IFIX: o que é, como funciona e composição do índice de FIIs

IFIX: o que é, como funciona e composição do índice de FIIs

O IFIX é o índice de fundos de investimento imobiliário da B3, criado em 2012 para medir o desempenho médio das cotações dos FIIs negociados em bolsa e em mercado de balcão organizado. Em 2026, a carteira teórica reúne mais de 80 fundos e representa um mercado com patrimônio líquido consolidado da ordem de centenas de bilhões de reais — o que faz do índice a principal referência do segmento imobiliário de renda variável no Brasil. Se você quer entender como o IFIX funciona, o que o compõe e como usá-lo para avaliar sua carteira, este artigo responde cada uma dessas perguntas, sempre indicando a data-base dos números.

Resposta direta: o IFIX é o índice de retorno total dos FIIs da B3. Mede a variação de preço das cotas somada ao reinvestimento teórico dos proventos distribuídos. A quantidade de fundos e os pesos mudam a cada reavaliação quadrimestral: a composição vigente deve ser consultada diretamente na página oficial do índice na B3.

O que é o IFIX? Resposta direta

O IFIX é o índice oficial de fundos de investimento imobiliário da B3. Ele mede o desempenho médio das cotações dos FIIs negociados em bolsa e em balcão organizado por meio de uma carteira teórica representativa, calculada e divulgada em tempo real durante o pregão.

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Diferente de um índice de preço simples, o IFIX é um índice de retorno total: captura tanto a variação de preço das cotas quanto o reinvestimento teórico dos proventos distribuídos pelos FIIs componentes. Na prática, simula o desempenho de uma carteira que reinvestisse automaticamente todos os rendimentos recebidos.

Essa distinção importa. Um investidor real que recebe proventos e os consome não terá o mesmo desempenho que o IFIX indica. Por outro lado, quem reinveste os rendimentos em novas cotas tende a se aproximar da trajetória do índice ao longo do tempo.

O índice funciona de forma análoga ao Ibovespa para ações: representa o comportamento agregado do segmento e serve como benchmark para gestores, analistas e investidores individuais. A B3 é a fonte oficial — metodologia de cálculo, critérios de elegibilidade e reavaliações periódicas são definidos e publicados pela bolsa, o que garante transparência e permite verificação independente.

É importante não confundir o IFIX com um produto de investimento. Não é possível “comprar o IFIX” diretamente. Existem ETFs de fundos imobiliários listados na B3, mas é preciso verificar qual índice cada um utiliza como referência: o XFIX11, por exemplo, acompanha o IFIX L (índice de FIIs de alta liquidez), que é um índice distinto do IFIX, restrito aos fundos de maior liquidez. Antes de investir, confirme o benchmark no regulamento e na página oficial do produto.

Em termos de grandeza, o IFIX representa um mercado cujo patrimônio líquido consolidado, em 2026, foi estimado por diferentes levantamentos em uma faixa ampla — algo entre cerca de R$ 175 bilhões e R$ 200 bilhões, a depender da data de consulta e do critério de apuração. A B3 divulga a composição, as quantidades teóricas e os pesos do índice, mas não publica um número consolidado de patrimônio líquido, dividend yield ou P/VP oficiais do IFIX. Qualquer valor agregado desse tipo é estimativa de terceiros e deve vir acompanhado de data-base.

Para o investidor iniciante, o IFIX funciona como um termômetro do mercado imobiliário de bolsa. Quando o índice sobe, os FIIs em geral estão se valorizando. Quedas podem decorrer de mudanças nos fundamentos dos fundos, do nível de juros, da percepção de risco, da liquidez ou do fluxo de investidores — o índice, isoladamente, não identifica a causa. Acompanhá-lo é o primeiro passo para entender o comportamento do segmento.

Como funciona o IFIX na prática?

O IFIX pondera cada FII pelo valor de mercado da totalidade das cotas emitidas pelo fundo, respeitado um limite máximo de participação por ativo nas inclusões e reavaliações periódicas. O índice é recalculado em tempo real durante o pregão da B3.

