Os Fundos Long & Short são uma categoria de fundos multimercado que lucram com a diferença de desempenho entre dois ativos — comprando (long) o que esperam que suba e vendendo a descoberto (short) o que esperam que caia. Ao contrário de um fundo de ações tradicional, o resultado não depende do mercado subir ou cair, mas da acurácia na escolha dos pares.
Em 2026, com Selic a 14,25% ao ano, os fundos Long & Short direcionais foram o destaque positivo entre os multimercados: entregaram 3,36% no 1º trimestre de 2026 — contra –0,05% do IHFA (Índice de Hedge Funds ANBIMA) no mesmo período. Para quem busca diversificação além da renda fixa, entender essa categoria é essencial.
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O Que São Fundos Long & Short?
Os Fundos Long & Short são fundos de investimento multimercado que realizam operações de compra e venda de dois ativos simultaneamente. A estratégia consiste em lucrar com a diferença entre os valores de compra e venda desses ativos, independente do desempenho geral do mercado.
O termo “long” refere-se à compra de um ativo com a expectativa de que seu valor aumentará; “short” refere-se à venda a descoberto de um ativo com a expectativa de que seu valor diminuirá. A estratégia Long & Short envolve, portanto, a compra de um ativo que se espera que se valorize e a venda a descoberto de um ativo que se espera que se desvalorize — buscando lucro na diferença relativa de desempenho entre os dois.
Tipos de Fundos Long & Short: Neutro vs Direcional
Existem dois grandes tipos de Fundos Long & Short no Brasil, com perfis de risco e retorno bem distintos:
| Característica | Long & Short Neutro | Long & Short Direcional |
|---|---|---|
| Exposição líquida à bolsa | ~0% (comprado ≈ vendido) | Positiva ou negativa (>0%) |
| Risco de mercado | Baixo | Moderado a alto |
| Objetivo de retorno | CDI a CDI+ leve | CDI+ ou retorno absoluto |
| Correlação com Ibovespa | Muito baixa | Média a alta |
| Melhor cenário | Qualquer tendência (proteção) | Tendências fortes no mercado |
| Exemplo de gestor/fundo | Ibiúna Long Short STLS | Polo Norte I LS, Navi Long Short |
Fundos Long & Short Neutros
Os Fundos Long & Short Neutros mantêm uma exposição financeira líquida próxima de zero: o valor total das posições compradas equivale aproximadamente ao das posições vendidas. Esse equilíbrio faz com que o resultado dependa quase exclusivamente do acerto nos pares escolhidos, e não da direção do mercado. São indicados para investidores que querem diversificação com baixa correlação ao Ibovespa.
Fundos Long & Short Direcionais
Os Fundos Long & Short Direcionais permitem exposição financeira líquida maior: a diferença entre comprado e vendido pode ser expressiva. Isso amplia o potencial de retorno, mas também o risco. Os direcionais foram destaque do 1º tri de 2026 entre os multimercados (3,36%), segundo a ANBIMA — mas exigem tolerância a oscilações maiores.
Como Funcionam os Fundos Long & Short?
A estratégia Long & Short envolve a compra de um ativo que se espera que se valorize e a venda a descoberto de um ativo que se espera que se desvalorize. O objetivo é lucrar com a diferença de desempenho relativo entre os dois ativos — independentemente de o mercado subir ou cair.
Na prática: se um gestor acredita que VALE3 vai superar PETR4 em desempenho nos próximos meses, ele compra VALE3 (long) e vende a descoberto PETR4 (short). Se VALE3 subir 10% e PETR4 subir apenas 3%, o fundo lucra com a diferença de 7%, independentemente da direção do Ibovespa.
A venda a descoberto é feita via aluguel de ações no BTC (Banco de Títulos da B3): o gestor toma ações emprestadas de um doador, vende no mercado, e depois recompra para devolver. O custo do aluguel entra como despesa da operação.
Por Que Investir em Fundos Long & Short?
Há três motivações principais para incluir Long & Short em uma carteira diversificada:
- Diversificação real: baixa correlação com renda fixa e com ações long only — especialmente nos L&S neutros
- Potencial de retorno em qualquer cenário: ao contrário de um fundo de ações, o resultado não depende do Ibovespa subir
- Proteção em quedas: a ponta vendida pode gerar ganho quando o mercado cai, suavizando o drawdown total da carteira
Fundos Long & Short em 2026: Contexto de Selic a 14,25%
Com a Selic em 14,25% ao ano (Copom, jun/2026), a renda fixa se tornou muito competitiva — CDBs pagando 110–120% do CDI (~15,6–17% bruto) disputam cada alocação de risco.
