Carteira de Ações BTG Pactual 10SIM: Recomendadas em 2026

Carteira 10 SIM

Renova Invest · 1 de julho de 2026

Onde investir na Bolsa este mês? A Carteira Recomendada de Ações 10SIM, do BTG Pactual, é uma das principais referências do mercado brasileiro para responder a essa pergunta. Trata-se de uma curadoria mensal feita pelo time de estrategistas do Research, com cerca de 10 ações selecionadas a partir de uma análise conjunta com analistas setoriais — sem necessariamente seguir índices de referência ou critérios de liquidez.

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Em junho de 2026, a 10SIM passa por mudanças relevantes. Após uma queda forte do Ibovespa em maio (-7,2% em real e -8,6% em dólar) e saídas estrangeiras de R$ 14 bilhões somente no mês (R$ 27 bilhões desde meados de abril), o BTG aproveita a correção para adicionar nomes mais defensivos e de qualidade: Itaú volta com 15% no lugar do Nubank, e Equatorial entra no lugar da Allos. Petrobras e Localiza têm peso reduzido para acomodar as mudanças.

Resumo rápido: Em julho de 2026, a Carteira Recomendada de Ações 10SIM do BTG Pactual ficou marginalmente mais defensiva. Saíram Localiza (RENT3) e Equatorial (EQTL3); entraram Ambev (ABEV3, 10%) e Allos (ALOS3, 5%); e a Cury (CURY3) teve o peso dobrado de 5% para 10%. A carteira mantém 20% em serviços básicos, 15% em Itaú e conserva a Petrobras como hedge geopolítico. Em junho, a 10SIM subiu +1,8%, à frente do Ibovespa (-1,0%) e do IBrX-50 (-1,3%).

Objetivo da Carteira Recomendada de Ações 10SIM

A 10SIM tem como objetivo capturar as melhores oportunidades e performances do mercado de ações brasileiro, sugerindo cerca de 10 ativos a cada mês. A construção é feita pelo time de estrategistas do Research do BTG Pactual, com base em análise conjunta com analistas setoriais, sem necessariamente considerar índices de referência ou liquidez como filtros prévios.

Confira a Carteira 10SIM | Julho 2026

Empresa Ticker Peso
Itaú Unibanco ITUB4 15%
Petrobras PETR4 10%
Ambev ABEV3 10%
Axia Energia AXIA3 10%
Eneva ENEV3 10%
Embraer EMBJ3 10%
Motiva MOTV3 10%
Totvs TOTS3 10%
Cury CURY3 10%
Allos ALOS3 5%

Fonte: Economática e BTG Pactual.

Múltiplos das principais posições

Em termos de valuation, o portfólio de julho combina nomes defensivos e de qualidade a múltiplos majoritariamente descontados. A Petrobras negocia a apenas 4,3x P/L 2026 e 2,2x EV/EBITDA. O Itaú sai a 9,0x P/L 2026, com 2,2x P/VPA. A recém-incluída Ambev é negociada abaixo de ~16x P/L 2026, com dividend yield de 7,5%. Entre as utilities, a Axia sai a 16,2x P/L 2026 (7,5x EV/EBITDA) e a Eneva a 13,8x EV/EBITDA. A Cury segue como um dos nomes mais baratos da carteira (8,0x P/L 2026 e 6,0x para 2027), enquanto a Allos entra a 8x P/FFO 2026. A Totvs, penalizada pelos temores de disrupção por IA, negocia a ~15x P/L 2027 — patamar historicamente associado a fundo de ciclo.

Principais mudanças na carteira em julho

O BTG realizou quatro alterações em julho, com o objetivo de tornar a carteira um pouco mais defensiva diante de um cenário mais incerto e sem catalisadores claros de curto prazo:

  • Saída: Localiza (RENT3, -10%)
  • Saída: Equatorial (EQTL3, -10%)
  • Entrada: Ambev (ABEV3) com peso de 10%
  • Entrada: Allos (ALOS3) com peso de 5%
  • Aumento: Cury (CURY3) de 5% para 10%

A leitura por trás das mudanças é direta: o BTG reduz a exposição a ações de fluxo de caixa de maior duration — por isso Localiza e Equatorial saem —, mantendo 20% da carteira em serviços básicos (Eneva e Axia) e 10% em Motiva (negociada a uma TIR real de 13%). Entra a Ambev como posição defensiva, com balanço patrimonial sólido, negócio historicamente resiliente, forte geração de caixa e dividend yield de 7,5%. A Allos retorna à carteira com 5%, pela previsibilidade das receitas e proteção contra a inflação, e a Cury tem o peso elevado para 10%, reforçando a exposição a construtoras de baixa renda beneficiadas pelo MCMV.

