Certificação CFP: o que é e como tirar a sua em 2026

Certificação CFP: o que é e como tirar a sua em 2026

Se você trabalha com planejamento financeiro de pessoas físicas e ainda não tem a certificação CFP®, vale entender o que ela oferece e o que ela não oferece. Em pesquisa de autodeclaração divulgada pela Planejar, metade dos profissionais certificados afirmou ter aumentado a renda após a certificação. Segundo a entidade, o Brasil já tinha mais de 12.000 CFPs em fevereiro de 2026. Este guia explica o que é a certificação, como funciona o exame, quanto custa e em que situações ela faz sentido para a sua carreira.

Resposta direta: A certificação CFP® (Certified Financial Planner) é uma credencial internacional de distinção concedida no Brasil pela Planejar. Qualquer interessado pode prestar o exame, que tem 140 questões em 8 módulos. Para receber a certificação e usar a marca CFP®, depois da aprovação é preciso cumprir os demais requisitos: comprovar ensino superior completo e 3 anos de experiência profissional elegível, concluir o curso e obter aprovação no Plano Financeiro, e aderir ao Código de Ética.

O que é a certificação CFP®

A certificação CFP® (Certified Financial Planner) é o título de maior reconhecimento internacional em planejamento financeiro integrado para pessoas físicas. No Brasil, ela é concedida pela Planejar — Associação Brasileira de Planejamento Financeiro, entidade autorizada pelo Financial Planning Standards Board (FPSB). O FPSB é o organismo global que detém e licencia a marca CFP® em 29 territórios.

É importante distinguir dois tipos de credenciais no mercado financeiro. De um lado estão as autorizações da CVM, exigidas para exercer atividades reguladas, como a consultoria de valores mobiliários. Também existem as certificações ANBIMA, exigidas pelos códigos de autorregulação da entidade para profissionais de instituições participantes que exercem atividades elegíveis. A CFP®, por outro lado, é uma credencial de distinção profissional. Ela não é obrigatória para atuar no mercado, mas atesta domínio integrado em seis grandes áreas do planejamento financeiro pessoal.

Essas seis áreas são: investimentos, planejamento tributário, planejamento de aposentadoria, gestão de riscos e seguros, planejamento patrimonial e sucessório, e gestão financeira pessoal. O profissional CFP® é treinado para enxergar a situação financeira do cliente de forma holística. O objetivo não é apenas recomendar produtos, mas construir um plano coerente para toda a vida financeira da pessoa.

O que o título sinaliza para clientes e empregadores? Três coisas concretas:

  • O profissional passou por uma prova exigente. No 52º exame, primeiro de 2026, 43% dos presentes na prova completa foram aprovados. Nas edições anteriores, esse índice ficou em torno de 20% a 21%.
  • Ele comprovou experiência profissional elegível.
  • Ele está sujeito a um Código de Ética com sanções aplicadas pela Planejar.

A manutenção da certificação também exige educação continuada e a observância das regras aplicáveis da Planejar. Ou seja, a CFP® não se mantém sem esforço contínuo do profissional.

Segundo a Planejar, o Brasil ocupa hoje a 5ª posição mundial em número de CFPs certificados, com mais de 12.000 profissionais em fevereiro de 2026. Pelos dados do FPSB, o número de certificados no Brasil cresceu 13,4% em 2024. Esse crescimento acompanha uma maior demanda por planejamento financeiro integrado, além da gestão de carteira de investimentos.

Na prática, o CFP® é o profissional que senta com o cliente, entende seus objetivos de vida e constrói um plano que vai da proteção patrimonial à aposentadoria e à sucessão. Esse perfil é diferente de outros dois:

  • o assessor de investimentos, que foca na distribuição de produtos;
  • o consultor de valores mobiliários, que presta consultoria autorizada pela CVM.

Compreender essa distinção é o primeiro passo para decidir se a certificação faz sentido para a sua trajetória.

Quem pode tirar a certificação CFP?

