SLC Agrícola (SLCE3): lucro sobe 75,3% no 2T26 e alavancagem vai a 3,09x

SLC Agrícola lucra R$ 245 mi no 2T26, alta de 75,3%, mas alavancagem sobe de 1,97x para 3,09x o EBITDA.
SLC Agrícola (SLCE3): lucro sobe 75% no 2T26, mas alavancagem chega a 3,09x e pressiona tese

A SLC Agrícola (SLCE3) divulgou um segundo trimestre de 2026 com avanço forte nas linhas de receita, resultado bruto e lucro, mas com compressão de margem EBITDA e deterioração relevante do balanço. A receita líquida somou R$ 2,176 bilhões, alta de 16,8% sobre os R$ 1,862 bilhão do 2T25. O lucro líquido foi de R$ 245,1 milhões, crescimento de 75,3% frente aos R$ 139,8 milhões do mesmo trimestre do ano anterior.

SLCE3 SLC Agrícola Ação Consumo Não Cíclico
R$ 14,04 2,18%
Cotação · atualizada há 2 horas
P/L 17,69
DY (12 meses) 6,5%
LPA R$ 0,79
Cotação de SLCE3 — últimos 6 meses
máx R$ 19,32 mín R$ 12,62

Fonte: B3 via Brapi. Valores podem ter atraso em relação ao pregão. Conteúdo informativo, não é recomendação de investimento.

O resultado bruto avançou 43,5%, para R$ 941,2 milhões, com a margem bruta saindo de 35,2% para 43,3% — ganho de 8,1 pontos percentuais e o indicador mais robusto do trimestre. Já o EBITDA ajustado cresceu apenas 4,3%, para R$ 580,6 milhões, com a margem recuando de 29,9% para 26,7% (-3,2 p.p.). A discrepância entre o salto de 43,5% no bruto e a quase estabilidade do EBITDA indica que despesas e ajustes abaixo da linha do resultado bruto absorveram boa parte do ganho operacional.

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  • Receita líquida: R$ 2,175 bilhões (+16,8%)
  • Resultado bruto: R$ 941,2 milhões (+43,5%)
  • Margem bruta: 43,3% (+8,1 p.p.)
  • Resultado operacional: R$ 677,4 milhões (+49,4%)
  • Margem operacional: 31,1% (+6,8 p.p.)
  • EBITDA ajustado: R$ 580,6 milhões (+4,3%)
  • Margem EBITDA ajustada: 26,7% (-3,2 p.p.)
  • Lucro líquido: R$ 245,1 milhões (+75,3%)
  • Margem líquida: 11,3% (+3,8 p.p.)
  • Fluxo de caixa livre: -R$ 805,3 milhões (consumo 28,6% maior que no 2T25)

O semestre conta uma história diferente do trimestre

No acumulado do primeiro semestre de 2026, a receita líquida chegou a R$ 4,443 bilhões (+6,0% sobre o 1S25), mas o lucro líquido caiu 26,0%, para R$ 481,2 milhões, e o EBITDA ajustado recuou 15,0%, para R$ 1,276 bilhão. Ou seja: a recuperação do 2T26 se deu sobre uma base fraca do 2T25 — trimestre em que a margem líquida havia sido de apenas 7,5% — e ainda não foi suficiente para reverter a piora acumulada no semestre. O fluxo de caixa livre semestral foi negativo em R$ 2,160 bilhões, contra -R$ 2,045 bilhões no 1S25.

O que puxou o resultado: produtividade recorde e hedge travado

Soja e algodão batem recorde de produtividade

O principal motor do trimestre foi a produtividade agrícola da safra 2025/26. A companhia reporta forecast de 4.146 kg/ha em soja — recorde histórico, acima do realizado em 2024/25 (3.961 kg/ha) e do orçado (4.036 kg/ha). No algodão em pluma, o forecast é de 2.155 kg/ha, também recorde e 12,2% acima do ciclo anterior (1.920 kg/ha), superando o orçamento de 2.029 kg/ha.

O ponto negativo da lavoura está no milho: o forecast de 6.798 kg/ha ficou bem abaixo do orçado (7.738 kg/ha) e também do realizado em 2024/25 (8.304 kg/ha) — uma frustração de produtividade que merece atenção na teleconferência, sobretudo porque a posição de hedge comercial de milho para 2025/26 está em apenas 54,1% do volume.

Hedge da safra atual está quase todo travado

A gestão de risco da safra 2025/26 está em estágio avançado. Em commodity, a companhia tem 90,2% da soja travada a USD 11,42/bushel e 94,7% do algodão a 75,61 US¢/lb. Em câmbio, são 85,2% da soja a R$/USD 5,6079, 83,5% do algodão a R$/USD 5,9178 e 78,7% do milho a R$/USD 5,6817.

Vale um contraponto de tese: os preços de referência do mercado citados no material (soja CBOT spot Ago/26 a USD 11,48/bu e algodão ICE Dez/26 a 84,39 US¢/lb) estão acima dos níveis travados no hedge de algodão — o que significa que a proteção que garantiu margem no início do ciclo agora limita a captura de preços melhores no spot. É a contrapartida natural de uma política de hedge conservadora.