Com a nova composição, a 10SIM mantém 20% em serviços básicos (Eneva + Axia), 15% em bancos (apenas Itaú) e passa a ter 10% em Alimentos & Bebidas (Ambev). A Petrobras é mantida por mais um mês como hedge, caso as tensões geopolíticas no Oriente Médio voltem a se intensificar.

Visão do BTG: reduzindo marginalmente o risco

As ações brasileiras perderam espaço junto aos investidores estrangeiros. Com a inflação acima da meta — projeções de 5,33% para 2026 e 4,15% para 2027 —, o Banco Central tem pouco espaço para cortar os juros. A pesquisa Focus aponta para um corte final de 25 bps na próxima reunião, com a Selic encerrando o ano entre 14% e 14,25%. O fato de os juros de curto prazo poderem subir também nos EUA limita ainda mais a capacidade de afrouxamento local.

Ao mesmo tempo, a expansão dos gastos do governo às vésperas das eleições de outubro (mais de R$ 200 bilhões injetados na economia em 2026, entre medidas fiscais e parafiscais) pressiona as taxas reais de longo prazo, que encerraram junho em 7,9% (+36 bps no mês, +56 bps no ano). Esse cenário mudou o sentimento dos estrangeiros: depois de injetarem R$ 69 bilhões até meados de abril, eles venderam cerca de R$ 36 bilhões de lá até o fim de junho (aproximadamente R$ 8,8 bilhões só em junho). A alocação dos fundos de mercados emergentes ao Brasil caiu para 5,76% no fim de maio — o menor nível desde o fim de 2024.

Valuations atrativos, mas o prêmio de risco encolheu

Após o desempenho fraco dos últimos meses, as ações brasileiras voltaram a negociar em níveis considerados atrativos pelo BTG. Excluindo Petrobras e Vale, o Ibovespa está a 9,7x P/L projetado para os próximos 12 meses — um desvio-padrão abaixo da média histórica — e a 8,0x quando as duas são incluídas. A diferença de valuation em relação a pares de mercados emergentes também vem aumentando.

O contraponto está nos juros: comparado às taxas reais de longo prazo (7,9%), o desconto fica menos evidente. O prêmio para investir em ações encerrou junho em 2,4%, abaixo da média histórica de 3,2%. Para o BTG, oferecer prêmio sobre taxas reais tão elevadas já é notável, mas a ausência de catalisadores de curto prazo justifica a postura mais cautelosa da carteira neste mês.

Resumo das teses de julho

Itaú Unibanco (ITUB4) — 15%

Maior posição da carteira. As ações subiram cerca de 6% em junho (contra queda de 1% do Ibovespa), sustentadas pelo perfil mais defensivo do banco. A qualidade dos ativos permanece sólida e a redução proativa de risco vem sendo executada há trimestres. Preferência do BTG entre os grandes bancos, negociada a 9,0x P/L 2026.

Petrobras (PETR4) — 10%

Mantida por mais um mês, como hedge caso a situação no Oriente Médio volte a se deteriorar. Mesmo com o Brent a US$ 70/bbl, o BTG estima dividend yield de ~11% para 2026 e 2027, com resultados trimestrais fortes e exposição cambial atrativa. Negociada a 4,3x P/L 2026.

Ambev (ABEV3) — 10%

Volta à carteira após um longo período, adicionando defensividade: balanço sólido (caixa líquido próximo a 0,5x EBITDA), alta liquidez, negócio resiliente e dividend yield de 7,5%. Pela primeira vez em mais de uma década, o BTG vê os fatores micro favoráveis, com a companhia recuperando capacidade de repasse de preços. Negociada abaixo de ~16x P/L 2026.

Axia Energia (AXIA3) — 10%

Principal beneficiária de preços de energia mais altos e maior volatilidade. Após pagamentos adicionais de R$ 4 bi (2024) e R$ 4,3 bi (3T), pode se tornar forte pagadora de dividendos nos próximos 5,5 anos. TIR real estimada de 11,2%.

