O gerenciamento da carteira de investimentos envolve diversos aspectos. É preciso, por exemplo, considerar os riscos, os prazos e a liquidez. Nesse sentido, é importante conhecer a duration, que é o prazo médio ponderado de recebimento dos fluxos de caixa dos papéis.

A princípio, pode parecer uma medida complexa e de pouca aplicação prática. Porém, ela é útil para analisar a composição da carteira e avaliar como acontecem os recebimentos antes do prazo do título de interesse.

Para aprender a usar esse conceito de forma completa, acompanhe neste artigo o funcionamento da duration e como ela é aplicada no mercado financeiro. Confira!

O que é a duration?

Quando um investidor aplica recursos em um título pré-fixado ou híbrido (com rendimento composto por taxa prefixada mais variação de indicador), podem ocorrer pagamentos antes do vencimento.

Eles costumam ser chamados de cupons e são compostos pela rentabilidade referente ao período estipulado. Esses pagamentos são feitos em prazos diferentes e isso dá origem à duration, que é o prazo médio ponderado de recebimento dos fluxos de caixa dos papéis.

Como você entenderá melhor adiante, ela corresponde a quanto tempo será preciso esperar, em média, para obter rendimentos com um título antes do prazo de vencimento.

Para que serve?

Como a duration ajuda a avaliar o prazo médio de pagamento de cupons de títulos, ela pode ser essencial para a análise do investimento. Ela interfere, em especial, nos riscos do investimento, o que deve ser considerado na sua gestão de carteira.

Normalmente, uma duration maior faz com que o risco seja maior. Afinal, é preciso esperar mais para receber os primeiros pagamentos, de acordo com o fluxo acordado no título. O risco é maior porque há uma capacidade menor de prever as condições.

Além disso, uma duration elevada também faz com que o título esteja mais exposto à marcação a mercado, por exemplo. Com as alterações nas condições do mercado, os títulos podem passar por flutuações intensas de preço.

Como funciona a duration?

Apesar de estarmos falando sobre a duration relacionada aos investimentos, você pode entender seu funcionamento considerando o fluxo de caixa de uma empresa. Considere um negócio que vende a prazo para seus clientes, o que faz com que haja contas a receber ao longo do tempo.

A duration, nesse caso, funcionará como a medida do tempo médio que a empresa precisa esperar para ter os valores devidos pelos clientes. Assim, o negócio consegue compreender quais serão suas necessidades financeiras, até que obtenha os valores.

Para os investimentos, a duration mede, por exemplo, quanto é preciso aguardar para receber os cupons de rendimento. Considerando o Tesouro IPCA+ com juros semestrais, por exemplo, os cupons são pagos a cada 6 meses.

Porém, a duration do título não corresponde, exatamente, a um semestre. Ela dependerá da atualização dos preços do título e da divisão dos pagamentos ao longo do tempo.

Como a média é ponderada, os pagamentos maiores têm mais peso, então é provável que a duration seja maior que 6 meses.

No caso dos títulos pós-fixados (como os que estão atrelados à taxa Selic), a duration tende a não ter tanto impacto. Isso porque eles não sofrem efeitos da marcação a mercado, que atualiza o valor dos títulos conforme as condições de mercado. Então a duration não é tão considerada.

Como calcular a duration de investimento?

Agora que você entende como funciona a duration, é necessário compreender como realizar seu cálculo. Como vimos, ela é dada por uma média ponderada, o que significa que pagamentos maiores têm mais peso para aproximar ou afastar o prazo.

Pense, por exemplo, em um título com prazo de 2 anos. Se ele pagar cupons iguais em 12 e em 24 meses, a duration será de 18 meses — exatamente a média entre os dois pagamentos, por serem iguais.

Porém, se o pagamento de 12 meses for metade do pagamento de 24 meses, a duration estará mais próxima de 24 meses. Isso acontece porque o pagamento maior tem mais peso na média ponderada e faz com que o prazo médio seja maior.

Note, entretanto, que outros elementos também interferem no cálculo da duration. A taxa de juros do mercado e a correção monetária, caso exista (como em um título híbrido) são exemplos que impactam nos fluxos financeiros e no peso dado a cada fator do cálculo.

Também é necessário considerar o valor presente — e não o valor nominal — para usar na média ponderada. Porém, essa simplificação permite que você entenda melhor o funcionamento desse cálculo e qual é o tipo de informação que ele oferece.

Por que é importante conhecer este conceito?

Quem investe precisa compreender a duration, enquanto prazo médio ponderado de recebimento dos fluxos de caixa dos papéis, devido a seus impactos nos resultados. O principal objetivo é usar esse conhecimento para otimizar a relação de risco e retorno, mesmo na renda fixa.

Afinal, ao montar uma carteira formada apenas por títulos com prazo médio de recebimento elevado, o risco também se torna maior. Dependendo do seu perfil de investidor, isso pode não ser interessante.

Por outro lado, ter somente títulos com duration curta poderá prejudicar a rentabilidade, devido ao risco muito baixo. Então, conhecer o conceito e fazer essa análise ajuda a diversificar o portfólio, em busca dos seus objetivos financeiros.

A duration pode ser calculada para a renda variável?

Até aqui, tudo o que você viu sobre a duration faz referência ao recebimento dos cupons ou pagamentos de um título de renda fixa. Porém, será que o conceito pode ser utilizado também na renda variável?

A verdade é que essa classe de investimentos não prevê fluxos previsíveis de pagamento, então não é possível conhecer a duration antecipadamente. Porém, há como adaptar o conceito para calcular o prazo médio de recebimentos de renda passiva.

Por exemplo, no caso de dividendos. Nesse sentido, o conceito não será útil para escolher ativos da renda variável, mas poderá ajudar a avaliar a renda que eles têm gerado que já estiverem em sua carteira.

Como você viu, a duration corresponde ao prazo médio ponderado de recebimento dos fluxos de caixa dos títulos ou papéis, trazidos a valor presente. Com a informação, você pode analisar o nível de risco e retorno da carteira, tomando decisões adequadas ao seu perfil e seus objetivos.

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