Marcação a Mercado 2026: O Que É, Como Funciona e Por Que Seu Tesouro Fica Negativo

Marcação a Mercado: Guia Simples e Completo 2026

Renova Invest · 2 de julho de 2026

Todo ano, milhares de brasileiros vendem títulos do Tesouro Direto no prejuízo, não porque o investimento estava errado, mas porque o extrato ficou negativo e o pânico falou mais alto. Entender o que é marcação a mercado pode ser a diferença entre destruir rentabilidade por desinformação e, no caso oposto, lucrar aproveitando as oscilações da renda fixa a seu favor. Este guia explica o conceito do zero, com exemplos reais e em linguagem direta.

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O que é marcação a mercado? (Resposta direta)

Marcação a mercado é a atualização diária do preço de um título financeiro conforme as condições reais do mercado, não pelo valor que você pagou, mas pelo que ele vale agora, se fosse vendido hoje. É como se seu título tivesse uma etiqueta de preço trocada toda manhã, refletindo o humor do mercado naquele instante.

Resposta direta: Marcação a mercado é o processo de atualizar diariamente o valor de um título financeiro com base no preço que o mercado está disposto a pagar por ele agora. Quando os juros sobem, títulos prefixados e IPCA+ perdem valor no extrato. Quando os juros caem, eles se valorizam. Se você mantiver o título até o vencimento, recebe exatamente o que foi contratado, independente das oscilações do caminho.

A analogia mais clara é a do imóvel. Imagine que você comprou um apartamento por R$ 400 mil. Hoje, por causa de uma nova linha de metrô no bairro, o mercado avalia esse imóvel em R$ 430 mil. Você não vendeu nada, não fez nada, mas o valor patrimonial do seu bem subiu R$ 30 mil. Se o bairro deteriorasse e o imóvel passasse a valer R$ 370 mil, você também não teria perdido nada de concreto enquanto não vendesse.

O mesmo princípio vale para títulos financeiros. A marcação a mercado mostra o valor presente do ativo, não o valor contratado na compra. A diferença crucial é que títulos têm uma data de vencimento com valor previamente acordado. Isso significa que, independente do valor marcado a mercado hoje, se você carregar o título até o vencimento, receberá exatamente a rentabilidade que foi contratada no momento da compra, nem mais, nem menos.

A marcação a mercado só prejudica quem vende antes do vencimento, para quem carrega até o prazo final, ela é apenas um número no extrato.

Como funciona a marcação a mercado na prática?

A marcação a mercado funciona recalculando diariamente o preço do título com base na taxa de juros vigente no mercado. Quando os juros sobem, o preço do título cai. Quando os juros caem, o preço sobe. Essa relação inversa é a mais fundamental das finanças, e entendê-la elimina boa parte do pânico desnecessário.

Por que o preço muda quando os juros mudam?

Imagine que você comprou um título prefixado que paga 12% ao ano. Três meses depois, o Banco Central eleva a taxa Selic e novos títulos passam a pagar 14% ao ano. O seu título de 12% fica menos atrativo. Para que alguém queira comprá-lo antes do vencimento, ele precisaria custar menos, afinal, por que pagar o mesmo preço por um ativo que rende menos que a alternativa atual?

O mercado recalcula o preço do seu título para baixo, de forma que quem comprasse hoje obteria os mesmos 14% que o mercado está oferecendo. Esse recálculo diário é, literalmente, a marcação a mercado.

Quem faz esse processo no Brasil?

As gestoras de fundos de investimento são as principais responsáveis por marcar seus ativos a mercado diariamente. Corretoras e distribuidoras também atualizam os preços dos títulos nas plataformas para investidores de varejo. A Anbima padroniza os critérios e publica o Manual de Marcação a Mercado, que é a referência técnica do setor. A B3 contribui com dados de negociação que servem de base para a precificação.

Como isso aparece no seu extrato?

No Tesouro Direto, por exemplo, o site oficial exibe tanto o “valor investido” quanto o “valor bruto atual”, que reflete o preço de mercado daquele momento. A diferença entre os dois é exatamente o efeito da marcação a mercado.

Em dias de tensão, o valor bruto atual pode ser menor que o valor investido, gerando aquela sensação de “estar no prejuízo”. Mas se o plano é carregar até o vencimento, essa diferença não tem efeito financeiro nenhum.

Exemplo com valores reais

Um investidor compra um Tesouro IPCA+ 2035 por R$ 1.000, quando a taxa estava em 6% ao ano. Algumas semanas depois, o mercado passa a exigir 7% ao ano para títulos similares. O valor presente desse fluxo futuro, recalculado à taxa de 7%, resulta em aproximadamente R$ 870 no extrato, uma aparente “perda” de R$ 130.

