T4F (SHOW3) tem prejuízo de R$ 14,6 mi no 2T26 com receita 56% menor

T4F (SHOW3) reporta prejuízo de R$ 14,6 mi no 2T26, receita 56% menor e EBITDA negativo de R$ 6,2 mi.
T4F (SHOW3) registra prejuízo de R$ 14,6 mi no 2T26 com receita despencando 56%

A T4F Entretenimento (SHOW3) encerrou o segundo trimestre de 2026 com apenas 1 evento realizado — contra 6 no mesmo período de 2025 — e a assimetria do calendário de shows se traduziu diretamente nas linhas do balanço: a receita líquida caiu 56%, para R$ 23,8 milhões, o EBITDA reverteu de positivo para negativo em R$ 6,2 milhões e o prejuízo líquido passou de R$ 0,1 milhão para R$ 14,6 milhões, segundo a apresentação de resultados do 2T26 divulgada pela companhia. No acumulado do semestre (6M26), o prejuízo líquido chegou a R$ 18,6 milhões e o EBITDA ficou negativo em R$ 4,0 milhões, contra EBITDA levemente negativo de R$ 0,3 milhão em 6M25.

SHOW3 T4F Entretenimento S.A. Ativo
R$ 6,08 0,00%
Cotação · atualizada há 1 segundo
Variação (6 meses) 23,1%
Máxima (6 meses) R$ 6,08
Mínima (6 meses) R$ 4,33
Cotação de SHOW3 — últimos 6 meses
máx R$ 6,08 mín R$ 4,33

Fonte: B3 via Brapi. Valores podem ter atraso em relação ao pregão. Conteúdo informativo, não é recomendação de investimento.

  • Receita líquida: R$ 23,8 milhões (2T26) — queda de 56% vs. R$ 54,4 mi no 2T25
  • Lucro bruto: R$ 3,8 milhões (2T26) — queda de 71% vs. R$ 13,2 mi no 2T25
  • EBITDA: R$ -6,2 milhões (2T26) — vs. R$ 3,1 mi positivos no 2T25
  • Prejuízo líquido: R$ 14,6 milhões (2T26) — vs. R$ 0,1 mi no 2T25
  • Despesas operacionais: R$ 11,6 milhões (2T26) — queda de 2% vs. R$ 11,8 mi no 2T25
  • Receita líquida 6M26: R$ 56,9 milhões — queda de 26% vs. R$ 77,4 mi em 6M25
  • Prejuízo líquido 6M26: R$ 18,6 milhões — vs. R$ 12,0 mi em 6M25
  • Caixa bruto: R$ 24,6 milhões (2T26) — vs. R$ 97,8 mi no 2T25 e R$ 62,4 mi no 1T26

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Contra o histórico: um trimestre que interrompe a trajetória de recuperação

Para medir a dimensão do recuo é preciso situar o 2T26 na trajetória recente da companhia. O 2T25 havia sido um dos trimestres mais consistentes do período pós-pandemia: receita de R$ 54,4 milhões, EBITDA positivo de R$ 3,1 milhões e prejuízo líquido de apenas R$ 0,1 milhão — praticamente o ponto de equilíbrio na última linha. Já no 1T26, encerrado em março, os dados divulgados pela companhia à B3 mostraram receita de R$ 33,165 milhões e prejuízo líquido de R$ 3,226 milhões. O 2T26 ficou abaixo das duas referências em receita e em resultado, configurando retrocesso tanto na comparação anual quanto na sequencial.

Não há guidance público divulgado pela companhia nem consenso formal de analistas identificado nas fontes consultadas que permita comparar o realizado com estimativas de mercado para o trimestre. Ainda assim, a inversão de sinal do EBITDA em relação a uma base já positiva é o dado mais relevante da divulgação: mostra que, sem volume de eventos, a estrutura de custos da T4F não se ajusta na mesma velocidade da receita.

Os drivers do resultado: volume de eventos, alavancagem operacional inversa e caixa menor

Volume de eventos e ingressos

A T4F opera com alta alavancagem operacional: custos de estrutura, venues e equipe são relativamente fixos, enquanto a receita depende do número e do porte dos eventos produzidos ou promovidos. No 2T26 a companhia realizou 1 evento — contra 6 no 2T25 — e o volume de ingressos caiu de 30 mil no 2T25 para 1 mil no 2T26, conforme os indicadores operacionais do release. No semestre, foram 4 eventos e 54 mil ingressos em 6M26, contra 6 eventos e 30 mil ingressos em 6M25 — ou seja, o volume de público do semestre veio concentrado no primeiro trimestre. A apresentação destaca no período o show da cantora francesa Pomme e o musical Shrek — O Musical, ambos no Teatro Renault, em São Paulo.

