LCI: o que é, como funciona e quanto rende em 2026

LCI: o que é, como funciona e quanto rende em 2026

Você já olhou para o extrato da poupança e sentiu aquela pontada de frustração? Com a Selic em 14% ao ano e o CDI anualizado em torno de 13,90%, uma LCI que pague 90% do CDI pode transformar R$ 10.000 em aproximadamente R$ 11.251 em um ano — sem desconto de Imposto de Renda para pessoa física. Mas por que tantos investidores ainda deixam dinheiro parado na poupança ou em CDBs tributados sem sequer considerar essa alternativa?

A resposta costuma ser simples: falta de familiaridade com o produto. Neste guia, você vai entender como a LCI funciona, quanto ela pode render em 2026 e como avaliar se ela faz sentido na sua carteira.

Resposta direta: LCI é um título bancário de renda fixa, isento de IR para pessoas físicas, lastreado em créditos imobiliários. Considerando, apenas para simulação, um CDI anualizado de 13,90% mantido durante todo o período, uma LCI a 90% do CDI levaria R$ 10.000 a cerca de R$ 11.251 líquidos em 12 meses. Juros variam ao longo do tempo: rentabilidade passada não garante resultado futuro.

O que é LCI?

A Letra de Crédito Imobiliário é um título de renda fixa emitido por instituições financeiras para captar recursos ligados ao setor imobiliário. Quando você aplica em uma LCI, torna-se credor da instituição emissora, que paga uma remuneração definida em contrato — sem incidência de Imposto de Renda, no caso de pessoa física residente no Brasil.

Portanto, a LCI combina três elementos:

  • Lastro regulado: a emissão deve estar amparada em créditos imobiliários elegíveis, nos limites definidos pela regulação.
  • Incentivo fiscal: isenção de IR para pessoa física, como estímulo ao financiamento imobiliário.
  • Rentabilidade competitiva: em muitos casos, o retorno líquido supera alternativas tributadas.

Características principais

Para entender de verdade como a LCI funciona, vale destacar seus pilares:

Lastro imobiliário exigido por norma
Os recursos captados devem ser lastreados em créditos imobiliários elegíveis, conforme exigência mínima definida pelo CMN para emissão de LCIs. Isso não significa rastreamento individual do dinheiro de cada investidor, nem transforma o lastro em garantia direta de pagamento: o investidor permanece exposto ao risco de crédito do emissor, mitigado pela cobertura do fundo garantidor quando aplicável.

Emissores autorizados
A legislação lista categorias específicas de emissores de LCI — como bancos comerciais, múltiplos com carteira de crédito imobiliário, caixas econômicas, sociedades de crédito imobiliário, associações de poupança e empréstimo e companhias hipotecárias —, admitindo outras instituições apenas quando expressamente autorizadas. A corretora onde você compra o título atua como distribuidora: o risco de crédito é do emissor. Vale checar também qual fundo garantidor cobre a instituição, pois nem toda autorizada pelo Banco Central é associada ao FGC — cooperativas e bancos cooperativos, em regra, são cobertos pelo FGCoop.

Isenção de IR para pessoa física
Mesmo após o processo da MP 1303/2025, que originalmente propunha tributar LCIs em 5% — chegando a 7,5% em versão do relatório —, a isenção foi preservada pelo relator e confirmada com a rejeição da MP pela Câmara em outubro de 2025. Para você, pessoa física, a taxa contratada é o rendimento líquido.

LCA: a equivalente do agronegócio
Enquanto a LCI se liga a créditos imobiliários, a LCA (Letra de Crédito do Agronegócio) se apoia em créditos do agronegócio. Ambas são isentas de IR para pessoas físicas, mas os prazos mínimos e as regras de emissão variam.

Em resumo, a LCI é um investimento de renda fixa com regras claras desde a aplicação — mas a previsibilidade depende da modalidade. Na prefixada, você conhece a taxa nominal e o valor final, se levar até o vencimento. Na pós-fixada (CDI), conhece o percentual do indexador, mas o retorno final depende da trajetória do CDI. Na atualizada por índice de preços, depende da inflação observada.

