As criptomoedas têm ganhado relativa popularidade e um dos fatores que contribuem para o cenário é a rentabilidade de parte delas. Mas, antes de pensar em investir, é importante se aprofundar sobre o tem — e isso envolve compreender o que é blockchain.

Quando grandes personalidades falam bem das criptomoedas, muitas pessoas se apressam em investir. Esse é o caso do bitcoin, que teve uma forte valorização após Elon Musk escrever #bitcoin em sua bio no Twitter em 2021, por exemplo.

No entanto, a decisão de investir em criptomoedas requer conhecer seu funcionamento. É por isso que trouxemos este conteúdo que explica o que é blockchain e como ele se relaciona com criptoativos.

Continue lendo e entenda!

O que é blockchain?

A tradução literal de blockchain é cadeia, ou corrente, de blocos. A expressão faz referência ao modo como conjuntos de dados são criptografados e registrados. Essa tecnologia nasceu em 2008, com o bitcoin.

Vale destacar que 2008 foi marcante para o mercado financeiro, uma vez que naquele ano ocorreu o auge da crise do subprime. Foi uma crise financeira internacional desencadeada pela falência do banco americano Lehman Brothers. Justamente naquela época surgiu a ideia do blockchain.

O objetivo da tecnologia seria permitir a validação de informações sem que fosse necessário recorrer a intermediários. Mais especificamente, a intenção era que pessoas pudessem transferir dinheiro entre si, sem a participação de instituições financeiras no processo.

Assim, o blockchain nasceu para possibilitar a independência em relação a instituições financeiras e, por meio dessa tecnologia, surgiu o bitcoin. No entanto, ela é tão promissora que tem sido adotada em outros diversos setores para o registro seguro de dados.

É digno de nota que não se sabe exatamente quem criou a tecnologia. A pessoa se apresentou ao mundo como Satoshi Nakamoto, mas esse é apenas um pseudônimo. Na verdade, o sistema pode ser o trabalho de um conjunto de programadores que não quiseram se identificar.

Como funciona o blockchain?

O blockchain está associado a diversos conceitos e termos técnicos estrangeiros. Mas não se preocupe, pois você verá que não é difícil entender o funcionamento da tecnologia.

Pense, primeiramente, nos métodos tradicionais de registro de transações. Por exemplo, se você quer enviar dinheiro a alguém, provavelmente usará os serviços de uma instituição financeira, certo?

Essa instituição registra o débito na sua conta e o crédito na outra, identificando também o remetente e o favorecido. Assim, é preciso que haja uma intermediária atestando todas as transações que as pessoas realizam.

Quer saber mais sobre as moedas digitais que estão fazendo sucesso no mundo dos investimentos?

Baixe nosso e-book elaborado por especialistas Renova Invest




O mesmo se aplica a registros não financeiros. Por exemplo: quando é preciso comprovar a validade de um documento, normalmente é necessário recorrer a um cartório.

No entanto, imagine agora um método de registro e validação de informações sem uma instituição intermediária. No caso das criptomoedas, todo esse processo é realizado por uma rede de computadores espalhados pelo mundo.

Uma característica marcante dessa rede é o fato de ela não pertencer a uma instituição. Alguns usuários colocam seus computadores à disposição do blockchain, permitindo que suas máquinas atuem no registro e na validação das transações.

Tais computadores são de alta performance, uma vez que precisam resolver cálculos matemáticos que têm um alto nível de complexidade. Isso é conhecido como processo de mineração, executado pelos mineradores.

Esses são usuários voluntários da rede, os quais são recompensados com frações das criptomoedas que mineram. São eles, portanto, os responsáveis por validar e registrar transações, garantindo que elas sejam legítimas.

As transações feitas pelos usuários são reunidas em blocos, e, assim que cada um é fechado, é gerada uma hash. A seguir, entenda esse conceito!

O que é hash?

A hash é uma frase composta por um conjunto de caracteres. Ela é como uma impressão digital e serve como uma assinatura única que identifica o bloco.

Na geração da hash, leva-se em conta cada caractere presente nas transações que fazem parte do bloco. Dessa forma, a mudança de uma simples letra em uma transação seria suficiente para alterar a hash.

