LCI vs CDB: Qual Rende Mais de Verdade em 2026?
Todo ano, milhares de investidores deixam dinheiro na mesa por não entender a diferença entre LCI e CDB. A isenção de IR da LCI parece vantagem óbvia, mas na prática, um CDB com taxa 20% superior pode render mais — mesmo após impostos. O problema é que a maioria compara apenas percentual do CDI, sem calcular o que realmente cai na conta no vencimento.
Ambos são títulos bancários conservadores, protegidos pelo FGC, mas têm diferenças estruturais que alteram completamente a rentabilidade final. Neste artigo, você vai descobrir exatamente quando cada um compensa, com números reais e sem achismos.
Resposta direta: O produto que rende mais depende da taxa oferecida e do prazo. Uma LCI pagando 88% do CDI pode superar um CDB a 100% do CDI em prazos curtos devido à isenção fiscal. Já CDBs com taxas acima de 110% do CDI geralmente entregam retorno líquido superior em aplicações de 2 anos ou mais, compensando o desconto tributário com rentabilidade bruta maior.
O que é LCI e CDB?
LCI (Letra de Crédito Imobiliário) é um título emitido por bancos para captar recursos destinados ao setor imobiliário. Quando você investe em LCI, está financiando operações como financiamento habitacional e empréstimos para construtoras — e recebe remuneração por esse empréstimo ao banco emissor.
A característica mais importante da LCI é a isenção de Imposto de Renda para pessoas físicas. Esse benefício foi criado pelo governo federal (Lei 11.033/2004) para estimular o financiamento do setor de moradia no Brasil. A taxa divulgada é exatamente o que você recebe — sem descontos no resgate.
CDB (Certificado de Depósito Bancário) representa um título de dívida emitido por bancos para captação geral de recursos. Os valores captados via CDB entram no caixa da instituição e podem ser usados para qualquer finalidade operacional — empréstimos pessoais, capital de giro, expansão.
A diferença brutal: CDB sofre incidência de Imposto de Renda sobre os rendimentos, seguindo a tabela regressiva que começa em 22,5% para aplicações até 180 dias e cai até 15% para investimentos acima de 720 dias. Esse desconto acontece automaticamente no resgate — você recebe o valor já líquido.
Proteção do FGC: como funciona na prática
Ambos são protegidos pelo Fundo Garantidor de Créditos (FGC) até R$ 250.000 por CPF por instituição financeira. Esse limite é compartilhado: se você tem R$ 150.000 em CDB e R$ 150.000 em LCI no mesmo banco, apenas R$ 250.000 do total estarão cobertos.
O erro mais caro aqui: instituições do mesmo conglomerado financeiro compartilham o limite. Manter R$ 200.000 no Banco A e R$ 200.000 no Banco B (ambos do mesmo grupo) não dobra a cobertura — você continua com R$ 250.000 protegidos no total.
O teto global de cobertura é R$ 1.000.000 por CPF a cada período de 4 anos em pagamentos de garantia. Para patrimônios acima desse valor, a diversificação entre múltiplos bancos de grupos diferentes deixa de ser estratégia e passa a ser obrigação.
Prazo mínimo: a trava regulatória da LCI
LCIs têm prazo de carência regulatória que varia conforme o indexador: 90 dias para LCIs atreladas ao CDI (pós-fixadas), 12 meses para prefixadas e 36 meses para indexadas ao IPCA. Durante esse período, você não pode resgatar o título — é obrigação regulatória estabelecida pela B3, não escolha do emissor.
CDBs apresentam flexibilidade maior. Embora existam CDBs com liquidez diária — permitindo resgate a qualquer momento sem perda da rentabilidade — a maioria dos títulos com taxas atrativas possui vencimento fixo. A diferença fundamental: no CDB essa regra de liquidez é contratual, enquanto na LCI o prazo mínimo é imposto por regulação.
O que poucos explicam: A única alternativa para sair de uma LCI antes do prazo mínimo seria negociar o título no mercado secundário — operação que depende de liquidez disponível e pode resultar em deságio. Na prática, LCI deve ser encarada como investimento travado pelo período regulatório.
Como funciona a tributação de LCI e CDB?
A tributação é o principal divisor de águas na comparação entre LCI e CDB. Entender exatamente como o IR é calculado e quando ele mais pesa faz diferença de milhares de reais no resultado final.
