ETF LFTS11: como remunerar seu caixa na bolsa sem burocracia (e o que mudou na tributação)

LFTS11: o ETF do Tesouro Selic que elimina come-cotas e IOF

Todo mundo que opera na bolsa já passou por isso: você liquida uma posição, o dinheiro vai para o caixa da corretora e fica lá, parado, rendendo zero. Enquanto isso, a Selic está em 14% ao ano — e cada dia sem rentabilidade é dinheiro perdido. O LFTS11 endereça esse problema de forma simples: é um ETF de renda fixa negociado na B3 que busca acompanhar o Tesouro Selic, permitindo que seu caixa renda diariamente sem come-cotas, sem IOF e sem precisar abrir conta no Tesouro Direto. Mas há um detalhe tributário decisivo que mudou nos últimos anos e que você precisa conhecer antes de investir.

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R$ 158,53 0,04%
Cotação · atualizada há 14 horas

Fonte: B3 via Brapi. Valores podem ter atraso em relação ao pregão. Conteúdo informativo, não é recomendação de investimento.

Resposta direta: LFTS11 é um fundo de índice negociado na bolsa que investe em Letras Financeiras do Tesouro (LFTs), títulos pós-fixados atrelados à Selic. Ele não tem come-cotas nem IOF e o IR incide apenas na venda das cotas. A alíquota, porém, não segue a tabela regressiva por prazo do investidor: em ETFs de renda fixa ela depende do prazo médio da carteira do fundo — e, no caso do LFTS11, a classificação atual é a de carteira de curto prazo, com alíquota de 25%.

O que é o LFTS11? Entenda em 4 pontos essenciais

1. ETF de renda fixa na B3

O LFTS11 é um ETF (fundo de índice) listado na B3 sob o código LFTS11 e gerido pela Investo. Você compra e vende cotas exatamente como faz com ações, pelo mesmo home broker. Não precisa acessar outra plataforma nem abrir conta no Tesouro Direto.

2. Carteira concentrada em LFTs

Na prática, o fundo investe praticamente toda a carteira em Letras Financeiras do Tesouro (LFTs), títulos públicos que acompanham a taxa Selic. Ao comprar uma cota do LFTS11, você está indiretamente exposto ao mesmo tipo de título do Tesouro Selic, com a diferença de que tudo é operado pela bolsa.

Portanto, o rendimento tende a acompanhar a Selic acumulada diariamente. Com a taxa em 14% ao ano, o fundo segue essa referência, descontados os custos do produto.

3. Estrutura transparente e regulada

Como todo ETF, o LFTS11 é regulado pela CVM e tem a vantagem da transparência: a composição da carteira é divulgada periodicamente pela gestora. O objetivo declarado da gestão é manter a performance próxima do índice de referência, mas trata-se de uma meta, não de uma promessa: nenhum fundo pode garantir resultado, e rentabilidade passada não representa garantia de rentabilidade futura. Para verificar o desvio efetivo em relação ao índice (tracking error), consulte os relatórios e lâminas publicados pela própria gestora.

4. Risco soberano e sem FGC

As LFTs são títulos do governo federal, ou seja, o risco de crédito é o menor disponível no mercado brasileiro. No entanto, assim como o Tesouro Direto, o LFTS11 não tem cobertura do FGC. Para quem busca essa proteção, o caminho é combinar a alocação com CDBs de bancos sólidos dentro dos limites garantidos.

Como o LFTS11 funciona na prática?

Imagine deixar R$ 10 mil parados na conta da corretora rendendo zero. Com o LFTS11, esse mesmo valor passa a acompanhar a Selic diariamente. Veja como isso acontece:

Quando você compra cotas pelo home broker, o dinheiro é destinado à aquisição de LFTs. Esses títulos rendem conforme a Selic, e o valor das cotas acompanha essa valorização. Não é preciso reinvestir nada manualmente: o rendimento se acumula dentro do próprio fundo.

Exemplo prático:

Com a Selic em 14% ao ano, R$ 1.000 investidos acumulariam cerca de R$ 140 brutos em um ano, antes de custos e imposto. Descontada a taxa de administração, o rendimento antes do IR ficaria pouco abaixo desse valor. No Tesouro Selic direto, com custódia isenta até R$ 10 mil, o bruto seria semelhante — a diferença relevante aparece na tributação, como mostramos adiante.

