O Tether USDT é uma stablecoin cujo valor busca acompanhar o dólar americano na proporção de 1:1 — cada token em circulação deve corresponder a uma reserva equivalente mantida pela emissora. Lançado pelo grupo Tether em 2014, o USDT está hoje entre os criptoativos de maior volume de negociação global. Para o investidor brasileiro, ele representa uma forma de ter exposição ao dólar sem passar pelo mercado de câmbio tradicional — mas com riscos específicos que precisam ser compreendidos antes de qualquer aporte.
Resposta direta: O Tether USDT é uma stablecoin digital que busca acompanhar o valor do dólar americano. Cada token tende a valer cerca de US$ 1,00, embora possa divergir temporariamente dessa paridade. O investidor brasileiro pode comprá-lo em exchanges que operam no país usando PIX, com o preço em reais variando conforme o câmbio USD/BRL, além de spreads e tarifas da plataforma. Não é moeda de curso legal, mas funciona como “dólar digital” em operações cripto.
O que é o Tether USDT? Resposta direta
O Tether USDT é uma stablecoin — um tipo de criptoativo projetado para manter valor relativamente estável — com paridade de referência de 1:1 com o dólar americano. O USDT foi lançado pelo grupo Tether em 2014 e atualmente é emitido pela Tether International, S.A. de C.V., após redomicílio do grupo. Cada token em circulação deve ser lastreado por reservas equivalentes mantidas pela emissora.
O preço do USDT tende a acompanhar o dólar, mas pode divergir temporariamente de US$ 1,00. Por isso, ele é amplamente usado como moeda de referência dentro do ecossistema cripto: investidores que querem sair de uma posição volátil sem converter para reais frequentemente migram para USDT.
No Brasil, o USDT é cotado em reais. Sua cotação em BRL tende a acompanhar o câmbio USD/BRL, mas também reflete spreads, tarifas, liquidez local e eventual descolamento da paridade — por isso não necessariamente coincide com a PTAX, que é apenas uma taxa de referência apurada pelo Banco Central junto a dealers. Com o dólar PTAX em torno de R$ 5,0723 (conforme BCB, 03/08/2026), 1 USDT tende a valer aproximadamente R$ 5,07, sujeito às variações acima. Esse comportamento o aproxima de um ativo cambial.
O USDT está entre os criptoativos de maior volume de negociação global, disputando as primeiras posições em diversas exchanges.
O USDT não é moeda de curso legal no Brasil nem nos Estados Unidos. Trata-se de um ativo digital privado emitido por uma empresa, sem garantia governamental. Essa distinção é fundamental: ao contrário de um dólar em conta bancária, o USDT não conta com proteção de fundo garantidor como o FGC brasileiro ou o FDIC americano.
A emissora afirma manter reservas para dar lastro aos tokens. Segundo os relatórios de reservas publicados pela empresa, essas reservas incluem caixa e equivalentes e títulos do Tesouro dos EUA, mas também outros ativos, como metais preciosos, bitcoin, ações, empréstimos garantidos e investimentos diversos. Portanto, nem todo o lastro consiste em dólares ou ativos de liquidez imediata — ponto que abordaremos na seção de riscos.
Para quem o USDT faz sentido?
O USDT serve a três usos principais.
- Reserva de valor dentro do ecossistema cripto: o investidor mantém posição em “dólar digital” sem precisar sacar para o sistema bancário.
- Transferência internacional de valor: enviar USDT entre países costuma ser mais rápido e barato do que uma remessa bancária convencional.
- Exposição cambial: proteção contra a desvalorização do real para o investidor que busca dolarização sem mercado de câmbio tradicional.
Em resumo: o USDT é a ponte entre o mundo cripto e o dólar americano. Para quem investe em criptoativos, ele é tão essencial quanto o real é para quem opera na bolsa brasileira. Para o investidor tradicional, representa uma alternativa de dolarização com liquidez 24 horas — mas com riscos que não existem em produtos regulados.