Atenção: a isenção de IR para LCI de pessoa física segue vigente em 2026. Ainda assim, o produto tem riscos: crédito do emissor, liquidez limitada e possível deságio em venda antecipada.

Na prática, a LCI tende a interessar a quem busca:

  • Rentabilidade potencialmente superior à poupança, com risco de crédito bancário.
  • Regras de remuneração conhecidas na contratação, sem tributação no resgate.
  • Cobertura do FGC dentro dos limites e condições aplicáveis.
  • Prazos variados, respeitados os mínimos regulatórios.

Se você faz parte desse grupo, é hora de entender como a LCI opera nos bastidores.

Como funciona a LCI na prática?

Comprar uma LCI é como emprestar ao banco: você entrega o dinheiro e recebe juros por isso. Há, porém, detalhes que fazem diferença. Vamos passo a passo.

Tipos de rentabilidade: qual escolher?

Nem toda LCI rende da mesma forma. As opções mais comuns são:

1. Pós-fixada (CDI)

  • Como funciona: o rendimento acompanha o CDI diariamente.
  • Vantagem: você se beneficia se os juros subirem.
  • Oferta típica: entre 85% e 95% do CDI no varejo.
  • Atenção: se a Selic cair, o rendimento cai junto.

2. Prefixada

  • Como funciona: a taxa é fixa no momento da aplicação.
  • Vantagem: você conhece o valor final, se mantiver até o vencimento.
  • Para quem: quem avalia que os juros podem cair e quer travar a taxa atual.

3. Atualizada por índice de preços (IPCA+)

  • Como funciona: combina taxa real fixa com a variação da inflação.
  • Vantagem: busca preservar poder de compra ao longo do tempo.
  • Para quem: objetivos de prazo mais longo, dado o prazo mínimo maior.

Portanto, a escolha depende do objetivo e do prazo em que você pode deixar o dinheiro aplicado.

Prazos mínimos: quanto tempo o dinheiro fica aplicado?

Os prazos mínimos são definidos pelo CMN. Após a Resolução CMN nº 5.215/2025, que alterou a Resolução nº 4.410, as regras para novas emissões de LCI passaram a ser:

Tipo de LCI Prazo mínimo
Pós-fixada (CDI) 6 meses
Prefixada 6 meses
Atualizada mensalmente por índice de preços (IPCA+) 36 meses

Emissões anteriores seguem as regras vigentes na data em que foram feitas — por isso, você ainda pode encontrar no mercado títulos com prazos menores.

No entanto, liquidez, carência e vencimento dependem das condições de cada emissão. Algumas LCIs só pagam no vencimento; outras admitem resgate após a carência, se previsto em contrato. A venda no mercado secundário nem sempre está disponível e, quando está, ocorre a preço de mercado — pode haver deságio.

Por exemplo:

  • Você aplica R$ 10.000 em uma LCI a 90% do CDI com vencimento em 12 meses.
  • Após 6 meses, precisa do dinheiro e busca vender o título.
  • A depender das condições de mercado e da demanda, pode receber menos do que o valor acumulado até então — inclusive menos do que aplicou.

Consequentemente, a regra de ouro é: aplique apenas o dinheiro que você não precisará retirar antes do vencimento.

Exemplo prático: quanto rende R$ 10.000 em 12 meses?

Simulação com CDI anualizado de 13,90% mantido constante por todo o período — hipótese simplificadora, já que o CDI é apurado diariamente e varia:

  • Investimento inicial: R$ 10.000
  • Taxa contratada: 90% do CDI → 12,51% ao ano
  • Valor em 12 meses: R$ 10.000 × (1 + 0,1251) = R$ 11.251

E o Imposto de Renda? Zero para pessoa física. Logo, o valor líquido também é R$ 11.251.

