Romi (ROMI3): receita sobe 5,9% no 2T26, mas margens seguem pressionadas

Romi (ROMI3) recupera receita no 2T26, mas margens ainda pressionadas

Renova Invest · 15 de julho de 2026

A Indústrias Romi (ROMI3) divulgou em 15 de julho de 2026 seu release de resultados do segundo trimestre, entregando um quadro de recuperação parcial após o fraco 1T26. A receita operacional líquida consolidada somou R$ 334,8 milhões, crescimento de 5,9% frente ao 2T25 — mas o número que mais alivia o mercado é o EBITDA ajustado: R$ 26,8 milhões, com margem de 8%, ante os 3,3% registrados no trimestre anterior. A carteira de pedidos consolidada fechou junho em R$ 802 milhões, e a entrada de pedidos alcançou R$ 309,4 milhões, alta de 6% sobre o 1T26, sinalizando retomada gradual da demanda. O período também incluiu a aprovação de R$ 5,6 milhões em juros sobre capital próprio (JCP), mantendo a política de remuneração ao acionista mesmo em um ciclo de menor rentabilidade.

O 1T26 como divisor de águas — e o que veio antes dele

Para compreender o peso do 2T26, é preciso recuar ao trimestre que o antecede. No 1T26, a Romi havia reportado uma das piores leituras operacionais recentes: receita operacional líquida de aproximadamente R$ 221 milhões, queda de 19,1% sobre o 1T25, com EBITDA ajustado de cerca de R$ 7,4 milhões e margem de apenas 3,3%. O EBIT chegou a ficar negativo, em torno de -R$ 9,8 milhões, e o lucro líquido ajustado desabou 76,6% na comparação anual, para aproximadamente R$ 2,4 milhões. Em teleconferência, a gestão reconheceu que o resultado ficou abaixo das expectativas, apontando demanda fraca tanto no Brasil quanto no exterior.

A deterioração do 1T26 não surgiu do nada. Ao longo de 2025, já havia sinais de compressão: a margem bruta ajustada do ano fechou em 27,9%, recuo de 1,6 ponto percentual frente a 2024, penalizada pelo alto custo fixo da unidade de Fundidos e Usinados e pelo menor volume de negócios. O EBIT ajustado do ano todo ficou em 6,0% da receita, também 1,6 p.p. abaixo de 2024. Por outro lado, 2025 ainda encerrou com receita operacional líquida de cerca de R$ 1,3 bilhão, crescimento de 8,1%, e lucro líquido ajustado de R$ 93,3 milhões, sustentado principalmente pela expansão da subsidiária alemã Burkhardt+Weber (BW).

O contraste com o pico recente é marcante: no 3T24, a Romi havia entregado receita de R$ 349,3 milhões, alta de 31,9% ano a ano, com EBITDA ajustado de R$ 37,9 milhões e margem de aproximadamente 10 a 11%. O 2T26 recupera terreno, mas ainda fica aquém daquele nível.

Máquinas BW cresce, Fundidos e Usinados segue no negativo

A Romi opera com três unidades de negócio de perfis muito distintos, e o 2T26 expõe essa assimetria com clareza.

Máquinas BW: motor de crescimento, rentabilidade ainda estreita

A subsidiária alemã encerrou o trimestre com receita operacional líquida de R$ 88,7 milhões, margem bruta de 16,2% e margem EBIT de 1,3% — positiva, mas apertada. O destaque fica na carteira de pedidos da unidade: R$ 486,9 milhões, alta de 6,8% sobre o 2T25, o que representa mais de 60% de toda a carteira consolidada do grupo. A BW tem sido o vetor de crescimento da Romi no exterior, com exposição relevante aos segmentos automotivo comercial, construção civil e máquinas agrícolas.

Fundidos e Usinados: a ferida que não fecha

A unidade de Fundidos e Usinados segue sendo o principal ponto de pressão sobre as margens. No 1S26, a receita da divisão caiu para R$ 73 milhões, contra R$ 93 milhões no 1S25 — retração de quase 21%. As margens operacionais da unidade seguem profundamente negativas, reflexo de estrutura de custos fixos elevada num ambiente de menor demanda por peças fundidas para automotivo e outros segmentos industriais. A participação de construção e mineração no mix da unidade encolheu de 22% em 2025 para 11% no 1S26, enquanto motores e sistemas manteve dominância com 56%.