Como funciona o Tether USDT na prática?
O mecanismo de minting e burning
O USDT mantém sua paridade com o dólar por meio de um mecanismo de emissão e queima de tokens, conhecido como minting e burning. O funcionamento é o seguinte: quando participantes autorizados (clientes verificados, em geral grandes agentes) depositam dólares junto à emissora, novos tokens USDT são criados (mintados) na blockchain. Quando esses participantes resgatam dólares, os tokens devolvidos podem ser destruídos (queimados) ou mantidos fora de circulação na tesouraria. A emissão e o resgate direto dependem de verificação (KYC), limites mínimos e tarifas.
Na prática, o investidor brasileiro raramente interage diretamente com a emissora. O fluxo mais comum é o seguinte: o investidor deposita reais em uma exchange, compra USDT no par USDT/BRL e passa a deter tokens em sua conta na plataforma. A exchange, por sua vez, gerencia a conversão e a custódia dos ativos.
Exemplo numérico concreto
Com o dólar PTAX em torno de R$ 5,0723, um investidor que deposita R$ 500,00 em uma exchange e compra USDT recebe entre aproximadamente 97 e 98 USDT, dependendo do spread cobrado pela plataforma (que pode variar, conforme a exchange e o momento). Com um spread de 1,5%, por exemplo, R$ 500 resultariam em cerca de 97,1 USDT. A faixa de spread deve ser verificada com data e fonte na própria exchange antes da operação.
Se o dólar subir para R$ 5,30, esses cerca de 97 USDT passam a valer aproximadamente R$ 514 em reais — uma valorização em torno de 2,8% em BRL frente aos R$ 500 investidos, já descontado o spread de 1,5%, apenas pelo efeito cambial.
Como a paridade é mantida?
O mecanismo de paridade funciona porque existe arbitragem de mercado, feita principalmente por participantes elegíveis e grandes agentes. Se o USDT cai abaixo de US$ 1,00 em alguma exchange, esses participantes podem comprar tokens no mercado e resgatá-los por dólares junto à emissora, gerando pressão compradora que tende a restaurar o preço. Se o USDT sobe acima de US$ 1,00, participantes autorizados exploram a arbitragem comprando USDT diretamente da emissora a US$ 1,00 e vendendo nas exchanges com prêmio, o que tende a forçar a convergência de volta para US$ 1,00. Trata-se de oportunidade potencial de arbitragem, sujeita a tarifas, limites, tempo de liquidação e riscos operacionais e de contraparte — não de lucro garantido.
Esse sistema funciona enquanto a emissora mantém liquidez suficiente para honrar os resgates. Em momentos de estresse do mercado cripto — como ocorreu em crises anteriores do setor — o USDT já registrou pequenos descolamentos temporários de sua paridade. Esses episódios foram breves, mas ilustram que a paridade não é absoluta nem garantida por lei.
USDT não rende juros
Na prática, o investidor precisa entender que o USDT não rende nada por si só. Diferentemente de um CDB ou de um fundo de renda fixa, manter USDT parado em carteira não gera juros. O ganho potencial vem exclusivamente da variação cambial USD/BRL. Portanto, o USDT é um instrumento de exposição cambial, não de renda fixa — e deve ser tratado como tal no planejamento financeiro.
Em quais redes o USDT circula? ERC-20, TRC-20 e outras
O USDT existe em múltiplas blockchains simultaneamente. A escolha da rede afeta o custo da transação, a velocidade de confirmação e a compatibilidade com carteiras e exchanges. No Brasil, entre as redes mais utilizadas estão Ethereum (ERC-20) e Tron (TRC-20) — e confundir as duas é um dos erros mais custosos que um iniciante pode cometer. Vale destacar que a “taxa de rede” (custo da blockchain) não se confunde com a “tarifa de saque” cobrada pela exchange, que é definida por cada plataforma.
| Rede | Padrão | Custo relativo da transação |
|---|---|---|
| Ethereum | ERC-20 | Tende a ser mais alto e variável, especialmente em congestionamento |
| Tron | TRC-20 | Tende a ser baixo; depende de energia, largura de banda e staking de TRX |
| Solana | SPL | Tende a ser muito baixo |
| BNB Chain | BEP-20 | Tende a ser baixo |
Os valores acima são referências qualitativas e não substituem a consulta às tarifas vigentes na rede e na exchange no momento da operação.