Agora, compare com um CDB a 100% do CDI, mantido por 365 dias:

  • Valor bruto: R$ 10.000 × (1 + 0,1390) = R$ 11.390 (rendimento de R$ 1.390)
  • IR (17,5%, faixa de 361 a 720 dias, incidente apenas sobre o rendimento): R$ 1.390 × 0,175 = R$ 243,25
  • Valor líquido: R$ 11.146,75

Repare no detalhe: a alíquota de 20% vale de 181 a 360 dias. Como 12 meses correspondem a 365 dias corridos, aplica-se 17,5%. Conte os dias exatos, pois 360 dias ainda cairiam na faixa de 20%.

Resultado:

  • LCI (90% do CDI): R$ 11.251 líquidos
  • CDB (100% do CDI): R$ 11.147 líquidos

Ou seja: mesmo pagando um percentual menor do CDI, a LCI pode ganhar no líquido graças à isenção de IR.

Na prática, antes de investir, verifique:

  1. O percentual do CDI ou a taxa contratada.
  2. O prazo de vencimento e a existência de carência.
  3. O valor mínimo de aplicação.
  4. A solidez do emissor, especialmente acima do limite do FGC.

Quanto rende a LCI em 2026?

Com o CDI anualizado em 13,90% (referência para simulação), as LCIs no varejo costumam oferecer entre 85% e 95% dessa taxa. Em termos anuais equivalentes, isso corresponde a:

  • LCI a 85% do CDI: cerca de 11,82% ao ano líquidos
  • LCI a 90% do CDI: cerca de 12,51% ao ano líquidos
  • LCI a 95% do CDI: cerca de 13,21% ao ano líquidos

Mas quanto isso representa em valores concretos? Veja simulações — todas assumindo CDI constante, o que dificilmente ocorre na prática:

Simulação 1: R$ 10.000 a 90% do CDI por 12 meses

  • Taxa considerada: 12,51% ao ano
  • Valor final líquido: R$ 11.251
  • Ganho líquido: R$ 1.251 (sem IR)

Simulação 2: R$ 50.000 a 95% do CDI por 12 meses

  • Taxa considerada: 13,21% ao ano
  • Valor final: R$ 50.000 × (1 + 0,1321) ≈ R$ 56.605
  • IR devido: Zero (pessoa física)
  • Ganho líquido: cerca de R$ 6.605

Simulação 3: R$ 10.000 a 90% do CDI por 24 meses

  • Valor líquido ao final: aproximadamente R$ 12.658
  • Ganho em 2 anos: cerca de R$ 2.658 (sem IR)

E quanto rende R$ 1.000 na LCI por mês?
Sob a hipótese de taxa anual efetiva de 12,51%, a taxa mensal equivalente é de aproximadamente 0,99% — cerca de R$ 9,87 no primeiro mês. Em 12 meses, o valor chegaria a aproximadamente R$ 1.125, ganho de cerca de R$ 125. O valor real varia mês a mês, conforme a taxa diária do CDI e o número de dias úteis.

Vale ressaltar: na LCI de pessoa física não há desconto de IR no resgate — mas isso não elimina a variação do indexador nem o risco de crédito do emissor.

LCI vs CDB: qual rende mais depois do IR?

Aqui está a dúvida mais comum: “se o CDB paga 100% do CDI e a LCI só paga 90%, não é melhor ficar com o CDB?”

Resposta curta: nem sempre.

Resposta longa: depende do prazo e de um cálculo simples de equivalência, o gross up. Vamos explicar.

O CDB sofre Imposto de Renda regressivo, conforme o tempo de aplicação:

Prazo Alíquota de IR
Até 180 dias 22,5%
De 181 a 360 dias 20%
De 361 a 720 dias 17,5%
Acima de 720 dias 15%

Já a LCI, para pessoa física, é isenta. Portanto, o que importa é achar o percentual do CDI em que um CDB tributado empata com a LCI isenta. A fórmula é: percentual do CDB = percentual da LCI ÷ (1 − alíquota de IR).

