Onde investir na Bolsa este mês? A Carteira Recomendada de Ações 10SIM, do BTG Pactual, é uma das principais referências do mercado brasileiro para responder a essa pergunta. Trata-se de uma curadoria mensal feita pelo time de estrategistas do Research, com cerca de 10 ações selecionadas a partir de uma análise conjunta com analistas setoriais — sem necessariamente seguir índices de referência ou critérios de liquidez.
Em junho de 2026, a 10SIM passa por mudanças relevantes. Após uma queda forte do Ibovespa em maio (-7,2% em real e -8,6% em dólar) e saídas estrangeiras de R$ 14 bilhões somente no mês (R$ 27 bilhões desde meados de abril), o BTG aproveita a correção para adicionar nomes mais defensivos e de qualidade: Itaú volta com 15% no lugar do Nubank, e Equatorial entra no lugar da Allos. Petrobras e Localiza têm peso reduzido para acomodar as mudanças.
Objetivo da Carteira Recomendada de Ações 10SIM
A 10SIM tem como objetivo capturar as melhores oportunidades e performances do mercado de ações brasileiro, sugerindo cerca de 10 ativos a cada mês. A construção é feita pelo time de estrategistas do Research do BTG Pactual, com base em análise conjunta com analistas setoriais, sem necessariamente considerar índices de referência ou liquidez como filtros prévios.
Confira a Carteira 10SIM | Junho 2026
| Empresa | Ticker | Peso |
|---|---|---|
| Itaú Unibanco | ITUB4 | 15% |
| Petrobras | PETR4 | 10% |
| Axia Energia | AXIA3 | 10% |
| Eneva | ENEV3 | 10% |
| Equatorial | EQTL3 | 10% |
| Embraer | EMBJ3 | 10% |
| Localiza | RENT3 | 10% |
| Motiva | MOTV3 | 10% |
| Totvs | TOTS3 | 10% |
| Cury | CURY3 | 5% |
Fonte: Economática e BTG Pactual.
Múltiplos das principais posições
Em termos de valuation, o portfólio de junho combina nomes de qualidade negociando a múltiplos descontados. Itaú sai a 8,6x P/L 2026 (7,7x para 2027), com 2,1x P/VPA. Petrobras negocia a apenas 5,0x P/L 2026 e 2,5x EV/EBITDA, refletindo o ainda elevado prêmio de risco. Entre as utilities, Axia sai a 14,0x P/L 2026 e Equatorial a 9,0x EV/EBITDA. Cury segue como o nome mais barato da carteira (7,0x P/L 2026), enquanto Totvs negocia a 15,0x P/L 2027 — historicamente fundo de ciclo para a empresa.
Principais mudanças na carteira em junho
O BTG realizou quatro alterações em junho, todas com o objetivo de elevar a qualidade e a defensividade da carteira após o forte movimento de vendas dos últimos 45 dias:
- Saída: Nubank (ROXO34, -10%)
- Entrada: Itaú Unibanco (ITUB4) com peso de 15%
- Saída: Allos (ALOS3, -5%)
- Entrada: Equatorial (EQTL3) com peso de 10%
- Redução: Petrobras (PETR4) de 15% para 10%
- Redução: Localiza (RENT3) de 15% para 10%
A leitura por trás das mudanças é direta: o Itaú está mais bem preparado para enfrentar um mercado de crédito mais desafiador do que a maioria de seus pares, com qualidade de ativos sólida e postura proativa de redução de risco há vários trimestres. A Equatorial entra como tese de carrego de primeira linha, com duration acima de 10 anos, proteção total contra inflação e TIR real de 10,4% — 270 pontos-base acima das taxas de longo prazo do Brasil. A redução em Petrobras reflete a expectativa de aproximação de uma solução para o conflito no Oriente Médio, e o ajuste em Localiza serve para equilibrar o risco com a entrada de mais uma posição de fluxo de caixa de longo prazo (a EQTL3).
Com a inclusão da Equatorial, a 10SIM passa a ter 30% da carteira em serviços básicos (EQTL + AXIA + ENEV). Bancos representam 15% (apenas Itaú), enquanto fluxo de caixa longo via Localiza e Motiva soma outros 20%.
Visão do BTG: cenário ficou mais difícil, mas múltiplos estão atraentes
O cenário para as ações brasileiras deteriorou-se nas últimas seis semanas. A inflação subiu para 5% em 2026 e segue acima da meta, o que limita a capacidade do Banco Central de cortar a Selic de forma mais intensa. O consenso da pesquisa Focus passou de 300 bps de cortes esperados para apenas 175 bps em 2026, e a curva de juros precifica somente 100 bps.