ERC-20: a rede com maior suporte em exchanges
O padrão ERC-20 roda na blockchain Ethereum. Não é a versão mais antiga do USDT: o token foi originalmente criado sobre a Omni Layer, ligada à rede Bitcoin, cujo uso hoje é residual. Ainda assim, o ERC-20 é uma das versões mais difundidas e amplamente suportadas — praticamente toda exchange aceita USDT ERC-20. A desvantagem são as taxas de rede (gas fees), que podem ser altas em períodos de congestionamento. Para transferências pequenas, o custo da taxa pode consumir parte relevante do valor enviado.
TRC-20: baixo custo de transação
O padrão TRC-20 roda na blockchain Tron. É bastante utilizado por conta do custo geralmente baixo por transação. Na Tron, uma transferência TRC-20 consome largura de banda e energia; o custo pode ser próximo de zero para quem possui recursos obtidos via staking de TRX, ou exigir queima variável de TRX, dependendo do estado da conta destinatária e dos parâmetros vigentes da rede. Antes de escolher a rede, verifique quais padrões são suportados na exchange de origem e na plataforma ou carteira de destino, bem como as respectivas tarifas de saque.
O risco de envio na rede incorreta
O risco mais grave ao operar com USDT em diferentes redes é o envio na rede incorreta. Cada endereço de carteira é específico para uma rede. O envio pela rede errada — por exemplo, mandar ERC-20 para um endereço que só aceita TRC-20 — pode tornar os ativos inacessíveis. A transação não pode ser revertida na blockchain, e eventual recuperação depende da compatibilidade técnica, do controle das chaves e da política da plataforma envolvida; portanto, não é garantida. Antes de qualquer saque, confirme a rede tanto na exchange de origem quanto no destino — sem exceção.
Outras redes: quando importam?
Além de Ethereum e Tron, o USDT também circula em Solana (padrão SPL), BNB Chain (BEP-20) e outras redes. Cada uma tem características próprias de velocidade e custo. Para o investidor brasileiro que usa USDT apenas para exposição cambial dentro de uma exchange, a rede raramente importa no dia a dia — a escolha só se torna relevante ao sacar para uma carteira própria ou transferir entre plataformas.
A implicação prática é direta: ao sacar USDT de uma exchange, sempre selecione a rede que o destino aceita. Em caso de dúvida, prefira enviar um valor pequeno de teste antes de transferir o montante total.
Como comprar USDT no Brasil em 2026?
O investidor brasileiro pode comprar USDT em exchanges que operam no país, utilizando PIX, TED ou cartão de crédito, com pares de negociação USDT/BRL. O processo é acessível e pode ser concluído em menos de 30 minutos após a abertura da conta.
Passo a passo: 5 etapas
- Escolher uma exchange que atenda ao regime brasileiro. Verifique no Banco Central se a entidade está autorizada a funcionar ou, quando aplicável ao regime de transição, formalmente em processo de autorização como prestadora de serviços de ativos virtuais, consultando individualmente o serviço oficial “Encontre uma instituição”. Plataformas como Mercado Bitcoin e Foxbit atuam com entidade domiciliada no Brasil; já plataformas estrangeiras (como a Coinbase) operam sem prestadora nacional autorizada, o que submete o investidor ao regime tributário e regulatório aplicável a exchanges no exterior. Confirme a situação de cada empresa antes de depositar recursos.