Segundo a Planejar, não há restrição de formação ou experiência para realizar o exame CFP®: qualquer interessado pode prestá-lo. Os requisitos de formação e experiência são analisados na etapa de certificação, depois da aprovação completa na prova. Para obter a certificação, o candidato precisa comprovar dois pontos:

  • ensino superior completo;
  • 3 anos de experiência profissional elegível.

A Planejar reduziu de 5 para 3 anos o tempo mínimo de experiência exigido. Segundo a entidade, a mudança incentiva profissionais a começar os estudos antes mesmo de atuarem como planejadores.

A experiência considerada elegível costuma envolver áreas como:

  • Investimentos: gestão de carteira, assessoria ou consultoria financeira para PF
  • Planejamento de aposentadoria: previdência privada, PGBL/VGBL, planejamento de renda futura
  • Gestão de riscos e seguros: análise e recomendação de seguros de vida, patrimonial e previdenciário
  • Planejamento fiscal: orientação tributária para pessoas físicas, declaração de IR, estruturação patrimonial
  • Planejamento sucessório: testamento, holding familiar, doação de cotas com usufruto
  • Gestão financeira pessoal: orçamento, controle de dívidas, educação financeira

Os critérios exatos de elegibilidade da experiência são definidos pela Planejar. Por isso, consulte as regras oficiais antes de montar sua documentação. Em geral, atividades com contato real com clientes pessoas físicas tendem a se enquadrar melhor do que funções exclusivamente operacionais ou técnicas internas.

Veja um exemplo hipotético: João tem 27 anos, é formado em Economia e trabalha há 3 anos como assessor de investimentos em uma corretora. Ele atende diretamente clientes pessoas físicas, recomenda alocações e acompanha carteiras. Ele pode prestar o exame e, após a aprovação, submeter sua experiência à análise da Planejar na etapa de certificação.

Um detalhe importante: a aprovação na prova não encerra o processo, e há dois prazos distintos.

  • Modalidade modular: os 8 módulos precisam ser aprovados em até 24 meses, contados a partir do primeiro módulo aprovado.
  • Depois do exame completo: concluída a aprovação no exame, seja na prova completa ou nos 8 módulos, o candidato tem 3 anos para cumprir os demais requisitos. São eles: o curso e o Plano Financeiro, a comprovação de formação e experiência, a adesão ao Código de Ética e o pagamento da anuidade.

Portanto, se você está começando agora na área financeira, pode fazer o exame antes de completar os 3 anos de experiência. Depois da aprovação completa, terá 3 anos para comprovar formação, experiência e os demais requisitos. Planejar essa sequência com antecedência evita perder a validade das aprovações parciais.

Como funciona o exame CFP® em 2026?

O exame CFP® em 2026 conta com 140 questões de múltipla escolha distribuídas em 8 módulos. A prova pode ser feita de duas formas: como prova completa, com todos os módulos de uma vez, ou módulo a módulo, conforme a estratégia do candidato. No 52º exame, o primeiro de 2026, 43% dos candidatos presentes na prova completa foram aprovados.

Os 8 módulos do exame CFP® em 2026 são:

  1. Planejamento Financeiro: Princípios, Processos e Habilidades — fundamentos do processo de planejamento, relacionamento com o cliente, ética e responsabilidade profissional
  2. Gestão Financeira — orçamento pessoal, gestão de dívidas, fluxo de caixa e análise patrimonial
  3. Investimentos — renda fixa, renda variável, fundos, derivativos e, a partir de 2026, criptoativos
  4. Planejamento de Aposentadoria — previdência social, previdência complementar, PGBL, VGBL e planejamento de renda na terceira idade
  5. Planejamento de Seguros e Gestão de Risco — seguros de vida, invalidez, patrimonial e análise de necessidades de proteção
  6. Planejamento Tributário — tributação de pessoas físicas, IR sobre investimentos, planejamento fiscal legal
  7. Planejamento Patrimonial e Sucessório — holding familiar, testamento, ITCMD, doação e inventário
  8. Psicologia no Planejamento Financeiro — vieses comportamentais, finanças comportamentais e comunicação com o cliente