A liquidez é um ponto forte. Diferentemente de fundos tradicionais, que podem ter prazos de resgate, as cotas do LFTS11 podem ser vendidas a qualquer momento durante o pregão. A liquidação financeira acontece em D+1 — diferente das ações, que liquidam em D+2 na B3.

Além disso, o lote mínimo é de apenas uma cota. Ou seja, mesmo quem começa com pouco consegue acessar o produto. Na prática, o LFTS11 funciona como um “caixa remunerado” integrado à sua conta de bolsa.

Quais são as vantagens reais do LFTS11?

A dúvida mais comum é: por que escolher esse produto se já existe o Tesouro Selic? A resposta está em vantagens operacionais que fazem diferença no dia a dia:

1. Sem come-cotas

Fundos de renda fixa tradicionais sofrem com o come-cotas: a cada seis meses (maio e novembro), o IR é antecipado, reduzindo o capital investido e o efeito dos juros compostos. Nos ETFs de renda fixa, o IR só é recolhido quando você vende as cotas. Todo o rendimento continua acumulando dentro do fundo até o resgate.

2. Isenção de IOF

Quem já resgatou uma aplicação de renda fixa antes de 30 dias conhece o efeito do IOF regressivo, que no primeiro dia consome a quase totalidade do rendimento. Na venda de cotas de ETF na bolsa, não há incidência de IOF. Se precisar do dinheiro em uma semana, o rendimento acumulado permanece.

Para quem opera com frequência ou precisa de liquidez imediata, essa característica é decisiva.

3. Integração total com a bolsa

Quem investe em ações, FIIs ou outros ETFs conhece o transtorno de transferir dinheiro entre plataformas. Com o LFTS11, tudo fica concentrado no mesmo home broker. Em poucos cliques, você vende cotas para comprar uma ação ou para cobrir um saque.

4. Risco soberano

A carteira é composta essencialmente por LFTs, títulos do governo federal. Isso significa que o risco de crédito é o mais baixo do mercado brasileiro. Não há exposição a bancos ou empresas privadas.

Em resumo: o LFTS11 é uma forma prática de ter exposição pós-fixada sem sair da bolsa. As vantagens são principalmente operacionais — na tributação, como veremos, ele deixou de ser o mais eficiente.

LFTS11 vs Tesouro Selic direto: qual vale mais a pena?

A decisão depende do seu prazo e da sua forma de operar. Veja o comparativo:

Característica LFTS11 Tesouro Selic Direto
Come-cotas Não Não
IOF (até 30 dias) Isento Sim, regressivo
Alíquota de IR 25% (carteira classificada como de curto prazo, independente do seu prazo) Regressiva (22,5% a 15%)
Custo anual Taxa de administração (confirmar na lâmina da gestora) 0,20% a.a.* (custódia B3)
Liquidez Bolsa (liquidação em D+1) D+1
Acesso Qualquer corretora Plataforma Tesouro Direto

*Isenção de custódia B3 até R$ 10.000 por CPF no Tesouro Selic.

O ponto crítico é a tributação:

O Tesouro Selic direto segue a tabela regressiva de IR: 22,5% até 180 dias e 15% acima de 720 dias. No LFTS11, a alíquota não cai com o tempo, porque em ETFs de renda fixa ela é definida pelo prazo médio dos títulos da carteira.

Portanto, para prazos muito curtos e uso operacional, o LFTS11 tende a compensar pela ausência de IOF e pela agilidade. Já para prazos longos, o Tesouro Selic direto (15% após 720 dias) tende a ser mais eficiente do ponto de vista tributário.

Como funciona a tributação do LFTS11?

