Onde investir na Bolsa este mês? A Carteira Recomendada de Ações 10SIM, do BTG Pactual, é uma das principais referências do mercado brasileiro para responder a essa pergunta. Trata-se de uma curadoria mensal feita pelo time de estrategistas do Research, com cerca de 10 ações selecionadas a partir de uma análise conjunta com analistas setoriais — sem necessariamente seguir índices de referência ou critérios de liquidez.
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Em novembro de 2026, depois da vitória do presidente Lula no segundo turno, o BTG reduz o risco da 10SIM: Itaú, Cury e Axia deixam a carteira e dão lugar a Caixa Seguridade, Ultrapar e TIM.
Depois de um outubro em que o Ibovespa caiu 9,9% e a carteira recuou 6,5%, o banco mantém a exposição a câmbio inalterada em 35% (Petrobras, Gerdau e Embraer) e passa a priorizar nomes de alta qualidade, baixa alavancagem e baratos, trocando banco e construtora por pagadoras consistentes de dividendos.
Resumo rápido: Em novembro de 2026, a Carteira Recomendada de Ações 10SIM do BTG Pactual teve três entradas (Caixa Seguridade, Ultrapar e TIM) e três saídas (Itaú, Cury e Axia).
A carteira passa a ter 35% em posições de câmbio (Petrobras, Gerdau e Embraer), 40% em serviços básicos, concessões e ações de fluxo de caixa de long duration (Sabesp, Eneva, Motiva e Rede D’Or) e 25% nas novas pagadoras de dividendos (Caixa Seguridade e Ultrapar, com 10% cada, e TIM, com 5%).
Em outubro, a 10SIM caiu 6,5%, superando o Ibovespa (queda de 9,9%) e o IBrX-50 (queda de 9,3%).
Neste artigo
- Objetivo da Carteira Recomendada de Ações 10SIM
- Confira a Carteira 10SIM | Novembro 2026
- Múltiplos das principais posições
- Principais mudanças na carteira em novembro
- Visão do BTG: menos risco e um cenário macro mais difícil depois da eleição
- Valuations: Ibovespa a 7,3x P/L depois da forte queda de outubro
- Resumo das teses de novembro
- Desempenho da 10SIM em outubro
- Eleições no Brasil: Lula vence e o mercado espera sinais de disciplina fiscal
- Mais carteiras recomendadas para você explorar
- Informações importantes
Objetivo da Carteira Recomendada de Ações 10SIM
A 10SIM tem como objetivo capturar as melhores oportunidades e performances do mercado de ações brasileiro, sugerindo cerca de 10 ativos a cada mês. A construção é feita pelo time de estrategistas do Research do BTG Pactual, com base em análise conjunta com analistas setoriais, sem necessariamente considerar índices de referência ou liquidez como filtros prévios.
Confira a Carteira 10SIM | Novembro 2026
| Empresa | Ticker | Peso |
|---|---|---|
| Petrobras | PETR4 | 15% |
| Sabesp | SBSP3 | 10% |
| Embraer | EMBJ3 | 10% |
| Rede D’Or | RDOR3 | 10% |
| Caixa Seguridade | CXSE3 | 10% |
| Eneva | ENEV3 | 10% |
| Gerdau | GGBR4 | 10% |
| TIM | TIMS3 | 5% |
| Ultrapar | UGPA3 | 10% |
| Motiva | MOTV3 | 10% |
Fonte: Economática e BTG Pactual.
Múltiplos das principais posições
Em termos de valuation, o portfólio de novembro combina exposição a câmbio, um bloco de ativos regulados e de long duration e as novas pagadoras de dividendos, a múltiplos majoritariamente descontados. A Petrobras segue como a posição mais barata da carteira, a 4,2x P/L 2026 (5,5x 2027) e 2,4x EV/EBITDA 2026, com upside estimado de 18%.
Entre as estreantes, a Ultrapar negocia a 7,4x P/L 2026 (8,8x 2027) e 4,0x EV/EBITDA 2026; a TIM, a 10,7x P/L 2026 (9,2x 2027) e 4,3x EV/EBITDA; e a Caixa Seguridade, a 13,8x P/L 2026 (12,6x 2027) e 5,1x P/VPA. Os upsides estimados são de 23%, 15% e 17%, respectivamente.
