SAFs do Brasil: O Que São e Como Funcionam em 2026

SAFs do Brasil: O Que São e Como Funcionam em 2026

Renova Invest · 30 de junho de 2026

Todos os anos, clubes brasileiros acumulam dívidas, perdem talentos para o exterior e enfrentam crises de gestão que parecem não ter fim. A Lei 14.193/2021 criou um novo caminho: as SAFs do Brasil, as Sociedades Anônimas do Futebol. Desde então, mais de 120 clubes adotaram o modelo SAF, atraindo bilhões em capital privado e mudando radicalmente a forma como o futebol é gerido no país. Este guia explica tudo o que você precisa saber, seja você torcedor, gestor esportivo ou investidor.

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Resposta direta: SAF é a sigla para Sociedade Anônima do Futebol, modelo empresarial criado pela Lei 14.193/2021 que permite a clubes se transformarem em empresas com fins lucrativos. O modelo separa a gestão do futebol profissional do clube associativo, permitindo a entrada de investidores privados, emissão de ações e distribuição de dividendos.

O Que São as SAFs do Brasil?

SAF significa Sociedade Anônima do Futebol. É um modelo empresarial regulamentado pela Lei 14.193/2021 que permite a clubes de futebol se transformarem em empresas com fins lucrativos, capazes de captar investidores privados e emitir ações. Na prática, o clube cria uma empresa separada que assume a gestão do futebol profissional, mantendo o clube-mãe como acionista.

Antes da lei, os clubes brasileiros funcionavam exclusivamente como associações sem fins lucrativos, geridas por presidentes eleitos pelos sócios-torcedores. Esse modelo, embora democrático, gerou décadas de acúmulo de dívidas, má gestão e falta de transparência financeira. A SAF surge como resposta legislativa a esse problema estrutural.

Do ponto de vista jurídico, a SAF é uma sociedade anônima com regras específicas. O clube-mãe deve ser o acionista originário e pode manter participação majoritária ou ceder o controle a investidores privados. Qualquer pessoa física ou jurídica, incluindo estrangeiros, pode ser acionista de uma SAF. Isso abriu o futebol brasileiro ao capital internacional de forma inédita.

Definição: SAF (Sociedade Anônima do Futebol) é uma empresa criada por lei brasileira em 2021 para gerir o futebol profissional de clubes. Separa a entidade esportiva da empresa, permite acionistas privados, emissão de ações e tem regime tributário especial. É o modelo clube-empresa do futebol nacional.

A estrutura da SAF prevê ainda um regime tributário especial e mecanismos de renegociação de dívidas históricas. Dessa forma, o legislador buscou não apenas atrair capital novo, mas também resolver o passivo acumulado por décadas de gestão amadora. Para o investidor, a SAF representa um ativo com características únicas, híbrido entre empresa, marca e ativo esportivo.

Como Funciona o Modelo SAF na Prática?

No modelo SAF, o clube cria uma empresa separada que assume a gestão do futebol profissional e pode captar investidores privados. A estrutura funciona com dois entes distintos: o clube-mãe, associação que permanece dona do nome e do patrimônio histórico, e a SAF, empresa que gere elenco, receitas e contratos.

Governança e Estrutura de Capital

A SAF opera com as regras de governança de uma sociedade anônima. Há um conselho de administração, uma diretoria executiva e obrigações de publicação de demonstrações financeiras. Essa transparência é radicalmente diferente do modelo associativo, onde as contas frequentemente não eram auditadas.

O investidor privado pode entrar no capital comprando ações ou aportando recursos em troca de participação. Na prática, há duas formas comuns de entrada: aquisição de participação majoritária, como fez Ronaldo no Cruzeiro, ou aporte minoritário com crescimento gradual. A lei estabelece que o clube-mãe deve receber pelo menos 10% das receitas da SAF para manter sua sustentabilidade institucional.

O Caso Cruzeiro: Exemplo Prático

O Cruzeiro foi um dos primeiros casos emblemáticos. Em 2022, Ronaldo Nazário adquiriu 90% das ações da SAF do Cruzeiro por R$ 400 milhões. O clube, que estava na Série B com dívidas históricas bilionárias, reestruturou suas finanças, voltou à Série A e reconstruiu o elenco com aportes privados.