A lógica de fazer módulo a módulo é interessante para profissionais que já dominam certas áreas. Um especialista em previdência, por exemplo, pode fazer primeiro o módulo 4 e completar os demais aos poucos. Veja como as duas opções se comparam em custo, com base nos valores divulgados pela Planejar:

  • Prova completa: R$ 1.774, com todos os 8 módulos de uma vez.
  • Modalidade modular: um módulo isolado custa R$ 689. Os pacotes com mais módulos custam mais: sete módulos saem por R$ 2.840.

Para quem pretende fazer todos os módulos, a prova completa tende a ser a opção de menor custo e exige menos idas ao local de aplicação. A modalidade modular pode fazer sentido para quem prefere distribuir o estudo e o desembolso, ou para quem precisa refazer apenas alguns módulos.

Quem opta pela estratégia modular precisa organizar um cronograma realista. Os 8 módulos devem ser aprovados em até 24 meses a partir do primeiro módulo aprovado. Caso contrário, as aprovações mais antigas perdem a validade.

Os números do 52º exame precisam ser lidos com cuidado.

  • O índice de 43% se refere aos candidatos presentes na prova completa daquela edição. O relatório divulgado não separa esse percentual por número de tentativas.
  • Esse foi o primeiro exame no formato de 8 módulos. Nas edições anteriores (50º e 51º), as taxas giraram em torno de 20% e 21%. Por isso, a comparação direta entre os resultados não é adequada.
  • O desempenho por módulo varia conforme a edição e a modalidade. No 50º exame, por exemplo, Gestão de Riscos e Seguros teve o menor aproveitamento: 23% de aprovação na prova completa e 13% na modular.

Passo a passo para obter a certificação CFP®

O processo de obtenção da certificação CFP® segue uma sequência clara de 5 etapas. Organizá-las com antecedência é o que diferencia candidatos que concluem o processo daqueles que ficam presos em requisitos pendentes.

Passo 1 — Verificar elegibilidade

Não há pré-requisito de formação ou experiência para fazer o exame. Ainda assim, antes de começar, verifique se você terá como comprovar ensino superior completo e 3 anos de experiência elegível dentro do prazo de 3 anos após a aprovação no exame. Consulte os critérios oficiais da Planejar para confirmar quais atividades são aceitas.

Passo 2 — Inscrever-se no exame pela Planejar

A inscrição é feita diretamente no site da Planejar (planejar.org.br). O processo tem três escolhas principais:

  • prova completa ou módulos individuais;
  • data e local de aplicação;
  • pagamento da taxa de inscrição.

Verifique as datas dos próximos exames no calendário oficial, pois as vagas são limitadas.

Passo 3 — Estudar os 8 módulos

O material de referência oficial é o Guia de Estudos CFP®, disponível no site da Planejar (planejar.org.br/estudar). Além do material oficial, diversas instituições oferecem cursos preparatórios, como FK Partners, Academia Rafael Toro e Pro Educacional. Não há um prazo de preparação que sirva para todos. O Relatório de Desempenho do 52º exame mostra associação entre dedicação e aprovação:

  • candidatos que estudaram mais de dez horas semanais tiveram 49% de aprovação;
  • os que se prepararam por quatro meses ou mais tiveram 47%.

Passo 4 — Ser aprovado na prova

A aprovação pode ocorrer na prova completa ou nos 8 módulos individualmente, dentro do prazo de 24 meses da modalidade modular. Com ela, o candidato recebe a confirmação da Planejar e começa a contar o prazo de 3 anos para concluir os demais requisitos.

Passo 5 — Concluir os requisitos complementares

Segundo a Planejar, o candidato aprovado deve se inscrever no curso sobre o Plano Financeiro em até 60 dias após a aprovação no exame. Depois, precisa concluir o curso e obter aprovação no plano elaborado durante a formação. O Plano Financeiro é um documento técnico. Ele demonstra a capacidade de integrar os conhecimentos dos 8 módulos em uma estratégia financeira coerente para um cliente.