Aqui está o ponto mais mal compreendido do produto. ETFs de renda fixa não seguem a tabela regressiva pelo prazo do investidor. A alíquota depende do prazo médio de repactuação da carteira do fundo:

  • 25% quando a carteira tem prazo médio de até 180 dias
  • 20% quando o prazo médio fica entre 181 e 720 dias (faixa intermediária)
  • 15% quando o prazo médio é superior a 720 dias

O que mudou: o LFTS11 já foi tratado no mercado sob alíquota de 15%. Após entendimento das autoridades competentes sobre o cálculo do prazo médio das LFTs — tema que gerou repercussão relevante entre gestoras e casas de análise em 2023 e 2024 —, o produto passou a ser enquadrado na faixa de 25%. Ou seja: não há redução de alíquota com o tempo de permanência. Confirme sempre a classificação vigente no informe da gestora e com seu assessor antes de investir.

E o LFTB11? Justamente para endereçar essa questão, foi lançado no mercado um ETF de renda fixa com estrutura desenhada para alongar o prazo médio da carteira — combinando LFTs com um título público longo indexado à inflação — de modo a se enquadrar na faixa de 15%. A contrapartida é relevante: essa parcela longa introduz marcação a mercado e, portanto, mais volatilidade do que o LFTS11, que é essencialmente pós-fixado. Para caixa operacional, menor oscilação costuma valer mais que alíquota menor; para prazos de anos, o inverso pode ser verdadeiro.

Duas características, porém, permanecem válidas para os dois ETFs:

1. Não há come-cotas: o IR só é cobrado na venda, permitindo que o capital renda integralmente dentro do fundo.

2. Não há IOF na venda de cotas na bolsa, mesmo antes de 30 dias.

Veja o impacto real em números: quem investe R$ 10 mil no LFTS11 por três anos com Selic em 14% ao ano continuará sujeito a 25% sobre o rendimento, enquanto no Tesouro Selic direto a alíquota cairia a 15% no mesmo período. Em contrapartida, no giro de curto prazo o LFTS11 evita IOF e mantém tudo no home broker.

Declarar no IR também é simples:

Os rendimentos vão na ficha “Rendimentos Sujeitos à Tributação Exclusiva/Definitiva” (código 06). As cotas em carteira em 31 de dezembro devem ser declaradas na ficha “Bens e Direitos” (código 74). Em caso de dúvida sobre o enquadramento, consulte seu assessor ou um contador.

Em resumo: o LFTS11 é eficiente pela ausência de come-cotas e de IOF, e não pela alíquota. Para prazos longos, avalie Tesouro Selic direto ou alternativas com prazo médio maior.

Para quem o LFTS11 é realmente ideal?

O LFTS11 não é um produto para todos — mas para alguns perfis ele é muito conveniente:

1. Investidores de bolsa que querem caixa remunerado

Se você opera ações, FIIs ou ETFs, certamente já deixou dinheiro na conta da corretora esperando uma oportunidade. Com a Selic em 14% ao ano, deixar R$ 10 mil parados equivale a abrir mão de cerca de R$ 110 por mês (equivalente mensal composto de aproximadamente 1,10%, antes de impostos). O LFTS11 mantém esse capital rendendo enquanto você aguarda o próximo trade.

2. Quem faz alocação tática

Em cenários de juros altos, a renda fixa pós-fixada ganha peso na carteira. O LFTS11 permite ajustar essa exposição em minutos, pelo home broker, sem transferências entre plataformas.

3. Investidores sem acesso ao Tesouro Direto

Algumas corretoras não oferecem Tesouro Direto, mas todas operam na B3. O ETF é, portanto, uma forma de obter exposição semelhante sem trocar de conta.

Agora, quem deve evitar?

  • Quem precisa de FGC: sem cobertura do Fundo Garantidor de Créditos, o produto não atende perfis que exigem essa proteção.
  • Quem investe pensando em anos: a alíquota fixa de 25% pesa no longo prazo frente às alternativas com 15%.

Exemplo prático: um trader que mantém R$ 10 mil no LFTS11 como reserva operacional acumularia, a 14% ao ano, cerca de R$ 1.400 brutos em 12 meses — aproximadamente R$ 1.050 líquidos após IR de 25%, antes da taxa de administração. Em seis meses, o bruto seria da ordem de R$ 677 (juros compostos, não metade linear do ano). Sem o produto, esse dinheiro renderia zero na conta da corretora.

