Quem deseja investir em ações com foco no longo prazo tem diversos benefícios em saber como fazer a análise fundamentalista. Afinal, ela é um fator importante no momento de basear as suas decisões de investimentos.

O ideal é que a escolha dos ativos seja feita de forma lógica, considerando diversas características da empresa. Assim, você tem mais segurança na decisão. Sem uma análise fundamentalista, por outro lado, o investimento em ações pode se tornar mais arriscado.

Quer saber mais? A seguir você conhecerá um guia completo sobre como fazer a análise fundamentalista em 5 passos. Continue a leitura!

O que é a análise fundamentalista?

Antes de entender como realizar uma boa análise fundamentalista, é essencial que você entenda o que ela é e como funciona. Esses conhecimentos são indispensáveis para quem deseja aplicá-la em suas avaliações de investimentos.

A análise fundamentalista pode ser caracterizada como técnicas, estudos e abordagens focadas em analisar a saúde financeira e organizacional de empresas com ações listadas na bolsa de valores — ou fundos. Por meio dela, o investidor decidirá se vale a pena investir nesses negócios.

Para isso, a análise fundamentalista utiliza os dados divulgados pelas próprias companhias ou fundos, além do cenário econômico. O balanço patrimonial, o lucro, o endividamento e a perspectiva de crescimento estão entre os fatores relevantes.

Além desses dados, é possível avaliar o cenário macroeconômico e setorial em que a empresa está inserida. Essas informações também são boas bases para avaliar o possível crescimento do negócio.

Aplicando a análise fundamentalista você pode obter, ainda, outros elementos para a sua decisão de investimento. Entre eles estão o valor intrínseco da empresa, a possibilidade de ele crescer e atrair mais investidores. Tudo isso ajuda a identificar o melhor momento para comprar e vender os papéis, por exemplo.

Como ela surgiu?

A análise fundamentalista é fruto de diversas técnicas e métodos de avaliação de ações ao longo dos anos. Dessa maneira, sua história passa por pontos importantes e envolve profissionais que trouxeram novas definições e estudos sobre o tema.

Há o consenso de que o pai da análise fundamentalista foi Benjamin Graham, professor da Universidade de Columbia e investidor. Em 1936, Graham propôs um modelo de investimento que se baseava na descoberta do valor intrínseco da ação.

Conhecida como value investing, a técnica tem o objetivo de entender o quanto realmente vale a ação. Nesse momento, é preciso não confundir os conceitos de preço e valor. O quanto uma ação vale não é o mesmo do que quanto ela custa.

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Ou seja, é possível que o mercado precifique a ação por mais ou menos do que o seu valor de fato. Por isso, a ideia do value investing é encontrar ativos com preços descontados. Isso é possível por meio da avaliação da empresa e de seus indicadores financeiros.

Segundo Graham, uma ação descontada tem menos chances de se desvalorizar — e pode oferecer maior potencial de ganhos. Isso porque a cotação tende a se normalizar em relação ao valor com o tempo, trazendo resultados melhores para quem comprou os papéis com desconto.

Assim, embora o mercado de ações seja imprevisível, é possível manejar o risco encontrando boas empresas e ações descontadas. Desse modo, a estratégia de Graham, focada no médio e longo prazo, foi central para a construção da análise fundamentalista como conhecemos hoje.

Para que serve a análise fundamentalista?

Você já viu o que é a análise fundamentalista e como ela surgiu no mercado de investimentos. Agora é preciso saber para que ela serve, na prática.  Afinal, é necessário entender por que utilizá-la, certo?

Nesse sentido, a análise fundamentalista busca responder perguntas dos investidores no momento de avaliar as empresas. Lembre-se de que ela é focada no longo prazo. Portanto não é utilizada em operações de especulação — que buscam lucro no curto prazo.

Para entender a função dessa análise, é importante saber que as ações representam uma fração ideal do capital social de uma empresa listada na bolsa. Quem compra uma ação se torna sócio da companhia e pode ter ganhos pela valorização dos papéis e pelo recebimento de proventos.

Assim, quando o acionista fica com a ação em sua carteira, o seu patrimônio varia conforme a cotação dos papéis. Para buscar lucro, o objetivo é comprar uma ação e vendê-la posteriormente, depois de muitos anos, por um preço maior.