O que é o Plano Financeiro Integrado? É um documento estruturado que analisa a situação financeira completa do cliente nas seis áreas do planejamento: gestão financeira pessoal, investimentos, planejamento tributário, previdência, seguros e planejamento sucessório. O plano deve conter:

  • diagnóstico da situação atual;
  • objetivos do cliente;
  • recomendações integradas;
  • cronograma de implementação.

A extensão do plano, os critérios de avaliação, os prazos de análise e as regras para eventuais ajustes são definidos pela Planejar e podem mudar. Consulte o guia oficial da Planejar para orientações atualizadas antes de começar a elaborar o seu.

Além da aprovação no Plano Financeiro, dentro desse prazo de 3 anos você também precisa:

  • comprovar formação e os 3 anos de experiência elegível, com a documentação exigida pela Planejar;
  • aceitar o Código de Ética e o Guia de Melhores Práticas CFP®;
  • pagar a anuidade de manutenção da certificação à Planejar.

Após cumprir todos os requisitos, a Planejar concede o direito de uso da marca CFP®. O profissional passa então a constar no cadastro público de certificados, que qualquer cliente pode consultar no site da entidade. Esse cadastro é um diferencial importante: o cliente pode verificar se o profissional é realmente certificado e se está em dia com as obrigações éticas.

Quanto custa a certificação CFP?

O custo para obter a certificação CFP® envolve camadas distintas: algumas obrigatórias, com valores oficiais, e outras opcionais. Entender cada uma evita surpresas no orçamento.

Categoria Descrição Intervalo estimado (2026)
Taxa de inscrição (prova completa) Paga à Planejar por exame completo R$ 1.774 (valor oficial)
Taxa de inscrição (módulo único) Paga à Planejar por módulo; há preços próprios para pacotes de 2 a 7 módulos R$ 689 (1 módulo); R$ 819 (2); R$ 1.223 (3); R$ 1.627 (4); R$ 2.032 (5); R$ 2.436 (6); R$ 2.840 (7)
Curso preparatório Opcional — FK Partners, Rafael Toro, Pro Educacional (online ou presencial) Variável conforme instituição e modalidade — consulte cada uma
Anuidade CFP® (primeira anualidade) Manutenção anual da certificação à Planejar, após concluir todas as etapas R$ 965 (valor oficial)
Reinscrição em módulo (reprovação) Por módulo reprovado ou expirado Depende da quantidade de módulos selecionada (a partir de R$ 689)

Sobre os valores acima: As taxas de exame e a anuidade seguem os valores divulgados pela Planejar em seu FAQ. Os cursos preparatórios são opcionais e têm preços definidos por cada instituição. Há ainda o curso obrigatório do Plano Financeiro, cujas condições devem ser verificadas diretamente com a Planejar. Consulte o site oficial da Planejar antes de tomar qualquer decisão financeira, pois os números são revisados a cada ciclo de exame.

A taxa de inscrição varia conforme a escolha entre a prova completa, com desembolso único, e os módulos individuais, com desembolso distribuído ao longo do tempo. Pelos valores oficiais, fazer todos os módulos em inscrições separadas tende a custar mais do que a prova completa. Em compensação, a modalidade modular permite concentrar o estudo em blocos e refazer apenas o que for necessário.

O principal custo opcional é o curso preparatório. Instituições como FK Partners e Academia Rafael Toro oferecem programas que cobrem os 8 módulos. O investimento varia conforme a modalidade (presencial, online ao vivo ou gravado) e a duração do programa. Candidatos com sólida formação técnica prévia às vezes optam por estudar apenas com o material oficial da Planejar, dispensando esse gasto.