A Gerdau negocia a 4,1x EV/EBITDA 2026, com 8,8x P/L 2026 (8,0x 2027) e abaixo do valor patrimonial (0,9x P/VPA), mas tem o menor upside estimado da carteira, de 11%.
A Rede D’Or tem o maior upside estimado de toda a carteira — 83% —, negociando a 13,9x P/L 2026 (11,6x 2027) e 6,5x EV/EBITDA. A Sabesp sai a 18,5x P/L 2026 (13,3x 2027) e 8,7x EV/EBITDA, com upside de 42% e TIR real estimada de 10,7%, e a Motiva a 11,3x P/L 2026 (10,1x 2027), com upside de 43% e TIR real de 13%.
A Embraer negocia a 23,2x P/L 2026 (19,3x 2027) e 12,3x EV/EBITDA 2026, com upside de 38%. Para a Eneva, o BTG não informa P/L (n.a. na tabela) — o múltiplo relevante ali é o EV/EBITDA de 12,8x 2026 (11,8x 2027), com upside de 40%, num momento em que a companhia migra de exposição a preços spot para um perfil de fluxo de caixa contratado.
Principais mudanças na carteira em novembro
O BTG fez três trocas em novembro. Diante das perspectivas incertas depois da eleição presidencial, o banco decidiu reduzir o risco da carteira, mantendo a exposição a câmbio e trocando banco, construtora e geradora de energia por pagadoras de dividendos:
- Entradas: Caixa Seguridade (CXSE3), com 10%; Ultrapar (UGPA3), com 10%; e TIM (TIMS3), com 5%
- Saídas: Itaú Unibanco (ITUB4), Cury (CURY3) e Axia Energia (AXIA3)
- Pesos: Petrobras (PETR4) mantida com 15%, TIM (TIMS3) com 5% e as demais posições com 10% cada
O Itaú sai por causa da deterioração das condições de crédito e dá lugar à seguradora Caixa Seguridade, com dividend yield de 7% e crescimento esperado de lucro de 8% a 12%.
A Cury deixa a carteira mesmo com valuation atrativo (P/L de 6x) e dividend yield elevado (12%), porque o BTG acredita que a inflação de custos pode pressionar as margens nos próximos trimestres.
No lugar dela entra a Ultrapar, a 8,8x P/L 2027, já considerando margens mais normalizadas ao longo de 2027 (R$ 225/m³, ante R$ 350/m³ atualmente). Margens elevadas no segundo semestre de 2026 e volumes crescentes devem levar a uma forte geração de caixa e, possivelmente, a dividendos extraordinários — talvez 6% além dos 6% ordinários esperados.
Já a geradora de energia Axia dá lugar à operadora de telecomunicações TIM, outra forte pagadora de dividendos: o BTG espera que a companhia retorne aos acionistas, via dividendos, o equivalente a 9% do seu valor de mercado até abril de 2027, ou seja, em menos de 6 meses.
Com as trocas, a 10SIM fica com 25% em petróleo e gás (Petrobras e Ultrapar), 20% em serviços básicos (Sabesp e Eneva), 10% em cada um destes setores — bens de capital (Embraer), saúde (Rede D’Or), financeiro (Caixa Seguridade), mineração e siderurgia (Gerdau) e transportes (Motiva) — e 5% em tecnologia e telecom (TIM).
Visão do BTG: menos risco e um cenário macro mais difícil depois da eleição
Diante das perspectivas incertas, e enquanto aguarda o novo ministério do presidente Lula e alguma direção sobre a política econômica dos próximos quatro anos — e sobre a política fiscal, mais especificamente —, o BTG decidiu reduzir o risco da 10SIM.
A exposição a câmbio fica inalterada em 35%, com os mesmos nomes do mês passado: Petrobras (15%), Gerdau (10%) e Embraer (10%). Em vez de elevar ainda mais essa exposição, o banco preferiu adicionar empresas de boa qualidade, com baixa alavancagem e negócios defensivos, enquanto reduziu a exposição ao setor financeiro e a construtoras.
Uma parcela relevante da carteira segue exposta a serviços básicos (Sabesp, com TIR real de 10,7%, e Eneva, com 12,9%), à concessionária Motiva (TIR real de 13%) e à Rede D’Or, ação de fluxo de caixa long duration (P/L de 12x).
