QETH11: o primeiro ETF de Ethereum da B3 vale a pena?

QETH11: o primeiro ETF de Ethereum da B3 vale a pena?

Renova Invest · 11 de agosto de 2026

Se você quer exposição ao Ethereum mas não quer criar conta em exchange de criptomoedas, o QETH11 é uma alternativa que poucos investidores brasileiros conhecem. Foi o primeiro ETF de Ethereum da América Latina, começou a ser negociado na B3 em 4 de agosto de 2021 e é negociado na bolsa como uma ação — comprado e vendido em reais, pelo home broker da sua corretora.

QETH11 QR CME CF ETHER REFERENCE RATE FUNDO DE INDICE - INVESTIMENTO NO EXTERIOR ETF
R$ 6,74 0,15%
Cotação · atualizada há 41 minutos
Variação (6 meses) -6,3%
Máxima (6 meses) R$ 8,61
Mínima (6 meses) R$ 5,83
Cotação de QETH11 — últimos 6 meses
máx R$ 8,61 mín R$ 5,83

Fonte: B3 via Brapi. Valores podem ter atraso em relação ao pregão. Conteúdo informativo, não é recomendação de investimento.

Mas nem todo veículo de Ethereum é igual. Em 2026, a B3 reúne pelo menos sete alternativas ligadas ao ativo — entre ETFs locais de preço à vista (QETH11, ETHE11, EETH11, XETH11), ETF de estratégia de renda (ETHY11) e BDRs de produtos estrangeiros (ETHA39 e AETH39, este com staking). Estruturas diferentes podem gerar retornos materialmente distintos, mesmo quando todas acompanham o mesmo criptoativo.

Resposta direta: O QETH11 é um ETF listado na B3, gerido pela QR Asset Management, que busca acompanhar o CME CF Ether-Dollar Reference Rate — índice do Ether em dólares calculado pela CF Benchmarks em parceria com a CME Group. Você compra cotas via corretora, recolhe o IR sobre o ganho líquido na venda e não precisa custodiar criptomoedas. A escolha certa depende de benchmark, estrutura, custo e liquidez.

O que é o QETH11 e por que ele é o primeiro ETF de Ethereum da B3?

O QETH11 é um fundo de investimento em índice de mercado — ETF — listado na B3, com exposição ao Ethereum. É um produto local, registrado na CVM e negociado em reais, gerido pela QR Asset Management (QR Capital) e administrado pela Vórtx, conforme informações divulgadas pela própria gestora.

Por que “primeiro ETF” e não BDR ou fundo comum?

O QETH11 inaugurou a exposição a Ethereum via ETF na bolsa brasileira em agosto de 2021. O ETHE11, da Hashdex, chegou cerca de duas semanas depois, e os BDRs de produtos estrangeiros — como o ETHA39, lastreado em trust da BlackRock constituído em 2024 — surgiram anos mais tarde. Ou seja: quando o QETH11 estreou, não havia BDR de ETF de Ethereum na B3.

O que o produto entrega é exposição ao desempenho do Ether medido pelo índice de referência, dentro de uma estrutura regulada localmente. Vale a precisão: a política de investimento vigente prevê aplicação mínima de 95% do patrimônio em ativos e veículos permitidos, inclusive cotas de fundos que buscam refletir o índice, além de admitir posições compradas em dólar futuro. Não é correto, portanto, descrever o fundo como detentor exclusivo e direto de Ethereum, nem como replicação física pura.

Estrutura regulatória e custódia

Os ETFs brasileiros seguem hoje a Resolução CVM 175 e seu Anexo Normativo V, que trata dos fundos de investimento em índice de mercado. Isso obriga o QETH11 a divulgar regulamento, taxas, benchmark e composição da carteira — informações acessíveis no portal da B3 e no site da gestora.

Sobre custódia, é importante separar as camadas: há o administrador do fundo, o custodiante das cotas e o prestador responsável pela guarda dos ativos digitais. A QR informa utilizar custódia institucional da Gemini para o QETH11 — ou seja, ser um ETF brasileiro não significa que os criptoativos estejam guardados no Brasil. Estruturas concorrentes podem ter veículos e prestadores no exterior, e isso deve ser verificado no regulamento de cada produto.

O ponto central para o iniciante

O QETH11 simplifica o acesso ao Ethereum: elimina, para o cotista, a gestão direta de chaves privadas e dispensa abertura de conta em exchange. Quem já opera ações ou FIIs na B3 pode incluir o ativo sem mudar de plataforma. Isso não elimina riscos — permanecem risco de mercado, liquidez, contraparte, custódia, fundo subjacente e tracking error — e a autorização da CVM não representa garantia de rentabilidade ou de qualidade do produto.