A anuidade de manutenção é um custo recorrente. Após a certificação, o CFP® precisa pagá-la todos os anos e cumprir requisitos de educação continuada, com um número mínimo de horas de atualização profissional a cada ciclo. Também precisa observar as regras aplicáveis da Planejar. Esse custo deve entrar no cálculo de qualquer avaliação sobre a certificação.

Por fim, candidatos que reprovam em módulos pagam nova taxa de inscrição para cada retentativa, conforme o número de módulos escolhidos. Isso reforça a importância de uma preparação sólida antes de agendar o exame.

Em resumo: os valores oficiais são R$ 1.774 para a prova completa e R$ 965 de anuidade. A eles se somam o curso obrigatório do Plano Financeiro, eventuais retentativas e, se você optar, um curso preparatório. Por isso, o total varia bastante de um candidato para outro. Vale montar seu próprio orçamento com os valores vigentes antes de começar.

CFP® vale a pena? O que dizem os números

A certificação CFP® tende a ser mais relevante para profissionais que atuam, ou pretendem atuar, com planejamento financeiro de pessoas físicas. A Planejar divulgou uma pesquisa descritiva com uma amostra de 567 profissionais certificados. Nela, 50% declararam ter aumentado a renda após a certificação e 40% afirmaram receber mais de R$ 20 mil mensais. Trata-se de autodeclaração dos respondentes. Os dados mostram percepção e perfil de renda, mas não comprovam que a certificação, por si só, causou o aumento. Profissionais que buscam a CFP® podem já estar em trajetória de crescimento.

A comunidade de certificados também vem crescendo. Segundo o FPSB, o número de CFPs no Brasil aumentou 13,4% em 2024, e a Planejar informa que o país ultrapassou 12.000 certificados em fevereiro de 2026. Esse movimento é compatível com uma demanda maior por planejamento financeiro integrado. Ainda assim, a escolha deve considerar o seu contexto profissional específico.

O modelo de remuneração também merece atenção. Muitos profissionais de distribuição têm parte relevante da renda vinculada a rebate, a comissão paga pelas instituições financeiras sobre os produtos distribuídos. A certificação CFP® não autoriza, por si só, a prestação de serviços regulados. A cobrança de honorários diretos por planejamento financeiro geral, no modelo fee-only, é possível dentro do escopo não regulado. Já recomendações individualizadas sobre valores mobiliários exigem autorização da CVM como consultor.

Veja um exemplo hipotético: Ana trabalha como assessora de investimentos há 4 anos e obteve a CFP®. Com a certificação, decide estruturar um serviço de planejamento financeiro com honorários mensais. Para atuar com recomendações de valores mobiliários nesse formato, ela também avalia o registro na CVM. O resultado financeiro dessa mudança depende do mercado dela, da carteira de clientes e do enquadramento regulatório escolhido.

Para quem está avaliando o retorno financeiro, um exercício útil é simular cenários com os próprios números. Quanto você poderia cobrar por cliente em um serviço de planejamento? Quantos clientes aceitariam esse modelo? Quais custos regulatórios e de manutenção estariam envolvidos? Essa conta varia muito de profissional para profissional e não há garantia de retorno.

Além do aspecto financeiro, há o diferencial competitivo. Em 2026, o Brasil tem cerca de 27 mil assessores de investimentos credenciados, segundo dados da ANCORD e da CVM. Nesse cenário, a certificação pode funcionar como sinal verificável de qualificação técnica integrada em planejamento financeiro pessoal, já que qualquer cliente pode consultá-la no cadastro público da Planejar.

Por outro lado, a CFP® pode não ser o melhor caminho para quem atua exclusivamente com renda variável, gestão de fundos ou análise corporativa. Nesses casos, o CFA (Chartered Financial Analyst) ou certificações ANBIMA específicas podem ser mais relevantes. A decisão deve considerar o perfil de atuação e o público que você quer atender.

Em resumo: se o seu objetivo é construir uma carreira no planejamento financeiro de pessoas físicas, a CFP® é uma credencial que merece ser considerada seriamente. A decisão, porém, depende do seu cargo, do seu modelo de atuação e dos seus objetivos profissionais.

