A motivação e o nível de participação dos colaboradores são dois aspectos que podem influenciar diretamente os resultados do negócio. Uma das soluções para essa questão é o PPR, que pode ajudar empresas de diversos tipos.

Esse programa é voluntário, mas tem regras definidas pela legislação. Se ele for seguido adequadamente, pode auxiliar as companhias a alcançarem mais performance — o que também afeta positivamente os investidores.

Quer descobrir o que é o PPR e como ele pode influenciar o desempenho da sua carteira de investimentos? Continue a leitura e saiba mais!

O que é o PPR?

O PPR é a sigla para programa de participação nos resultados, um recurso voltado para a remuneração variável de colaboradores de uma empresa. Como você verá, ele prevê o pagamento com base na performance individual ou em equipe, gerando valores extras para os colaboradores. ​

Como funciona o PPR?

O programa de participação nos resultados funciona com base no pagamento de valores extras para funcionários e times que atingem determinadas metas. Ele serve como uma recompensa pelo alcance de dado desempenho — somando-se ao salário que já está previsto no contrato.

Essa remuneração estratégica pode ser utilizada como uma ferramenta para a gestão de pessoas, desde que as regras sejam obedecidas. Entre os pontos, é importante saber que o PPR deve se estender a toda a empresa.

Logo, não é possível selecionar apenas os líderes de uma equipe ou um setor, por exemplo. No entanto, quem estiver afastado das funções laborais há mais de 180 dias não tem direito à participação.

Quais são as regras desse programa?

Além de conhecer o que significa e como é o funcionamento do PPR, a empresa deve considerar as regras previstas na legislação. A regulamentação do PPR é dada pela Lei 10.101/2000.

A seguir, você poderá saber quais são os pontos mais importantes sobre o tema. Confira!

Criação de comissão

Quando o negócio deseja implementar o PPR, por lei, sua primeira providência deve ser criar uma comissão mista, chamada de paridade. Ela tem que ser composta por representantes da empresa e por colaboradores, em igual número. Também deve estar presente um representante sindical.

A partir disso, a comissão pode debater quais devem ser as regras de aplicação do PPR. É necessário estabelecer quais são as condições para a remuneração extra e quanto será pago a cada momento em que as metas forem atingidas.

A criação da comissão serve para que todas as regras fiquem claras entre as partes. Após a aprovação, o programa pode ser apresentado aos profissionais do empreendimento.

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Princípio da proporcionalidade

Quanto ao funcionamento do PPR, também vale saber que existe o chamado princípio de proporcionalidade. Então quem for contratado durante o período de análise de resultados deve receber o valor de maneira proporcional.

Pense em um PPR pago semestralmente. Se um profissional for contratado no começo do terceiro mês de apuração, o pagamento a ele concedido será de, no máximo, metade do valor. Dessa maneira, é possível garantir que a bonificação ocorra de modo justo.

Tributação

Em relação à cobrança de impostos, os valores pagos via PPR são livres de tributação e recolhimentos por parte da empresa. É diferente dos bônus, que incluem descontos previdenciários e de Imposto de Renda.

Contudo, os profissionais que receberem os montantes deverão declará-los no IR. Isso porque eles são rendimentos tributáveis e, portanto, fazem parte da base de cálculo.

Frequência de pagamento

Outra regra importante é que o PPR só pode ser pago, no máximo, duas vezes por ano. O intervalo mínimo é de um trimestre entre as bonificações, observadas as outras regras. Isso ajuda a evitar que o pagamento de salário seja feito na forma de PPR, devido à isenção de impostos trabalhistas.

Como é pago o PPR?

Apesar de ser necessário seguir as regras gerais, o pagamento do PPR pode ser definido pela própria empresa. O montante é pago em dinheiro, diretamente ao colaborador. Porém, o valor depende das regras definidas.

É possível estabelecer um valor fixo para todos os colaboradores ou determinar pagamentos diferentes de acordo com o cargo, por exemplo. No entanto, todas as questões devem ter sido aprovadas pela comissão inicial.

Quais são as diferenças entre PPR e PLR?

Ao citar o PPR, é comum confundi-lo com o programa de participação nos lucros (PLR). Apesar de serem regulamentados pela mesma lei, eles não são iguais.

Ao contrário do PPR, o PLR não depende apenas do resultado dos times e dos colaboradores. Ele está atrelado ao lucro apurado pela empresa em determinada fase e prevê uma distribuição de parte desses ganhos.

Como consequência, o PLR é mais afetado por fatores externos. Se o negócio não tiver lucro no período, o pagamento não ocorre — mesmo que os resultados sejam alcançados. Já com o PPR, o pagamento é feito ainda que não haja apuração de lucro, desde que os objetivos sejam atingidos.

Quais os benefícios de adotar o PPR?

Pela maneira como funciona, o PPR é uma ferramenta que pode oferecer vantagens para a empresa. Por exemplo, ele é uma forma de estimular a produtividade dos colaboradores, premiando o resultado com um pagamento em dinheiro.

Ele também pode ajudar a aumentar a motivação e o engajamento do time, além de elevar o comprometimento. Isso pode se refletir em mais qualidade produtiva e melhor atendimento aos clientes, por exemplo.

Ainda, é uma forma de aumentar o nível de satisfação dos colaboradores. Por favorecer a retenção de talentos, o PPR é útil para reduzir a rotatividade e pode até melhorar o posicionamento da marca como empregadora.

Qual a importância do PPR para o investidor?

Para quem participa do mercado financeiro, pode ser interessante avaliar a realização de PPR por parte das empresas. Ao investir em ações ou fundos, esse pode ser um fator que auxilia a entender tanto a organização financeira quanto a forma de agir do negócio.

Normalmente, negócios que oferecem PPR apresentam mais resultados — o que pode incluir a lucratividade. Como visto, ele também pode diminuir os custos com demissões e admissões, bem como potencializar a produtividade dos funcionários.

Além de auxiliar a gestão das finanças, esse tipo de remuneração pode fortalecer o aspecto social da sustentabilidade corporativa. Como consequência, pode ajudar na análise fundamentalista ao ser aliado a outros fatores, em busca de alternativas que se mostrem mais vantajosas.

Como você viu, o PPR é um programa relativamente comum no mercado empresarial e que é usado, principalmente, para a melhoria de resultados. Por meio dele, as companhias podem ter mais produtividade e desempenho — e os investidores podem lucrar com isso.

Essas informações foram úteis? Se quiser conhecer mais sobre sustentabilidade e seus impactos no mercado financeiro, veja o que é um investimento ESG!