LCI: isenção total para pessoa física
Para pessoas físicas brasileiras, a rentabilidade bruta da LCI equivale à rentabilidade líquida. Se uma LCI oferece 90% do CDI e o CDI está em 13,75% ao ano, o rendimento efetivo será exatamente 12,375% ao ano, sem nenhum desconto tributário no resgate.
Essa isenção não é vantagem oferecida pelos bancos — é incentivo fiscal federal. Investidores estrangeiros e pessoas jurídicas pagam 15% de IR independentemente do prazo de aplicação. Para PJ, não existe benefício fiscal em escolher LCI sobre CDB.
CDB: tabela regressiva de IR
A tributação de CDB segue a tabela regressiva de renda fixa, aplicada no momento do resgate ou vencimento:
- 22,5% para aplicações até 180 dias
- 20% de 181 a 360 dias
- 17,5% de 361 a 720 dias
- 15% acima de 720 dias
O imposto incide apenas sobre o rendimento, nunca sobre o principal. Exemplo: investindo R$ 100.000 em um CDB que rende R$ 15.000 em um ano, o IR de 17,5% será calculado sobre os R$ 15.000 de ganho, resultando em desconto de R$ 2.625 e retorno líquido de R$ 12.375.
Esse desconto não é opcional nem pode ser postergado. O IR é retido na fonte pela instituição financeira automaticamente — você recebe o valor já líquido em sua conta.
IOF: penalidade para resgates rápidos
Além do Imposto de Renda, existe a incidência de IOF (Imposto sobre Operações Financeiras) para resgates realizados antes de 30 dias da aplicação, tanto em LCI quanto em CDB.
A alíquota de IOF é regressiva diária: começa em 96% no primeiro dia e cai 3 pontos percentuais por dia até zerar no 30º dia. Na prática, essa tributação inviabiliza qualquer resgate antes de um mês, tornando ambos os produtos inadequados para reservas de curtíssimo prazo.
Qual rende mais: LCI ou CDB?
A resposta matemática depende de três variáveis: a taxa oferecida em cada produto, o prazo de aplicação e a alíquota de IR aplicável ao CDB naquele período. Para determinar qual alternativa entrega maior retorno líquido, é necessário calcular a “taxa de equilíbrio”.
A fórmula de equilíbrio
Taxa LCI equivalente = Taxa CDB × (1 – alíquota IR)
Aplicando esse cálculo: um CDB pagando 100% do CDI com IR de 17,5% (prazo de 1 a 2 anos) equivale a uma LCI de 82,5% do CDI. Isso significa que se você encontrar uma LCI pagando acima de 82,5% do CDI no mesmo prazo, ela renderá mais que o CDB a 100%.
Em prazos superiores a 2 anos, quando a alíquota de IR cai para 15%, a conta muda: CDB a 100% do CDI = LCI a 85% do CDI. Quanto maior o prazo, maior precisa ser a taxa da LCI para superar o CDB, porque a vantagem tributária diminui com a redução da alíquota de imposto.
Por que a LCI vale mais em prazos curtos
Nos primeiros 6 meses de aplicação, quando o IR sobre CDB é 22,5%, a equação favorece amplamente as LCIs. Um CDB a 100% do CDI equivale a meros 77,5% do CDI em LCI — taxa que praticamente nenhuma LCI de instituição sólida paga no mercado atual.
Nessa janela temporal, mesmo LCIs de bancos pequenos pagando 85-88% do CDI superam CDBs de grandes bancos a 100% do CDI. Vale reforçar: LCIs pós-fixadas têm prazo mínimo regulatório de 90 dias, portanto o investidor fica travado por pelo menos esse período.
Taxas reais do mercado em 2026
A realidade do mercado mostra que bancos grandes tendem a oferecer LCIs entre 85% e 92% do CDI, enquanto CDBs desses mesmos bancos raramente ultrapassam 105% do CDI. Já instituições de médio porte e bancos digitais podem oferecer LCIs de 92% a 96% do CDI e CDBs de 115% a 125% do CDI.
Na prática, esse é o erro que mais vemos: investidores comparam apenas percentual do CDI, sem calcular o líquido final. Um CDB a 120% do CDI com IR de 15% entrega 102% do CDI líquido — taxa que nenhuma LCI de banco sólido oferece.
O fator liquidez altera tudo
CDBs com liquidez diária geralmente pagam entre 95% e 100% do CDI. Após IR de 15% (supondo manutenção por mais de 2 anos), a rentabilidade líquida fica entre 80,75% e 85% do CDI.