O lado sombrio: alavancagem sobe de 1,97x para 3,09x

O ponto mais sensível do balanço é o endividamento. A dívida líquida ajustada saltou de R$ 5,244 bilhões no 4T25 para R$ 7,539 bilhões no 2T26 — um avanço de cerca de R$ 2,3 bilhões, puxado pelo consumo de caixa do ciclo de plantio (fluxo de caixa livre de -R$ 2,160 bilhões no 1S26) e pela queda do caixa de R$ 2,649 bilhões para R$ 926,6 milhões.

Com o EBITDA ajustado dos últimos 12 meses recuando de R$ 2,665 bilhões para R$ 2,440 bilhões, a relação dívida líquida ajustada/EBITDA ajustado passou de 1,97x para 3,09x. É uma piora de mais de um turno de EBITDA em dois trimestres — em parte explicada pela sazonalidade (o caixa é consumido no plantio e retorna na comercialização), mas em patamar que reduz margem de manobra.

Do lado positivo do passivo: 78% da dívida está no longo prazo, o custo médio do endividamento em reais caiu de 15,3% para 14,4% ao ano e o custo em dólar de 7,5% para 7,2%. A exposição em moeda estrangeira é pequena — R$ 84,5 milhões de um total bruto de R$ 8,262 bilhões. O CAPEX do semestre foi contido, em R$ 155 milhões, sendo 61,1% manutenção e 38,9% expansão — sinal de disciplina de investimento em um semestre de aperto de caixa.

A leitura para o investidor: desconto sobre o NAV versus risco de alavancagem

Ação negocia perto da mínima de 52 semanas

As ações SLCE3 são negociadas a R$ 13,23, com variação de -0,53%, e valor de mercado de aproximadamente R$ 6,6 bilhões. O papel está muito mais perto da mínima de 52 semanas (R$ 12,58) do que da máxima (R$ 19,48) — uma desvalorização de cerca de 32% desde o topo do período.

Esse é o eixo central da tese hoje. A companhia informa um NAV de R$ 27,12 por ação, com portfólio total de terras avaliado em R$ 13,5 bilhões (ganho real de 8,4% nos últimos cinco anos, segundo a apresentação). Na cotação atual, a ação negocia a menos da metade do NAV declarado — um desconto expressivo sobre o valor dos ativos. O contra-argumento é igualmente objetivo: valor de terra é ativo ilíquido e não paga dívida no curto prazo, e é justamente a alavancagem de 3,09x que o mercado parece estar descontando.

Safra 2026/27: proteção parcial e custo em grande parte travado

Para o próximo ciclo, a companhia já construiu parte da proteção, mas em nível bem inferior ao da safra atual. Em commodity, são 49,2% da soja (incluindo compromissos) a USD 11,95/bu e 55,0% do algodão a 78,88 US¢/lb — ambos os preços acima dos travados para 2025/26 (USD 11,42/bu e 75,61 US¢/lb), o que é um sinal positivo de preço de realização. No milho, não há hedge comercial para 2026/27. Em câmbio, a cobertura é de 43,1% na soja, 44,0% no algodão e 41,1% no milho.

No custo, a compra de insumos está adiantada: 100% dos fosfatados, 96% dos defensivos, 90% do cloreto de potássio e 70% dos nitrogenados já adquiridos para 2026/27, com preços atualizados até 6 de agosto de 2026 (MAP CFR a USD 870/t, KCl CFR a USD 450/t, ureia CFR a USD 345/t e SSP CPT MT a USD 395/t). Isso reduz a incerteza de custo, mas também limita ganhos caso os fertilizantes recuem daqui para frente.

O que observar nos próximos trimestres

Primeiro: a trajetória da dívida líquida no 3T26 e 4T26. O segundo semestre concentra a comercialização da safra, especialmente do algodão, e deve reverter parte da queima de caixa. A velocidade dessa reversão é o que define se a alavancagem volta para a casa de 2x ou se permanece acima de 3x — variável decisiva para o custo de capital da companhia.

Segundo: a confirmação das produtividades recordes de soja e algodão na colheita efetiva, já que os números divulgados são forecast, e a explicação para a frustração do milho (6.798 kg/ha contra 7.738 kg/ha orçados).

Terceiro: o ritmo de travamento do hedge de 2026/27, hoje em torno de 50% em soja e algodão e zerado em milho para commodity. Com preços futuros de soja em USD 11,93/bu (Mar/27) e algodão em 86,24 US¢/lb (Mar/27), a decisão de quando fixar o restante terá impacto direto na margem do próximo ciclo.

Quarto: a política de proventos. Com alavancagem em 3,09x e caixa reduzido a R$ 926,6 milhões, a prioridade entre desalavancagem e distribuição aos acionistas é uma das perguntas mais relevantes para a teleconferência conduzida por Aurélio Pavinato (CEO) e Ivo Brum (CFO e DRI).

Leia também: acompanhe as últimas notícias e fatos relevantes do mercado e as análises de ações da B3 na Renova Invest.

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Fonte: Banco Central · 14/08/2026

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