Onde investir na Bolsa este mês? A Carteira Recomendada de Ações 10SIM, do BTG Pactual, é uma das principais referências do mercado brasileiro para responder a essa pergunta. Trata-se de uma curadoria mensal feita pelo time de estrategistas do Research, com cerca de 10 ações selecionadas a partir de uma análise conjunta com analistas setoriais — sem necessariamente seguir índices de referência ou critérios de liquidez.
Renova Invest
Pronto para fazer seu patrimônio trabalhar por você?
Abra sua conta e conte com assessoria especializada para investir com estratégia. Abertura gratuita, sem compromisso.
Renova Invest atua como preposto do Banco BTG Pactual S/A (Resolução CVM nº 178).
Em agosto de 2026, a 10SIM fica mais equilibrada para atravessar as oscilações do ciclo eleitoral. Depois de um julho de recuperação para o Ibovespa (+3,5% em reais e +5,3% em dólares), com os estrangeiros voltando a comprar ações brasileiras (R$ 3 bilhões no mês, após vendas de R$ 23 bilhões em maio e junho), o BTG aumenta a exposição a câmbio e a serviços básicos: a Gerdau entra na carteira trazendo proteção cambial, e a Copasa passa a integrar a fatia de serviços básicos/long duration. Saem as pagadoras de dividendos Ambev e Allos. A Petrobras tem o peso elevado para 15%, e a Totvs tem o peso reduzido para 5%.
Resumo rápido: Em agosto de 2026, a Carteira Recomendada de Ações 10SIM do BTG Pactual ficou mais equilibrada diante do ciclo eleitoral. Saíram Ambev (ABEV3) e Allos (ALOS3); entraram Gerdau (GGBR4, 10%) e Copasa (CSMG3, 5%); o peso da Petrobras (PETR4) subiu de 10% para 15%, e o da Totvs (TOTS3) caiu de 10% para 5%. Com isso, a carteira passa a ter 35% em serviços básicos e infraestrutura, 20% em posições de câmbio (Embraer e Gerdau), 15% em bancos (Itaú) e 15% em petróleo/câmbio/dividendos (Petrobras). Em julho, a 10SIM subiu +1,1%, abaixo do Ibovespa (+3,5%) e do IBrX-50 (+3,7%).
Neste artigo
- Objetivo da Carteira Recomendada de Ações 10SIM
- Confira a Carteira 10SIM | Julho 2026
- Múltiplos das principais posições
- Principais mudanças na carteira em julho
- Visão do BTG: reduzindo marginalmente o risco
- Valuations atrativos, mas o prêmio de risco encolheu
- Resumo das teses de julho
- Desempenho da 10SIM em junho
- Eleições no Brasil: Lula na liderança, Bolsonaro estabiliza
- Mais carteiras recomendadas para você explorar
- Informações importantes
Objetivo da Carteira Recomendada de Ações 10SIM
A 10SIM tem como objetivo capturar as melhores oportunidades e performances do mercado de ações brasileiro, sugerindo cerca de 10 ativos a cada mês. A construção é feita pelo time de estrategistas do Research do BTG Pactual, com base em análise conjunta com analistas setoriais, sem necessariamente considerar índices de referência ou liquidez como filtros prévios.
Confira a Carteira 10SIM | Agosto 2026
| Empresa | Ticker | Peso |
|---|---|---|
| Petrobras | PETR4 | 15% |
| Itaú Unibanco | ITUB4 | 15% |
| Axia Energia | AXIA3 | 10% |
| Embraer | EMBJ3 | 10% |
| Eneva | ENEV3 | 10% |
| Gerdau | GGBR4 | 10% |
| Motiva | MOTV3 | 10% |
| Copasa | CSMG3 | 5% |
| Totvs | TOTS3 | 5% |
| Cury | CURY3 | 10% |
Fonte: Economática e BTG Pactual.
Múltiplos das principais posições
Em termos de valuation, o portfólio de agosto combina commodities, bancos e serviços básicos a múltiplos majoritariamente descontados. A Petrobras segue como a posição mais barata da carteira, a apenas 4,5x P/L 2026 (5,8x 2027) e 2,5x EV/EBITDA. O Itaú é negociado a 9,2x P/L 2026 (8,2x 2027), com 2,3x P/VPA. Entre as posições novas, a Gerdau sai a 8,9x P/L 2026 (4,2x EV/EBITDA) e a Copasa a 16,4x P/L 2026, com TIR real estimada de 10,7%. A Axia negocia a 16,2x P/L 2026 (7,5x EV/EBITDA) e a Eneva a 12,6x EV/EBITDA — seu P/L (80,7x em 2026, caindo para 75,9x em 2027) ainda reflete uma base de lucro contábil baixa, num momento em que a companhia migra de exposição a preços spot para um perfil de fluxo de caixa mais estável. A Cury segue como um dos nomes mais baratos da carteira (7,0x P/L 2026 e 5,0x para 2027), enquanto a Totvs, com peso reduzido, negocia a ~15,9x P/L 2026 (15,0x 2027) — patamar historicamente associado a fundo de ciclo.