O caso demonstra como a SAF pode ser usada para recuperação de clube em crise, mas também mostra que o resultado depende diretamente da qualidade da gestão. Na prática, o investidor que aporta capital em uma SAF passa a ter acesso às receitas do futebol profissional: direitos de TV, bilheteria, patrocínios, venda de atletas e licenciamento. O alinhamento de interesses entre investidor e desempenho esportivo é direto, um time que vai bem na tabela gera mais receita e mais retorno ao acionista.

Quantas SAFs Existem no Brasil em 2026?

Em 2026, o Brasil conta com mais de 120 SAFs registradas, sendo 6 na Série A e 9 na Série B do Campeonato Brasileiro. O crescimento foi acelerado: em 2021, o número era praticamente zero.

A distribuição geográfica revela concentração nos estados com futebol mais estruturado. São Paulo lidera com 29 SAFs, seguido pelo Paraná com 15 e Minas Gerais com 13. Isso reflete tanto a densidade de clubes quanto a presença de investidores locais mais capitalizados.

Região Nº de SAFs Estado Destaque
Sudeste 55+ São Paulo (29)
Sul 25+ Paraná (15)
Centro-Oeste 10+ Goiás
Nordeste 15+ Bahia / Ceará
Norte 5+ Pará

Vale observar que a maioria das SAFs registradas é de clubes de divisões inferiores. O modelo foi adotado tanto por grandes clubes tradicionais quanto por equipes menores que buscam estruturação financeira básica. O número bruto, portanto, não reflete a concentração de capital, que está nos clubes da Série A e Série B.

Para o investidor, essa realidade importa: o mercado de SAFs no Brasil é heterogêneo. Há oportunidades reais nos grandes clubes, mas também alto risco em SAFs de clubes pequenos sem base de receita sólida. A devida diligência é indispensável antes de qualquer aporte.

Quais São as Principais SAFs do Brasil?

Os casos mais relevantes são Botafogo, Cruzeiro, Bahia, Vasco da Gama, Atlético-MG e Fortaleza, todos presentes na elite do futebol nacional. Cada um tem perfil de investidor e estratégia distintos.

Botafogo SAF

  • Investidor principal: John Textor (Eagle Football)
  • Participação: controle majoritário
  • Resultado esportivo: campeão da Libertadores 2024
  • Estratégia: multiclub ownership (também controla Lyon, Crystal Palace e RWD Molenbeek)

Cruzeiro SAF

  • Investidor principal: Ronaldo Nazário
  • Participação: 90% das ações (em 2022)
  • Aporte inicial: R$ 400 milhões
  • Destaque: retorno à Série A após dois anos na Série B

Bahia SAF

  • Investidor principal: City Football Group
  • Estratégia: rede global de clubes (Manchester City, NY City FC e outros)
  • Resultado: classificação à Libertadores 2025
  • Diferencial: transferência de know-how em desenvolvimento de atletas

Vasco da Gama SAF

  • Investidor principal: 777 Partners (grupo americano)
  • Situação em 2026: o grupo enfrentou problemas financeiros próprios, gerando instabilidade
  • Lição: o risco do investidor é tão importante quanto o potencial do clube

O caso do Botafogo merece destaque especial. A conquista da Libertadores 2024 representou um salto de valorização estimado em centenas de milhões de reais para a SAF, com aumento de receitas de patrocínio, direitos internacionais e venda de atletas. Esse é o cenário ideal que qualquer investidor em SAF busca, mas ele não é garantido.

💡 O Que Poucos Explicam Sobre Investir em SAFs

O que poucos explicam: a maioria dos investidores avalia uma SAF pelo nome do clube ou pelo histórico esportivo, e ignora o fator mais determinante para o retorno: a solidez financeira e o histórico do investidor-controlador.

O caso do Vasco é o exemplo mais caro dessa lição. O clube tem base de torcedores expressiva, receita potencial relevante e tradição histórica. Mesmo assim, a instabilidade do grupo 777 Partners criou meses de incerteza, paralisou contratações e afetou diretamente o desempenho esportivo. Na prática, o risco do investidor contaminou o clube, e não o contrário.

Em outras palavras: antes de avaliar se o clube tem potencial, avalie se o gestor tem capacidade real de entrega. Esse detalhe, frequentemente ignorado, pode ser a diferença entre um investimento que valoriza e um que corrói patrimônio.

Qual a Diferença Entre SAF e Clube Associativo?

A diferença fundamental é que o clube associativo é uma entidade sem fins lucrativos, enquanto a SAF é uma empresa com fins lucrativos. Essa distinção muda tudo: governança, tributação, capacidade de captar recursos e responsabilidade pelas dívidas.