Como o QETH11 funciona na prática?

O QETH11 funciona como qualquer ETF de renda variável na B3. O investidor compra e vende cotas durante o pregão, via home broker ou app de corretora, sem custodiar Ethereum diretamente.

Replicação física e ajuste contínuo

Mais do que “replicação física”, o correto é dizer que o fundo busca acompanhar o índice de referência por meio dos ativos e veículos permitidos em sua política de investimento — o que pode incluir fundos subjacentes, caixa e derivativos autorizados, como dólar futuro. A carteira é ajustada continuamente para reduzir o descolamento em relação ao índice.

Horário de negociação e lote mínimo

O QETH11 é negociado no pregão da B3, em horário comercial. Diferente do mercado de criptomoedas, que opera 24 horas, variações do Ethereum fora desse horário só se refletem na cota no pregão seguinte.

O lote mínimo na B3 para ETFs é de 1 cota. A aplicação mínima real é o preço de uma cota no momento da compra — o que torna o produto acessível mesmo para valores pequenos.

Exemplo prático de operação

Um investidor com R$ 500 acessa o home broker, busca QETH11 e compra as cotas disponíveis ao preço de mercado. Se a cota estiver a R$ 25, ele adquire 20 cotas. Se o índice de referência subir, a cota tende a acompanhar esse movimento, líquido de taxas e desvios — e o investidor pode vender com lucro, apurando o IR sobre o ganho líquido.

Tracking error — o desvio da cota

O tracking error é o desvio entre a variação da cota e a variação do índice. Em ETFs de criptoativos ele tende a ser maior do que em ETFs de ações, por causa das diferenças de horário de marcação, dos custos do fundo e da conversão do preço do Ether (medido em dólares) para reais.

A taxa de administração incide sobre o patrimônio do fundo e reduz o retorno ao longo do tempo — custo que deve ser comparado com o dos concorrentes antes da decisão.

QETH11 x ETHE11 x ETHA39 x EETH11: qual escolher?

A escolha depende do benchmark de cada produto, da estrutura (ETF local, ETF feeder, ETF de renda ou BDR), dos custos e da liquidez. Um ponto merece destaque porque costuma ser mal explicado: negociar em reais não elimina a exposição econômica ao dólar. Praticamente todos esses produtos acompanham o Ether precificado em dólares, de modo que o retorno em reais incorpora também a variação do câmbio, salvo hedge expressamente previsto na estratégia.

Comparativo dos principais produtos:

Produto Estrutura Benchmark Exposição cambial (USD/BRL)
QETH11 ETF local (QR Asset) CME CF Ether-Dollar Reference Rate (CF Benchmarks / CME Group) Sim — índice em dólar convertido para reais
ETHE11 ETF local feeder (Hashdex), investe em fundo nas Ilhas Cayman listado na BSX Nasdaq Ethereum Reference Price Sim
ETHA39 BDR de ETF/trust estrangeiro (BlackRock) CME CF Ether-Dollar Reference Rate Sim — com camada adicional do produto no exterior
EETH11 ETF local (BTG Pactual / Teva) Índice Teva de Ethereum Sim
ETHY11 ETF local de estratégia de renda (venda coberta de opções) BDEX VettaFi NEOS Ethereum High Income Index (covered call) Sim

O erro mais caro: confundir ETF local com BDR

O ETHA39 é um BDR — não um ETF local. Você compra um recibo depositário lastreado em produto negociado nos EUA. A diferença relevante em relação a um ETF local não é a presença ou ausência de câmbio (ambos têm), mas a camada extra de intermediação: o BDR depende do preço do veículo estrangeiro em dólar, com seus próprios custos, ágio/deságio e horários de marcação.

Exemplo simplificado: se o Ether valoriza 10% em dólar e o dólar sobe 5% frente ao real, tanto um ETF local com benchmark em dólar quanto o BDR tenderiam a apresentar retorno em reais próximo de 15,5% (1,10 × 1,05 = 1,155, ou seja, +15,5%), antes de taxas, tracking error e diferenças de horário. As diferenças efetivas entre os produtos vêm dessas variáveis — e não de uma suposta ausência de câmbio no ETF local.

O diferencial do ETHY11

O ETHY11 não é um ETF de acumulação simples: ele segue índice de estratégia com venda coberta de opções de compra sobre a exposição em Ethereum, e o regulamento prevê que a classe poderá distribuir resultados mensalmente — não é uma renda garantida. Essa estrutura tem um custo relevante: em ciclos de alta forte do ETH, o prêmio das opções não compensa o ganho abrido mão acima do preço de exercício (custo de oportunidade da estratégia coberta), de modo que o produto tende a participar menos das valorizações expressivas do que um ETF de preço à vista. A taxa global divulgada é de 0,98% a.a. e o investimento mínimo é de uma cota. Antes de escolhê-lo “por causa da renda”, entenda de onde essa renda vem.