O pano de fundo é um cenário macroeconômico mais difícil. A equipe de macro do BTG revisou a projeção de PIB do 3T26 para queda de 0,1% no trimestre (ante alta de 0,2%), a de 2026 para 1,7% (ante 1,8%) e a de 2027 para 0,6% (ante 1,1%). Os riscos seguem assimétricos para baixo, e o crédito continua sendo a principal preocupação para a atividade.
A inflação projetada subiu para 5,4% em 2026 (ante 5,3%) e para 5,9% em 2027 (ante 4,8%), refletindo a depreciação cambial e riscos adicionais de alta, como a reoneração dos tributos federais sobre a gasolina, um aumento de preços da Petrobras e o fim da escala 6×1.
Na política monetária, o banco agora espera que a Selic permaneça em 13,75% até o fim de 2027, ante uma queda para 12,5% projetada anteriormente. No lado fiscal, projeta déficits primários de 0,6% do PIB em 2026 e de 0,2% em 2027, com a dívida pública bruta chegando a 83,3% e 88,0% do PIB, respectivamente.
As contas externas, por outro lado, estão sólidas: o BTG projeta superávit comercial de US$ 87 bilhões em 2026 e US$ 95 bilhões em 2027, déficit em conta corrente de US$ 59 bilhões e US$ 50 bilhões e investimento estrangeiro direto de US$ 88 bilhões e US$ 75 bilhões, respectivamente. As projeções de câmbio foram mantidas em R$ 5,40 por dólar no fim de 2026 e R$ 5,50 no fim de 2027.
Valuations: Ibovespa a 7,3x P/L depois da forte queda de outubro
Outubro foi de forte queda dos ativos brasileiros. Depois da eleição presidencial, o Ibovespa caiu 10% em reais e 14,3% em dólares no mês. Os juros de longo prazo subiram para 15,3%, alta de 136 pontos-base, e os juros reais de longo prazo foram a 7,8%, alta de 32 pontos-base.
Com a correção, os valuations ficaram muito mais reduzidos. O Ibovespa negocia agora a 7,3x P/L projetado para os próximos 12 meses (8,8x excluindo Petrobras e Vale), mais de um desvio-padrão abaixo da média. O BTG lembra que só em raros momentos o índice negociou abaixo de 7x.
O banco reconhece que os lucros projetados para os próximos 12 meses provavelmente serão revisados para baixo: a atividade pode desacelerar mais que o esperado em 2027 (a projeção é de crescimento de 0,6%), e a Selic pode terminar 2027 em patamar não inferior ao atual, de 13,75%, quando antes se esperava um ciclo de afrouxamento de 125 pontos-base.
Mesmo com os juros reais de longo prazo novamente próximos de 8%, o prêmio para investir em ações voltou a ficar ligeiramente acima da média histórica (3,6% contra 3,2%). E o prêmio sobre os juros reais de longo prazo dos EUA se ampliou de 458 pontos-base no fim de setembro para 520 pontos-base, novamente acima da média histórica.
Olhando setor a setor, quase todos negociam com grande desconto em relação às respectivas médias de 10 anos.
O BTG também olha para a história. Desde 1998, o circuit breaker do Ibovespa foi acionado 17 vezes antes de 2026, em cinco eventos diferentes, a última delas em 2020, na pandemia. Um ano depois do acionamento, em todos os 17 casos, o Ibovespa estava em alta de pelo menos 30%.
Considerando a última vez em que o mecanismo foi acionado em cada uma dessas cinco crises, a recuperação do Ibovespa em reais foi de 75% na crise russa de 1998, 249% na maxidesvalorização do real em 1999, 89% na crise financeira de 2008, 35% na crise política de 2017 e 72% na pandemia de Covid, em 2020.
O banco, porém, faz uma ressalva: desta vez pode ser diferente, já que, na avaliação do BTG, a situação fiscal é muito mais dramática e o presidente Lula não parece reconhecê-la.
Resumo das teses de novembro
Petrobras (PETR4) — 15% Maior posição da carteira. Para o BTG, o resultado da eleição presidencial dificilmente mudará a direção estratégica e as perspectivas financeiras da companhia, que continua a oferecer uma forte combinação de fundamentos operacionais robustos e retornos de caixa atrativos, sustentados por produção acima do guidance, custos de extração menores, sólida utilização das refinarias e um balanço saudável.