Nesse contexto, os Long & Short precisam entregar CDI+ para justificar sua complexidade. O saldo de 2026 até agora:
- L&S direcional (ANBIMA 1T26): +3,36% — melhor resultado entre os multimercados no trimestre
- IHFA (Índice de Hedge Funds) 1T26: –0,05%
- Média de multimercados 1T26: +1,7%
Bons fundos L&S de longo prazo (como o Ibiúna Long Short STLS) historicamente entregam resultados próximos ou acima do CDI em janelas de 3–5 anos, mas com oscilações maiores no curto prazo. Com juros altos, a comparação com um CDB de banco médio é inescapável — o Long & Short justifica seu risco como complemento, não como substituto da renda fixa.
Tributação: Como Funcionam os Impostos nos Fundos Long & Short
Os Fundos Long & Short multimercado são tributados como fundos de longo prazo, sujeitos ao come-cotas semestral (maio e novembro) e à tabela regressiva de IR no resgate:
| Prazo de aplicação | Alíquota de IR |
|---|---|
| Até 180 dias | 22,5% |
| De 181 a 360 dias | 20,0% |
| De 361 a 720 dias | 17,5% |
| Acima de 720 dias | 15,0% |
O come-cotas funciona como uma antecipação do IR: a alíquota mínima (15%) é cobrada sobre o rendimento a cada semestre, sem necessidade de resgate. No resgate, a diferença até a alíquota correta pelo prazo é compensada. Importante: ao contrário de LCI/LCA ou Tesouro IPCA+, não há isenção de IR nos fundos.
Vantagens dos Fundos Long & Short
- Diversificação: baixa correlação com outros ativos da carteira
- Retorno em qualquer cenário: independe do Ibovespa subir ou cair
- Gestão profissional: o gestor usa análise fundamentalista e quantitativa para montar os pares
- Acesso regulado: fundos CVM registrados, com auditoria e regras de governança
Desvantagens e Riscos dos Fundos Long & Short
- Risco de perda: o acerto no par é fundamental; se o ativo comprado cair mais que o vendido, o fundo perde
- Custo elevado: taxa de administração (1,5–2,5% a.a.) + performance (15–20% sobre CDI) + custos de aluguel de ações
- Dependência do gestor: o resultado depende diretamente da capacidade de identificar pares corretamente
- Liquidez restrita: muitos fundos têm prazo de resgate de D+30 a D+90; não indicado para reserva de emergência
Como Investir em Fundos Long & Short?
Para investir em Fundos Long & Short no Brasil, siga estes passos:
- Abra conta em uma corretora ou plataforma de investimentos com fundos disponíveis (BTG Digital, XP, Itaú, Rico, entre outras)
- Escolha o tipo: neutro (menor risco, retorno próximo do CDI) ou direcional (maior risco e potencial)
- Verifique histórico: rentabilidade acumulada 12, 24, 36 meses; drawdown máximo; volatilidade; Sharpe
- Leia o regulamento: prazo de resgate, taxa de administração e performance
- Diversifique: Long & Short deve complementar, não substituir, a renda fixa em momentos de Selic alta
Referência para buscar rankings: Carteira Perfeita (carteiraperfeita.com.br) e ANBIMA listam os melhores fundos por Sharpe e janela histórica.
Conclusão
Os Fundos Long & Short são uma alternativa interessante para investidores que buscam diversificação real — com baixa correlação ao Ibovespa e potencial de retorno em qualquer cenário de mercado. Com Selic a 14,25%, a comparação com renda fixa é inevitável: os melhores L&S direcionais entregaram 3,36% no 1T26 (acima de CDI), mas o risco e os custos são maiores que um CDB.
Antes de investir, avalie o perfil de risco, o histórico do gestor e a relação retorno/custo. Para carteiras de longo prazo com perfil arrojado, os Long & Short podem agregar valor como componente de diversificação.
📌 Leia também:
→ Diversificação de Investimentos: Por que é Importante?
→ Venda Descoberta: O Que É e Como Funciona o Short Selling
→ Fundos Quantitativos: Como Funcionam e Onde Investir
⚠️ Aviso: Este artigo tem caráter educativo e não constitui recomendação de investimento. Consulte um assessor de investimentos habilitado antes de tomar qualquer decisão.