CFP® vs. certificações ANBIMA: qual a diferença?

A CFP® e as certificações ANBIMA existem para finalidades distintas e não são concorrentes diretas. Na prática, muitos profissionais possuem ambas. Entender a diferença é essencial para planejar a trajetória de certificações de forma estratégica.

A principal distinção é de natureza. As certificações ANBIMA vigentes em 2026 incluem a CPA (Certificado Profissional ANBIMA), a C-Pro R (Relacionamento), a C-Pro I (Investimento) e a CGA. Elas são exigidas no âmbito dos códigos de autorregulação da ANBIMA para profissionais de instituições participantes que exerçam atividades elegíveis. O enquadramento depende da atividade efetivamente exercida. A CFP®, por sua vez, é uma credencial de distinção: não é obrigatória, mas atesta domínio integrado em planejamento financeiro pessoal.

As antigas CPA-10, CPA-20 e CEA foram substituídas no novo modelo pela CPA, pela C-Pro R e pela C-Pro I. As provas do novo modelo começaram em fevereiro de 2026. Os titulares das certificações antigas seguem regras de transição divulgadas pela ANBIMA até o fim de 2026.

Certificação Foco principal Natureza
CFP® Planejamento financeiro PF integrado Distinção (não regulatória)
C-Pro R Relacionamento com o investidor Autorregulação (ANBIMA)
C-Pro I Especialização em investimentos Autorregulação (ANBIMA)
CGA Gestão de portfólios Autorregulação (ANBIMA)

Conforme comunicado oficial da ANBIMA sobre as equivalências vigentes em 2026, titulares da CFP® têm equivalência de atividade para CPA, C-Pro R e C-Pro I. Isso significa que podem exercer as atividades abrangidas por essas certificações sem receber uma nova certificação ANBIMA. Trata-se de equivalência de atividade, não de emissão de um novo certificado. Antes de tomar decisões profissionais com base nela, confira as condições detalhadas no site da ANBIMA.

Há também a relação com o registro de consultor de valores mobiliários na CVM. Quem deseja prestar orientação ou recomendação profissional, independente e individualizada sobre valores mobiliários precisa de autorização prévia da CVM, e a CFP® não substitui esse registro. O CFP® certifica competência técnica; a autorização da CVM permite a atividade regulada. São dimensões complementares, não excludentes.

Para um assessor de investimentos que quer evoluir na carreira, uma sequência possível no modelo vigente tem três etapas:

  1. começar pela CPA;
  2. avançar para a C-Pro R e/ou a C-Pro I, conforme a atividade exercida;
  3. em paralelo ou em seguida, buscar a CFP® para agregar competência em planejamento financeiro integrado.

A escolha entre certificações deve ser guiada por uma pergunta simples: qual serviço você quer prestar ao cliente? Se a resposta for “distribuir produtos financeiros em uma instituição participante”, as certificações ANBIMA, ou a equivalência aplicável, são o caminho. Se a resposta for “construir planos financeiros integrados para pessoas físicas”, a CFP® é o diferencial que o mercado reconhece.

Resumo prático

  • O que é: certificação internacional de grande prestígio em planejamento financeiro pessoal, concedida no Brasil pela Planejar sob licença do FPSB, que detém a marca CFP® em 29 territórios.
  • Quem pode: qualquer interessado pode prestar o exame. Para receber a certificação, é preciso comprovar ensino superior completo e 3 anos de experiência elegível após a aprovação.
  • O exame: 140 questões em 8 módulos, em prova completa ou módulo a módulo (com prazo de 24 meses na modalidade modular). No 52º exame, 43% dos presentes na prova completa foram aprovados, na primeira edição do novo formato.
  • Os custos: valores oficiais de R$ 1.774 para a prova completa, a partir de R$ 689 por módulo e R$ 965 de anuidade. Preparatórios são opcionais e variam. Consulte valores atualizados em planejar.org.br.
  • Vale a pena: depende do seu modelo de atuação. Em pesquisa de autodeclaração da Planejar, 50% dos certificados afirmaram ter aumentado a renda e 40% declararam ganhar mais de R$ 20 mil mensais, sem que isso demonstre causalidade.
  • CFP® vs. ANBIMA: são complementares. As certificações ANBIMA (CPA, C-Pro R, C-Pro I, CGA) derivam da autorregulação, e a CFP® tem equivalência de atividade para CPA, C-Pro R e C-Pro I.

