Investir no exterior pode ser uma estratégia interessante para equilibrar os resultados de uma carteira em épocas em que o mercado local não vai bem. No entanto, antes de decidir fazer investimentos estrangeiros, é preciso avaliar o Risco-País.

Esse indicador pode ajudar um investidor a tomar melhores decisões de investimentos ao investir no mercado internacional. E o conceito também é importante dentro da própria economia local, ajudando a entender as características do Brasil.

Por isso, neste artigo, você entenderá o que é Risco-País e como ele impacta nos seus investimentos. Acompanhe!

O que é Risco-País?

Risco-País é um indicador econômico utilizado para avaliar quais são as condições de um país arcar com seus compromissos financeiros. Para tanto, são considerados diversos fatores econômicos, sociais e políticos.

Por exemplo, os países que têm uma dívida pública elevada apresentam maior risco de problemas financeiros. Portanto, investir em seus títulos públicos representa um perigo mais alto para o investidor. Enquanto isso, economias mais estáveis são mais seguras.

Processos políticos também influenciam muito no Risco-País. Um exemplo é um processo de impeachment. Isso gera um cenário de incerteza e eleva o risco de se investir em um lugar que enfrenta situação de instabilidade governamental.

Para que serve o Risco-País?

Como você viu, o Risco-País é uma medida que demonstra o grau de estabilidade econômica de um país em relação aos investimentos. Assim, essa é uma ferramenta que ajuda investidores a entender os riscos de determinada escolha.

E ele não serve apenas para aqueles que desejam fazer investimentos no exterior. Os brasileiros também devem analisar o Risco-País do Brasil para entender como sua carteira pode se comportar em determinados momentos.

Como o Risco-País funciona na prática?

Para entender como o Risco-País funciona na prática, é preciso conhecer as formas de medi-lo. Uma delas é por meio do índice EMBI+ (Emerging Markets Bond Index Plus) — que significa Índice de Títulos de Países Emergentes.

Também é possível utilizar o CDS (Credit Default Swap), que é um contrato de SWAP. Existem, ainda, as notas divulgadas por agências de classificação de risco. Elas podem ajudar a complementar a análise do investidor.

Entenda cada uma dessas formas de medir o Risco-País a seguir!

EMBI+

O EMBI+ é um índice calculado pelo banco J.P. Morgan Chase, com base nos títulos emitidos por 19 países do mercado emergente. Entre eles, destacam-se: África do Sul, Argentina, Brasil, Egito, Marrocos, México, Rússia, Turquia e Ucrânia.

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Para o cálculo é feita a média ponderada do spread dos papéis da dívida pública. Então ela é comparada aos títulos do tesouro americano — que são considerados isentos de risco.

Assim, quanto maior for o spread de um título de um país emergente em relação ao título mais seguro, maior será o risco que ele oferece ao investidor. A unidade de medida é por pontos-base, sendo que cada 100 pontos equivale a um percentual de juros.

Por exemplo, se o índice EMBI+ do Brasil fosse estimado em 400 pontos, significaria que a remuneração oferecida pelos títulos públicos do país deveria ser, pelo menos, 4 pontos percentuais superior aos títulos americanos. A finalidade seria compensar os maiores riscos.

CDS

O CDS é um título derivativo que funciona como um seguro para evitar o risco de crédito de um título. Geralmente, ele é emitido por seguradoras, que garantem o pagamento caso haja inadimplência. Assim, quem possui um CDS recebe uma indenização.

Dessa forma, ele se tornou um dos indicadores de Risco-País mais utilizados nas negociações internacionais. Seu preço tem relação com a probabilidade de um país pagar ou não suas dívidas. Logo, se o CDS for baixo, menores são as chances de calote.

E como ele funciona? Suponha que um investidor deseja proteger US$ 10 milhões de títulos e espera recebê-lo em 15 anos. Para evitar um prejuízo, ele paga ao longo desses anos uma porcentagem sobre o valor.

Ao final do prazo, a seguradora paga o investidor, se houver inadimplência ou insolvência, por exemplo. Caso contrário, ele fica com o valor arrecadado pelo título. O CDS também considera o sistema de ponto, do mesmo modo que o EMBI+.

Rating Soberano

O Rating Soberano é uma classificação emitida por uma agência de risco. Entre as mais famosas estão a Standard & Poor´s (S&P), a Fitch Ratings e a Moody´s.

Além de países, elas também avaliam a situação financeira das empresas para dar suporte aos investidores na tomada de decisões. Para isso, classificam os países e os títulos em duas categorias.

Uma delas é o grau de investimento, que ocorre quando é avaliada a capacidade de pagamento. Quanto maior a classificação, maiores são as chances de pagar. A outra categoria se refere ao grau especulativo, sendo o contrário da anterior. Portanto, avalia o maior risco de calote.

Qual o impacto do Risco-País nos investimentos?

Ao chegar até aqui provavelmente você já deve ter entendido por que todo investidor deve conhecer o conceito de Risco-País. Afinal, ele pode afetar bastante os seus investimentos — sejam nacionais ou estrangeiros.

Os efeitos da má avaliação de um país podem ser tanto positivos quanto negativos para os investidores, a depender do seu perfil e objetivos. Isso porque os Governos de países de risco mais alto precisarão oferecer juros maiores para atrair investidores.

Assim, o Risco-País maior pode trazer oportunidades pela relação entre risco e retorno. Isso se você tiver um perfil mais aberto aos riscos — como moderado ou arrojado. Por outro lado, para pessoas mais conservadoras a busca é por um Risco-País menor.

De modo geral, quando se fala em Risco-País o foco está nos efeitos sobre os títulos públicos e outras aplicações de renda fixa. Mas o conceito também pode impactar a renda variável, relacionando-se ao risco de mercado.

Se um país enfrenta instabilidades econômicas ou políticas, a bolsa de valores pode passar por mais volatilidade. Assim, investimentos como as ações podem sofrer impacto e gerar prejuízos para investidores.

Como você viu, o Risco-País é um fator essencial a se considerar antes de investir no exterior. E também é válido para analisar os investimentos dentro da economia nacional. Ele pode ajudar a compor uma carteira da melhor forma.

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