Eneva (ENEV3) — 10%

O sucesso no Leilão de Capacidade de março levou o BTG a elevar o preço-alvo de R$ 20 para R$ 31. Contratos de longo prazo agora garantidos mudam o perfil da empresa de exposição a spot para fluxo de caixa mais estável. TIR real estimada de 10,1%.

Embraer (EMBJ3) — 10%

Desempenho fraco no ano por preocupações com pedidos e resultado do 1T abaixo do esperado, mas o BTG vê demanda resiliente — Finnair (até 46 E2) e Emirados Árabes (até 20 KCs) encomendaram após o início do conflito. Backlog de US$ 32 bilhões e potencial de anúncios antes do Farnborough Airshow, em julho. Negociada a 11x EV/EBITDA 2026.

Motiva (MOTV3) — 10%

2025 marcou racionalização de portfólio (saída de Barcas e Aeroportos) e melhoria nas concessões remanescentes (MSVia). Pipeline robusto de leilões e reciclagem de capital pela frente. TIR real de 13% e duration de ~15 anos. Nome preferido do BTG em rodovias pedagiadas.

Totvs (TOTS3) — 10%

As ações caíram cerca de 39% desde o pico de janeiro, pressionadas pelos temores de disrupção por IA (o chamado “SaaSpocalypse”). Negocia a ~15x P/L 2027, valuation historicamente associado a fundo de ciclo. Resultados do 1T sólidos, com ~R$ 250 milhões em adições líquidas orgânicas de ARR e expansão de margem EBITDA.

Cury (CURY3) — 10%

Peso elevado de 5% para 10%. Tese sustentada pelo forte momento do MCMV, com mudanças recentes no programa ampliando a acessibilidade e o mercado endereçável. Execução impecável (velocidade de vendas, margens e retornos altos). O BTG projeta crescimento de ~35% no lucro por ação em 2026 e dividend yield estimado de 8%. Negociada a 8x P/L 2026 (6x para 2027).

Allos (ALOS3) — 5%

Retorna à carteira trazendo defensividade, dada a previsibilidade de receitas e a geração de fluxo de caixa livre das operadoras de shoppings. A companhia anunciou guidance de distribuição de dividendos para 2026 implicando yield de ~12% [verificar: 12% vs. 13% — divergência na fonte], com TIR real de 13%. Negociada a 8x P/FFO 2026.

Desempenho da 10SIM em junho

Em junho, a carteira 10SIM teve alta de +1,8%, superando o Ibovespa (-1,0%) e o IBrX-50 (-1,3%). Os destaques positivos foram Embraer (+11,9%) e Cury (+10,5%), enquanto Totvs (-12,7%) e Petrobras (-8,5%) pressionaram o resultado.

No acumulado do ano, desde 31 de dezembro de 2025, a 10SIM sobe 5,8%, contra 6,8% do Ibovespa e 7,4% do IBX-50. O CDI acumula +6,8% no mesmo período.

Desde outubro de 2009, quando Carlos E. Sequeira assumiu a gestão, a 10SIM acumula valorização de 601,7%, contra 179,6% do Ibovespa e 234,2% do IBX-50 — desempenho acumulado de cerca de 3x o índice no período. Vale lembrar que rentabilidade passada não representa garantia de resultados futuros.

Eleições no Brasil: Lula na liderança, Bolsonaro estabiliza

As pesquisas mais recentes mostram o presidente Lula na liderança e a estabilização das intenções de voto do senador Flávio Bolsonaro, após semanas de leituras mais fracas. Na pesquisa BTG/Nexus, no primeiro turno Lula tem 42% e Bolsonaro 34% (diferença de 8 p.p.); no segundo turno, Lula aparece com 47% contra 44% de Bolsonaro — empate técnico dentro da margem de erro. A Datafolha de 20 de junho aponta na mesma direção: 41% x 31% no primeiro turno e 47% x 43% no segundo.

Na média móvel de 30 dias do BTG, Lula lidera o primeiro turno com 40,8% contra 31,5% de Bolsonaro, e o segundo turno com 47,1% contra 41,1%. Para parte dos investidores, uma eventual reeleição pode significar menor compromisso com a disciplina fiscal e juros de longo prazo elevados por mais tempo.

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Este relatório foi elaborado pelo Banco BTG Pactual S.A. Rentabilidade passada não representa garantia de resultados futuros.

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