O que é ISE? ISE é a sigla para Índice de Sustentabilidade Empresarial, um indicador da B3 que reúne empresas de capital aberto reconhecidas por suas práticas ambientais, sociais e de governança. Ele serve como referência para investidores que desejam considerar a sustentabilidade na análise de seus investimentos.
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Para entender esse índice, vale conhecer tanto a seleção das empresas quanto sua metodologia. Em julho de 2021, a B3 anunciou sua primeira reformulação em mais de 15 anos de existência, com entrada em vigor em janeiro de 2022.
A atualização trouxe mudanças na transparência das avaliações, nas inscrições e na composição da carteira. A seguir, entenda como o ISE funciona e por que essas características importam para quem investe.
O que é o ISE da B3 e como funciona?
O ISE é um índice voltado ao reconhecimento de empresas que valorizam ações sustentáveis. Criado em 2005 pela então Bolsa de Valores de São Paulo, a Bovespa, ele é administrado pela B3, a bolsa brasileira.
O índice reúne organizações que seguem a agenda ESG, sigla para Environmental, Social and Governance. Em português, o conceito corresponde a boas práticas ambientais, sociais e de governança corporativa.
A participação no processo seletivo é voluntária. As empresas interessadas passam por uma avaliação e, a partir dos resultados, é formada uma carteira teórica com as companhias selecionadas. Assim, o ISE permite identificar instituições que incorporam esses valores às suas atividades.
Ele se tornou um dos índices relevantes da B3 e uma referência para investidores que, mesmo no mercado de ações, procuram maior segurança em seus aportes ao considerar as práticas das empresas.
O que mudou na metodologia do ISE B3?
A reformulação anunciada em julho de 2021, com vigência a partir de janeiro de 2022, buscou atualizar os conceitos do Índice de Sustentabilidade Empresarial para acompanhar as tendências do mercado. Veja os principais pontos dessa mudança.
Mais transparência nas avaliações
A transparência foi um dos principais focos da B3. Com a reformulação, o ISE passou a ter como base uma pontuação segundo critérios ESG. As avaliações de todas as empresas passaram a ser divulgadas ao público, incluindo as das organizações não aprovadas.
A nota também passou a determinar a participação de cada instituição na carteira. Antes, essa definição era feita a partir do valor de mercado de cada organização. A mudança, portanto, deu mais peso às boas práticas sustentáveis na composição do índice.
Inscrições gratuitas e questionários mais objetivos
A B3 reduziu os questionários em cerca de 40%, tornando-os mais objetivos e específicos para o setor de cada empresa. A participação no processo também passou a ser gratuita.
Antes da reformulação, cada organização precisava pagar uma taxa de R$35.000 para entrar no processo de seleção do ISE. Uma regra, porém, foi mantida: apenas as 200 empresas com maior liquidez da bolsa de valores podem participar.
Fim do limite de empresas e mais revisões
Outra mudança foi o fim do limite de 40 empresas na carteira. Com isso, todas as instituições participantes consideradas aptas a compor o índice passaram a poder ser aprovadas.
A reformulação também estabeleceu duas revisões da carteira por ano, nos meses de maio e setembro. Nessas avaliações, empresas podem ser excluídas se deixarem de cumprir os requisitos ESG. Antes, a avaliação era anual.
Confira um resumo da carteira de cada ano de existência do ISE B3
Alinhamento com métricas internacionais
A atualização aproximou o ISE de referências internacionais. Os temas relacionados ao clima no questionário passaram a ser elaborados pela Carbon Disclosure Project (CDP), uma ONG internacional voltada à divulgação de números de emissão de carbono por empresas.
O risco reputacional também ganhou um novo padrão de avaliação. A B3 firmou uma parceria com a suíça RepRisk, responsável por conduzir essas avaliações com as instituições que compõem o índice.
Para que serve o ISE no mercado?
O ISE ajuda a dar visibilidade às práticas sustentáveis das empresas e a orientar as organizações sobre as exigências do mercado. Para os investidores, funciona como uma referência na análise de companhias comprometidas com aspectos ambientais, sociais e de governança.
Uma das principais críticas ao processo de seleção anterior à reformulação era a baixa transparência. A divulgação das avaliações trouxe mais informações para acompanhar os indicadores de sustentabilidade e conhecer as práticas adotadas pelas empresas.
Os padrões e as parcerias internacionais também buscaram ampliar a confiabilidade da carteira. A expectativa com essas mudanças era incentivar a adoção de atividades sustentáveis nos ambientes corporativos, acompanhando o interesse dos investidores pelo tema.
Por que acompanhar o ISE antes de investir?
Conhecer o Índice de Sustentabilidade Empresarial ajuda quem deseja considerar critérios ESG na seleção de ações ou fundos. Como ele reúne empresas reconhecidas por práticas sustentáveis e com alta liquidez, tornar-se acionista dessas companhias pode trazer maior segurança para investidores moderados e arrojados.
Isso não significa, porém, que a participação no índice elimine os riscos do investimento em ações. O ISE é uma referência para a análise, não uma promessa de rentabilidade.
Na prática, vale observar:
- As avaliações públicas: elas ajudam a estudar as companhias e entender quais práticas sustentáveis são adotadas.
- A composição da carteira: as revisões podem alterar as empresas participantes.
- O peso de cada empresa: a pontuação ESG influencia a participação das organizações no índice.
Esses pontos também importam para quem investe em um ETF que siga o ISE. O fim do limite de empresas e as mudanças nos pesos da carteira exigem atenção a eventuais alterações na composição e na rentabilidade do portfólio.
Entender o que é ISE, portanto, vai além de conhecer a sigla: envolve compreender os critérios de seleção e usar as informações disponíveis para analisar empresas e fundos alinhados aos seus objetivos.
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