Perguntas Frequentes

Quanto rende R$ 1.000 no Tesouro Selic hoje?

Com a Selic em 14% ao ano, R$ 1.000 aplicados no Tesouro Selic por 12 meses rendem cerca de R$ 140 brutos. Para o prazo de 1 ano, a alíquota da tabela regressiva é 17,5%, o que resulta em aproximadamente R$ 115,50 líquidos (R$ 140 × 82,5%), ainda antes da taxa de custódia da B3 de 0,20% a.a. No LFTS11, o bruto é semelhante, mas o IR aplicado seria de 25%, resultando em cerca de R$ 105 (R$ 140 × 75%).

Disclaimer: Esses valores são estimativas baseadas na Selic de 14,00% a.a. vigente conforme divulgação do Banco Central e desconsideram taxas de administração e corretagem. Rendimentos futuros dependem da taxa Selic em cada período. Consulte o simulador do Tesouro Direto (tesouro.gov.br) para projeções atualizadas.

Quanto rende R$ 20 mil no Tesouro Selic por mês?

Considerando 14% ao ano, o equivalente mensal composto é de aproximadamente 1,10%, o que gera cerca de R$ 220 brutos ao mês sobre R$ 20 mil. Aplicando 17,5% de IR (faixa de 361 a 720 dias), o líquido fica em torno de R$ 182 mensais. O IR, no entanto, só é recolhido no resgate.

Como funciona o Tesouro Direto?

O Tesouro Direto é o programa do governo federal que vende títulos públicos a pessoas físicas. Você compra pelo site do Tesouro ou por corretoras parceiras e recebe rendimentos conforme o tipo de título: Tesouro Selic (pós-fixado), Tesouro IPCA+ (indexado à inflação) ou Tesouro Prefixado (taxa fixa). Os resgates são processados em D+1 e a tributação segue a tabela regressiva do IR.

O LFTS11 paga dividendos?

Não. O LFTS11 é um ETF de renda fixa que acumula rendimentos sem distribuir proventos. O ganho é refletido no valor da cota, e o IR incide apenas na venda.

Posso perder dinheiro no LFTS11?

O risco de crédito é muito baixo, pois o fundo investe em títulos do governo federal. Ainda assim, perdas são possíveis: em situações de estresse fiscal severo ou crise de confiança no governo federal, o prêmio exigido nas LFTs pode subir acima da Selic, provocando marcação a mercado negativa nas cotas. Além disso, vendas simultâneas em volume elevado podem ampliar o spread entre compra e venda na bolsa, impactando o preço de saída.

Qual a diferença entre LFTS11 e um fundo DI?

O LFTS11 não tem come-cotas e é negociado como uma ação na bolsa. Fundos DI sofrem tributação semestral antecipada e costumam ter taxas de administração mais altas. Por outro lado, a alíquota final de um fundo DI de longo prazo pode chegar a 15%, contra 25% no LFTS11 — vale comparar caso a caso.

Conclusão

Em resumo: o LFTS11 é um ETF de renda fixa atrelado à Selic com duas vantagens claras — ausência de come-cotas e de IOF — e uma desvantagem que ficou evidente após a revisão de enquadramento tributário: a alíquota de IR de 25%, que não diminui com o tempo. Por isso, ele se encaixa melhor como caixa remunerado e para alocação tática de curto prazo do que como investimento de longo prazo. Para horizontes mais longos, vale comparar com o Tesouro Selic direto e com ETFs estruturados para a faixa de 15%, lembrando que estes últimos carregam mais volatilidade.

Se você quer equilibrar sua carteira entre ETFs de renda fixa, Tesouro Selic e outros produtos conforme seu perfil e objetivos, a Renova Invest faz essa análise de forma personalizada. Calculamos o impacto real de IR, custos e liquidez em diferentes prazos para mostrar qual estratégia tende a maximizar seus rendimentos líquidos. Os detalhes tributários podem parecer insignificantes no curto prazo, mas se tornam decisivos ao longo dos anos. Fale com um assessor e descubra como otimizar sua alocação em renda fixa.

Para informações oficiais sobre ETFs de renda fixa, consulte o site da B3.

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Fonte: Banco Central · 20/08/2026

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