Assim que a hash é gerada, ela é inserida no próximo bloco. Na sequência, são colocadas as informações das próximas transações e, no final desse próximo bloco, é gerada uma hash para ele. Isso deu origem à ideia de uma corrente, o que levou à expressão cadeia de blocos, ou blockchain.

Qual é a relação entre o blockchain e as criptomoedas?

Algumas pessoas confundem a tecnologia blockchain com o bitcoin. Mas você já entendeu que o blockchain é um método de registro e validação de dados, não é?

Isso ocorre com a participação de inúmeros computadores espalhados pelo mundo, cada um ajudando na mineração. Logo, o blockchain é uma tecnologia autônoma, que está na base do funcionamento do bitcoin, mas não se confunde com ele.

E o que é bitcoin? O bitcoin é uma moeda digital que surgiu em conjunto com o blockchain. Depois, nos anos que se seguiram à criação do bitcoin, surgiu uma grande variedade de criptomoedas. É possível observar a importância do blockchain no funcionamento delas.

Com o tempo, porém, a tecnologia migrou do mercado de criptomoedas e também começou a ser usada nas transações de outros ativos digitais. Ela é tão poderosa que passou a ser aproveitada pelo mercado financeiro em outras aplicações e até fora dele.

Por exemplo, para proteger direitos autorais, ajudar no rastreamento de cadeia de suprimentos em empresas, registrar dados de cidadãos em países e em outras aplicações. Isso se deve à segurança que o blockchain oferece.

Quais são as vantagens do blockchain?

Entre os motivos para o interesse crescente no blockchain está o conjunto de benefícios que ele pode oferecer. Por causa de suas características de funcionamento, ele pode servir para atender a necessidades variadas.

A seguir, veja quais são algumas das principais vantagens do blockchain!

Segurança

Talvez você se pergunte se o blockchain é seguro. Na verdade, segurança e confiança estão entre as características mais marcantes dessa tecnologia. As transações são registradas no ledger, que é um arquivo público.

Na prática, os computadores que trabalham na mineração dos dados validam essas informações. Isso ocorre pela chamada prova de trabalho (ou proof of work), em que uma grande quantidade de recursos computacionais é usada para validar transações e gerar o hash.

Por sua estrutura, é quase impossível fraudar o blockchain. Para tanto, seria preciso alterar as informações da transação em todos os computadores.

Mesmo assim, ainda causaria erro na hash, de modo que não seria viável concluir qualquer fraude — e esse é um dos motivos para seu aumento de popularidade.

Privacidade

Outro ponto importante é que as informações sensíveis, incluindo dados pessoais, ficam ocultas, o que une a privacidade à segurança. No entanto, dados como valor, data e hora da transação estão disponíveis para qualquer um consultar, o que contribui para a transparência.

Então, qualquer usuário pode verificar as transações, conhecer seus números e saber quando ocorreram. Porém, não há como identificar quem enviou ou recebeu o montante, de onde a transação partiu ou para onde seguiu.

Descentralização

Em termos de acesso e alcance, a descentralização oferecida pelo blockchain é um dos pontos fortes. Como os próprios usuários da rede atuam na validação, não é preciso contar com uma instituição responsável por acompanhar e autorizar os processos.

Isso oferece mais flexibilidade e permite a troca de dados, arquivos e moedas digitais entre usuários de qualquer parte do mundo, com funcionamento ininterrupto. Há transações que levam minutos a mais, mas, no geral, tudo ocorre de modo eficiente.

Sem burocracia

Ao tentar transferir dinheiro para outro país, você notará que será preciso converter o câmbio, pagar impostos e atender às regras internas e externas de cada sistema financeiro. Portanto, pode ser algo complexo, que exige tempo e demanda mais recursos.

Com o blockchain, a transferência de criptomoedas e também a validação de contratos inteligentes tende a ser rápida e descomplicada. Assim, é possível atender às suas necessidades de modo mais simples.

Maior controle

Adotar a tecnologia blockchain é uma forma de o usuário obter mais controle a respeito das suas transações e dos ativos digitais. Uma criptomoeda, por exemplo, não depende da existência de um banco.

Contratos digitais e registros também deixam de estar atrelados à existência de uma entidade certificadora. Logo, é possível ter mais autonomia e controle sobre como os elementos são usados e movimentados.