A tabela abaixo mostra o break-even por prazo (comparando com um CDB a 100% do CDI):

Prazo Break-even LCI Interpretação
Até 180 dias 77,5% do CDI LCI acima disso tende a superar o CDB a 100% do CDI
181–360 dias 80% do CDI LCI acima disso tende a superar o CDB a 100% do CDI
361–720 dias 82,5% do CDI LCI acima disso tende a superar o CDB a 100% do CDI
Acima de 720 dias 85% do CDI LCI acima disso tende a superar o CDB a 100% do CDI

Tradução prática:

  • Uma LCI a 90% do CDI tende a superar um CDB a 100% do CDI nos prazos da tabela.
  • Para empatar com essa LCI em 365 dias (IR de 17,5%), o CDB precisaria pagar cerca de 109,09% do CDI; acima de 720 dias (IR de 15%), cerca de 105,88% do CDI. São aproximações, que ignoram diferenças de datas, capitalização e custos.

Comparativo com R$ 10.000 aplicados (CDI constante em 13,90%, poupança a 6,17% a.a. mais TR não considerada):

Produto 1 ano (líquido) 2 anos (líquido)
Poupança R$ 10.617 R$ 11.272
CDB 100% CDI R$ 11.147 R$ 12.421
LCI 90% CDI R$ 11.251 R$ 12.658

Em resumo:

  • Nos prazos simulados, a LCI a 90% do CDI apresentou resultado líquido superior ao CDB a 100% do CDI.
  • Acima de 720 dias, o CDB só se iguala pagando cerca de 106% do CDI ou mais.

Exceção: CDBs a 110% ou 120% do CDI, comuns em instituições menores, podem ser mais vantajosos. Sempre refaça a conta com as taxas e prazos reais da oferta.

LCI vs Tesouro Direto: qual escolher?

Outra dúvida recorrente: “devo investir em LCI ou Tesouro Direto?” Depende de prazo, necessidade de liquidez e tolerância a risco. Vamos comparar.

Tabela comparativa: LCI vs Tesouro Direto

Aspecto LCI 90% CDI Tesouro Selic Tesouro IPCA+ Tesouro Prefixado
Segurança FGC até R$ 250 mil por CPF/conglomerado Risco de crédito soberano (baixo em moeda local) Risco de crédito soberano (baixo em moeda local) Risco de crédito soberano (baixo em moeda local)
Liquidez Depende da emissão; pode não haver resgate antecipado Recompra diária a preço de mercado Recompra a preço de mercado* Recompra a preço de mercado*
Tributação Isenta de IR (PF) IR regressivo IR regressivo IR regressivo
Rentabilidade ≈12,51% a.a. Acompanha a Selic (14,00% a.a.) IPCA + taxa real do título escolhido Taxa fixa do título escolhido

* Vendas antecipadas seguem a marcação a mercado e podem gerar ganho ou perda. As taxas dos títulos públicos variam ao longo do dia e por vencimento: consulte nome completo do título, vencimento, taxa e data/hora na página oficial do Tesouro Direto antes de decidir.

Agora, as perguntas-chave:

1. Preciso de liquidez imediata?

O Tesouro Selic tende a ser mais adequado

  • Há recompra diária pelo Tesouro, com baixa oscilação de preço — embora não seja isenta de variação, e negociações possam ser suspensas em situações excepcionais.
  • Abaixo de R$ 10.000 por CPF em Tesouro Selic, há isenção da taxa de custódia da B3 (0,20% ao ano).
  • Acima de R$ 10.000, a taxa de 0,20% ao ano incide somente sobre o excedente. Para R$ 12.000, a base é R$ 2.000 — custo de R$ 4,00 por ano.

A LCI tende a ser inadequada

  • O resgate antecipado depende das condições da emissão e pode não existir; a venda no secundário pode não estar disponível ou ocorrer com deságio.