- Criar conta e passar pelo KYC. KYC (Know Your Customer) é o processo de verificação de identidade. Você precisará enviar RG ou CNH e, em alguns casos, comprovante de residência. O processo é obrigatório e costuma ser aprovado em minutos.
- Depositar reais via PIX. A maioria das exchanges aceita PIX com crédito imediato. Não há custo de depósito na maior parte das plataformas.
- Executar ordem de compra no par USDT/BRL. Localize o par USDT/BRL na plataforma e insira o valor em reais que deseja converter. A exchange exibirá quantos USDT você receberá após o spread.
- Escolher a rede ao sacar. Se quiser transferir os USDT para uma carteira própria, selecione a rede correta e verifique a tarifa de saque aplicável.
Cenário real: R$ 1.000 convertidos em USDT
Com R$ 1.000,00 e o dólar PTAX em torno de R$ 5,0723, o investidor recebe aproximadamente 194 USDT após um spread de 1,5% cobrado pela exchange (o valor exato depende do spread praticado, que deve ser verificado com data e fonte).
Se o dólar subir para R$ 5,30 em seis meses, esses 194 USDT valerão cerca de R$ 1.028 — uma valorização de aproximadamente 2,8% em reais frente ao capital de R$ 1.000 investido, já descontado o spread de 1,5%, exclusivamente pelo movimento cambial. Se o dólar cair para R$ 4,80, o valor em reais cairá para cerca de R$ 931.
Segurança e regulamentação
É importante destacar que a compra de USDT no Brasil é lícita. O Banco Central já dispõe de regras aplicáveis às prestadoras de serviços de ativos virtuais, sujeitas a normas de prevenção à lavagem de dinheiro e proteção ao consumidor. Porém, o USDT não tem cobertura do FGC — se a exchange enfrentar problemas, os ativos custodiados por ela podem não ser recuperados integralmente.
Para o investidor iniciante, a recomendação estratégica é manter o USDT na própria exchange apenas se o valor for pequeno e a plataforma tiver histórico sólido. Para valores maiores, considere transferir para uma carteira de custódia própria (self-custody), onde você controla as chaves privadas — e portanto os ativos.
USDT vale a pena como proteção cambial para o investidor brasileiro?
O USDT tende a acompanhar o câmbio USD/BRL: quando o dólar sobe, o valor em reais do USDT tende a subir em proporção próxima, ainda que sujeito a spreads, tarifas e eventuais descolamentos. Isso o torna uma alternativa de exposição cambial — mas com características, custos e riscos bem diferentes de outros instrumentos disponíveis no mercado brasileiro.
Comparativo: USDT vs. alternativas de exposição cambial
Considere um cenário comparativo com R$ 5.000,00 aplicados de formas diferentes, assumindo que o dólar suba 10% em 12 meses:
USDT em exchange
- Exposição cambial: busca acompanhar o movimento USD/BRL, sujeito a spreads e tarifas
- Custo de entrada: spread cobrado pela exchange
- Liquidez: 24 horas, 7 dias por semana
- Tributação: ganho de capital, com regras que variam conforme a domiciliação da exchange (ver detalhamento na seção de riscos)
- Risco adicional: contraparte (emissora do USDT) e custódia (exchange)
Fundo cambial regulado
- Exposição cambial: um fundo classificado como cambial deve manter ao menos 80% da carteira em ativos relacionados direta ou sinteticamente ao fator de risco cambial; a sensibilidade efetiva ao USD/BRL varia entre fundos
- Custo de entrada: taxa de administração (geralmente 0,5%–2% a.a.) e come-cotas semestral conforme a legislação aplicável — 15% para fundos de longo prazo e 20% para fundos de curto prazo
- Liquidez: D+1 a D+5 dependendo do fundo
- Tributação: IR regressivo de 22,5% (até 180 dias) a 15% (acima de 720 dias)
- Risco adicional: gestora e custodiante regulados pela CVM
ETF de ações internacionais listado na B3 (ex: IVVB11)
- Exposição cambial: parcial (exposição ao índice + câmbio)
- Custo de entrada: corretagem + taxa de administração do ETF
- Liquidez: horário de pregão da B3
- Tributação: 15% sobre ganho de capital na venda
- Risco adicional: risco de mercado do índice subjacente
Observação: o IVVB11 é um fundo de índice (ETF) constituído no Brasil e negociado na B3, cuja carteira investe predominantemente no ETF americano IVV — não se trata de BDR.