Porém, se esse investidor não tocar no título até 2035, receberá IPCA + 6% ao ano sobre o valor original, exatamente como contratado. Os R$ 130 “perdidos” só existem no papel enquanto durar a diferença de taxa.

R$ 870, Valor de mercado de um título Tesouro IPCA+ 2035 comprado por R$ 1.000 a 6% a.a., após a taxa subir para 7% a.a., perda de R$ 130 apenas no papel, sem impacto para quem mantém até o vencimento

Por que o preço do seu título muda todo dia?

O preço muda porque o mercado financeiro reprecifica constantemente os ativos com base nas expectativas de juros futuros, inflação e risco-país. Não é capricho nem ruído aleatório: cada variação reflete informações novas que os participantes do mercado incorporam à sua visão sobre quanto vale receber determinado fluxo de caixa no futuro.

O papel da curva de juros

O mercado financeiro, por meio de contratos negociados na B3, forma expectativas sobre como a taxa Selic estará daqui a 1, 2, 5 e 10 anos. Quando essas expectativas mudam, por uma decisão do Copom, um dado de inflação surpreendente, uma crise política ou um choque externo, a curva de juros se desloca. Automaticamente, os preços de todos os títulos que dependem dessas taxas são atualizados.

Um CDB prefixado que paga 12% ao ano, por exemplo, “vale menos” para quem quiser comprá-lo hoje se o mercado estiver oferecendo 14% em novos contratos. O mercado desconta o preço desse CDB até o ponto em que o rendimento efetivo, para o comprador atual, equivale aos 14% disponíveis. Essa lógica é universal para qualquer título com taxa prefixada ou híbrida (como o IPCA+).

Duration: a medida da sensibilidade

A sensibilidade a essas variações não é igual para todos os títulos. Títulos pós-fixados como o Tesouro Selic e CDBs atrelados ao CDI têm sensibilidade mínima, o próprio rendimento se ajusta diariamente à taxa vigente, sem descasamento. Já títulos prefixados de longo prazo têm altíssima sensibilidade, porque o fluxo de caixa está travado em uma taxa fixa por muitos anos.

O conceito técnico que mede essa sensibilidade é a duration, o prazo médio ponderado dos fluxos de caixa de um título. Quanto maior a duration, mais o título oscila para cada variação de 1 ponto percentual nas taxas. Um título com duration de 10 anos perde aproximadamente 10% do valor para cada alta de 1 ponto percentual, e ganha 10% para cada queda. Essa é a razão pela qual títulos longos são mais voláteis.

Tabela: Quais títulos sofrem mais com marcação a mercado?

A regra principal: quanto mais longo o prazo e mais a taxa estiver travada, maior a sensibilidade à marcação a mercado. Veja a comparação dos principais títulos disponíveis para o investidor brasileiro:

Tipo de Título Sensibilidade à Marcação Prazo Típico Risco de Oscilação Perfil Recomendado
Tesouro Selic Baixíssima 1 a 3 anos Quase nulo (exceto estresse extremo) Conservador / Reserva de emergência
CDB pós-fixado (CDI) Baixa 1 a 5 anos Mínimo Conservador
LCI/LCA pós-fixada Baixa 90 dias a 3 anos Mínimo Conservador / Moderado
Tesouro IPCA+ curto (até 2027) Média 1 a 3 anos Moderado Moderado
Tesouro Prefixado médio (2026 a 2028) Média-Alta 2 a 4 anos Relevante Moderado com horizonte definido
Tesouro IPCA+ longo (2035, 2045) Alta 10 a 30 anos Alto (pode oscilar 10 a 20%) Arrojado com visão de longo prazo
Tesouro Prefixado longo (2031+) Muito Alta 5 a 10 anos Muito alto Arrojado / Especulativo
Debêntures (crédito privado) Variável 3 a 10 anos Alto (risco de crédito adicional) Arrojado / Qualificado

O conceito de duration modificada quantifica exatamente essa sensibilidade. A Anbima utiliza esse conceito no seu Manual de Marcação a Mercado para padronizar como as gestoras de fundos devem precificar os ativos das carteiras. Em termos simples: se um título tem duration modificada de 8, cada alta de 1% nas taxas de juros reduz o preço do título em aproximadamente 8%. Para uma alta de 0,5%, a queda seria de cerca de 4%.

Na prática, isso significa que um investidor com R$ 50.000 em Tesouro IPCA+ 2045 pode ver seu extrato variar R$ 7.000 a R$ 9.000 para cima ou para baixo em um único mês turbulento, sem que nada de “errado” esteja acontecendo com o título. Para quem entende a marcação a mercado, esse movimento é apenas ruído de curto prazo. Para quem não entende, pode ser o gatilho de uma decisão de venda destruidora de valor.

O erro mais caro aqui: vender um título longo no momento de marcação negativa, realizando uma perda que não existiria se o investidor simplesmente tivesse esperado. Esse erro é documentado, evitável e custa caro, especialmente em posições maiores.