Mais especificamente, o banco vê a Petrobras entregando produção de petróleo de ~2,9 milhões de barris por dia (ante guidance de ~2,5 milhões para 2026 e de ~2,6 milhões para 2027) e margens de refino sustentadas pela subvenção ao diesel.
O Plano Estratégico de 23 de novembro deve ser um evento importante: na visão do BTG, ele provavelmente incorporará uma produção maior (compensando um capex maior) e se traduzirá em fluxos de caixa e dividendos mais fortes. O banco monitora como a companhia cumprirá sua política de preços de 2026, mas acredita que a gestão segue focada em cumpri-la, ainda que possa precisar compensar 2026 até o início de 2027.
O BTG estima yield de fluxo de caixa ao acionista de ~14-17% e dividend yield de ~10-12% em 2027, considerando o Brent entre US$ 70 e US$ 80 por barril. Recomendação de COMPRA.
Sabesp (SBSP3) — 10% A recente queda das ações pressionou significativamente o papel, que agora negocia ~23% abaixo do nível pré-eleição. Ainda assim, o BTG continua vendo uma tese de crescimento atrativa e de long duration, sustentada pelo crescimento contratado de EBITDA e lucros, por dividendos crescentes, pela natureza de monopólio natural do negócio e por ganhos de eficiência adicionais após a privatização.
É uma das principais escolhas do banco para os próximos 6 a 12 meses, com TIR estimada de 10,7%.
Embraer (EMBJ3) — 10% O BTG espera um 3T forte, sustentado pela melhoria contínua da produção, que deve seguir elevando as margens, e por maior alavancagem operacional. A geração de fluxo de caixa livre deve ser outro destaque positivo, apoiada no sólido momentum de entregas após o Farnborough Airshow e no fluxo contínuo de pedidos depois do evento.
O banco espera que o momentum de resultados permaneça forte até o fim do ano, impulsionado por sazonalidade favorável e fluxo de notícias positivo. A recente depreciação do real também deve sustentar a tese, dado o forte perfil exportador da companhia.
Negociada a 11x EV/EBITDA 2027, valuation que o banco considera justo dados os fundamentos de longo prazo e o potencial adicional de revisão positiva de resultados no curto prazo.
Rede D’Or (RDOR3) — 10% A tese combina forte rentabilidade, catalisadores robustos de crescimento e valuation descontado: após a recente queda do mercado acionário brasileiro, o papel passou por uma relevante contração de múltiplos e negocia perto das mínimas históricas, a ~12x P/L 2027 — um desconto de ~35% frente aos níveis históricos —, enquanto o momentum de resultados segue positivo.
Em um contexto de deterioração das expectativas macro para diversas empresas domésticas, os resultados do 2T trouxeram surpresa positiva, que o BTG considera prova da qualidade do ativo e da resiliência do modelo de negócios. A companhia segue bem-posicionada para consolidar hospitais, seguros e oncologia, e o banco não vê ruptura do modelo nem ameaças competitivas relevantes. Para o BTG, é uma ação resiliente em qualquer cenário.
Caixa Seguridade (CXSE3) — 10% Estreia na carteira no lugar do Itaú. Para o BTG, a seguradora se destaca como uma ação resiliente em qualquer cenário em meio a um ambiente macro desafiador, combinando crescimento previsível de lucros, dividendos atrativos e sensibilidade favorável a juros mais altos por mais tempo.
A carteira de seguros de longo prazo limita a volatilidade dos lucros, enquanto o crescimento puxado pelo crédito imobiliário e a expansão das reservas de previdência sustentam o desempenho operacional. Condições financeiras mais apertadas podem seguir pesando sobre o seguro prestamista, mas um resultado financeiro mais forte oferece uma compensação relevante.
O payout elevado aumenta o carrego da ação, o que, na visão do banco, a torna particularmente atrativa para quem busca exposição defensiva na bolsa brasileira. O BTG projeta crescimento de lucro de 10% em 2027 e dividend yield de 7%.