Principais mudanças na carteira em agosto
O BTG realizou seis alterações em agosto, com o objetivo de aumentar a exposição a câmbio e a serviços básicos diante de um ciclo eleitoral que ainda não está decidido:
- Saída: Ambev (ABEV3, -10%)
- Saída: Allos (ALOS3, -5%)
- Entrada: Gerdau (GGBR4) com peso de 10%
- Entrada: Copasa (CSMG3) com peso de 5%
- Aumento: Petrobras (PETR4) de 10% para 15%
- Redução: Totvs (TOTS3) de 10% para 5%
A leitura por trás das mudanças: com os juros reais de longo prazo em torno de 8%, o BTG decidiu aumentar a exposição às duas classes de ativos que, em sua visão, devem reagir mais a um cenário positivo ou negativo daqui para frente — ações de maior duration ligadas a serviços básicos (por isso a entrada da Copasa) e câmbio (por isso a entrada da Gerdau). Para abrir espaço, saem as pagadoras de dividendos Ambev e Allos. A Petrobras tem o peso elevado para 15%, reforçando o hedge a preços de petróleo mais altos, câmbio e dividendos (com o Brent a US$ 70/barril, o BTG estima dividend yield de ~10% para a companhia em 2026).
Com a nova composição, a 10SIM passa a ter 35% em serviços básicos e infraestrutura (Axia, Eneva, Copasa e Motiva), 20% em posições de câmbio (Embraer e Gerdau), 15% em financeiro (Itaú), 15% em petróleo/câmbio/dividendos (Petrobras), 10% em dividendos e construtoras de baixa renda (Cury) e 5% em software (Totvs).
Visão do BTG: 10SIM mais equilibrada para o ciclo eleitoral
Com os juros reais de longo prazo próximos de 8% (7,9% ao final de julho, em leve alta no mês), o mercado não está precificando qualquer alívio para as contas fiscais do país. Para o BTG, isso sugere que os investidores já esperam a reeleição do presidente Lula sem um ajuste fiscal relevante em um eventual quarto mandato — a dívida bruta deve terminar o ano em 83% do PIB, com déficit nominal na faixa de 8% a 9% ao ano. Na visão do banco, os benefícios de insistir numa política fiscal expansionista parecem limitados diante do desemprego já baixo e da capacidade ociosa reduzida da indústria; faria mais sentido que um eventual quarto mandato começasse aliviando a pressão fiscal, o que abriria espaço para o Banco Central retomar cortes de juros.
Em um cenário de melhora das contas fiscais e juros de longo prazo menores, a fatia da carteira exposta a serviços básicos/infraestrutura, financeiro e construtoras (60% do 10SIM) deve performar bem. Caso as coisas caminhem na direção oposta, as posições de câmbio somadas à Petrobras (35% do 10SIM) devem oferecer alguma proteção.
O Ibovespa encerrou julho em alta de 3,5% em reais (5,3% em dólares), com os estrangeiros voltando a comprar ações brasileiras — ainda que de forma moderada. Depois de vender o equivalente a R$ 23 bilhões em maio e junho, eles foram compradores líquidos de R$ 3 bilhões em julho. As ações brasileiras superaram a maioria de seus pares latino-americanos e emergentes no mês, e o real segue entre as moedas emergentes de melhor desempenho no acumulado do ano (+7,7%), atrás apenas do peso colombiano (+16,5%).
Ainda assim, os fluxos seguem mais modestos do que no início do ano: as entradas estrangeiras acumuladas em 2026 somam R$ 37 bilhões, ante R$ 69 bilhões em meados de abril. A alocação dos fundos de mercados emergentes (GEM) ao Brasil caiu para 5,57% em junho — o menor nível desde o fim de 2024.
Valuations atrativos, mas o prêmio de risco segue apertado frente aos juros
Mesmo após a recuperação de julho, as ações brasileiras seguem em níveis considerados atrativos pelo BTG. Excluindo Petrobras e Vale, o Ibovespa negocia a 9,8x P/L projetado para os próximos 12 meses — um desvio-padrão abaixo da média histórica — e a 8,3x quando as duas são incluídas. A diferença de valuation em relação a pares de mercados emergentes também segue aumentando: o Brasil negocia a 8,3x P/L 12 meses, ante 12,6x do México, 13,4x da China, 17,1x de Taiwan e 18,6x da Índia.