LCIs raramente oferecem liquidez antes do prazo mínimo regulatório, mas quando isentas já partem de 85% do CDI em grandes bancos. Para quem precisa de disponibilidade imediata, o CDB com liquidez pode ser a única opção viável, mesmo com rentabilidade líquida inferior.
Quando escolher LCI sobre CDB?
A escolha pela LCI faz sentido estratégico em cenários específicos que maximizam sua principal vantagem: a isenção tributária.
Aplicações de 3 meses a 1 ano
Para investimentos nessa janela, LCIs pagando acima de 85% do CDI tendem a superar qualquer CDB disponível no mercado com perfil de risco equivalente. Isso ocorre porque a alíquota de IR sobre CDB varia de 22,5% a 20%, anulando completamente qualquer vantagem de taxa bruta superior.
Patrimônio elevado em renda fixa
Investidores com R$ 1.000.000 ou mais aplicado se beneficiam particularmente das LCIs devido ao impacto cumulativo da isenção fiscal. A diferença entre pagar 15% de IR anualmente versus zero pode representar R$ 15.000 a R$ 20.000 por ano.
Ao longo de uma década, esse valor se acumula em centenas de milhares de reais que permanecem compostos no investimento ao invés de serem recolhidos pelo fisco.
Diversificação após atingir limite em CDBs
Quando o investidor já atingiu o limite de diversificação em CDBs de instituições confiáveis e busca alternativas isentas para continuar expandindo a carteira de renda fixa, LCIs surgem como opção natural.
Como LCIs e CDBs compartilham o mesmo limite de R$ 250.000 do FGC por instituição, a escolha entre um e outro não altera a proteção — mas a LCI oferece o benefício adicional da isenção sem comprometer a segurança.
Momento de queda esperada da Selic
LCIs prefixadas tornam-se especialmente atrativas em momentos de expectativa de queda da taxa Selic. Se o mercado projeta que os juros cairão de 13,75% para 11% ao ano nos próximos 18 meses, travar uma LCI prefixada a 12% ao ano neste momento captura uma rentabilidade real superior ao que estará disponível no futuro — e ainda sem incidência de IR.
A isenção tributária amplifica o ganho real dessa estratégia de timing de mercado.
Quando CDB é a melhor opção?
CDB se torna a alternativa superior quando a taxa bruta oferecida compensa amplamente o desconto tributário — situação comum em bancos de médio porte e instituições digitais.
Taxas acima de 115% do CDI em prazos longos
Na prática, CDBs pagando 115% a 125% do CDI para prazos de 2 anos ou mais entregam rentabilidade líquida superior a praticamente qualquer LCI disponível no mercado com perfil de risco comparável.
Após o desconto de 15% de IR, um CDB a 120% do CDI resulta em 102% do CDI líquido — taxa que nenhuma LCI de banco sólido oferece.
Horizonte de 3 anos ou mais
Para investidores com horizonte longo, a preferência pelo CDB se fortalece ainda mais. O efeito dos juros compostos sobre a taxa bruta superior compensa com folga o imposto final.
Simulando: R$ 100.000 em CDB a 125% do CDI por 3 anos, com CDI médio de 12% ao ano, acumula R$ 147.500 brutos. Após IR de 15%, o líquido é R$ 140.125. A mesma aplicação em LCI a 90% do CDI acumularia R$ 136.000 — diferença de R$ 4.125 ou 3% sobre o capital inicial.
Construção de reserva de emergência
CDBs com liquidez diária atendem necessidades que LCIs simplesmente não conseguem suprir: reserva de emergência acessível a qualquer momento sem perda de rentabilidade.
Embora o retorno líquido seja menor que LCIs de prazo fixo, a funcionalidade de liquidez justifica a escolha. Para quem está montando sua primeira reserva financeira, ter R$ 50.000 em CDB líquido a 100% do CDI é estrategicamente superior a travar o valor em LCI de 90 dias a 92% do CDI.
Investimento pessoa jurídica
Empresas não se beneficiam da isenção tributária das LCIs — pagam 15% de IR sobre ambos os produtos. Nesse caso, a escolha se resume exclusivamente à taxa oferecida. Como CDBs geralmente pagam taxas brutas superiores e a tributação é idêntica, não há razão para optar por LCI no contexto corporativo.