2. Quero maximizar rendimento em 12–24 meses?

Uma LCI a 90% ou mais do CDI pode ser mais adequada

  • Cerca de 12,51% líquidos ao ano na hipótese de CDI constante, sem IR e sem come-cotas.
  • O ponto de atenção é abrir mão da liquidez e assumir risco de crédito bancário.

O Tesouro Selic tende a render menos no líquido nesse horizonte

  • Com 14% brutos e IR de 17,5% (365 dias), o retorno líquido fica em torno de 11,55%.

3. Preciso de proteção contra inflação?

Títulos atrelados ao IPCA podem ser mais adequados

  • O Tesouro IPCA+ busca entregar ganho real, com IR regressivo e marcação a mercado no caminho.

LCIs prefixadas ou pós-fixadas ao CDI não têm correção direta pelo IPCA

  • LCIs atualizadas por índice de preços, porém, podem oferecer essa proteção contratual, respeitado o prazo mínimo maior.

4. Acredito que os juros vão cair?

O Tesouro Prefixado pode ser mais adequado

  • Você trava uma taxa hoje e a mantém até o vencimento, mesmo se a Selic cair.
  • Se o cenário se inverter, a venda antecipada pode ocorrer com perda por marcação a mercado.

A LCI pós-fixada acompanha a queda

  • Se a Selic cair, o rendimento cai junto.

Comparativo prático: R$ 10.000 por 365 dias (cenário de juros estáveis)

Produto Resultado (líquido) Observações
LCI 90% CDI R$ 11.251 Sem IR e sem come-cotas; sem liquidez antes do vencimento.
Tesouro Selic (até R$ 10 mil) R$ 11.155 IR de 17,5% sobre ganho de R$ 1.400; sem custódia.
Tesouro Selic (acima de R$ 10 mil) Levemente inferior Custódia de 0,20% a.a. apenas sobre o excedente de R$ 10 mil.
Tesouro Prefixado a 10,5% ≈R$ 10.866 IR de 17,5% sobre ganho de R$ 1.050, antes de custódia.

Conclusão:

  • Máxima liquidez?Tesouro Selic tende a ser mais adequado.
  • Prazo definido de 12–24 meses?LCI competitiva pode ser mais adequada.
  • Proteção contra inflação? → títulos atrelados ao IPCA.
  • Expectativa de queda de juros?prefixados, com ciência da marcação a mercado.

Não existe “melhor” em termos absolutos. O melhor é aquele que se alinha ao seu objetivo e perfil.

LCI é segura? Entenda a cobertura do FGC

O receio mais comum é “e se o banco quebrar?”. A LCI conta com a proteção do Fundo Garantidor de Créditos (FGC), dentro de limites e condições específicos.

O que é o FGC?

É uma entidade privada, sem fins lucrativos, que protege depositantes e investidores em caso de intervenção ou liquidação de instituições associadas. A garantia ordinária é de até R$ 250.000 por CPF ou CNPJ, por instituição associada ou conglomerado financeiro, considerando principal e rendimentos abrangidos, com teto global de R$ 1.000.000 por CPF a cada 4 anos.

Exemplo prático:

  • Você tem R$ 200.000 em LCI e R$ 100.000 em CDB em instituições do mesmo conglomerado.
  • Em caso de liquidação, a cobertura considera o conjunto e fica limitada a R$ 250.000.
  • O valor excedente não é coberto e depende do processo de liquidação.

Como acionar o FGC em caso de quebra?

O fluxo, em linhas gerais, é:

  1. O Banco Central decreta intervenção ou liquidação da instituição.
  2. O liquidante consolida e revisa a relação de credores e a envia ao FGC.
  3. O FGC publica comunicado/edital e abre os pedidos de pagamento no site (fgc.org.br) ou aplicativo.
  4. Após a validação, o valor é creditado conforme o cronograma daquele evento.