FAQ — Perguntas frequentes sobre a certificação CFP®

O que é preciso para tirar a certificação CFP?

Qualquer interessado pode prestar o exame CFP® (140 questões em 8 módulos). Após a aprovação completa, o candidato tem 3 anos para cumprir os demais requisitos:

  • inscrever-se no curso do Plano Financeiro em até 60 dias, concluí-lo e obter aprovação no plano;
  • comprovar ensino superior completo e 3 anos de experiência profissional elegível;
  • aderir ao Código de Ética;
  • pagar a anuidade à Planejar.

Quanto custa para tirar a certificação CFP?

Os valores oficiais divulgados pela Planejar são:

  • R$ 1.774 para a prova completa;
  • R$ 689 para um módulo, com preços próprios para pacotes de 2 a 7 módulos (até R$ 2.840);
  • R$ 965 de anuidade após a conclusão de todas as etapas.

Cursos preparatórios são opcionais e têm preços variáveis. Retentativas custam conforme o número de módulos escolhidos. Consulte os valores vigentes em planejar.org.br, pois são revisados a cada ciclo.

É difícil obter a certificação CFP?

O exame é exigente. No 52º exame, o primeiro de 2026 e o primeiro no formato de 8 módulos, 43% dos presentes na prova completa foram aprovados. Nas edições anteriores, esse índice ficou em torno de 20% a 21%. O desempenho por módulo varia a cada edição: no 50º exame, Gestão de Riscos e Seguros teve o menor aproveitamento. Os dados da Planejar mostram maior aprovação entre quem estudou mais de dez horas semanais (49%) ou se preparou por quatro meses ou mais (47%). A opção de fazer módulo a módulo permite concentrar o estudo em áreas específicas.

O exame CFP® é em português ou inglês?

O exame CFP® aplicado no Brasil é integralmente em português. Não há opção de realizá-lo em inglês. As provas são aplicadas em centros autorizados em todo o país, e o candidato recebe o material de estudo e as questões em português.

Vale a pena fazer a certificação CFP®?

Para profissionais que atuam com planejamento financeiro de pessoas físicas, a CFP® tende a ser uma credencial relevante. Em pesquisa de autodeclaração da Planejar com 567 profissionais, 50% afirmaram ter aumentado a renda após a certificação e 40% declararam ganhar mais de R$ 20 mil mensais. Esses dados não comprovam relação de causa e efeito.

A CFP® também pode apoiar a construção de um serviço de planejamento remunerado por honorários. Recomendações individualizadas sobre valores mobiliários, porém, exigem autorização da CVM. Para quem atua exclusivamente em renda variável ou gestão de fundos, outras certificações podem ser mais adequadas.

Se você está avaliando qual certificação faz mais sentido para a sua trajetória profissional, um especialista pode acelerar essa decisão. A Renova Invest trabalha com profissionais que buscam se certificar e orienta o caminho mais adequado a cada perfil e objetivo de carreira. Fale com um assessor da Renova para explorar se a CFP® alinha com seus objetivos.

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CDI hoje
13,65% a.a.
  • Meta Selic13,75%
  • CDI 12 meses14,47%
  • CDI em 202611,52%
Ver CDI e simulação →
Fonte: Banco Central · 27/10/2026
Dólar hoje
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  • Variação no dia+0,14%
  • Dólar em 2026-2,46%
  • PTAX 28/10R$ 5,3420
Ver cotação e gráfico →
Fonte: Brapi e Banco Central · 28/10/2026 às 13h05

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