Quando o USDT faz sentido?
O USDT tem uma vantagem clara: liquidez 24/7 e ausência de prazo de carência. Para quem precisa de exposição cambial com flexibilidade total de horário, é difícil encontrar equivalente no mercado tradicional. Além disso, o custo de entrada pode ser menor que o de um fundo cambial com alta taxa de administração.
Por outro lado, o fundo cambial regulado pela CVM oferece proteção institucional que o USDT não tem. Em caso de insolvência da emissora do USDT ou de outra entidade relevante do grupo Tether, ou de uma exchange sem regulação adequada, o investidor pode perder parte ou todo o capital — sem ressarcimento por fundo garantidor.
Para o investidor brasileiro, o USDT tende a fazer mais sentido como componente de uma estratégia diversificada do que como substituto completo de instrumentos regulados. De modo geral, recomenda-se que a exposição cambial via cripto seja proporcional ao apetite de risco e ao entendimento técnico do investidor sobre custódia e tributação.
Quais são os riscos do Tether USDT?
O USDT apresenta riscos específicos que o diferenciam de qualquer investimento tradicional. Conhecê-los não é opcional — é o pré-requisito para decidir com responsabilidade se esse ativo tem lugar na sua carteira.
1. Risco de contraparte (emissora do USDT)
A paridade do USDT depende da capacidade da emissora de honrar resgates. Em 2021, a CFTC (regulador de derivativos dos EUA) concluiu que a Tether fez declarações enganosas sobre o lastro do token entre 2016 e 2018 e aplicou multa de US$ 41 milhões; a empresa também celebrou acordo com a Procuradoria-Geral de Nova York. Esses fatos são históricos e não demonstram, isoladamente, a situação atual das reservas. Embora a emissora publique relatórios periódicos de reservas, eles não equivalem a uma auditoria completa das demonstrações financeiras do grupo.
A diferença entre asseguração e auditoria completa é relevante: nos relatórios atuais, a BDO realiza trabalho de asseguração razoável sobre o relatório de reservas preparado pela administração, incluindo totais de ativos e passivos na data-base. O escopo, porém, é mais restrito que uma auditoria completa das demonstrações financeiras e não oferece garantia sobre liquidez futura ou capacidade permanente de resgate. Se a emissora enfrentar uma crise de liquidez, o USDT pode perder sua paridade com o dólar de forma abrupta e prolongada.
2. Risco de descolamento da paridade
Em crises severas do mercado cripto, o USDT já registrou descolamentos temporários — o preço caiu brevemente abaixo de US$ 0,99 em episódios de pânico. Para a maioria dos investidores, esses episódios foram irrelevantes. Porém, para quem precisava resgatar exatamente naquele momento, o impacto foi real.
3. Risco regulatório
Reguladores de diferentes países discutem restrições ou proibições a stablecoins privadas. No Brasil, o Banco Central já possui regras aplicáveis às prestadoras e às operações com ativos virtuais e stablecoins, embora o regime continue sujeito a implementação, transição e possíveis alterações. Mudanças regulatórias podem afetar a capacidade de compra, venda ou transferência de USDT.
4. Risco de segurança (hacks e custódia)
Exchanges podem ser hackeadas. Carteiras digitais mal configuradas podem ser invadidas. Diferentemente de um banco, não há seguro governamental para criptoativos custodiados em exchanges. A segurança do USDT depende da segurança da plataforma onde ele está armazenado.
