Rossi (RSID3): credores aprovam aditamento ao plano de RJ com 92,31% dos votos

Rossi Residencial aprova aditamento ao plano de RJ com apoio de 92% dos credores

Renova Invest · 14 de agosto de 2026

Credores aprovam aditamento ao plano de recuperação judicial da Rossi

A Rossi Residencial (B3: RSID3; OTC: RSRZY) deu um passo decisivo no processo de reestruturação que se arrasta desde 2022. Em assembleia geral de credores retomada em 14 de agosto de 2026, o Aditamento ao Plano de Recuperação Judicial — apresentado pela companhia em 22 de julho de 2026 — foi aprovado por 92,31% dos credores e por 84,54% dos créditos presentes, segundo fato relevante enviado à CVM.

RSID3 Rossi Residencial S.A. Ativo
R$ 1,60 0,00%
Cotação · atualizada há 2 horas
Variação (6 meses) -3,0%
Máxima (6 meses) R$ 1,88
Mínima (6 meses) R$ 1,50
Cotação de RSID3 — últimos 6 meses
máx R$ 1,88 mín R$ 1,50

Fonte: B3 via Brapi. Valores podem ter atraso em relação ao pregão. Conteúdo informativo, não é recomendação de investimento.

Os percentuais são expressivos para qualquer processo de insolvência e reduzem o risco imediato de contestação relevante ao novo desenho de pagamentos. O próximo passo é a homologação pelo juízo da 1ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais do Foro Central da Comarca da Capital de São Paulo, nos termos da Lei nº 11.101/2005.

O documento, assinado pelo Diretor Administrativo, Financeiro e de Relações com Investidores Cesar Henrique Gallo do Prado, afirma que a aprovação representa “um marco fundamental no processo de reestruturação econômico-financeira do Grupo Rossi”. A ata da assembleia e o texto integral do aditamento serão disponibilizados pelo administrador judicial no site de RI e nos autos digitais do processo nº 1101129-56.2022.8.26.0100.

Uma linha do tempo que começa em 2022 e ainda não terminou

A Rossi entrou em recuperação judicial em 2022, após anos acumulando os efeitos da crise do mercado imobiliário brasileiro, da alta de juros e de um modelo de negócios com forte exposição a empreendimentos de grande volume e longa maturação.

O plano original foi aprovado em assembleia de credores em 2023 e trouxe um elemento pouco usual: a possibilidade de credores receberem parte da dívida por meio de emissão de ações da própria Rossi, com conversão de créditos em capital de até cerca de R$ 96 milhões nessa modalidade — mecanismo que, à época, foi apontado como potencialmente dilutivo para minoritários.

O cronograma, contudo, precisou ser readequado. Em 5 de dezembro de 2025, a companhia divulgou fato relevante sinalizando a necessidade de recalibrar o fluxo de pagamentos à sua efetiva capacidade de geração de caixa — reconhecimento explícito de que o desenho original havia se tornado incompatível com a realidade operacional.

Em 18 e 28 de maio de 2026, a Rossi comunicou a realização da Assembleia Geral de Credores em segunda convocação e, em seguida, a suspensão dos trabalhos, com os credores deliberando pela retomada da sessão em formato exclusivamente virtual. Com o aditamento de julho na mesa, o processo voltou a avançar em agosto.

A sequência é reveladora: quatro anos depois do início da RJ, a Rossi ainda está definindo, junto a credores, em que termos suas dívidas serão pagas. O ganho concreto do fato de 14 de agosto é o alinhamento com a maioria qualificada dos credores — condição necessária, ainda que insuficiente, para evitar que a recuperação se converta em falência.

O setor mudou — e os pares deixaram a Rossi para trás

A trajetória da companhia precisa ser lida no contexto de um setor que viveu dois ciclos radicalmente distintos na última década. A crise imobiliária iniciada entre 2014 e 2016 destruiu valor em massa em construtoras e incorporadoras de médio e grande porte, e a Rossi foi uma das mais atingidas, dada a escala dos projetos assumidos e a dificuldade de desová-los num ambiente de crédito restrito.

Nomes como MRV, Cyrela e Direcional atravessaram o ciclo, reestruturaram operações e voltaram a crescer com disciplina de capital — especialmente no segmento de baixa renda, impulsionado pelo Minha Casa Minha Vida. A Rossi seguiu encolhida, administrando passivo em vez de crescer. O ambiente de juros elevados também pesou: a Selic em dois dígitos encarece o financiamento imobiliário, reduz o apetite por imóveis de ticket mais alto e comprime margens das incorporadoras mais alavancadas.

Hoje a Rossi opera em escala muito inferior à de seus anos de maior atividade: a receita líquida de 2024 foi de R$ 146,4 milhões — fração do que grandes pares do setor faturam em um único trimestre.

