Já teve a sensação de que o dinheiro não rende nada ou que o salário mal cai na conta e some? Essa não é apenas uma sensação — é a inflação corroendo silenciosamente o poder de compra do real ao longo dos anos.
Nos últimos anos, o Brasil viveu um ciclo intenso de inflação. Em 2022, o IPCA acumulado nos 12 meses até março chegou a 11,30% — e de março de 2017 a março de 2022 o real perdeu 31,32% de seu valor e poder de compra. O cenário melhorou nos anos seguintes: em 2025, o IPCA fechou em 4,26% — abaixo do teto da meta do CMN (4,5%) e o menor índice desde 2018.
Em 2026, o IPCA acumulado entre janeiro e maio registrou 3,20%:
- Janeiro: 0,33%
- Fevereiro: 0,70%
- Março: 0,88%
- Abril: 0,67%
- Maio: 0,58%
Mesmo com inflação mais controlada em 2025-2026, os efeitos do ciclo inflacionário anterior ainda impactam o bolso dos brasileiros — e quem não investe continua perdendo poder de compra de forma silenciosa e constante.
Neste artigo
Por que tudo aumentou?
A inflação do período foi causada por fatores nacionais e internacionais. A instabilidade global, a pandemia de COVID-19 (2020-2022) e a guerra na Ucrânia (2022 em diante) contribuíram para turbulências nos mercados. A crise hídrica e fenômenos climáticos em 2021 afetaram a produção de alimentos e energia elétrica, diminuindo a oferta. Outros fatores relevantes:
- Câmbio: dólar mais caro encarece importados, combustíveis e commodities
- Cadeia de suprimentos: rupturas globais pós-pandemia elevaram frete e criaram escassez de insumos
- Demanda aquecida: crescimento da renda e do consumo pressiona preços de serviços
Para tentar conter o caos, o Banco Central (BC) recorreu ao aperto monetário, aumentando a taxa Selic com o objetivo de reduzir a inflação. Em 2026, a Selic está em 14,25% ao ano (decisão do Copom em junho de 2026).
Vale lembrar que juros altos afetam de maneira diferente cada tipo de investimento. Por exemplo, podem beneficiar os Fundos Imobiliários, que distribuem rendimentos indexados à inflação — embora as cotas tendam a cair quando os juros sobem.
O real é a pior moeda do mundo?
Em abril de 2022, o real foi considerado a moeda com o pior desempenho entre as mais de 40 moedas acompanhadas pela plataforma de cotações Refinitiv. Na época, o dólar terminou o dia em alta de 4,07%, a R$ 4,8065, e a desvalorização acumulada do real desde o início de 2020 era o dobro da registrada em mercados comparáveis — como os latino-americanos ou grandes exportadores de commodities.
Um levantamento dos professores da Fundação Getulio Vargas (FGV) Henrique Castro e Claudia Yoshinaga, a pedido da BBC News Brasil, confirmou: a moeda acumulou queda de 28% frente ao dólar de 31 de dezembro de 2019 até abril de 2022.
Em 2026, o cenário melhorou: com a Selic em 14,25% e inflação mais controlada, o real recuperou atratividade para investidores internacionais. O dólar está cotado em torno de R$ 5,17 em junho de 2026 — mais estável do que os picos vistos no período pós-pandemia.
Como ficam os investimentos?
Com a Selic a 14,25%, a boa notícia é que os juros mais altos aumentam a rentabilidade dos investimentos de renda fixa. Títulos que rendem 100% do CDI (~14,20% a.a.) superam com folga a inflação de 2026. Isso torna o momento atraente para aproveitar o patamar de juros.
Por outro lado, o real desvalorizado afeta o bolso de quem precisa comprar dólares ou adquire produtos importados. Quem investe apenas na poupança — que rende abaixo da inflação histórica — perde poder de compra ao longo do tempo.
Como proteger seu patrimônio da inflação em 2026
Para preservar o poder de compra, é essencial investir em ativos que rendam acima do IPCA. As principais opções disponíveis em 2026:
- Tesouro IPCA+ (NTN-B): título público federal que rende IPCA + taxa prefixada. Garante rendimento real positivo, independentemente do ciclo econômico.
- CDB e LCI/LCA indexados ao IPCA: renda fixa bancária que corrige pelo índice oficial de inflação, com proteção do FGC até os limites legais.
- Fundos Imobiliários (FIIs): aluguéis reajustados pelo IGPM/IPCA distribuem renda mensal corrigida pela inflação.
- Ações de exportadoras: empresas como Petrobras e Vale se beneficiam do dólar alto e protegem contra a desvalorização cambial.
- ETFs internacionais via B3: acessar mercados globais em moeda forte é uma das proteções mais eficazes contra a depreciação do real no longo prazo.
💡 Regra prática: Em 2026, com a Selic a 14,25% e IPCA acumulado de 3,20% em 5 meses, investimentos de renda fixa de qualidade oferecem retorno real positivo expressivo. Mesmo assim, a diversificação em ativos reais (imóveis, ações, mercado internacional) é fundamental para proteção de longo prazo do seu patrimônio.
⚠️ Aviso de risco: Este conteúdo é educacional e não constitui recomendação de investimento. Dados de IPCA, câmbio e Selic são de junho de 2026 e estão sujeitos a variação. Consulte um assessor de investimentos credenciado pela CVM antes de tomar decisões financeiras.