5. Risco de rede (envio incorreto)
Como detalhado anteriormente, enviar USDT na rede errada pode tornar os tokens inacessíveis. Uma transação confirmada na blockchain não é revertida, e eventual recuperação não é garantida.
Tributação: obrigação frequentemente ignorada
O USDT é tratado pela Receita Federal como um criptoativo, e as regras variam conforme a domiciliação da exchange:
- Criptoativos localizados no Brasil (exchanges com sede no país): os ganhos são tributáveis quando o total mensal de alienações do conjunto de criptoativos supera R$ 35.000, com alíquotas progressivas de 15% a 22,5% sobre o ganho de capital, e recolhimento via DARF até o último dia útil do mês seguinte à operação.
- Criptoativos custodiados ou negociados por instituição no exterior, enquadrados como aplicação financeira no exterior: em regra, aplica-se tributação anual de 15% na declaração, sem a isenção mensal de R$ 35.000. Em autocustódia, a residência do contribuinte define a localização do ativo.
Note que o limite de R$ 35.000 considera o total alienado no mês, não o lucro. Por se tratar de matéria complexa, recomenda-se a validação por um contador. Além disso, o USDT deve ser declarado pelo custo de aquisição no Grupo 08 — Criptoativos, código 03 — Stablecoins, quando o valor de aquisição desse tipo de ativo for igual ou superior a R$ 5.000, informando quantidade e local de custódia.
Em resumo: o USDT é um instrumento útil, mas não isento de riscos. Para o investidor brasileiro, a diligência mínima inclui usar apenas exchanges adequadas ao regime nacional, nunca manter valores relevantes sem custódia própria e manter os registros de compra e venda organizados para a declaração de IR.
Resumo prático
- O USDT é uma stablecoin que busca acompanhar o valor do dólar americano, lançada pelo grupo Tether em 2014 e atualmente emitida pela Tether International, S.A. de C.V. — funciona como um ativo digital que busca manter paridade aproximada de 1:1 com o USD, embora possa divergir temporariamente.
- O valor em reais do USDT tende a acompanhar o câmbio USD/BRL; com o dólar PTAX em torno de R$ 5,0723, 1 USDT tende a valer cerca de R$ 5,07, sujeito a spreads, tarifas e liquidez.
- No Brasil, a compra é feita em exchanges via PIX; ao sacar, confirme a rede suportada pelo destino e a tarifa aplicável — e nunca envie na rede errada.
- O USDT não rende juros por si só: o ganho potencial vem exclusivamente da variação cambial USD/BRL.
- Os principais riscos são: insolvência ou crise da emissora do USDT, hack em exchange, descolamento temporário da paridade e mudanças regulatórias.
- Ganhos de capital com USDT são tributados conforme a domiciliação da exchange: alíquotas progressivas de 15% a 22,5% (exchanges no Brasil, com isenção mensal de R$ 35.000 em alienações) ou 15% anual sem essa isenção (exchanges no exterior). Declare o saldo na ficha “Bens e Direitos” do IRPF.
FAQ — Perguntas frequentes sobre Tether USDT
USDT é a mesma coisa que dólar?
Não. O USDT é um criptoativo privado que busca acompanhar o valor do dólar americano, mas não é emitido por nenhum governo. Não tem curso legal, não é garantido pelo Federal Reserve nem pelo Banco Central do Brasil. A paridade de referência 1:1 é mantida por mecanismos de mercado e pelas reservas declaradas pela emissora — não por lei — e pode divergir temporariamente.
Como declarar USDT no Imposto de Renda 2026?
No IRPF 2026 (ano-base 2025), declare o saldo de USDT na ficha “Bens e Direitos”, no Grupo 08 — Criptoativos, código 03 — Stablecoins, quando o valor de aquisição desse tipo de ativo for igual ou superior a R$ 5.000. O valor deve ser informado pelo custo de aquisição em reais, não pelo valor de mercado, com quantidade e local de custódia. Os ganhos de capital seguem regras que variam conforme a domiciliação da exchange (progressivas de 15% a 22,5% no Brasil, com isenção mensal de R$ 35.000 em alienações; ou 15% anual sem essa isenção no exterior). Diante da complexidade, é recomendável a orientação de um contador.