O setor de bens de capital brasileiro, no qual a Romi é um dos principais termômetros, está diretamente atrelado à Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF) e ao nível de investimento industrial. O Índice de Confiança do Empresário Industrial (ICEI) da CNI marcou 69% em maio de 2026 e a utilização da capacidade instalada seguiu em patamar historicamente estável, indicando que a demanda potencial existe — mas a conversão em pedidos efetivos tem sido errática, sensível ao custo do crédito e à agenda de investimentos das empresas industriais no Brasil.

O que muda na tese: recuperação real ou alívio pontual?

A ação ROMI3 opera a R$ 6,03, com queda de 1,31% na sessão de divulgação dos resultados. O market cap é de aproximadamente R$ 0,6 bilhão — e o papel negocia perto da mínima de 52 semanas de R$ 5,95, com a máxima do período em R$ 8,92. O desconto em relação ao topo recente é de quase 32%, refletindo o quanto a deterioração de margens ao longo de 2025-26 pesou na precificação. Parte do mercado chegou a tratar o papel como potencial “armadilha de valor” após o 1T26, dada a ciclicidade do setor.

Riscos

O principal risco de curto prazo é a continuidade da pressão sobre Fundidos e Usinados: a unidade não consegue diluir seus custos fixos com o nível atual de volume, e qualquer desaceleração adicional no setor automotivo ou de construção aprofundaria o problema. Há também o risco de que a BW, apesar da carteira robusta, demore a converter pedidos em receita com margens melhores — os 1,3% de EBIT da unidade no 2T26 deixam pouco espaço para imprevistos operacionais. A estrutura de dívida da companhia, com R$ 537,5 milhões em empréstimos totais e vencimentos relevantes de R$ 202,8 milhões em 2027, exige atenção ao fluxo de caixa num ambiente de margens comprimidas.

Oportunidades

Do lado positivo, a carteira de pedidos de R$ 802 milhões oferece visibilidade de receita para os próximos trimestres. A entrada de pedidos crescendo 6% sequencialmente é o primeiro sinal concreto de reaquecimento da demanda após o fraco 1T26. A participação na FEIMEC em maio de 2026, com exibição de soluções de inteligência artificial, do sistema Romi Pulse e da nova geração do torno VTL 850, reforça o posicionamento em automação e conectividade — tendência de médio e longo prazo na indústria. A Romi também carrega uma posição de caixa líquida positiva de R$ 169,2 milhões (considerando R$ 368,3 milhões em aplicações contra R$ 537,5 milhões em dívida bruta), o que garante resiliência para sustentar o ciclo de investimentos mesmo sem margens elevadas.

O que observar nos próximos meses

Os próximos gatilhos para ROMI3 passam por alguns eixos concretos:

  • Margem EBITDA no 3T26: o mercado vai monitorar se a recuperação de 8% no 2T26 é sustentável ou se o efeito sazonal e a demanda global arrefecem novamente. Qualquer leitura acima de 9-10% representaria retorno ao patamar de 2024 e pode ser o pivô de uma revisão positiva.
  • Carteira da BW: com R$ 486,9 milhões de backlog, a velocidade de conversão em receita e a evolução da margem EBIT da subsidiária alemã são o principal motor de resultado para o grupo nos próximos dois a três trimestres.
  • Vencimentos de dívida em 2027: os R$ 202,8 milhões de vencimentos no próximo ano exigem atenção ao perfil de refinanciamento, especialmente se o ambiente de juros seguir pressionado.
  • Fundidos e Usinados: qualquer sinal de recuperação de volume — particularmente no segmento automotivo e de construção — reduziria o efeito dilutivo dos custos fixos e teria impacto imediato nas margens consolidadas.
  • Política de dividendos: a manutenção do JCP de R$ 5,6 milhões mesmo em trimestre de margens pressionadas indica disposição da gestão em remunerar o acionista, mas o mercado vai acompanhar se essa política sobrevive a outro trimestre de EBIT próximo de zero.

Leia também: acompanhe as últimas notícias e fatos relevantes do mercado e as análises de ações da B3 na Renova Invest.

Disclaimer: O conteúdo apresentado é meramente informativo e não deve ser considerado como conselho de investimento. A Renova Invest não se responsabiliza por decisões financeiras tomadas com base nestas informações.

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Fonte: Banco Central · 14/07/2026

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