Todos os meses, o BTG Pactual elabora uma série de Carteiras Recomendadas, reunindo sugestões de ativos para o período, a partir das análises financeiras e econômicas de sua equipe especializada. Esta é a Carteira Recomendada de Small Caps do BTG Pactual para Outubro de 2021.

Visão Geral

A equipe de análise do BTG Pactual pontua que, no que se refere ao mercado financeiro, o Ibovespa teve queda de -6,6% em setembro.

Em relação ao cenário econômico, a principal observação é que, enquanto o crescimento esperado do PIB em 2021 ainda seja de +5,3%, as perspectivas para 2022 estão se deteriorando e a projeção atual é de apenas +1,5%. A Selic deve terminar este ano em +8,25% e o IPCA em +9,5%.

Em relação ao cenário político, continuam em andamento a questão dos precatórios e a possibilidade de retomada do auxílio emergencial. O governo enfrenta o desafio de conduzir esses assuntos sem prejudicar a credibilidade do teto de gastos.

Já no que se refere ao cenário da pandemia, a equipe de análise aponta como destaque a redução da média móvel de mortes, que caiu de 700 no final de agosto para 500 no final de setembro. O número de casos também tem queda. A vacinação avança, com cerca de 1,5 milhão de doses aplicadas por dia. Com isso, o receio de uma terceira onda parece recuar.

Para o mês de Outubro/2021, o BTG Pactual recomenda uma carteira com 10 small caps, distribuída da seguinte maneira:

  • Desktop (DESK3) – 10%
  • SLC Agrícola (SLCE3) – 10%
  • Vamos (VAMO3) – 10%
  • 3R Petroleum (RRRP3) – 10%
  • Orizon (ORVR3) – 10%
  • Sinqia (SQIA3) – 10%
  • ClearSale (CLSA3) – 10%
  • 3Tentos (TTEN3) – 10%
  • Soma (SOMA3) – 10%
  • CBA (CBAV3) – 10%

Em relação à carteira de Setembro/2021, houve 1 saída: Lavvi (LAVV3).

Desempenho

Segundo os analistas do BTG Pactual, o desempenho da Carteira Recomendada de Small Caps apresentou alta de +3,2% em Setembro, contra queda de -6,6% do IBOV e de -6,4% do SMLL.

Em 2021, a BTG SMLL acumulou rentabilidade de +31,1%, em relação a -6,8% do IBOV e -5,5% do SMLL.

Desde julho de 2010, a BTG SMLL registrou rentabilidade acumulada de +2.790%, em relação a +82,1% do IBOV e +134,5% do SMLL.

carteira recomendada de small caps outubro 2021 img 1

Desktop (DESK3)

De acordo com a equipe de análise do BTG Pactual, a Desktop (DESK3) é líder no segmento de provedores de serviços de internet em São Paulo. A empresa conta com 570 mil clientes e tem cobertura em mais de 100 cidades.

INVISTA EM AÇÕES COM A PLANILHA DE ANÁLISE FUNDAMENTALISTA

De acordo com os analistas, a empresa está se movendo rapidamente. Em fevereiro, o fundo de private equity H.I.G. tornou-se acionista controlador. Desde então, foram adquiridas operações grandes e de qualidade. Além disso, existem outras oportunidades de ISPs de médio porte que a empresa pode buscar em curto prazo.

Atualmente, os analistas avaliam que as ações DESK3 estão sendo negociadas com grande desconto em relação a pares globais. Ela apresenta um pequeno prêmio, também, em relação a empresas de telecom integradas globais, que não estão crescendo.

SLC Agrícola (SLCE3)

De acordo com a equipe de análise do BTG Pactual, a SLC Agrícola (SLCE3) é incluída na carteira com um modelo de negócios comprovado. Seu objetivo é adotar tecnologia em larga escala nos segmentos agrícolas mais tradicionais do país: soja, milho e algodão.

Em 2022, deve haver um crescimento de aproximadamente 35% na área plantada. Com isso, a empresa poderá se beneficiar de uma forte alavancagem operacional, além da vantagem do real fraco. Com isso, a SLC Agrícola se consolida como uma das melhores maneiras de aproveitar o boom de preços de commodities.