A leitura para o investidor: lucro contábil não resolve o EBIT negativo

O que os números mostram

Os resultados entre 2023 e 2025 compõem um quadro de melhora parcial com fragilidade persistente. Em 2024, a receita líquida somou R$ 146,4 milhões, aumento de 19,4% sobre o ano anterior, segundo a apresentação de resultados da companhia.

No 4T24, o lucro bruto foi de R$ 12,6 milhões (R$ 16,3 milhões no ajustado, desconsiderando encargos financeiros alocados ao custo) e o resultado financeiro líquido ficou em –R$ 129,5 milhões, melhora expressiva frente aos –R$ 987,7 milhões do 4T23 — reflexo direto da reestruturação do passivo. O lucro líquido do 4T24 foi de R$ 205,3 milhões, contra R$ 396,3 milhões no 4T23. No consolidado de 2024, plataformas de dados apontam lucro líquido na faixa de R$ 254 milhões a R$ 276 milhões, dependendo da base de cálculo.

Esses números pedem cautela. O EBIT de 2024 permanece fortemente negativo — da ordem de –R$ 263 milhões segundo bases de mercado —, assim como o EBITDA. Ou seja: o lucro líquido positivo não decorre de operação saudável, mas de efeitos ligados à reestruturação de dívidas, reversões de provisões e ganhos financeiros.

O 1T25 confirma o diagnóstico. A receita de venda cresceu para R$ 14,5 milhões (contra R$ 8,3 milhões no 1T24) e o resultado bruto avançou para R$ 4,0 milhões (R$ 1,5 milhão um ano antes). O resultado financeiro melhorou muito, de –R$ 30,4 milhões para –R$ 6,4 milhões. Ainda assim, o prejuízo atribuível à controladora piorou: R$ 29,2 milhões no 1T25 contra R$ 26,1 milhões no 1T24 — sinal de que a geração recorrente de caixa segue insuficiente para cobrir a estrutura da operação. Em trimestres anteriores o padrão foi semelhante: prejuízo de R$ 65,0 milhões no 3T24 (contra R$ 48,2 milhões no 3T23) e de cerca de R$ 28,9 milhões no 2T24.

Cotação e perfil de risco

As ações RSID3 estão cotadas a R$ 1,60, sem variação no pregão de referência. O papel negocia exatamente na mínima de 52 semanas (R$ 1,60), tendo atingido máxima de R$ 2,07 no período — o que coloca o ativo na parte inferior de sua faixa recente. Não há valor de mercado disponível nas fontes consultadas, situação compatível com empresa em RJ, cuja estrutura de capital está em renegociação.

Vale registrar o que a apuração não encontrou: não há rating de crédito público vigente para a Rossi em fontes abertas, nem detalhamento atualizado de acionistas de referência ou bloco de controle — a base acionária aparece como pulverizada após sucessivos ciclos de crise e emissões.

À época da aprovação do plano original, em 2023, analistas já alertavam para o risco dilutivo da conversão de dívidas em ações e classificavam o caso como adequado apenas a investidores com elevada tolerância a risco. A aprovação do aditamento com 92,31% de apoio dos credores é positiva no curto prazo — reduz o risco de ruptura imediata —, mas não altera o cenário estrutural de uma companhia que ainda não demonstrou capacidade de gerar resultado operacional consistente.

O que observar nos próximos meses

  • Homologação judicial do aditamento: sem a chancela da 1ª Vara de Falências de São Paulo, o aditamento não produz efeitos plenos. O prazo depende da pauta do juízo.
  • Publicação da ata e do texto integral: o mercado ainda não conhece o novo cronograma. Prazos, deságios e condições por classe de credor serão decisivos para avaliar a real capacidade de cumprimento.
  • Resultados operacionais de 2025 e 2026: receita líquida, margem bruta e, sobretudo, a evolução do EBIT são os termômetros que dirão se a empresa consegue sustentar o novo plano.
  • Risco de novos aditamentos: o plano já precisou ser revisto uma vez. Se a operação não evoluir no ritmo assumido, um novo ciclo de negociação não pode ser descartado.

A aprovação de agosto de 2026 compra tempo e preserva o diálogo com credores. Mas a Rossi ainda precisa converter esse alinhamento em resultado operacional — e é aí que a tese de reestruturação será efetivamente testada.

Leia também: acompanhe as últimas notícias e fatos relevantes do mercado e as análises de ações da B3 na Renova Invest.

Disclaimer: O conteúdo apresentado é meramente informativo e não deve ser considerado como conselho de investimento. A Renova Invest não se responsabiliza por decisões financeiras tomadas com base nestas informações.

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Fonte: Banco Central · 13/08/2026

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