O contraponto está nos juros: o prêmio de manter ações encerrou julho em 2,3%, abaixo da média histórica de 2,8%, quando comparado aos juros reais de longo prazo (7,9%). Para o BTG, oferecer prêmio sobre juros reais tão elevados já é notável, mas a ausência de catalisadores de curto prazo mantém a postura mais seletiva da carteira neste mês.
Resumo das teses de agosto
Petrobras (PETR4) — 15% Maior posição da carteira, com peso elevado neste mês. A convicção do BTG na tese aumentou com base (i) no forte desempenho operacional, com a produção devendo ficar na faixa superior do guidance (ou acima dela) para 2026, com 3 novos FPSOs contratados para 2027, e (ii) na capacidade da companhia de capturar o upside de margens de refino mais altas via crack spreads — cerca de 70% de sua produção é usada como insumo em refinarias. O BTG estima que o breakeven de fluxo de caixa livre pode cair para perto de US$ 60/barril (ante US$ 67/barril em janeiro), permitindo reduzir a dívida bruta e sustentar dividend yield ordinário de ~10% em 2026 e ~10% em 2027. Recomendação de COMPRA mantida.
Itaú Unibanco (ITUB4) — 15% As ações tiveram desempenho abaixo do esperado em julho, subindo 4% ante ganho médio de 8% dos bancos large-cap em dólar — o que, na visão do BTG, criou um bom ponto de entrada. O cenário macro segue desafiador (juros mais altos por mais tempo, pressões inflacionárias, política fiscal mais expansionista às vésperas das eleições e preocupações com um ciclo de crédito mais difícil em 2027), mas o Itaú segue como a tese de qualidade preferida do setor, com balanço sólido e redução proativa de risco. Negociado a 9,2x P/L 2026.
Axia Energia (AXIA3) — 10% Principal beneficiária do cenário atual de preços de energia mais altos e maior volatilidade. Ainda em estágios iniciais de se tornar forte geradora de caixa e pagadora de dividendos — já anunciou distribuições adicionais de R$ 4 bilhões (2024) e R$ 4,3 bilhões (3T). TIR estimada em 12,3%.
Eneva (ENEV3) — 10% O sucesso no Leilão de Capacidade de março levou o BTG a elevar o preço-alvo de R$ 20 para R$ 31. Com contratos de longo prazo agora garantidos, a tese muda de exposição a preços spot para um perfil de fluxo de caixa mais estável, com um trade-off entre “crescimento vs. dividendos” surgindo a partir de 2029. TIR estimada em 10,9%.
Gerdau (GGBR4) — 10% (nova posição) Entra na carteira apoiada em três pilares: cerca de 75% do EBITDA está exposto aos EUA, onde as margens devem permanecer acima de 20%; a performance no Brasil parece ter atingido seu ponto mais fraco, com as medidas antidumping iniciais representando um primeiro passo rumo a um ambiente competitivo mais equilibrado; e a companhia oferece proteção cambial relevante em meio a um cenário eleitoral incerto, já que ~75% do EBITDA é dolarizado. Negocia a 4,2x EV/EBITDA 2026, com retorno total ao acionista estimado em ~9% nos próximos 12 meses via dividendos e recompras.
Motiva (MOTV3) — 10% 2025 marcou um ano de reorganização de portfólio (saída de Barcas e Aeroportos) e melhoria nas concessões remanescentes, notadamente a MSVia. A companhia segue entregando expansão de margens, com maior capacidade do balanço (a venda dos aeroportos deve se concluir no 3T) abrindo múltiplos caminhos de alocação de capital. A recente saída da Move do bloco de controle também melhora a percepção de governança.
Copasa (CSMG3) — 5% (nova posição) Entra na carteira após concluir com sucesso, em junho, seu processo de privatização, com a Equatorial assumindo como acionista de referência (30%). A companhia está renegociando seus contratos de concessão, com cerca de 40% da receita já coberta pelo novo modelo. O BTG vê a Copasa negociando a uma TIR real de 10,7% e projeta dividend yield médio de 7,6% em 2026-2028, podendo chegar a dois dígitos a partir de então, dado seu potencial de distribuir 100% dos lucros.
Cury (CURY3) — 10% Mantida na carteira, sustentada pelo forte momento do programa MCMV, reforçado por mudanças recentes nas condições do programa (preços-teto, elegibilidade de renda e taxas de juros por faixa). A execução segue impecável, com o BTG projetando crescimento de ~20% no lucro por ação no próximo ano e dividend yield estimado de 11% para 2027. Negociada a 7x P/L 2026 (5x para 2027).
Totvs (TOTS3) — 5% (peso reduzido) As ações caíram cerca de 34% desde a máxima de janeiro, pressionadas pelos temores de disrupção por IA (o chamado “SaaSpocalipse”). Negocia a ~15x P/L 2027 — patamar historicamente associado a mínimas em períodos de estresse. Os resultados do 1T foram sólidos, com ~R$ 250 milhões em adições líquidas orgânicas de ARR e expansão de margem EBITDA orgânica.