A ação teve uma boa performance e o valuation está um pouco exigente, mas seu preço ainda está abaixo do histórico. Além disso, os analistas consideram que a avaliação recente do portfólio de terras agrícolas da empresa foi muito conservador.

Vamos (VAMO3)

De acordo com a equipe de análise do BTG Pactual, a Vamos (VAMO3) permanece na carteira com uma expectativa positiva de crescimento da empresa, associada à baixa penetração da atividade de aluguel de caminhões atualmente e ao potencial de expansão do segmento.

A Vamos recentemente anunciou que pretende aumentar sua frota em 6x até 2025, chegando a cerca de 100 mil caminhões.

Além disso, o crescimento orgânico e inorgânico da empresa neste ano vem superando expectativas. Em relação ao crescimento inorgânico, foram realizadas 4 operações de fusão e aquisição desde o IPO.

Para resumir sua tese, o BTG destaca três principais vantagens competitivas da empresa. A primeira são as condições mais favoráveis para compra de veículos, devido ao seu poder de barganha. A segunda é a capacidade comercial, alavancada pelo controlador Simpar. A terceira é sua rede de vendas de ativos usados.

3R Petroleum (RRRP3)

De acordo com a equipe de análise do BTG Pactual, a 3R Petroleum (RRRP3) permanece no portfólio após ter apresentado um início de recuperação nas últimas semanas de setembro.

As ações apresentaram desempenho inferior ao preço do Brent, com espaço para correção. Além disso, foi anunciada a potencial aquisição do cluster de potiguar e de participação em alguns campos de Albacora, considerados negócios atraentes.

A empresa representa a revitalização dos ativos petrolíferos onshore e em águas rasas. Por ser a única empresa listada nesse segmento, ela conta com o valor de escassez.

Como a Petrobras está focada nas operações em águas profundas e ultraprofundas, não está havendo muito esforço dedicado à recuperação de ativos não essenciais. Por isso, a 3R tem uma oportunidade de crescimento interessante.

Além disso, os analistas avaliam que, apesar do seu curto período de vida, a empresa tem um risco de execução menor do que imaginado, pois seu foco é em fazer bem o básico. Ela se concentra na produção e aposta em técnicas convencionais de revitalização.

Outro fator importante é o baixo custo de produção, que garante a resiliência do portfólio mesmo diante de eventuais quedas nos preços do petróleo.

O BTG também destaca que a 3R tem um plano de M&A ousado. Nos próximos seis meses, ela já deve começar a operar com quatro dos clusters que foram adquiridos recentemente. Isso deve contribuir para reduzir o risco do investimento na empresa.

A equipe de análise considera que a 3R tem boa relação risco-retorno e também é uma alternativa atrativa para investidores que querem mais exposição aos preços do Petróleo Brent e menos exposição ao risco político.

Orizon (ORVR3)

De acordo com a equipe de análise do BTG Pactual, a Orizon (ORVR3) permanece na carteira porque existe expectativa de que a data do leilão dos ativos da Estre, a maior empresa de aterros sanitários do país, seja agendada para os próximos 15 a 30 dias.

A Orizon adquiriu a dívida sênior da Estre, que está em recuperação judicial. Assim, no leilão de ativos, que envolve um conjunto de 7 aterros e uma planta de recuperação de resíduos, a Orizon tem direito de apresentar a primeira oferta.

A Orizon também pode combinar sua oferta com a do fundo de emergência Jive, que também comprou a dívida sênior da Estre. E, se suas ofertas não vencerem o leilão, eles devem receber uma taxa de rescisão correspondente a 6,5% do valor do lance vencedor.

Com a vitória no leilão, o EBITDA da empresa teria um acréscimo entre R$ 110 milhões e R$ 120 milhões.

Além disso, a Orizon ganhou um leilão de energia A-5 por 20 anos para sua usina de transformação de resíduos em energia. A empresa já vendeu 75% da capacidade total da usina.

Sinqia

De acordo com a equipe de análise do BTG Pactual, a Sinqia (SQIA3) captou R$ 400 milhões em um follow on no mês de setembro. Com isso, a empresa tem capacidade para realizar novas fusões e aquisições.