Marcação a mercado é obrigatória no Brasil?

Sim. A marcação a mercado é obrigatória para fundos de investimento no Brasil desde 2002, por determinação da CVM, com critérios padronizados pela Anbima. Essa obrigatoriedade não surgiu por acaso, ela foi criada para corrigir uma distorção grave que penalizava os cotistas mais informados em benefício dos menos atentos.

A base regulatória

A Resolução CVM 175/2022 (que substituiu e modernizou a Instrução CVM 555/2014) consolidou as regras aplicáveis aos fundos de investimento no Brasil, mantendo a obrigatoriedade da marcação a mercado diária para a maior parte das classes de fundos abertos. O objetivo da norma é garantir tratamento equânime entre cotistas: ninguém que compra ou resgata cotas em um determinado dia paga ou recebe mais do que o valor justo dos ativos da carteira naquele momento.

Por que essa obrigatoriedade existe

Antes da exigência de marcação a mercado diária, alguns fundos usavam a chamada “marcação na curva”, contabilizando os títulos pelo valor contratado na compra, e não pelo valor de mercado. Isso criava uma distorção perigosa: em momentos de estresse, o cotista que resgatava primeiro recebia o valor “na curva”, mais alto que o valor real de mercado, e essa diferença acabava sendo paga pelos cotistas que permaneciam no fundo. Ou seja, quem ficava arcava com o prejuízo de quem saía.

A marcação a mercado obrigatória elimina esse incentivo perverso à corrida por resgates. Cada cotista, ao entrar ou sair de um fundo, transaciona pelo valor real dos ativos naquele dia, sem transferir risco para quem permanece.

O que isso significa na prática para você

Entender a marcação a mercado muda a forma como você lê seu extrato. Uma queda no “valor bruto atual” de um título prefixado ou IPCA+ longo não é, necessariamente, um sinal de que algo deu errado. Na maioria das vezes, é apenas o reflexo de uma mudança na taxa de juros vigente, um número que só se torna perda real se você vender antes do vencimento.

A decisão relevante não é “o extrato caiu, devo vender?”, mas sim “esse título ainda faz sentido para o meu horizonte e para o meu objetivo original?”. Se a resposta for sim, a marcação negativa é apenas ruído no caminho.

A Renova Invest é preposto do Banco BTG Pactual S/A. Este conteúdo tem caráter exclusivamente informativo e educacional, não constituindo oferta, recomendação ou aconselhamento de investimento. Rentabilidade passada não é garantia de rentabilidade futura. Antes de investir, leia o material técnico dos produtos e avalie se são adequados ao seu perfil.

Perguntas Frequentes

O que é marcação a mercado?

É a atualização diária do preço de um título financeiro com base no valor que o mercado pagaria por ele hoje, e não pelo valor pago na compra. Quando os juros sobem, títulos prefixados e IPCA+ perdem valor no extrato; quando os juros caem, eles se valorizam. Quem carrega o título até o vencimento recebe exatamente a rentabilidade contratada, independentemente dessas oscilações no caminho.

Por que o preço de um título muda todos os dias?

Porque o mercado reprecifica constantemente os ativos com base nas expectativas de juros futuros, inflação e risco-país. Quando a curva de juros se desloca, por decisão do Copom, um dado de inflação ou um choque externo, o preço de todos os títulos atrelados a essas taxas é atualizado automaticamente.

Quais títulos sofrem mais com a marcação a mercado?

Títulos pós-fixados, como Tesouro Selic e CDBs atrelados ao CDI, têm sensibilidade mínima, pois o próprio rendimento se ajusta à taxa vigente. Já títulos prefixados e IPCA+ de longo prazo têm alta sensibilidade, porque o fluxo de caixa está travado em uma taxa fixa por muitos anos, medida pelo conceito de duration.

Vender um título com marcação negativa significa ter prejuízo real?

Só se a venda ocorrer antes do vencimento. Se o investidor mantiver o título até o prazo final, recebe exatamente a rentabilidade contratada no momento da compra, e a marcação negativa ao longo do caminho não tem efeito financeiro algum.

A marcação a mercado é obrigatória no Brasil?

Sim. É obrigatória para fundos de investimento desde 2002, por determinação da CVM, com critérios padronizados pela Anbima. A regra existe para garantir tratamento equânime entre cotistas, evitando que quem resgata primeiro receba um valor distorcido às custas de quem permanece no fundo.

A Renova Invest é preposto do Banco BTG Pactual S/A. Este conteúdo tem caráter exclusivamente informativo e educacional, não constituindo oferta, recomendação ou aconselhamento de investimento. Rentabilidade passada não é garantia de rentabilidade futura. Antes de investir, leia o material técnico dos produtos e avalie se são adequados ao seu perfil.

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