A Even Construtora e Incorporadora (EVEN3) divulgou em 14 de julho de 2026 sua prévia operacional preliminar e não auditada do segundo trimestre de 2026 (2T26). No período, os lançamentos somaram R$ 677 milhões em Valor Geral de Vendas (VGV), sendo R$ 281 milhões na participação proporcional da companhia (% Even), impulsionados sobretudo pelo Renato 410, empreendimento de alto luxo no Itaim, em São Paulo. As vendas líquidas, contudo, totalizaram R$ 278 milhões (R$ 156 milhões % Even), com velocidade de vendas (VSO) consolidada de 4% — sinal de que o volume lançado ainda não se converteu em absorção comercial robusta.
Fonte: B3 via Brapi. Valores podem ter atraso em relação ao pregão. Conteúdo informativo, não é recomendação de investimento.
- VGV lançado (100%): R$ 677 milhões
- VGV lançado (% Even): R$ 281 milhões
- Vendas líquidas (100%): R$ 278 milhões
- Vendas líquidas (% Even): R$ 156 milhões
- VSO consolidada: 4%
- Distratos (% Even): R$ 69 milhões (total: R$ 92 milhões)
- Entregas (% Even): R$ 122 milhões em VGV, 153 unidades
- VGV lançado 6M26 (% Even): R$ 281 milhões
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Leitura no contexto histórico: retomada parcial do pipeline
A prévia do 2T26 precisa ser lida à luz do histórico recente. No primeiro trimestre de 2026 a Even não realizou lançamentos — o gráfico da prévia confirma VGV zero em 1T26 —, o que tornava o 2T26 um trimestre de retomada de pipeline. Ainda assim, o acumulado de lançamentos do semestre segue abaixo do ano anterior: o 6M26 registrou R$ 677 milhões em VGV (100%), contra R$ 1,043 bilhão no 6M25.
Nas vendas líquidas acumuladas (% Even), a Even somou R$ 408 milhões no 6M26, ante R$ 688 milhões no 6M25 — queda de aproximadamente 41% na comparação semestral, reflexo direto do trimestre sem lançamentos no início do ano. O volume de vendas líquidas de R$ 156 milhões (% Even) no 2T26 é modesto diante dos R$ 281 milhões (% Even) em novos lançamentos colocados no mercado, indicando que parte relevante do estoque lançado ainda aguarda absorção.
Vale ressaltar que esta é uma prévia estritamente operacional: receita reconhecida, margem, EBITDA e lucro líquido não constam do documento e serão divulgados no resultado financeiro completo do trimestre.
O Renato 410 e o peso estratégico do alto padrão
Um único projeto como âncora do trimestre
O Renato 410, no Itaim (São Paulo), concentrou R$ 578 milhões em VGV total (R$ 231 milhões % Even), com apenas 49 unidades e valor médio de R$ 11,8 milhões por unidade — um dos tickets mais elevados da companhia. O projeto entra pela modalidade de equivalência patrimonial no balanço, o que dilui seu impacto na receita contábil ao longo das obras, sem reconhecimento imediato.
Parque Piedade e a parceria com a Cury no Rio
O segundo lançamento foi uma fase remanescente do Parque Piedade, no Rio de Janeiro, em parceria com a Cury. Com VGV total de R$ 98 milhões (R$ 49 milhões % Even) e 332 unidades a valor médio de R$ 296 mil, o projeto se posiciona no segmento econômico — perfil oposto ao do Renato 410 —, diversificando a exposição geográfica e de renda da Even, que historicamente concentra operações nas zonas Oeste e Sul de São Paulo. Esse lançamento também é contabilizado por equivalência patrimonial.
Distratos: variável que não pode ser ignorada
Os distratos de R$ 69 milhões (% Even) no 2T26 (R$ 92 milhões no total) merecem atenção. Comparados aos R$ 43 milhões do 1T26 e aos R$ 52 milhões do 2T25, o salto é relevante e anula parcela expressiva das vendas líquidas do período. No acumulado, o 1S26 soma R$ 112 milhões (% Even) em distratos, ante R$ 120 milhões no 1S25 — patamar que recuou pouco na comparação anual. Para uma empresa cujo modelo depende de pré-vendas longas, a qualidade da carteira contratada é tão relevante quanto o volume de lançamentos.
O que o resultado muda na tese de investimento
A Even negocia no Novo Mercado da B3, o mais alto nível de governança corporativa da bolsa brasileira, sob o ticker EVEN3. Como a cotação não estava disponível no momento desta publicação, não é possível aferir múltiplos de mercado ou variação de preço em relação à prévia. A gestão é liderada pelo CEO Márcio Moraes, com Marcelo Dzik na Diretoria Financeira e de RI e Tiago Krall no Planejamento Estratégico e RI.
Do ponto de vista da tese, a leitura do 2T26 é ambígua. Do lado positivo, a Even demonstrou capacidade de executar lançamentos de altíssimo padrão — o Renato 410 exemplifica a estratégia de nicho em luxo, que tende a proteger margens e diferencia a companhia das incorporadoras de médio padrão. Do lado negativo, a VSO de 4% e a escalada dos distratos indicam que a velocidade de absorção comercial ainda é baixa para o nível de lançamentos e de investimento em landbank da empresa.
O acumulado semestral de vendas líquidas de R$ 408 milhões (% Even) no 6M26, contra R$ 688 milhões no 6M25, reforça que a Even precisará de um segundo semestre mais robusto para sustentar qualquer narrativa de crescimento frente ao ano anterior.
O que acompanhar nos próximos meses
O próximo marco relevante será a divulgação do resultado financeiro completo do 2T26, que trará receita reconhecida pelo método de andamento de obras (percentage of completion), margem bruta, EBITDA e lucro líquido — números que a prévia operacional, por definição, não contém. A velocidade de reconhecimento de receita do Renato 410 e do Parque Piedade, ambos por equivalência patrimonial, será ponto de atenção específico.
Além disso, vale monitorar: (1) a evolução dos distratos no 3T26, se o nível de R$ 69 milhões será recorrente ou pontual; (2) eventuais novos lançamentos no segundo semestre; (3) o comportamento das taxas de juros no Brasil e seu efeito sobre o crédito imobiliário, lembrando que o alto padrão costuma ser menos sensível a variações na Selic; e (4) a execução das entregas ao longo do ano, dado que o VGV entregue no 1S26 somou R$ 590 milhões (% Even).
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Disclaimer: O conteúdo apresentado é meramente informativo e não deve ser considerado como conselho de investimento. A Renova Invest não se responsabiliza por decisões financeiras tomadas com base nestas informações.
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