Politicamente, o quadro também ficou mais turvo às vésperas das eleições presidenciais. Após revelações sobre ligações entre o senador Flávio Bolsonaro e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, a vantagem do presidente Lula em simulações de segundo turno se ampliou: Atlas/Intel mostra Lula liderando por 7 p.p., Datafolha por 4 p.p. e CNT/MDA por 4,7 p.p. Some-se a isso a aprovação na Câmara da redução da jornada semanal de 44 para 40 horas — uma pressão adicional sobre custos em setores intensivos em mão de obra, como varejo e construção.
No cenário externo, as ações de tecnologia se valorizaram fortemente em maio (Nasdaq +10,5%, Coreia do Sul +27,8%, Taiwan +15,7%), drenando fluxos que poderiam ter ido para mercados emergentes. O resultado: R$ 14 bilhões em saídas estrangeiras da bolsa brasileira em maio e R$ 42 bilhões no acumulado do ano.
Quatro razões para continuar otimista com o Brasil
Apesar do quadro mais difícil, o BTG segue vendo as ações brasileiras como atrativas para o investidor estrangeiro, por quatro razões:
- O Brasil ainda é um dos poucos países com caminho claro de redução de juros no curto prazo, mesmo que o ciclo seja menos intenso
- A tendência de diversificação para fora dos EUA deve continuar
- O Brasil é exportador líquido de petróleo, o que oferece proteção parcial caso o conflito no Oriente Médio se prolongue
- Os múltiplos estão ainda mais atrativos: P/L 12 meses à frente de 9,4x ex-Petrobras e Vale (vs. 10,5x no fim de abril) e 8,1x incluindo as duas — patamar reconhecidamente baixo, com o Ibovespa um desvio padrão abaixo da média histórica
O prêmio de risco para manter ações (earnings yield menos juros de 10 anos) voltou à média histórica em 3,1%, mesmo com taxas reais de longo prazo em níveis extremos. Para o BTG, isso reforça o ponto: mesmo em um cenário macro adverso, o prêmio embutido nas ações brasileiras já está em linha com o histórico.
Resumo das teses de junho
Itaú Unibanco (ITUB4) — 15%
O Itaú volta como maior posição da carteira. As ações caíram 7% nos últimos 30 dias junto com o setor, mas o BTG considera a queda exagerada. A qualidade dos ativos do banco permanece sólida e a postura de redução proativa de risco já vem sendo executada há trimestres. Negocia a 8,6x P/L 2026, com balanço sólido para proteger rentabilidade em cenários voláteis. Top Pick entre os grandes bancos.
Equatorial (EQTL3) — 10%
Volta à 10SIM como Top Pick em serviços básicos. TIR real de 10,4% (270 bps acima das taxas de LP), duration acima de 10 anos, proteção integral contra inflação e baixa sensibilidade a desaceleração econômica. Excelente tese de carrego.
Axia Energia (AXIA3) — 10%
Principal beneficiária do cenário de preços de energia mais altos e maior volatilidade. Após payouts adicionais de R$ 4 bi (mar/25) e R$ 4,3 bi (3T), pode se tornar forte pagadora de dividendos nos próximos 5,5 anos. TIR estimada de 12,8%, a segunda mais alta na cobertura do BTG.
Eneva (ENEV3) — 10%
O sucesso da empresa no Leilão de Capacidade de março levou o BTG a elevar o preço-alvo de R$ 20 para R$ 31. Contratos de longo prazo agora garantidos mudam o perfil da Eneva de exposição a spot para fluxo de caixa estável, com trade-off “crescimento vs. dividendos” surgindo a partir de 2029. TIR estimada de 11,0%.
Petrobras (PETR4) — 10%
Mantida na carteira, mas com peso reduzido de 15% para 10%, dada a aproximação de uma solução para o conflito Irã-EUA. Assumindo Brent a US$ 82/bbl, FCFE yield de ~12% e DY de ~10% para 2026 (DY de ~11% para 2027 a Brent US$ 75/bbl) — bem acima dos ~5–6% das pares globais.
Localiza (RENT3) — 10%
1T forte no segmento de locação, com volumes resilientes e spread de ROIC voltando a níveis históricos. Vendas de Seminovos de 95,4 mil carros (+28% a/a) e margens robustas oferecem proteção contra a 2ª onda de montadoras chinesas. Combinação atrativa de impulso de lucros + retornos em melhoria + valuation a 10x P/L 2026.