Os analistas observam que, além da estratégia de M&A executada perfeitamente, o crescimento orgânico da empresa também se acelerou.

Para completar, o valuation está atraente em relação a pares globais que atuam no setor de software e têm foco na vertical financeira. Considerando que a Sinqia é muito menor do que esses pares, ela terá facilidade para realizar aquisições que vão dobrar ou triplicar seu tamanho em poucos anos.

ClearSale (CSLA3)

De acordo com a equipe de análise do BTG Pactual, a ClearSale (CSLA3) é o principal fornecedor de soluções para proteção contra fraude em e-commerce no país. Ela tem participação de mercado entre 60% e 70% e conta com mais de 4,5 mil clientes, incluindo empresas como Centauro, Renner, Magazine Luiza, B2W e Via.

Segundo os analistas, atualmente, antifraude para e-commerce é responsável por 78% das vendas da empresa. Em relação ao seu par mais evidente, a israelente Riskified, a ClearSale é negociada com forte desconto.

3Tentos (TTEN3)

De acordo com a equipe de análise do BTG Pactual, a 3Tentos (TTEN3) entrou no portfólio de small caps porque oferece uma maneira nova de participar de um dos setores mais dinâmicos e promissores no país. Ela oferece exposição à cadeia agrícola, com base no que acontece antes da fazenda.

A empresa oferece uma plataforma integrada de varejo de insumos agrícolas, com a comercialização e o processamento de soja em farelo e óleo/biodiesel. Ela agrega valor para seus clientes, prestando serviços que possibilitam aumentar a eficiência no cultivo.

Além disso, apresenta um exclusivo modelo de negócios integrado, no qual é o principal comprador após a conclusão da colheita. A maior parte das vantagens competitivas da empresa estão construídas em torno desse modelo.

O mercado é grande e ainda não consolidado, e existe uma promessa de forte crescimento. Para completar, a empresa se apoia no agronegócio, mas não está totalmente vinculada a seus aspectos cíclicos. Assim, consegue manter margens resilientes e ganhos significativos, mesmo com a exposição à volatilidade dos preços de commodities.

Grupo Soma (SOMA3)

De acordo com a equipe de análise do BTG Pactual, o Grupo Soma (SOMA3) entra na carteira de small caps devido a uma visão positiva apoiada em três pilares. O primeiro é o portfólio de marcas, que é forte e diversificado. O segundo é a plataforma omnichannel desenvolvida ao longo da última década. O terceiro é o espaço para novas operações de M&A.

Além disso, os analistas observam que a empresa apresenta um forte momento operacional. O consumo de vestuário, especialmente entre consumidores de renda mais alta, tem forte desempenho.

A proposta de valor da empresa está na expertise na gestão de diferentes marcas. Assim, o risco de concentração das receitas em uma única marca é mitigado. Sem mencionar que essa expertise abre portas para novas aquisições.

Apesar de não estar com um valuation barato, as ações ainda apresentam potencial de valorização do qual os investidores podem se beneficiar.

CBA (CBAV3)

De acordo com a equipe de análise do BTG Pactual , a CBA (CBAV3) foi adicionada à carteira de small caps porque é uma das empresas mais beneficiadas, em curto e longo prazo, pelas tendências globais de descarbonização.

Atualmente, os preços do alumínio estão próximos de US$ 3.000/ton, devido a uma série de interrupções e restrições no fornecimento. Enquanto isso, a demanda permanece sólida.

Para completar, conforme a China limita sua produção de alumínio devido às metas de descarbonização, os mercados internacionais devem sofrer com déficits estruturais que podem aumentar ainda mais os preços. Esse cenário beneficia a empresa.

A CBA tem ainda o diferencial de utilizar 100% de energia de fontes renováveis. Com isso, sua precificação está, atualmente, descontada em cerca de -40% em relação aos pares.

 

Estes são os ativos da Carteira Recomendada de Small Caps do BTG Pactual para Outubro de 2021. Acompanhe os conteúdos da Renova Invest para ter acesso às carteiras recomendadas mensais para small caps.

Disclaimer: As informações apresentadas neste artigo são provenientes de relatórios elaborados por terceiros. Esse material tem caráter puramente informativo, e não configura recomendação ou sugestão de investimento.