USDT rende alguma coisa?
Por si só, não. Manter USDT em carteira não gera rendimento como um CDB ou Tesouro Selic — não há come-cotas nem taxa de administração. O único ganho potencial vem da valorização do dólar frente ao real.
Algumas exchanges oferecem programas de “rendimento” sobre USDT. Esses produtos podem envolver operações de empréstimo (lending), provisão de liquidez ou outras estratégias — e não devem ser presumidos como staking, já que o USDT não possui mecanismo nativo próprio de proof of stake. A estrutura, a taxa e o risco devem ser verificados nos termos de cada produto. Esses programas têm riscos adicionais de contraparte: se a exchange ou a plataforma enfrentar problemas de liquidez, seu capital pode estar em risco. Não são equivalentes à renda fixa regulada e devem ser analisados com cautela.
É seguro guardar USDT em exchange?
Exchanges adequadas ao regime brasileiro tendem a oferecer mais segurança do que plataformas sem qualquer supervisão. Porém, nenhuma exchange tem cobertura do FGC. Para valores relevantes, a prática recomendada é transferir os tokens para uma carteira de custódia própria (hardware wallet ou software wallet com chave privada controlada pelo investidor). O princípio básico em cripto é: “not your keys, not your coins” — não são suas chaves, não são suas moedas.
Qual a diferença entre USDT ERC-20 e TRC-20?
ERC-20 roda na blockchain Ethereum e tem taxas variáveis, podendo ser altas em períodos de congestionamento. TRC-20 roda na blockchain Tron e tende a ter custo de transação mais baixo, que depende de energia, largura de banda e staking de TRX. Ambos representam o mesmo ativo (USDT), mas são incompatíveis entre si: enviar USDT ERC-20 para um endereço TRC-20 pode tornar os tokens inacessíveis, sem garantia de recuperação.
Como funciona o rendimento oferecido por algumas exchanges?
Algumas plataformas permitem “emprestar” seus USDT para outras operações (chamado de lending) ou alocá-los em estratégias de provisão de liquidez. Em troca, você pode receber uma remuneração — cuja taxa e estrutura variam conforme a plataforma, o produto e o momento do mercado, devendo ser conferidas nos termos oficiais e com data de referência.
Considere um exemplo hipotético: se você mantiver 1.000 USDT em um programa que oferecesse 3% a.a., receberia aproximadamente 30 USDT ao longo de um ano. Isso pode parecer atrativo comparado aos 0% de manter USDT parado. Porém, a diferença para um CDB é crítica: CDBs elegíveis contam com cobertura do FGC de até R$ 250.000 por CPF ou CNPJ, por instituição ou conglomerado prudencial, respeitado o teto global de R$ 1 milhão em garantias pagas dentro de quatro anos — enquanto o programa de lending em exchange não tem proteção equivalente.
Se a exchange entrar em dificuldades financeiras, seus USDT podem estar em risco — não apenas o rendimento, mas também o principal. Portanto, essas operações de lending devem ser consideradas como aplicações de risco moderado a alto, não como renda fixa tradicional.
A diferença entre usar o USDT de forma segura e perder recursos por um erro de rede, descuido na declaração de IR, ou confiança equivocada em um programa de lending está no preparo e na diligência. Se você quer estruturar sua exposição cambial com segurança — seja via cripto, fundos regulados ou ativos internacionais — a Renova pode orientá-lo sobre qual instrumento melhor se alinha com seu perfil de risco e horizonte de investimento. Escolher o instrumento errado, ou usar o certo sem entender os riscos, pode custar mais do que qualquer spread de exchange.