Mix de receita e margens

A receita do 2T26 se decompõe, segundo o release, em patrocínios de R$ 2,3 milhões, bilheteria, A&B e venues de R$ 21,1 milhões e promoção de eventos de R$ 0,3 milhão. A comparação com o 2T25 é reveladora: naquele trimestre, a linha de promoção de eventos respondia por R$ 10,1 milhões e patrocínios por R$ 15,1 milhões, enquanto bilheteria/A&B/venues somava R$ 29,2 milhões. Ou seja, praticamente todo o encolhimento vem do braço de promoção de shows e de patrocínios — as rubricas mais sensíveis ao calendário de grandes eventos.

O lucro bruto caiu 71%, para R$ 3,8 milhões, com a margem bruta recuando de cerca de 24,3% para 16,2%, sinal de que parte dos custos não escalou para baixo na proporção da receita. As despesas operacionais recuaram apenas 2%, para R$ 11,6 milhões — evidência da rigidez da base de custos em trimestres de agenda fraca. Com isso, a margem EBITDA saiu de 5,8% positivos para cerca de -26%.

Resultado financeiro: a receita de caixa evaporou

O resultado financeiro líquido piorou 45%, para R$ -6,2 milhões, com as receitas financeiras caindo 88% — de R$ 6,6 milhões no 2T25 para R$ 0,8 milhão no 2T26. A explicação é direta: o caixa bruto médio disponível encolheu no período, o que reduziu a remuneração das aplicações. As despesas financeiras, por sua vez, recuaram de R$ 6,6 milhões para R$ 3,6 milhões, mas não o suficiente para compensar a perda de receita financeira. A linha de variação cambial, monetária e hiperinflação melhorou de R$ -4,3 milhões para R$ -3,4 milhões.

A leitura para o investidor: liquidez ainda positiva, mas em compressão acelerada

Caixa e endividamento

Apesar da deterioração dos resultados, a T4F encerrou o 2T26 com caixa líquido positivo de R$ 11,5 milhões, o que afasta, por ora, um cenário de estresse imediato de liquidez. O movimento nos últimos 12 meses, porém, é o ponto de atenção central da divulgação: o caixa bruto caiu de R$ 97,8 milhões (2T25) para R$ 62,4 milhões (1T26) e R$ 24,6 milhões (2T26). Em paralelo, o caixa líquido recuou de R$ 37,5 milhões no 2T25 para R$ 13,9 milhões no 1T26 e R$ 11,5 milhões agora. A dívida somou R$ 12,2 milhões e o passivo de arrendamento, R$ 11,5 milhões. O fluxo de caixa do trimestre foi negativo nas três atividades — operacional, investimento e financiamento —, com variação líquida de caixa negativa em R$ 25,9 milhões.

A leitura de analista aqui é que o balanço permanece desalavancado em termos absolutos, mas a velocidade de queima de caixa é o que define a janela de tolerância: com R$ 24,6 milhões de caixa bruto e prejuízo semestral de R$ 18,6 milhões, a companhia depende de um segundo semestre com agenda cheia para reverter o consumo de liquidez sem recorrer a capital de terceiros.

Cobertura, rating e proventos

Não foi identificado, nas fontes consultadas, rating de crédito público de agências para a T4F, nem cobertura ativa de equity research com recomendação formal contemporânea ao resultado. A ação é negociada na B3 sob o ticker SHOW3, e a liquidez reduzida do papel tende a limitar acompanhamento analítico contínuo. A cotação não foi considerada nesta análise. Com prejuízo semestral de R$ 18,6 milhões e EBITDA negativo, não há base para distribuição de proventos no curto prazo — a prioridade natural da gestão passa a ser preservação de caixa e recomposição da agenda.

O que observar nos próximos trimestres

O gatilho estrutural da T4F é sempre o mesmo: o pipeline de eventos do segundo semestre. A apresentação traz uma seção de perspectivas, mas sem detalhar publicamente número ou porte dos shows contratados para o 2S26. Historicamente, o terceiro e o quarto trimestres concentram festivais e turnês internacionais no Brasil, o que faz da comparação com 3T25 e 4T25 o termômetro mais imediato da capacidade de reação.

Outros pontos de atenção: (i) a velocidade de recomposição do caixa bruto, que recuou cerca de R$ 73 milhões em 12 meses; (ii) o comportamento das despesas operacionais, que praticamente não cederam diante da queda de receita; (iii) a evolução do resultado financeiro, hoje penalizado pela base de caixa menor; e (iv) eventuais anúncios de novos contratos de shows, parcerias com venues ou reforço do segmento de Família e Teatro — que sustentou parte da agenda do trimestre com o Shrek no Teatro Renault.

Leia também: acompanhe as últimas notícias e fatos relevantes do mercado e as análises de ações da B3 na Renova Invest.

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Fonte: Banco Central · 14/08/2026

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