Embraer (EMBJ3) — 10% Desempenho misto no acumulado do ano, pressionado por preocupações com a captação de pedidos em meio ao conflito no Oriente Médio e por resultados do 1T abaixo do esperado — embora o BTG veja expectativas de mercado que estavam excessivamente altas. A demanda segue resiliente, reforçada por um forte Farnborough Airshow em julho, por pedido adicional de E2 da ANA e pela aquisição, pela Grécia, de três KC-390 (nova cliente da aeronave). O BTG espera melhoras sequenciais no 2T e mantém visão positiva sobre a companhia, negociada a um valuation descontado de 11x EV/EBITDA 2027.
Desempenho da 10SIM em julho
Em julho, a carteira 10SIM teve alta de +1,1%, abaixo do Ibovespa (+3,5%) e do IBrX-50 (+3,7%). Os destaques positivos foram Petrobras (+14,9%), Totvs (+8,2%) e Embraer (+6,2%), enquanto Cury (-14,2%), Axia (-2,9%) e Allos (-2,4%) pressionaram o resultado.
No acumulado do ano, desde 31 de dezembro de 2025, a 10SIM sobe 7,0%, contra 10,5% do Ibovespa e 11,4% do IBX-50. O CDI acumula +8,1% no mesmo período.
Desde outubro de 2009, quando Carlos E. Sequeira assumiu a gestão, a 10SIM acumula valorização de 609,5%, contra 189,3% do Ibovespa e 246,6% do IBX-50 — desempenho acumulado de mais de 3x o índice no período. Vale lembrar que rentabilidade passada não representa garantia de resultados futuros.
Eleições no Brasil: Lula amplia vantagem sobre Bolsonaro
As pesquisas mais recentes mostram o presidente Lula ampliando a vantagem sobre o senador Flávio Bolsonaro nos últimos dois meses. Na pesquisa Genial/Quaest divulgada em 14 de julho, no primeiro turno Lula aparece com 40% das intenções de voto, contra 28% de Bolsonaro — diferença de 12 p.p. (ante 10 p.p. em junho e 6 p.p. em maio). No segundo turno, Lula tem 45% contra 37% de Bolsonaro (8 p.p.). A soma de indecisos e votos em branco/nulo está em 19%; entre os demais nomes, o governador Ronaldo Caiado aparece com 4%, Renan Santos com 3% e o governador Romeu Zema com 2%.
Na média móvel de 30 dias do BTG, Lula lidera o primeiro turno com 41,5% contra 32,8% de Bolsonaro — diferença de 8,7 p.p. — e o segundo turno com 47,3% contra 41,9% (5,4 p.p.). Ainda assim, com 19% de indecisos e três meses restantes até a eleição de outubro, o BTG pondera que a corrida não está decidida: uma vitória de Lula em primeiro turno ainda não pode ser estatisticamente descartada, e qualquer erro poderia reequilibrar a disputa no segundo turno.
Mais carteiras recomendadas para você explorar
- Carteira Recomendada de Dividendos
- Carteira Recomendada de Small Caps
- Carteira Recomendada de Ações Internacionais
- Carteira Recomendada de Fundos Imobiliários (FIIs)
- Carteira Recomendada Top Renda
- Carteira Recomendada ESG
- Carteira Recomendada de Cripto
Está em dúvida sobre qual é a melhor estratégia para o atual cenário? Agende uma reunião com nossos especialistas da Renova Invest e faça uma avaliação gratuita da sua carteira.
Informações importantes
Este relatório foi elaborado pelo Banco BTG Pactual S.A. Rentabilidade passada não representa garantia de resultados futuros.
Certificado do analista
Cada analista de pesquisa responsável pelo conteúdo deste relatório de pesquisa de investimento, no todo ou em parte, certifica que: (i) Nos termos do Artigo 21º, da Resolução CVM nº 20, de 25 de fevereiro de 2021, todas as opiniões expressas refletem com precisão suas opiniões pessoais sobre esses valores mobiliários ou emissores, e tais recomendações foram elaboradas de forma independente, inclusive em relação ao Banco BTG Pactual S.A. e/ou suas afiliadas, conforme o caso; (ii) nenhuma parte de sua remuneração foi, é ou será, direta ou indiretamente, relacionada a quaisquer recomendações ou opiniões específicas contidas aqui ou vinculados ao preço de qualquer um dos valores mobiliários aqui discutidos.
Parte da remuneração do analista provém dos lucros do Banco BTG Pactual S.A. como um todo e/ou de suas afiliadas e, consequentemente, das receitas decorrentes de transações detidas pelo Banco BTG Pactual S.A. e/ou suas afiliadas.