Quais são os pontos de atenção do blockchain?

Embora a tecnologia seja segura e tenha outras vantagens, o blockchain também exige atenção quanto à sua adoção.

Quem investe diretamente em criptomoedas precisa se preocupar com o acesso à carteira digital, por exemplo. Perdê-lo ou deixá-lo exposto a pessoas não autorizadas faz com que não seja mais possível acessar as moedas digitais — e não há a quem recorrer.

Ainda é válido considerar que o protocolo de prova de trabalho, usado por mineradores, exige computadores cada vez mais potentes. É uma situação que eleva o consumo de energia e que fere a ideia de obter um desenvolvimento sustentável.

Portanto, é preciso compreender que o blockchain tem aspectos positivos, mas também deve ser avaliado criticamente, em especial pelos impactos que é capaz de causar.

Como investir em blockchain?

Sabendo que o blockchain é uma tecnologia, fica claro que não é possível investir diretamente nele, já que não é um ativo. Porém, montar uma carteira de criptomoedas pode ser uma forma de aproveitar essa tecnologia e, potencialmente, ganhar com a valorização dos ativos digitais.

Para isso, é preciso saber que o investimento em criptomoedas não é regularizado no Brasil. Ou seja, o uso direto do blockchain para esse fim não tem apoio das instituições regulamentadoras e quem opera nele pode estar mais vulnerável a fraudes e golpes financeiros.

Diante disso, é possível buscar alternativas para aproveitar o blockchain, por meio dos criptoativos, de maneira regulamentada. Fundos de criptomoedas são exemplos de investimentos que já estão regulamentados e podem oferecer exposição a moedas digitais.

Por meio de um ETF de criptomoedas, por exemplo, é possível investir nas principais moedas digitais do mercado. Também há os fundos de criptomoedas, com níveis diferentes de exposição para quem deseja expor a carteira de investimentos a essas condições.

Como o blockchain tem sido usado além das criptomoedas?

Conforme você viu, a tecnologia blockchain é aplicada de modo amplo nas criptomoedas, o que ajuda a garantir transações seguras e anônimas. No entanto, seu uso tem se expandido e alcançado outras tarefas de registro eletrônico.

Um dos novos usos envolve o registro de documentos por meio eletrônico, sem burocracia e com custos muito menores que o processo em cartório. A ideia é usar a tecnologia para dar mais celeridade a transações e também oferecer mais mobilidade.

Ao mesmo tempo, a proposta é aproveitar a segurança e o sistema antifraudes do blockchain para que o registro seja válido. Algumas criptomoedas, por exemplo, já estão desenvolvendo plataformas de registro, em que a moeda é o token utilizado nesse ambiente próprio.

Além disso, o blockchain como é conhecido atualmente pode servir de base para o desenvolvimento de novas estruturas e tecnologias. É o que moedas digitais com caráter inovador estão fazendo, assim como empresas em busca de novas possibilidades.

O intuito é incorporar qualidades e otimizar o desempenho para tornar transações digitais cada vez mais seguras e eficientes.

Qual é o futuro do blockchain?

Por ser uma tecnologia surgida em 2008, o blockchain ainda levanta algumas dúvidas sobre qual pode ser o seu futuro. A preocupação faz sentido, já que não é possível prever quais serão as inovações e como o mercado se moldará.

Porém, com base no que já vem acontecendo, é justo esperar a evolução da tecnologia blockchain, com o desenvolvimento de protocolos e a adaptação a novas necessidades. Então, a tecnologia pode ser capaz de alcançar diferentes objetivos no uso das redes e dos dispositivos.

Ainda assim, é preciso ter cuidado — especialmente ao pensar em investimentos. O mais indicado é buscar alternativas regulamentadas, de modo a gerenciar melhor os riscos associados.

Agora que você compreende o que é blockchain, não é difícil entender a importância da tecnologia para o mundo. Foi ela que possibilitou o surgimento das criptomoedas e também teve seu alcance ampliado para além do mercado financeiro, beneficiando setores de registro de dados.

Quer continuar aprendendo sobre criptomoedas aqui em nosso blog? Assine a nossa newsletter para não perder os nossos próximos conteúdos!