Eneva (ENEV3) — 10% O sucesso no Leilão de Reserva de Capacidade de março superou as expectativas e levou o BTG a elevar o preço-alvo de R$ 20 para R$ 31, além de melhorar a visibilidade e a estabilidade dos fluxos de caixa futuros.
Com os contratos de longo prazo garantidos, a tese migra de exposição a períodos de preços spot elevados para um perfil de fluxo de caixa mais estável, com um trade-off entre “crescimento vs. dividendos” surgindo a partir de 2029. O banco estima TIR de 12,9%, incluindo os resultados do leilão, e vê diversas opcionalidades pela frente.
Gerdau (GGBR4) — 10% A tese se apoia em três pilares.
Primeiro, cerca de 75% do EBITDA está exposto aos EUA, onde as margens devem permanecer acima de 20% por mais tempo — os americanos mantêm postura restritiva quanto a qualquer desescalada do USMCA ou de tarifas, enquanto preços do aço sequencialmente mais altos, custos de sucata praticamente estáveis e demanda resiliente, particularmente de data centers, sustentam spreads de metal atrativos e impulsionam revisões de resultados.
Segundo, no Brasil o pior parece ter ficado para trás: as margens provavelmente já atingiram o fundo e as medidas antidumping iniciais, ainda limitadas, são um primeiro passo rumo a um ambiente competitivo mais equilibrado.
Terceiro, a companhia oferece proteção cambial relevante em meio a um ambiente incerto no Brasil, já que ~75% do EBITDA é dolarizado. Negocia a 3,8x EV/EBITDA 2027, com retorno total ao acionista estimado em ~10% nos próximos 12 meses via dividendos e recompras.
TIM (TIMS3) — 5% Entra no lugar da Axia. A ação acumula queda de cerca de 30% em relação ao pico registrado no início deste ano, refletindo preocupações com a intensificação da concorrência e a desaceleração do crescimento. O BTG reconhece que essas preocupações são válidas, mas avalia que elas estão mais do que precificadas nos níveis atuais.
Com distribuições aos acionistas que devem gerar um yield de ~9% até abril de 2027 (menos de seis meses), o banco vê a TIM oferecendo uma combinação atrativa de suporte de valuation e retorno ao acionista, o que a torna uma opção relativamente defensiva no cenário atual da bolsa brasileira.
Ultrapar (UGPA3) — 10% Entra no lugar da Cury. Para o BTG, a companhia voltou a níveis de valuation atrativos, negociando a ~8,8x P/L 2027 (ante média histórica de 5 anos de ~11,5x), com yield de fluxo de caixa ao acionista de ~14% e dividend yield de ~6,5%, já considerando uma margem EBITDA normalizada de R$ 225/m³ na Ipiranga para 2027.
O momentum de resultados de curto prazo deve seguir positivo no 3T26 e no 4T26, com margens EBITDA acima de R$ 350/m³ e crescimento de volumes de 8-10%, impulsionando uma geração de caixa robusta. O fim dos subsídios ao diesel deve levar, em algum momento, à normalização das margens, mas o banco acredita que isso já está em grande parte precificado.
As preocupações com alocação de capital também diminuíram: a gestão parece focada em manter alavancagem disciplinada (~1,0x dívida líquida/EBITDA) e aumentar as distribuições, em vez de buscar grandes aquisições. O BTG vê potencial para um dividendo extraordinário em dezembro ou junto com os resultados do 4T26, em fevereiro, com espaço para ~R$ 2 bilhões relativos ao segundo semestre de 2026 (~6% do valor de mercado).
Motiva (MOTV3) — 10% Para o BTG, representa uma ação defensiva para a carteira. Os resultados seguem resilientes, sustentados por demanda consistente, reajustes tarifários automáticos atrelados à inflação, mecanismos de proteção de tráfego e a continuidade da agenda de eficiência.
A conclusão da venda dos aeroportos fortaleceu ainda mais o balanço, e o banco segue vendo uma carteira relevante de projetos brownfield de mais de R$ 20 bilhões nos próximos meses — principalmente aditivos contratuais em rodovias. A recente saída da Mover do bloco de controle melhora as perspectivas de governança. Negociada a uma TIR real de 13%, valuation que o BTG considera descontado.