Clube Associativo

  • Fins lucrativos: não, proibido distribuir dividendos
  • Governança: presidentes eleitos por sócios
  • Captação: limitada a patrocínios e receitas operacionais
  • Transparência: histórico de baixa prestação de contas
  • Tributação: isento em algumas receitas, sem regime especial
  • Dívidas: acumuladas sem mecanismo claro de reestruturação

SAF (Sociedade Anônima do Futebol)

  • Fins lucrativos: sim, pode distribuir dividendos aos acionistas
  • Governança: conselho de administração e diretoria executiva
  • Captação: pode emitir ações, captar dívida e atrair investidores
  • Transparência: obrigação de publicar demonstrações financeiras
  • Tributação: regime especial com alíquota reduzida (RET)
  • Dívidas: mecanismo de parcelamento especial previsto na lei

Na prática, clubes associativos acumularam passivos históricos gigantescos sem mecanismo de resolução. Por outro lado, a SAF não é uma solução mágica, um mau gestor dentro de uma estrutura empresarial pode comprometer o clube igualmente. A diferença real está na obrigação legal de prestação de contas, que reduz, mas não elimina, o risco de má gestão oculta.

Para o torcedor, a principal implicação é que o clube pode ser controlado por um investidor externo, inclusive estrangeiro. Isso gera debates legítimos sobre identidade e propósito dos clubes, mas também pode significar acesso a recursos antes impensáveis para a maioria das agremiações brasileiras.

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Tributação das SAFs: Como Funciona o Regime Fiscal?

Entre os incentivos criados pela lei, o mais relevante para o modelo de negócios é o Regime Especial Tributário (RET). Conforme a legislação vigente, a alíquota unificada para as SAFs é de 5% sobre a receita bruta, englobando IRPJ, CSLL, PIS e Cofins em um único pagamento simplificado. Esse regime é significativamente mais favorável do que o regime padrão aplicado a empresas comuns.

Para 2027 em diante, as discussões no âmbito da reforma tributária preveem ajustes nas alíquotas. Conforme projeções em debate no Congresso, a alíquota das SAFs pode chegar a 6%, enquanto clubes associativos com atividades comerciais poderiam ser tributados em torno de 15,5%. Esses percentuais ainda estão sujeitos à legislação final, que deve ser confirmada na transição 2026-2027.

Na prática, essa diferença de tributação é um dos maiores incentivos para a migração do modelo associativo para o modelo SAF. Um clube com R$ 200 milhões de receita anual que permanece como associação pode pagar significativamente mais imposto do que uma SAF equivalente com o mesmo faturamento.

Além disso, a lei criou o Programa de Parcelamento Especial (PROFUT) e mecanismos de destinação de parcela da receita bruta para liquidação de dívidas fiscais e trabalhistas históricas. Dessa forma, o modelo SAF ataca simultaneamente o problema da tributação corrente e o passivo acumulado. Para qualquer clube com dívidas históricas relevantes, esse mecanismo representa um alívio financeiro imediato.

Vale lembrar: assessorias como a Renova Invest orientam que investidores interessados em SAFs avaliem cuidadosamente o passivo fiscal do clube antes do aporte, já que dívidas não renegociadas podem comprometer a saúde financeira da empresa mesmo dentro do regime especial. Consulte sempre a legislação vigente junto a um especialista tributário.

SAF Vale a Pena como Investimento em 2026?

O modelo SAF abriu o futebol brasileiro ao capital privado, mas o retorno depende de gestão profissional, resultados esportivos e crescimento de receitas. Não há garantia de retorno, e o risco é real.

O valor de mercado dos 30 clubes mais valiosos chegou a R$ 47,4 bilhões em 2025, crescimento de 15% em relação a 2024, segundo a Sports Value. A receita da Série A atingiu recorde de R$ 10,2 bilhões em 2024. Esses números mostram que o mercado está crescendo, mas o crescimento do setor não garante retorno ao investidor individual.

Simulação Real: Aporte de R$ 100 mil em SAF

Considere um investidor hipotético que aporta R$ 100 mil em cotas de uma SAF de Série A em 2022. No cenário favorável, clube disputou a Libertadores e aumentou receita de patrocínio em 40%, o valor da participação poderia chegar a R$ 160 mil em três anos, retorno de 60% ou aproximadamente 17% ao ano.

