De modo a nortear a tomada de decisão antes de investir em Ações, a análise fundamentalista é muito utilizada pelos investidores – especialmente de longo prazo. Ela conta com diversos indicadores para gerar informações sobre a empresa. Um deles é o preço sobre lucro (P/L).

Esse número, em união a outros indicadores, pode ajudar os acionistas a montar uma carteira não só promissora, mas também alinhada aos seus objetivos. Porém, para que isso aconteça, é preciso entender como ele funciona, quais são suas vantagens e limitações.

Você deseja saber mais sobre os diferenciais do indicador (P/L) preço sobre lucro? Veja a seguir!

O que é preço sobre lucro?

Apesar de diversos fatores estarem inclusos na escolha de boas Ações para compor uma carteira de investimentos, o retorno é um dos principais. É comum que os investidores tentem entender se a compra do ativo pode ou não compensar. Assim, visam a escolher aqueles capazes de trazer os melhores resultados.

Mas como saber disso? O P/L pode ajudar. Em linhas gerais, ele é o resultado entre a divisão do preço da Ação pelo lucro acumulado (por Ação) pela empresa nos últimos doze meses. Desse modo, demonstra o quão dispostos os investidores estão em pagar pelo ativo em relação ao lucro que ele oferece.

Ao falar sobre os preços das Ações, estamos nos referindo ao valor de mercado delas. Já o termo “lucro por Ação” diz respeito a uma média que mostra os resultados da empresa relacionados a cada papel emitido.

Na prática, suponha que ao realizar o cálculo do P/L o investidor se deparou com o valor de 7. Isso significa que o preço atual do ativo representa 7 vezes o lucro gerado pela organização nos últimos doze meses.

Para que serve esse indicador?

Agora que você sabe do que se trata o preço sobre lucro, é importante compreender sua função para o investidor. Em resumo, o P/L pode indicar como o mercado financeiro enxerga determinada empresa.

Sendo assim, quanto maior o número resultante ao calcular o indicador, maiores tendem a ser as expectativas em relação ao crescimento da organização.

Contudo, essa não é a única razão por trás de um preço sobre lucro alto. Além dela, é possível que o mercado esteja supervalorizando a perspectiva de evolução do negócio.

Já em termos de um P/L baixo, também existem algumas suposições. A primeira é o que os investidores têm tido bastante lucro com o ativo. Porém, limitar a análise pode ser arriscado. Afinal, o indicador baixo pode ser também reflexo de um desempenho ruim por parte da companhia — que fez com que as expectativas mercadológicas caíssem.

Além disso, o resultado do preço sobre lucro pode se dever a fatores atípicos, que não se repetirão. Desse modo, por mais que a função do indicador P/L seja apresentar a relação entre o valor de mercado da Ação e o lucro por unidade que ela apresentou no último ano, existem várias formas de interpretá-lo.

Quais as vantagens do uso do preço sobre lucro?

Conforme visto, é importante ter uma visão abrangente do cenário por trás dos lucros da empresa antes de investir em seus ativos. Quando isso é feito — em geral ao unir a análise do P/L a outros indicadores, diversos benefícios podem ser obtidos.

Em relação ao uso do preço sobre lucro, uma das vantagens é a facilidade. O indicador traz uma visão rápida do panorama de resultados de uma organização. Dessa forma, o investidor pode entender se há perspectiva de crescimento, o que é interessante para o longo prazo.

Em segundo lugar está a possibilidade de conferir quais empresas estão alinhadas aos seus objetivos e perfil de investidor. Isso pode ser feito ao comparar empresas do mesmo setor — visto que elas compartilham similaridades circunstanciais, como impostos, incentivos e matérias-primas.

Sendo assim, a principal função da análise de fundamentos, como o preço sobre lucro, é oferecer informações para o longo prazo. Por meio dela, o investidor pode decidir que Ações são interessantes para compor sua carteira.

Quais as limitações do seu uso?

Ao conhecer as vantagens do indicador preço sobre lucro, muitos investidores podem se interessar pelo seu uso. Contudo, é preciso tomar alguns cuidados, pois existem algumas desvantagens e limitações.

Confira a seguir:

É preciso combiná-lo a outros indicadores

Em primeiro lugar, está o fato de que o P/L não deve ser usado sozinho. Conforme apresentado, muitos fatores podem estar envolvidos no desempenho operacional de uma empresa.

Assim, é preciso ter um contexto para saber interpretar o resultado do preço sobre lucro de forma efetiva. Utilizar outros indicadores em conjunto é muito válido. Por exemplo, o Preço / Valor Patrimonial e o Dividend Yield.

Oferece poucos dados para criar análises

Essa limitação está ligada à anterior. O fato de não se utilizar um fundamento de maneira isolada se deve à baixa quantidade de dados para a análise. O resultado do cálculo P/L apresenta informações específicas.

Então, para realmente entendê-lo, é preciso conhecer as condições do mercado e do setor, o modelo de negócios da empresa, seu nível de endividamento, questões organizacionais etc. Além disso, vale a pena conhecer o histórico do indicador, para saber se os resultados foram consistentes.

Baixa reflexão da realidade da empresa

Por fim, é possível citar a chance de desalinhamento entre os objetivos do investidor e o cálculo. Um acionista que escolhe comprar uma Ação só porque seu P/L é baixo, por exemplo, está se expondo a maiores riscos.

Afinal, pode estar lidando com uma organização que declinou no último ano e não conseguirá se recuperar. Assim, não trará bons resultados a longo prazo.

De maneira geral, o P/L é um indicador muito relevante dentro da análise fundamentalista. Não é à toa, inclusive, que ele é um dos mais usados pelos acionistas. Assim, é importante considerá-lo, mas é preciso usá-lo com cuidado — como você acabou de ver.

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