Estratégia de escada de vencimentos
CDBs são instrumentos mais adequados para estratégias de “laddering” (escada de vencimentos). Como a oferta de CDBs com prazos variados é muito maior que a de LCIs, fica mais fácil estruturar aplicações com vencimentos escalonados a cada 6 ou 12 meses, garantindo liquidez periódica sem sacrificar rentabilidade.
LCIs, com prazo mínimo obrigatório e menor disponibilidade no mercado, dificultam essa estratégia de gestão de liquidez.
Exemplo prático: Simulação de R$ 50 mil em LCI e CDB
Para ilustrar concretamente a diferença de rentabilidade, vamos simular uma aplicação de R$ 50.000 por 1 ano e por 2 anos, considerando cenários realistas de taxas. Assumiremos CDI médio de 13,75% ao ano — LCI a 90% do CDI e CDB a 115% do CDI.
Cenário 1: Investimento de 1 ano
LCI a 90% do CDI: Rentabilidade de 12,375% ao ano. Aplicando sobre R$ 50.000: rendimento de R$ 6.187,50. Como LCI é isenta de IR, o valor líquido no resgate será exatamente R$ 56.187,50.
CDB a 115% do CDI: Rentabilidade bruta de 15,8125% ao ano. Aplicando sobre R$ 50.000: rendimento bruto de R$ 7.906,25. Como o resgate ocorre entre 361 e 720 dias, incide IR de 17,5% sobre o ganho. Imposto: R$ 1.383,59. Valor líquido: R$ 56.522,66.
Resultado: O CDB a 115% do CDI rende R$ 335,16 a mais que a LCI a 90% do CDI no período de 1 ano, mesmo após o desconto de IR. A diferença representa ganho adicional de 0,67% sobre o capital inicial.
Cenário 2: Investimento de 2 anos
LCI a 90% do CDI: Com 12,375% ao ano por 2 anos: R$ 50.000 × (1,12375)² = R$ 63.187,89. Rendimento total de R$ 13.187,89, integralmente livre de impostos. Rentabilidade efetiva acumulada: 26,38%.
CDB a 115% do CDI: Com 15,8125% ao ano por 2 anos: R$ 67.028,39 brutos. Rendimento bruto: R$ 17.028,39. Como o prazo ultrapassa 720 dias, a alíquota de IR cai para 15%: imposto de R$ 2.554,26. Valor líquido: R$ 64.474,13. Rentabilidade líquida acumulada: 28,95%.
Resultado: O CDB a 115% do CDI rende R$ 1.286,24 a mais que a LCI a 90% do CDI ao longo de 2 anos. A diferença representa ganho adicional de 2,57% sobre o capital inicial.
Análise comparativa: ponto de equilíbrio
Se a LCI oferecesse 95% do CDI ao invés de 90%, o cenário mudaria. Em 2 anos: acumularia R$ 64.285,24, ainda inferior aos R$ 64.474,13 do CDB. Para empatar com o CDB a 115% do CDI em 2 anos, a LCI precisaria pagar aproximadamente 96% do CDI.
Essa simulação demonstra que a “taxa de equilíbrio” não é fixa — ela muda conforme o prazo e a taxa bruta do CDB. Quanto maior a taxa do CDB, mais alta precisa ser a LCI para competir.
Tabela comparativa: LCI vs CDB
| Característica | LCI | CDB |
|---|---|---|
| Imposto de Renda (PF) | Isento | 22,5% a 15% (tabela regressiva) |
| Prazo mínimo (pós-fixado) | 90 dias (regulatório) | Sem prazo mínimo obrigatório |
| Prazo mínimo (prefixado) | 12 meses | Definido pelo emissor |
| Prazo mínimo (IPCA+) | 36 meses | Definido pelo emissor |
| Cobertura FGC | Até R$ 250.000 por CPF por instituição | Até R$ 250.000 por CPF por instituição |
| Liquidez antes do vencimento | Não permitida no prazo mínimo; possível via mercado secundário após | Depende do contrato; comum ter liquidez diária ou penalidade |
| Taxa típica (bancos grandes) | 85% a 92% do CDI | 95% a 105% do CDI |
| Taxa típica (bancos médios) | 92% a 96% do CDI | 110% a 125% do CDI |
| Tributação PJ | 15% sobre rendimentos | 15% sobre rendimentos |
| IOF (resgates < 30 dias) | Sim, regressivo até zero em 30 dias | Sim, regressivo até zero em 30 dias |
| Destinação dos recursos | Setor imobiliário | Livre (caixa geral do banco) |
| Disponibilidade no mercado | Menor oferta | Ampla oferta |
| Ideal para | Prazos curtos/médios; isenção fiscal | Prazos médios/longos; máxima rentabilidade líquida |
Checklist: Como escolher entre LCI e CDB
1. Determine seu horizonte de investimento
Se você planeja resgatar em menos de 1 ano, LCIs pagando acima de 85% do CDI tendem a ser superiores devido ao impacto da alíquota de IR de 22,5% a 20% sobre CDBs. Para prazos acima de 2 anos, a alíquota de IR cai para 15% e CDBs com taxas acima de 110% do CDI geralmente entregam retorno líquido maior.