No cenário desfavorável, o clube foi rebaixado à Série B, perdeu patrocínios, e o valor da participação caiu para R$ 65 mil, perda de 35% em três anos. Diferente de uma ação negociada em bolsa, não há liquidez garantida, sair do investimento pode exigir negociação direta com outros acionistas ou deságio significativo.

Comparando com outros ativos no mesmo período de três anos: um FII de tijolo poderia ter rendido entre 8% e 12% ao ano com maior liquidez. Uma carteira diversificada no Ibovespa teria oscilado entre perdas e ganhos dependendo do período. A SAF oferece potencial de retorno elevado, mas com risco e iliquidez muito superiores.

Para investidores com perfil arrojado e horizonte de longo prazo, acima de cinco anos, uma exposição pequena a SAFs pode fazer sentido como ativo alternativo em uma carteira já diversificada. Para iniciantes ou investidores com baixa tolerância ao risco, os riscos superam o potencial de retorno.

Como Analisar uma SAF Antes de Investir

Entre os critérios de análise, qualidade da gestão, solidez financeira, base de receitas e passivo histórico, o mais ignorado pelos investidores é justamente o mais importante: a qualidade da gestão executiva. Investidores tendem a avaliar o clube pelo nome, pela torcida ou pelo histórico esportivo. Raramente avaliam o currículo e o histórico do gestor que vai operar a SAF no dia a dia. Esse erro custa caro, e o caso do Vasco ilustra isso com precisão.

Dito isso, o checklist mínimo antes de qualquer aporte inclui:

  • Tamanho do passivo histórico (fiscal, trabalhista e previdenciário)
  • Capacidade real de geração de receita do clube
  • Perfil e solidez financeira do investidor principal
  • Nível de aceitação da torcida ao modelo
  • Estrutura de governança proposta (independência do conselho)
  • Estratégia de saída do investidor em caso de desinvestimento

O erro mais caro aqui: ignorar o passivo fiscal e trabalhista acumulado antes do aporte. Dívidas não renegociadas podem consumir anos de geração de caixa, mesmo em clubes com receita crescente.

Impacto das SAFs no Mercado de Transferências

Com a profissionalização via SAFs, o Brasil se tornou o 3º maior investidor mundial em transferências em janeiro de 2026, gastando US$ 180 milhões (R$ 948 milhões) e contratando 456 atletas, segundo relatório da FIFA. Essa mudança de comportamento é histórica.

Tradicionalmente, o futebol brasileiro era exportador líquido de talentos. Os clubes vendiam seus melhores jogadores para a Europa e usavam as receitas para cobrir déficits operacionais. Com as SAFs capitalizadas, esse ciclo começou a se inverter: os gastos com contratações na Série A chegaram a R$ 3,4 bilhões em 2024, o dobro do ano anterior.

Na prática, isso significa que jogadores que antes iriam direto para o exterior estão sendo mantidos ou trazidos de volta ao Brasil. Além disso, atletas internacionais de nível médio-alto estão sendo atraídos para o Campeonato Brasileiro, o que eleva o nível técnico da competição e aumenta seu valor comercial.

O aumento dos gastos com transferências também eleva o valor dos direitos de TV e dos patrocínios, criando um ciclo virtuoso que beneficia todos os clubes da Série A, inclusive os que ainda não são SAFs. Para o investidor com participação em uma SAF, esse ambiente competitivo mais rico aumenta o potencial de geração de receita, mas também eleva os custos de manutenção de um elenco competitivo.

Desafios e Críticas ao Modelo SAF no Brasil

Apesar dos avanços, o modelo SAF enfrenta resistências legítimas. Apenas 36,4% dos torcedores apoiam o modelo, segundo pesquisa do InfoMoney, o que revela uma tensão estrutural entre investidores e base de fãs.

As principais críticas envolvem perda de identidade cultural dos clubes, risco de que o futebol se torne um produto financeiro desconectado da comunidade local e dependência de investidores estrangeiros cujos interesses podem divergir dos torcedores. O caso do Vasco ilustra esse risco com clareza: os problemas financeiros do grupo 777 Partners geraram meses de incerteza sobre o futuro do clube.

Outro desafio relevante é a concentração de poder. No modelo de multiclub ownership, como no City Football Group ou na Eagle Football de John Textor, um mesmo grupo controla múltiplos clubes em diferentes países. Isso levanta questionamentos sobre conflitos de interesse em competições internacionais, debate que a UEFA e a FIFA ainda não resolveram de forma definitiva.