O preço das ações varia livremente conforme a oferta e a demanda. Ou seja, depende do interesse dos investidores e especuladores pela companhia. A compra e venda funciona como um mercado: quanto mais investidores interessados e menos oferta, maior será o preço.

Por outro lado, se não há um volume alto de negociações e existe muita oferta, a cotação cai. Nessa dinâmica, a oferta e demanda é influenciada por diversos fatores. Por exemplo, os resultados da companhia, sua previsão de lucros, sua perenidade e outras questões.

Depois de entender esses aspectos, fica mais fácil identificar por que a análise fundamentalista serve para encontrar boas empresas. Essas companhias tendem a atrair mais investidores com o tempo — o que faz a cotação de suas ações se valorizar no longo prazo e trazer benefícios aos seus acionistas.

5 Passos para fazer uma análise fundamentalista

Agora que você já entendeu o que é uma análise fundamentalista e suas vantagens pode definir se ela faz sentido para seus objetivos. Lembre-se de que ela é voltada para quem deseja adquirir ativos na bolsa com foco no longo prazo.

Caso você acredite que ela esteja alinhada às suas estratégias, existem algumas dicas que você pode seguir para aplicar essa análise com mais segurança. Confira a seguir 5 principais passos para fazer uma boa avaliação de ativos!

1. Entender as etapas da análise

O primeiro passo da análise fundamentalista é saber como funcionam as etapas dessa avaliação. O método requer que o investidor siga uma ordem para que os resultados sejam mais corretos e respondam às perguntas propostas.

É comum que a etapa inicial tenha relação com a avaliação dos demonstrativos financeiros por meio do balanço patrimonial. Esse estudo pode ser dividido em dados quantitativos e qualitativos, tanto dos resultados e indicadores financeiros, como do setor e das pessoas envolvidas.

Depois é preciso fazer cálculos referentes aos dados coletados na etapa anterior. Nesse momento, são utilizados diversos indicadores e suas relações, além de considerar as expectativas de comportamento e projeções da empresa no futuro.

Após os cálculos e os indicadores, vale a pena fazer uma comparação da companhia com outras empresas do setor — como você verá adiante. Afinal, a análise fundamentalista busca encontrar alternativas que façam sentido para a carteira dentro de um universo de opções.

A comparação servirá de base para a decisão de investimento. Assim, ficará mais fácil definir em quais empresas você investirá, quanto tempo os ativos ficarão na carteira, quais fundamentos devem ser priorizados ao longo do tempo, etc.

2. Escolher a abordagem utilizada

Outro passo muito importante ao aplicar a análise fundamentalista é escolher a abordagem que será utilizada. Elas podem ser divididas em duas formas: a top down e a bottom up. Os termos significam, respectivamente, de cima para baixo e de baixo para cima.

A abordagem top down, como o próprio nome indica, começa por fatores mais amplos, como os fatores macroeconômicos até chegar ao negócio em si. Já a bottom up faz o caminho inverso: começa a análise pela companhia e chega aos fatores amplos.

Geralmente os investidores costumam aplicar a abordagem bottom up, focando primeiramente em fundamentos da empresa. Depois, eles avaliam o setor no qual ela está inserida e, finalmente, o cenário macroeconômico em geral.

Isso acontece porque o investimento a longo prazo não costuma dar tanta relevância para crises, movimentos da economia e outros cenários passageiros. Essas situações trazem oscilações de curto e médio prazo, o que não afeta o resultado da avaliação.

No entanto, nada impede que uma análise top down também seja efetiva, se for do seu interesse realizá-la. É possível avaliar o cenário econômico e o potencial de crescimento em setores definidos e, a partir daí, analisar as empresas incluídas nesse nicho, por exemplo.

3. Definir as companhias analisadas

O próximo passo da análise fundamentalista diz respeito a definir quais serão as empresas que você analisará. Em 2021, havia cerca de 300 companhias listadas na bolsa de valores brasileira — portanto, não há como analisar todas elas.

Logo, é essencial selecionar as empresas que farão parte da análise para concentrar a avaliação nas companhias que lhe interessam. Essa escolha é pessoal e depende de suas preferências e seus objetivos financeiros.