Desempenho da 10SIM em outubro
Em outubro, a carteira 10SIM caiu 6,5%, superando o Ibovespa (queda de 9,9%) e o IBrX-50 (queda de 9,3%) em um mês de forte queda dos ativos brasileiros depois da eleição presidencial.
No acumulado do ano, desde 31 de dezembro de 2025, a 10SIM sobe 8,6%, contra 4,2% do Ibovespa e 6,1% do IBX-50. O CDI acumula +11,7% no mesmo período.
Desde outubro de 2009, quando Carlos E. Sequeira assumiu a gestão, a 10SIM acumula valorização de 620,3%, contra 173,0% do Ibovespa e 230,0% do IBX-50. Vale lembrar que rentabilidade passada não representa garantia de resultados futuros.
Eleições no Brasil: Lula vence e o mercado espera sinais de disciplina fiscal
Os fluxos de investidores mudaram consideravelmente ao longo de outubro, à medida que as eleições ocorreram. O primeiro pregão depois do resultado do primeiro turno registrou mais de R$ 10 bilhões em entradas líquidas de estrangeiros, com as pessoas físicas respondendo pela maior parte das vendas líquidas. Em seguida, as entradas estrangeiras acumuladas atingiram o pico de R$ 21 bilhões antes do segundo turno.
Na semana que antecedeu o segundo turno, os estrangeiros retiraram aproximadamente R$ 4 bilhões, à medida que as pesquisas eleitorais se tornaram um pouco mais favoráveis ao presidente Lula. Apesar dessa reversão, o Ibovespa ainda subiu 7% entre o resultado do primeiro turno e o último pregão antes do segundo turno.
Após a vitória de Lula no segundo turno, as vendas estrangeiras continuaram: desde então, os estrangeiros venderam R$ 8 bilhões líquidos em ações brasileiras, elevando as saídas líquidas acumuladas desde 19 de outubro para R$ 12,5 bilhões.
No mês, as entradas líquidas seguem positivas em R$ 8,6 bilhões, mas, para o BTG, a forte reversão em relação ao pico sugere que as saídas podem continuar. Medidas favoráveis ao mercado serão, portanto, importantes para sustentar uma recuperação consistente do apetite estrangeiro por ações brasileiras.
Neste momento, os mercados aguardam o novo ministério do presidente Lula, especialmente quem comandará a economia, e quaisquer sinais de medidas que possam ao menos reduzir o ritmo de crescimento das despesas. A maioria dos participantes do mercado, incluindo o BTG, não espera ajustes estruturais nas contas fiscais, mas, dado o nível atual de estresse, mesmo pequenos ajustes podem ajudar a estabilizar o mercado e os juros de longo prazo.
Até agora, as notícias se concentraram em uma possível mudança nas regras de contingenciamento de despesas. Hoje o governo só pode limitar gastos na medida necessária para cumprir o limite inferior da banda da meta de resultado primário; a proposta passaria a calibrar o contingenciamento pelo centro da meta, elevando o resultado primário a ser buscado em 0,25 ponto percentual do PIB por ano.
Para o BTG, seria um passo positivo, mas é importante que o governo aprove medidas que efetivamente desacelerem o crescimento das despesas. Entre as opções que, na visão do banco, merecem consideração estão:
- reduzir o crescimento real máximo das despesas permitido pelo arcabouço fiscal de 2,5% para cerca de 1,5%;
- limitar os aumentos reais do salário mínimo ao limite de crescimento das despesas do arcabouço fiscal;
- vincular o crescimento dos gastos com saúde e educação aos limites de despesas do arcabouço, e não ao crescimento da receita tributária;
- tornar mais rígidos os critérios de elegibilidade para aposentadorias rurais e para o BPC, benefício não contributivo para idosos de baixa renda e pessoas com deficiência.
Mesmo que essas medidas sejam adotadas — e elas podem não ser implementadas, ou ser implementadas apenas parcialmente —, o BTG acredita que os juros reais de longo prazo serão relativamente altos no novo mandato do presidente Lula, como ocorreu em todos os governos de esquerda mais recentes no Brasil.
Ainda assim, um pacote para reduzir a velocidade de crescimento das despesas pode ajudar a trazer os juros reais de longo prazo do nível atual de 8% para algo entre 6,5% e 7,0%.
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Informações importantes
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