Do ponto de vista regulatório, a CVM ainda está desenvolvendo normas específicas para a eventual oferta pública de ações de SAFs. O marco regulatório, portanto, está em amadurecimento, o que representa risco adicional para investidores em relação a outros ativos mais regulados.

O Futuro das SAFs no Brasil: Perspectivas para 2026 e Além

Com mais de 120 SAFs registradas e crescimento acelerado desde 2021, a tendência é de consolidação do modelo como padrão do futebol profissional brasileiro. O mentor da lei, José Francisco Manssur, declarou publicamente que o crescimento superou suas expectativas iniciais.

Para os próximos anos, três movimentos devem definir o futuro das SAFs. Primeiro, a chegada de novos investidores internacionais, o futebol brasileiro, ainda subvalorizado em comparação ao europeu, representa oportunidade real para fundos de private equity globais. Segundo, o impacto da reforma tributária a partir de 2027 deve ampliar ainda mais a vantagem do modelo SAF frente ao modelo associativo tradicional.

O terceiro movimento, e o mais relevante para o mercado financeiro, é a perspectiva de abertura de capital (IPO) de SAFs na B3. Hoje, as SAFs são empresas fechadas: não há ações negociadas em bolsa. No entanto, à medida que o modelo amadurece e os clubes constroem histórico financeiro auditado, o IPO de grandes SAFs como Botafogo, Cruzeiro ou Bahia se torna tecnicamente viável. Isso abriria o investimento em futebol para pessoas físicas comuns via bolsa de valores.

Segundo a B3, não há impedimento regulatório para que uma SAF registre ações para negociação pública, desde que atenda aos requisitos de governança da CVM. Especialistas estimam que esse cenário pode se concretizar nos próximos três a cinco anos para os clubes mais estruturados.

Resumo Prático: O Que Você Precisa Saber Sobre as SAFs do Brasil

  • SAF é a Sociedade Anônima do Futebol, criada pela Lei 14.193/2021, que transforma clubes em empresas com fins lucrativos e permite a entrada de investidores privados.
  • Mais de 120 SAFs estão registradas no Brasil em 2026, com 6 na Série A e 9 na Série B; São Paulo lidera com 29 SAFs estaduais.
  • Os casos mais emblemáticos são Botafogo (John Textor, campeão da Libertadores 2024), Cruzeiro (Ronaldo Nazário) e Bahia (City Football Group).
  • O Regime Tributário Especial (RET) prevê alíquota de 5% sobre receita bruta, vantagem relevante frente ao regime padrão de empresas.
  • Investir em SAF é arriscado: sem liquidez garantida, retorno atrelado a resultados esportivos e mercado ainda sem regulação completa para o investidor pessoa física.
  • O IPO de SAFs na B3 ainda não ocorreu, mas é tecnicamente viável e pode ser realidade nos próximos anos para os maiores clubes.

FAQ: Perguntas Frequentes Sobre SAFs do Brasil

O que é SAF no futebol brasileiro?

SAF é a sigla para Sociedade Anônima do Futebol. É um modelo empresarial criado pela Lei 14.193/2021 que permite a clubes de futebol brasileiros se transformarem em empresas com fins lucrativos. Na estrutura SAF, o clube cria uma empresa separada para gerir o futebol profissional, podendo ter acionistas privados, incluindo estrangeiros, emitir ações e distribuir dividendos. O clube-mãe permanece como acionista originário e deve receber ao menos 10% das receitas da SAF. O modelo veio para resolver décadas de acúmulo de dívidas e má gestão financeira, trazendo ainda um Regime Especial Tributário (RET) com alíquota unificada de 5% sobre receita bruta.

Quantas SAFs existem no Brasil em 2026?

Em 2026, o Brasil conta com mais de 120 SAFs registradas. Desse total, 6 estão na Série A e 9 na Série B do Campeonato Brasileiro. A distribuição é concentrada no Sudeste, com São Paulo liderando com 29 SAFs estaduais, seguido por Paraná (15) e Minas Gerais (13). Vale destacar que a maioria das SAFs é de clubes de divisões inferiores, os grandes clubes representam parcela pequena do total, mas concentram a maior parte do capital investido.

Quais clubes da Série A são SAF em 2026?