2. Avalie sua necessidade de liquidez
Você pode precisar do dinheiro antes do prazo? LCIs pós-fixadas têm carência regulatória de 90 dias — período em que o resgate é completamente vedado. Se houver possibilidade de necessitar dos recursos antes desse prazo, escolha CDB com liquidez diária, mesmo que a rentabilidade líquida seja inferior.
3. Compare taxas após impostos
Use a fórmula de equivalência: Taxa LCI equivalente = Taxa CDB × (1 – alíquota IR). Se o CDB oferece 120% do CDI e você vai investir por 2 anos (IR de 15%), a taxa equivalente de LCI é 102% do CDI. Se você encontrar LCI pagando mais de 102% do CDI, ela será superior.
4. Verifique a solidez da instituição emissora
Embora ambos os produtos tenham cobertura do FGC, a solidez do banco importa. Consulte o rating da instituição em agências como Moody’s, Fitch ou S&P. Bancos com rating abaixo de BB oferecem risco de crédito elevado — as taxas altas compensam esse risco adicional.
5. Considere seu perfil tributário
Se você é pessoa jurídica, não há benefício fiscal em LCI — ambos os produtos pagam 15% de IR. Nesse caso, escolha exclusivamente pela taxa bruta. Se você é pessoa física com renda tributável próxima ao teto de uma faixa de IR, lembre-se que rendimentos de CDB não empurram sua alíquota para cima, pois seguem tributação exclusiva na fonte.
6. Analise a oferta disponível no momento
O mercado de renda fixa é dinâmico. Em determinados períodos, bancos aumentam taxas de CDB para captar recursos; em outros, emitem LCIs agressivas por necessidade de funding imobiliário. Não se prenda a “regras gerais” — o melhor produto é aquele que paga mais líquido nas condições atuais de mercado.
7. Simule cenários com valores reais
Antes de aplicar, faça a simulação completa com o valor que você pretende investir. Calcule o rendimento bruto, aplique o IR quando aplicável, e compare os valores líquidos finais. Uma diferença de 0,5% ao ano pode parecer pequena, mas sobre R$ 200.000 ao longo de 3 anos representa R$ 3.000 a mais ou a menos no seu bolso.
Resumo prático
- LCI é isenta de IR para pessoa física e possui prazo mínimo regulatório de 90 dias (pós-fixada), 12 meses (prefixada) ou 36 meses (IPCA+); CDB é tributado pela tabela regressiva de 22,5% a 15% conforme o prazo.
- Para prazos de até 1 ano, LCI pagando acima de 85% do CDI geralmente supera CDB a 100% do CDI; para prazos acima de 2 anos, CDB acima de 110% do CDI tende a entregar retorno líquido maior.
- A taxa de equilíbrio varia conforme o prazo: quanto menor o prazo, maior a vantagem da LCI pela isenção; quanto maior o prazo, menor o impacto do IR sobre CDB.
- CDBs com liquidez diária são ideais para reserva de emergência; LCIs são adequadas para objetivos com prazo definido e quando o investidor pode aguardar o período de carência.
- Ambos têm cobertura do FGC até R$ 250.000 por CPF por instituição — diversificar entre múltiplos bancos é estratégia essencial para patrimônios elevados.
- Calcule sempre a rentabilidade líquida final antes de decidir: a taxa nominal (bruta) sozinha não revela qual produto renderá mais de verdade no seu bolso.
FAQ
O que rende mais hoje em 2026, LCI ou CDB?
Depende da taxa oferecida e do prazo de investimento. Em 2026, CDBs de bancos médios pagando 115% a 125% do CDI tendem a entregar retorno líquido superior em aplicações acima de 1 ano, mesmo após o desconto de IR. Por outro lado, LCIs pagando acima de 90% do CDI são mais vantajosas em prazos de até 12 meses, quando a alíquota de IR sobre CDB ainda está em 20% ou 17,5%.
