar da Copasa. Os resultados recentes foram impactados por maiores despesas de marketing e de call center, e a ação caiu cerca de 15% depois que a administração indicou que essas pressões de custo devem persistir ao longo de 2026 — embora 2027 deva refletir melhor a realidade sustentável da companhia. Para o BTG, a Sabesp continua sendo uma tese de crescimento atrativa e de long duration, sustentada pelo crescimento contratado de EBITDA e lucros, por dividendos crescentes, pela natureza de monopólio natural do negócio e por ganhos de eficiência adicionais após a privatização. É uma das principais escolhas do banco para os próximos 6 a 12 meses, negociando a uma TIR de 10,5%.

Rede D’Or (RDOR3) — 10% (nova posição) Entra no lugar da Totvs. A tese combina forte rentabilidade, catalisadores de crescimento sólidos e valuation descontado: após a queda recente das ações locais, o papel passou por uma compressão de múltiplos relevante e negocia próximo às mínimas históricas, a ~13x P/L 2027 — um desconto de 30% frente aos níveis históricos —, enquanto o momentum de resultados segue forte. Os resultados do 2T trouxeram surpresa positiva, o que o BTG considera comprovação da qualidade do ativo e da resiliência do modelo de negócios. A companhia segue bem-posicionada para consolidar hospitais, seguros e oncologia, e o banco não vê disrupção do modelo nem ameaças competitivas relevantes no radar. Alavancagem em 1,8x dívida líquida/EBITDA.

Embraer (EMBJ3) — 10% Depois do movimentado Farnborough Airshow em julho, reforçado por mais de 60 pedidos de E2 e por uma onda de anúncios de pedidos de KC-390 (da Colômbia e da Grécia, por exemplo), a companhia reportou um forte 2T — com destaque para margens mais fortes do que o esperado, mesmo excluindo o crédito fiscal de US$ 60 milhões líquidos. O BTG espera que o momentum de resultados permaneça forte a partir do segundo semestre de 2026, sustentado por uma cadeia de suprimentos em melhora e por maior eficiência operacional, em um período sazonalmente mais forte para o setor. Negociada a 11x EV/EBITDA 2027, valuation que o banco considera justo dados os fundamentos de longo prazo.

Eneva (ENEV3) — 10% O sucesso no Leilão de Capacidade de março superou as expectativas e levou o BTG a elevar o preço-alvo de R$ 20 para R$ 31. Com os contratos de longo prazo garantidos, a tese migra de exposição a períodos de preços spot elevados para um perfil de fluxo de caixa mais estável, com um trade-off entre “crescimento vs. dividendos” surgindo a partir de 2029. O banco estima TIR de 10,8%, incluindo os resultados do leilão, e vê diversas opcionalidades pela frente.

Gerdau (GGBR4) — 10% A tese se apoia em três pilares. Primeiro, cerca de 75% do EBITDA está exposto aos EUA, onde as margens devem permanecer acima de 20% por mais tempo — os americanos mantêm postura restritiva quanto a qualquer desescalada do USMCA ou de tarifas, enquanto preços do aço sequencialmente mais altos, custos de sucata estáveis e demanda resiliente, particularmente de data centers, sustentam spreads de metal atrativos. Segundo, no Brasil o pior parece ter ficado para trás: as margens provavelmente já atingiram o fundo e as medidas antidumping iniciais, ainda limitadas, são um primeiro passo rumo a um ambiente competitivo mais equilibrado. Terceiro, a companhia oferece proteção cambial relevante, já que ~75% do EBITDA é dolarizado. Negocia a 3,6x EV/EBITDA 2027, com retorno total ao acionista estimado em ~10% nos próximos 12 meses via dividendos e recompras.

Motiva (MOTV3) — 10% Para o BTG, representa a ação defensiva da carteira. Os resultados seguem resilientes, sustentados pela demanda contínua, por contratos protegidos contra a inflação e pela continuidade da agenda de eficiência. O fechamento da venda dos aeroportos é esperado para este ano, fortalecendo o balanço e financiando a agenda de investimentos em rodovias, e o banco vê um pipeline brownfield relevante de R$ 20 bilhões ou mais nos próximos meses — majoritariamente aditivos contratuais em rodovias. A recente saída da Mover do bloco de controle remove um desafio histórico de governança. Negociada a uma TIR real de 12%.