Os principais clubes da Série A que adotaram o modelo SAF são Botafogo (Eagle Football, John Textor), Cruzeiro (Ronaldo Nazário), Bahia (City Football Group), Vasco da Gama (777 Partners, em processo de reestruturação) e Fortaleza. O Atlético-MG também avançou no processo de estruturação. O caso mais bem-sucedido em termos esportivos até 2026 é o Botafogo, campeão da Libertadores 2024. Em recuperação financeira, o destaque é o Cruzeiro, que voltou da Série B à elite do futebol brasileiro.

Como funciona a tributação das SAFs em 2026?

As SAFs operam sob o Regime Especial Tributário (RET) previsto na Lei 14.193/2021. A alíquota unificada é de 5% sobre a receita bruta, englobando IRPJ, CSLL, PIS e Cofins em um único pagamento simplificado. Esse regime é consideravelmente mais favorável do que o regime padrão para empresas comuns. Para 2027 em diante, discussões sobre a reforma tributária preveem ajuste para 6% nas SAFs, enquanto clubes associativos com receitas comerciais poderiam enfrentar tributação próxima de 15,5%. Esses percentuais futuros ainda estão sujeitos à legislação final. Consulte sempre a legislação vigente com assessoria tributária especializada antes de tomar decisões com base nessas projeções.

É possível investir em SAFs como pessoa física?

Sim, é possível, mas com limitações importantes em 2026. Atualmente, as SAFs brasileiras são empresas fechadas: não há ações negociadas em bolsa de valores. Para investir como pessoa física, é necessário participar diretamente do capital da SAF, geralmente por meio de acordos de acionistas ou rodadas privadas de capitalização. Esse acesso é restrito a investidores qualificados ou a pessoas com relacionamento direto com os gestores do clube, e não há mercado secundário líquido para revenda dessas participações. No futuro, caso alguma SAF realize um IPO na B3, o investimento será possível para qualquer pessoa física através da bolsa, como em qualquer outra ação.

Qual a diferença entre SAF e clube associativo?

A diferença central está na finalidade e na estrutura jurídica. O clube associativo é uma entidade sem fins lucrativos, gerida por presidentes eleitos por sócios-torcedores, sem possibilidade de distribuir lucros. A SAF é uma sociedade anônima com fins lucrativos, governada por conselho de administração e diretoria executiva, que pode ter acionistas privados e distribuir dividendos. Em termos de governança, a SAF exige publicação de demonstrações financeiras auditadas, transparência que o modelo associativo historicamente não ofereceu. Na tributação, a SAF tem regime especial (RET, 5% sobre receita bruta); o clube associativo segue o regime comum ou pode ser isento em algumas receitas.

A SAF pode abrir capital na bolsa de valores?

Tecnicamente, sim. A SAF é uma sociedade anônima e pode registrar suas ações para negociação pública na B3, desde que atenda aos requisitos de governança corporativa exigidos pela CVM. Até 2026, nenhuma SAF brasileira realizou um IPO. No entanto, à medida que clubes como Botafogo, Cruzeiro e Bahia constroem histórico financeiro auditado e aumentam suas receitas, o IPO se torna cada vez mais viável. Segundo a B3, não há impedimento regulatório específico para o setor. Especialistas estimam que os primeiros IPOs de SAFs podem ocorrer entre 2027 e 2030, dependendo do ambiente macroeconômico e da evolução regulatória da CVM para o setor esportivo.

A maioria dos investidores superestima o retorno das SAFs com base no entusiasmo esportivo e subestima os riscos reais de gestão, iliquidez e passivo histórico. Antes de alocar qualquer capital em SAFs, a pergunta certa não é qual clube vai subir na tabela, é se esse risco cabe no seu portfólio e em qual proporção. A Renova faz essa análise com você, considerando seu perfil, seu horizonte e sua carteira atual, fale com um assessor.

Fontes consultadas:

  • Lei 14.193/2021, Diário Oficial da União (Presidência da República)
  • Sports Value, Relatório de Valor de Mercado dos Clubes Brasileiros 2025
  • FIFA, Relatório de Transferências Internacionais (janeiro/2026)
  • Banco Central do Brasil, Ambiente regulatório para investimentos em empresas fechadas
  • InfoMoney, Pesquisa de opinião sobre SAFs com torcedores brasileiros

A Renova Invest é preposto do Banco BTG Pactual S/A. Este conteúdo tem caráter exclusivamente informativo e educacional, não constituindo oferta, recomendação ou aconselhamento de investimento. Rentabilidade passada não é garantia de rentabilidade futura. Antes de investir, leia o material técnico dos produtos e avalie se são adequados ao seu perfil.

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