Motiva (MOTV3) — 10%
2025 marcou racionalização de portfólio (Barcas, Aeroportos) e melhorias em concessões remanescentes (MSVia). Pipeline robusto de leilões e estratégia de reciclagem de capital pela frente. Negocia a TIR real de 12% com duration de ~15 anos. Top Pick em rodovias.
Embraer (EMBJ3) — 10%
Desempenho fraco no YTD por preocupações com pedidos em meio ao Oriente Médio e resultado do 1T abaixo do esperado. BTG vê ambiente de demanda resiliente — Finnair encomendou até 46 E2 e os Emirados Árabes até 20 KCs após o início do conflito. Carteira de pedidos de US$ 32 bilhões. Potencial de notícias antes do Farnborough Airshow em julho. Negocia a 10x EV/EBITDA 2026.
Totvs (TOTS3) — 10%
Ações caíram ~30% do pico de janeiro com os temores de disrupção por IA (“SaaSpocalypse”). Negocia a 15x P/L 2027, valuation historicamente associado a fundo de ciclo. Resultados do 1T sólidos: ~R$ 250 mi em adições líquidas orgânicas de ARR e expansão contínua de margem EBITDA. Empresa segue executando bem apesar do ruído.
Cury (CURY3) — 5%
Tese sustentada pelo forte impulso do MCMV, beneficiado por mudanças recentes (preços máximos, faixas de elegibilidade, taxas). Execução impecável: velocidade de vendas robusta, margens elevadas, retornos altos. BTG projeta crescimento de LPA de ~35% a/a em 2026, com DY estimado de 8%. Negocia a P/L 2026 de 7x.
Análise da temporada de resultados do 1T26
Com o 1T26 fechado, o BTG avalia o trimestre como qualitativamente estável vs. o 1T25, com modesta melhora sequencial. 16 dos 17 setores cobertos registraram crescimento de receita líquida a/a. Os números consolidados ex-Petrobras e Vale ficaram 1,0% acima das estimativas em receita, 0,3% em EBITDA e 1,6% em lucro líquido.
O grande destaque positivo veio das commodities: lucro líquido subiu 41,7% a/a, com Petróleo & Gás se beneficiando do ambiente de Brent mais alto. Vibra reportou EBITDA +101% a/a, UGPA +78% a/a, e PRIO +89,6% a/a. Já as empresas domésticas tiveram receita +6,5% a/a e EBITDA +10,6%, mas lucro líquido praticamente estável (-0,4% a/a) — os juros altos seguem pressionando empresas mais alavancadas.
O ponto de atenção foi o setor bancário: a maioria entregou crescimento de lucro, mas abaixo das expectativas. O Banco do Brasil puxou o setor para baixo, com lucro líquido ajustado -52,8% a/a, pressionado por custos de crédito na carteira do agronegócio e inadimplência no varejo. A administração revisou para baixo o guidance de lucro 2026 em cerca de 17% no ponto médio.
Performance da 10SIM em maio
Em maio, a carteira 10SIM teve queda de -7,53%, ficando levemente abaixo do Ibovespa (-7,20%) e em linha com o IBrX-50 (-7,48%). Os destaques positivos do mês foram Cury (+7,4%) e Totvs (+3,8%), enquanto Axia (-15,5%), Petrobras (-14,4%) e Motiva (-11,8%) pressionaram o resultado.
No acumulado do ano, desde 31 de dezembro de 2025, a 10SIM sobe 3,9%, contra 7,9% do Ibovespa e 8,8% do IBX-50. O CDI acumula +5,7% no mesmo período.
Desde outubro de 2009, quando Carlos E. Sequeira assumiu a gestão, a 10SIM acumula valorização de 589,1%, contra 182,5% do Ibovespa e 238,5% do IBX-50 — uma performance acumulada de cerca de 3x o índice no período.
Eleições no Brasil: Lula recupera vantagem
As pesquisas de maio mostram perda de fôlego para a campanha do senador Flávio Bolsonaro após as revelações envolvendo Daniel Vorcaro. No primeiro turno, Lula tem 41% e Bolsonaro ~35%. Os governadores Caiado e Zema aparecem com 3–4% cada, sem força para desafiar a polarização atual.
No segundo turno, o quadro virou: até abril, Bolsonaro liderava por margem mínima (44,9% vs 44,7%); agora Lula lidera em todos os institutos — Atlas/Intel (+7 p.p.), Futura/Apex (+5,5 p.p.), CNT/MDA (+4,7 p.p.) e Datafolha (+4 p.p.). Para parte dos investidores, uma eventual reeleição pode significar menos compromisso fiscal e juros de longo prazo elevados por mais tempo.
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