Sobre prazos: não existe promessa universal de pagamento em poucos dias. O processo completo — decretação, consolidação da base de credores, edital, habilitação e pagamento — costuma levar semanas e pode levar meses. No caso do Banco Master (2025), noticiou-se que a maior parte dos credores foi ressarcida ao longo de aproximadamente três meses. Acompanhe sempre os comunicados oficiais do FGC.

Por que instituições menores pagam mais na LCI?

Emissores menores tendem a oferecer taxas mais altas para competir na captação. Assim, uma LCI de banco de menor porte pode pagar 95% do CDI, enquanto um banco grande oferece 88%.

E o risco? Dentro dos limites e condições do FGC, a perda potencial em crédito elegível é mitigada — mas isso não torna os emissores igualmente arriscados. Continuam relevantes a qualidade financeira da instituição, o prazo e o processo de pagamento em caso de liquidação, a liquidez do título e a concentração por conglomerado, que consome o teto global.

Por isso, a dica é:

  • Distribua valores maiores que R$ 250.000 entre diferentes conglomerados financeiros — bancos de um mesmo grupo compartilham o mesmo limite do FGC.
  • Confira se o emissor consta na lista de associados do FGC (cooperativas costumam ser cobertas pelo FGCoop).
  • Acompanhe indicadores e ratings da instituição, quando disponíveis.

Isenção de IR na LCI e obrigações de declaração

O grande atrativo da LCI é a isenção de IR para pessoas físicas. Mas isenção não é dispensa de declaração. Vamos esclarecer:

Quem tem direito à isenção?

Pessoas físicas residentes no Brasil → isenção sobre os rendimentos.
Pessoas jurídicas → tributação conforme a tabela regressiva (22,5% a 15%).
Não residentes → tratamento específico, conforme a legislação aplicável.

Portanto, para pessoa física residente, a taxa contratada corresponde ao rendimento líquido de IR.

Como declarar LCI no Imposto de Renda?

Se você estiver obrigado a apresentar a declaração — ou optar por apresentá-la —, informe a LCI e seus rendimentos conforme o comprovante da instituição:

1. Ficha de Bens e Direitos

  • Informe o saldo em 31/12 do ano-calendário.
  • Use o código correspondente a letras de crédito, conforme o manual da Receita.
  • Exemplo: R$ 50.000 em LCI em 31/12 devem constar nessa ficha.

2. Ficha de Rendimentos Isentos e Não Tributáveis

  • Informe o rendimento auferido no ano.
  • Esse valor não gera imposto a pagar, mas deve ser declarado.

3. Documentação necessária

  • Comprovante de aplicação.
  • Informe de rendimentos fornecido pela instituição.
  • Comprovante de resgate, se houver.

4. Prazo de envio

  • No exercício 2026, o período de entrega foi de 23 de março a 29 de maio de 2026. Para os anos seguintes, confirme as datas na Receita Federal.
  • Multa por atraso: mínimo de R$ 165,74, para quem estava obrigado a declarar.

Importante: omitir informações pode gerar retenção em malha. Mesmo isenta, declare sua LCI se você é obrigado a entregar a declaração.

E o IOF? Entra em cena?

O IOF incide sobre resgates realizados antes de 30 dias da aplicação, em alíquota decrescente conforme os dias transcorridos.

Na prática, como o prazo mínimo regulatório da LCI hoje é de 6 meses (ou 36 meses, quando há atualização mensal por índice de preços), o IOF tende a não incidir nesse produto.

Resumo prático: LCI em 6 pontos

  1. O que é? Título bancário de renda fixa, isento de IR para pessoa física, lastreado em créditos imobiliários elegíveis.
  2. Quanto rende? Em geral, entre 85% e 95% do CDI — com CDI anualizado de 13,90%, cerca de 11,82% a 13,21% ao ano líquidos, se a taxa se mantiver.
  3. Isenção de IR mantida? Sim, preservada no processo da MP 1303/2025 e vigente em 2026.
  4. LCI vs CDB: uma LCI a 90% do CDI tende a superar um CDB a 100% do CDI no líquido nos prazos usuais.
  5. Segurança: cobertura do FGC até R$ 250.000 por CPF, por instituição ou conglomerado financeiro, com teto global de R$ 1 milhão em 4 anos.
  6. Liquidez: depende da emissão — muitas LCIs só pagam no vencimento, e a venda antecipada pode gerar deságio.