A escolha correta exige calcular o rendimento líquido de cada oferta disponível no momento. Use a fórmula de equivalência: Taxa LCI equivalente = Taxa CDB × (1 – alíquota IR). Se você encontrar uma LCI pagando acima dessa taxa equivalente, ela renderá mais. Se pagar abaixo, o CDB será superior.
Quanto rende R$ 1.000 na LCI por mês?
Uma LCI pagando 90% do CDI, com CDI em 13,75% ao ano, rende aproximadamente R$ 10,31 por mês sobre cada R$ 1.000 investidos. Esse cálculo considera juros compostos mensais. Como a LCI é isenta de Imposto de Renda para pessoa física, esse valor é líquido — você não precisa descontar nada.
Em 1 ano, R$ 1.000 em LCI a 90% do CDI se transformam em R$ 1.123,75, considerando a mesma taxa ao longo do período. Vale ressaltar que o CDI varia diariamente conforme a taxa Selic definida pelo Banco Central, portanto esse rendimento não é fixo.
Quanto um LCA com 95% de CDI equivale a um CDB de 100%?
Uma LCA (Letra de Crédito do Agronegócio) pagando 95% do CDI entrega rentabilidade líquida superior a um CDB a 100% do CDI em qualquer prazo, devido à isenção de Imposto de Renda. Para calcular a equivalência: um CDB a 100% do CDI com IR de 15% (prazo acima de 2 anos) rende 85% do CDI líquido.
Portanto, LCA a 95% do CDI = CDB a aproximadamente 111,76% do CDI antes de impostos. Se você encontrar um CDB pagando menos de 112% do CDI em prazo longo, a LCA a 95% renderá mais. A diferença de 10 pontos percentuais sobre o CDI representa ganho significativo ao longo do tempo.
Vale a pena investir em uma LCI com 92% do CDI em 2026?
Sim, vale muito a pena. Uma LCI pagando 92% do CDI é uma excelente oferta no mercado brasileiro. Com CDI a 13,75% ao ano, 92% do CDI resulta em rentabilidade de 12,65% ao ano livre de impostos — isso equivale a um CDB pagando aproximadamente 115% do CDI após o desconto de IR de 15%.
Pouquíssimos CDBs de instituições sólidas oferecem taxas tão altas. A LCI a 92% do CDI se torna ainda mais vantajosa em prazos de 1 a 2 anos, quando o IR sobre CDB é 17,5%, elevando a equivalência para 118% do CDI. Apenas certifique-se de que a instituição emissora possui solidez adequada e que você pode manter o investimento pelo prazo mínimo regulatório de 90 dias.
Qual a diferença entre LCI e CDB?
As principais diferenças são: tributação, destinação dos recursos e prazo mínimo obrigatório. LCI é isenta de Imposto de Renda para pessoa física, enquanto CDB é tributado pela tabela regressiva de 22,5% a 15% conforme o prazo. Essa diferença altera profundamente a rentabilidade líquida de cada produto.
Quanto à destinação, LCIs financiam especificamente operações do setor imobiliário — o banco é obrigado a direcionar os recursos captados para crédito habitacional. Já o CDB não possui destinação específica: os recursos entram no caixa geral do banco.
Por fim, LCIs possuem prazo mínimo regulatório que varia conforme o indexador: 90 dias para pós-fixadas, 12 meses para prefixadas e 36 meses para atreladas ao IPCA. CDBs não possuem prazo mínimo obrigatório por regulação — cada emissor define livremente as condições de liquidez. Ambos têm cobertura do FGC até R$ 250.000 por CPF por instituição.
A maioria dos investidores superestima a vantagem da isenção da LCI e subestima o impacto de uma taxa bruta superior no CDB. O erro que custa mais caro é comparar apenas percentual do CDI sem calcular o líquido final — e descobrir tarde demais que escolheu o produto errado. Antes de alocar qualquer capital, calcule exatamente quanto vai cair na sua conta no vencimento, considerando o prazo real que você pode manter o dinheiro aplicado e as taxas específicas disponíveis naquele momento. A Renova faz essa análise com você, comparando todas as ofertas do mercado e indicando qual produto entrega mais rentabilidade líquida para o seu perfil e horizonte — fale com um assessor.