O risco real: concentração em Ethereum

O risco central desses produtos é a concentração em um único criptoativo, sujeito a quedas profundas e prolongadas. Perdas superiores a 50% em janelas de doze meses já ocorreram no histórico do Ethereum, e nada impede que se repitam.

Ao comparar produtos com histórico curto, evite conclusões apressadas: ETFs lançados recentemente podem ainda não ter doze meses completos de série, e comparações válidas exigem mesma data inicial e final, mesmo critério de preço ou cota patrimonial e reinvestimento de eventuais proventos.

A decisão final deve considerar liquidez diária, taxas totais (inclusive a do fundo subjacente, no caso de estruturas feeder) e o benchmark — porque dois ETFs de Ethereum podem ter desempenhos diferentes conforme o índice e a estratégia que adotam.

Qual a diferença entre ETF local, BDR de ETF e fundo de criptomoedas?

ETF local, BDR de ETF e fundo de criptomoedas são estruturas distintas. Entender a diferença evita surpresas com custos, câmbio e liquidez.

ETF local — a estrutura mais simples

É um fundo de índice registrado na CVM e negociado na B3 em reais. As cotas são custodiadas no Brasil, mas os ativos digitais ou os veículos subjacentes podem estar no exterior — como no caso do ETHE11, que investe em fundo constituído nas Ilhas Cayman, somando a taxa do fundo alvo à taxa local.

Exemplos: QETH11, ETHE11, EETH11, XETH11.

BDR de ETF estrangeiro — com camada adicional

O BDR é um recibo depositário que representa cotas de um produto listado no exterior. No ETHA39, o subjacente é o trust de Ethereum da BlackRock, negociado nos EUA. Já o AETH39 tem como subjacente um ETP da 21Shares com staking, o que acrescenta riscos próprios dessa atividade.

Em qualquer caso, o retorno em reais combina a variação do ativo em dólar com a variação do câmbio.

Fundo de criptomoedas — estrutura menos acessível

Fundos podem ser abertos ou fechados, com prazos de resgate que variam conforme o regulamento. A liquidez costuma ser menor do que a de um ETF, e muitos não são negociados em bolsa, o que dificulta a precificação em tempo real.

Comparativo prático para o investidor

  • Câmbio: praticamente todos os veículos citados têm exposição econômica ao dólar; a diferença está nas camadas de intermediação, não na ausência de câmbio.
  • Liquidez: ETF local e BDR têm negociação intradiária na B3; fundos podem ter resgate demorado.
  • Transparência: ETFs divulgam carteira com frequência elevada; fundos podem divulgar mensalmente.
  • Regulação: ETF local e BDR seguem a CVM, mas o ativo subjacente estrangeiro segue as regras do país de origem.

Para quem quer exposição ao Ethereum com liquidez de bolsa e menos camadas entre você e o índice, o ETF local costuma ser a estrutura mais simples.

Tributação do QETH11: como o Imposto de Renda funciona?

ETFs negociados em bolsa seguem a tributação de renda variável, sobre o ganho líquido: alíquota de 15% em operações comuns e 20% em day trade. Não há isenção para vendas até R$ 20 mil no mês — essa isenção vale para ações individuais, não para ETFs.

Como recolher o imposto

Há retenção na fonte, ao contrário do que muitos textos afirmam: 0,005% sobre o valor da venda em operações comuns e 1% sobre o resultado líquido em day trade. São antecipações compensáveis com o imposto devido. O saldo é apurado e recolhido pelo próprio investidor via DARF, código 6015, até o último dia útil do mês seguinte ao da operação.

Exemplo de cálculo

Operação comum (não day trade)
Compra: 100 cotas a R$ 20,00 = R$ 2.000,00
Venda: 100 cotas a R$ 26,00 = R$ 2.600,00
Ganho bruto: R$ 600,00
IR a 15%: R$ 90,00 (15% × R$ 600,00) — valor antes de deduzir corretagem, emolumentos e demais custos admitidos e antes de compensar o IRRF de 0,005% retido na venda
Se a mesma compra e venda ocorressem no mesmo dia (day trade), a alíquota seria de 20%, com retenção de 1% sobre o resultado

Come-cotas não se aplica a ETFs

ETFs de renda variável não têm come-cotas. Esse mecanismo de antecipação atinge fundos de renda fixa e multimercados. Na prática, o capital permanece integralmente investido até a venda.

Na declaração do IRPF

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Fonte: Banco Central · 10/08/2026

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