Cury (CURY3) — 5% (peso reduzido) Mantida na carteira, sustentada pelo forte momentum do programa MCMV, reforçado por mudanças recentes nas condições do programa — preços-teto dos imóveis, elegibilidade de renda entre as faixas e taxas de juros —, que possibilitaram ganhos de acessibilidade em todas as faixas e um mercado endereçável maior para habitação de baixa renda. A execução segue impecável, com velocidade de vendas sólida, margens altas e retornos altos, e o BTG projeta crescimento de ~20% no lucro por ação no próximo ano, além de forte geração de fluxo de caixa livre e dividend yield de 11% para 2027. Negociada a 8x P/L 2026 (6x para 2027).

Desempenho da 10SIM em agosto

Em agosto, a carteira 10SIM teve alta de +1,8%, superando o Ibovespa (-0,3%) e o IBrX-50 (-0,1%) em um mês de forte saída de capital estrangeiro.

No acumulado do ano, desde 31 de dezembro de 2025, a 10SIM sobe 8,9%, contra 10,1% do Ibovespa e 11,3% do IBX-50. O CDI acumula +9,3% no mesmo período.

Desde outubro de 2009, quando Carlos E. Sequeira assumiu a gestão, a 10SIM acumula valorização de 622,2%, contra 188,4% do Ibovespa e 246,2% do IBX-50 — desempenho acumulado de mais de 3x o índice no período. Vale lembrar que rentabilidade passada não representa garantia de resultados futuros.

Eleições no Brasil: avanço de Augusto Cury torna o segundo turno inevitável

Três pesquisas divulgadas nos últimos dias de agosto mudaram a leitura da corrida presidencial. A primeira mudança é o desempenho surpreendentemente forte do escritor Augusto Cury no primeiro turno — sem qualquer relação com a construtora Cury (CURY3), que integra a carteira. A segunda é um segundo turno entre o presidente Lula e o senador Flávio Bolsonaro que se tornou indefinido.

Na onda de 31 de agosto da BTG/Nexus, Lula aparece com 39% das intenções no primeiro turno, contra 33% de Flávio Bolsonaro — diferença de 6 pontos percentuais. O destaque é Augusto Cury, com 11%, bem à frente do governador Ronaldo Caiado (5%), de Renan Santos (3%) e do governador Romeu Zema (1%); brancos, nulos e indecisos somam 6%. A AtlasIntel/Bloomberg aponta na mesma direção, com Cury em 7,8%, enquanto a PoderData/Aya ainda o coloca em 4%. Ainda amplamente desconhecido e estreante sem experiência política, Cury apareceu na propaganda eleitoral na TV, em debates e em uma entrevista no principal telejornal do país — o que pode explicar a melhora. Com essa disputa em terceiro lugar, a possibilidade de a eleição ser decidida no primeiro turno está praticamente eliminada.

No segundo turno, a diferença entre Lula e Flávio Bolsonaro praticamente desapareceu: 46% a 45% na BTG/Nexus, um ponto percentual, sem alteração frente à leitura de 24 de agosto. Contra os demais adversários potenciais, Lula lidera Zema por 5 pontos (46% a 41%), Caiado por 1 ponto (45% a 44%) e Renan Santos por 9 pontos (47% a 38%).

Entre as demais pesquisas, a PoderData/Aya (27 de agosto) traz a leitura mais disputada: Lula com 38% contra 35% de Bolsonaro no primeiro turno, e 45% a 44% no segundo. A AtlasIntel/Bloomberg ainda mostra vantagem mais ampla de Lula no primeiro turno (43,4% a 33,7%, ou 9,7 pontos, pouco alterada frente aos 9,1 pontos do fim de julho), mas também registrou aproximação no segundo: 47,1% a 42,6% (4,5 pontos), ante 6,3 pontos na onda anterior.

Na média móvel de 30 dias do BTG, Lula lidera o primeiro turno com 40,3% contra 33,7% de Flávio Bolsonaro — 6,6 pontos de vantagem. Em relação a 30 dias antes, Lula caiu 1,2 ponto e Bolsonaro subiu 0,3 ponto. Entre os demais nomes, Augusto Cury entra na média com 7,6%, Caiado com 4,7%, Renan Santos com 4,1% e Zema com 2,6%; brancos, nulos e indecisos somam 9,3%. No segundo turno, a média móvel aponta uma corrida em fechamento: Lula com 46,2% contra 42,9% de Bolsonaro, diferença de 3,3 pontos, ante 4,6 pontos um mês antes. Na avaliação do BTG, não há favorito neste momento — a corrida está indefinida.

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Fonte: Banco Central · 03/09/2026

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