Perguntas frequentes sobre LCI

Quanto rende R$ 1.000 na LCI por mês?

A 90% do CDI, com CDI anualizado de 13,90% mantido constante, a taxa mensal equivalente é de cerca de 0,99% — aproximadamente R$ 9,87 no primeiro mês, já líquidos de IR. Em 12 meses, o montante ficaria perto de R$ 1.125. O rendimento real varia conforme o CDI diário.

LCI tem garantia do FGC?

Sim. A LCI é coberta pelo FGC em até R$ 250.000 por CPF, por instituição associada ou conglomerado financeiro, considerando principal e rendimentos abrangidos, com teto global de R$ 1.000.000 por CPF a cada 4 anos. Verifique se o emissor é associado ao FGC — cooperativas costumam ser cobertas pelo FGCoop.

Qual a diferença entre LCI e LCA?

Ambas são títulos isentos de IR para pessoas físicas, com diferenças de lastro e de prazos mínimos:

Indexação LCI (Imobiliário) LCA (Agronegócio)
Prefixada 6 meses 6 meses
Pós-fixada (CDI) 6 meses 6 meses
Atualizada por índice de preços 36 meses (atualização mensal) 12 meses

Ou seja: para exposição à inflação com prazo mínimo menor, a LCA pode ser mais adequada. Emissões antigas seguem as regras da data de emissão.

LCI ou CDB: qual rende mais?

Depende do prazo e das taxas. Em prazos de até 2 anos, uma LCI a 90% do CDI tende a superar um CDB a 100% do CDI no líquido. Acima de 720 dias, o break-even é 85% do CDI.

O CDB tende a ser melhor quando paga percentuais bem acima de 105%–110% do CDI, sempre considerando o risco do emissor.

Posso perder dinheiro em uma LCI?

Sim, é possível. Em venda antecipada no mercado secundário, o preço é de mercado e pode ser inferior ao valor aplicado. Também há risco de crédito: em caso de inadimplência do emissor, a parcela acima do limite do FGC ou fora das condições da garantia pode não ser recuperada. E, mesmo com retorno nominal positivo, a inflação pode reduzir o ganho real.

Mantendo o título até o vencimento e dentro dos limites do FGC, você tende a receber o valor aplicado mais os rendimentos acumulados, conforme as condições da emissão.

LCI paga próximo da Selic em 2026?

O rendimento de uma LCI costuma ser expresso como percentual do CDI, e uma LCI de 98% do CDI tende a ficar próxima da Selic do período, dependendo da relação entre CDI e Selic. Não há garantia, embora historicamente o CDI acompanhe de perto a taxa básica.

Em uma simulação com taxas constantes (LCI a 12,51% a.a. e poupança a 6,17% a.a., sem TR), a diferença acumulada em 5 anos para cada R$ 10.000 aplicados ficaria em torno de R$ 4,5 mil. É apenas uma projeção: os juros variam ao longo do tempo e rentabilidade passada não garante resultado futuro. Se você quer montar uma carteira de renda fixa eficiente para 2026, converse com um assessor da Renova Invest e descubra as melhores oportunidades disponíveis para o seu perfil e objetivos.

Afinal, em um cenário de juros altos, cada ponto percentual faz diferença. E a LCI pode ser uma aliada relevante na sua estratégia. 🚀

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CDI hoje
13,90% a.a.
  • Meta Selic14,00%
  • CDI 12 meses14,71%
  • CDI em 20268,98%
Ver CDI e simulação →
Fonte: Banco Central · 21/08/2026

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