Por exemplo, quem quer focar em uma estratégia de recebimento de dividendos pode escolher companhias que, historicamente, dividiram uma maior parte dos lucros com os acionistas. É possível fazer pesquisas e verificar quais são elas.

Já quem foca no valuation, ou seja, em um crescimento do negócio a longo prazo, pode encontrar companhias com essas características e compará-las. Há, ainda, investidores que têm mais afinidade com determinados setores ou companhias e desejam ser sócios delas.

Como existem diversas estratégias, a escolha dependerá de sua análise pessoal. Vale a pena se basear em seus objetivos, afinidades com setores ou empresas e na sua estratégia de investimento. Esse passo é fundamental para filtrar os negócios da sua análise e deixá-la mais focada.

4. Avaliar os indicadores fundamentalistas

A próxima etapa para fazer uma análise fundamentalista de qualidade envolve avaliar quais indicadores utilizar e aplicá-los a cada empresa. Os indicadores são dados que demonstram um fundamento específico da companhia.

Assim, eles podem ser de diversas frentes e expressar diferentes números. Por isso, os indicadores também precisam ser escolhidos de acordo com a estratégia. Nesse cenário, eles servem como base de dados e fonte para a tomada de decisão.

Muitos indicadores costumam ser considerados números objetivos. Ou seja, eles partem de dados concretos e expressam um número que indica a situação empresarial. Por isso, quem deseja fazer uma análise mais subjetiva tem que complementá-los com outros dados.

Confira exemplos de indicadores quantitativos:

LPA

LPA significa lucro por ação. Ele é um indicador que busca demonstrar o lucro obtido pela empresa em relação às ações que ela tem no mercado. Ou seja, para chegar a esse resultado, basta dividir o lucro do período pela quantidade de papéis da companhia.

P/L

P/L é a sigla para preço sobre o lucro e é bastante utilizado na análise fundamentalista. Ele usa duas variáveis: a cotação atual da ação e o LPA obtido nos últimos 12 meses. Dessa maneira, o indicador demonstra quanto os investidores estão dispostos a pagar pelo lucro gerado pela companhia.

Esse é um indicador muito importante para comparar duas companhias. Com isso é possível definir quanto de lucro cada ação gera durante um ano. Mas é preciso lembrar que os dados passados não garantem resultados futuros.

Dividend yield

Quem tem uma estratégia voltada ao recebimento de dividendos pode se beneficiar do dividend yield, conhecido como DY. Ele demonstra quanto cada ação gerou de dividendos no ano em comparação a sua cotação.

Por exemplo, se uma ação custa R$ 100 e cada uma gerou R$ 5 de dividendos no ano, o DY será de 5%. Logo, ao comparar diversas empresas, você pode ter dados históricos em relação ao pagamento desses proventos.

5. Fazer a comparação entre as empresas

Depois de conhecer todos os indicadores, aplicar aqueles que mais fazem sentido para a sua análise e obter os resultados, é preciso comparar as companhias. Desse modo, todo o procedimento deve ser realizado com as empresas que você definiu nos passos anteriores.

A ideia é comparar os números, ver quais deles têm mais destaque em determinadas empresas presentes na análise e quais fazem mais sentido para sua estratégia. Nesse momento, é válido lembrar que uma companhia pode não ter sempre os melhores fundamentos em relação a outras.

Ou seja, é muito comum que uma empresa apresente alguns indicadores favoráveis, enquanto outras tenham outros indicadores melhores. Portanto, a comparação também é uma maneira efetiva de terminar sua análise.

Uma dica é fazer uma lista das companhias analisadas e classificá-las de acordo com cada indicador. Depois, defina os indicadores que são mais prioritários para sua estratégia ou que têm mais peso na sua decisão.

Dessa forma, será possível escolher as empresas que se destacam e fazem sentido para sua estratégia conforme a análise realizada. Com isso, você as mantém na carteira enquanto os fundamentos analisados continuarem os mesmos.

Pronto! Agora você já conhece 5 passos para fazer uma análise fundamentalista e escolher as melhores ações para sua carteira. Lembre-se de que as decisões de investimentos devem ser sempre baseadas no seu perfil e objetivos financeiros.

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