O mecanismo central é o reinvestimento de proventos. Quando um FII distribui rendimentos, esse valor é teoricamente reinvestido no índice — como se o investidor comprasse mais cotas com o dinheiro recebido. Assim, o IFIX captura tanto a valorização das cotas quanto a renda gerada pelos fundos.

Veja um exemplo concreto. Suponha que um FII componente distribua R$ 0,80 por cota. Na carteira real do investidor, esse valor cai na conta como dinheiro disponível. No IFIX, esse R$ 0,80 é teoricamente reinvestido na cota do mesmo fundo. Portanto, o índice não sofre integralmente a “queda” que o preço da cota registra na data ex-provento — ele absorve o rendimento e segue sua trajetória.

Essa diferença explica por que o IFIX normalmente supera a variação de preço bruta das cotas. O índice acumula retorno total (preço mais proventos reinvestidos), enquanto o investidor que não reinveste acumula a variação de preço e recebe o caixa separadamente.

A ponderação e o limite de concentração

A ponderação por valor de mercado significa que FIIs maiores têm mais peso. Um fundo com valor de mercado de R$ 5 bilhões influencia mais o IFIX do que um de R$ 500 milhões. No entanto, a metodologia da B3 estabelece um limite de concentração por fundo: nenhum ativo pode representar mais de 20% do índice no momento da inclusão ou das reavaliações periódicas. O eventual excedente é redistribuído proporcionalmente entre os demais componentes, evitando que um único FII distorça o índice.

Durante o pregão, o IFIX é atualizado continuamente conforme as negociações ocorrem. Ao final do dia, a B3 publica o valor de fechamento, que integra a série histórica diária. Essa série permite análises de desempenho em qualquer janela temporal: intradiária, semanal, mensal, anual ou desde a criação do índice.

Na prática, quem acompanha o IFIX consegue observar tendências do mercado imobiliário de bolsa. Uma sequência de altas indica demanda por FIIs e valorização das cotas. Uma queda prolongada é um sinal a ser investigado — pode estar associada a piora de fundamentos, a juros mais altos, a aumento do prêmio de risco exigido ou à saída de capital do segmento, e a identificação da causa exige análise fundo a fundo.

Para quem monta uma carteira de FIIs, entender esse funcionamento é essencial para interpretar se o portfólio está performando acima ou abaixo do mercado — o que leva diretamente ao uso do índice como benchmark.

Metodologia da B3: como um FII entra (e sai) do IFIX

A B3 define critérios objetivos de elegibilidade para a inclusão de FIIs no IFIX, baseados em negociabilidade, presença em pregões e preço mínimo da cota. Fundos que deixam de atender a esses critérios são excluídos na reavaliação seguinte.

Os principais critérios de elegibilidade, conforme a metodologia oficial da B3, são:

Critério Descrição Impacto
Índice de Negociabilidade Estar entre os ativos que, em ordem decrescente, somam 95% do Índice de Negociabilidade no período das três carteiras anteriores Concentra o índice nos FIIs mais negociados
Presença em pregão Ter presença em pregão de no mínimo 95% no período das três carteiras anteriores Exclui FIIs com negociação intermitente
Preço mínimo da cota Não ter cotação inferior a R$ 1,00, evitando penny stocks na composição Evita distorções de cálculo por cotas de valor muito baixo
Ofertas públicas recentes Regras específicas para cotas oriundas de oferta pública recente, com prazo mínimo de negociação Exige histórico antes da entrada no índice
Cap de concentração Limite de 20% de participação por fundo, com redistribuição do excedente Reduz risco de distorção por um único ativo

A reavaliação da carteira teórica é quadrimestral, não trimestral. As carteiras dos índices da B3 têm vigência de quatro meses, nos períodos de janeiro a abril, maio a agosto e setembro a dezembro — ou seja, as novas carteiras entram em vigor em janeiro, maio e setembro. A cada ciclo, a B3 verifica quais FIIs atendem aos critérios e recalcula os pesos com base no valor de mercado da totalidade das cotas emitidas.

O limite de concentração por fundo é um mecanismo relevante. Sem ele, FIIs de grande porte poderiam dominar o índice, fazendo com que o IFIX refletisse o desempenho de poucos fundos, e não do mercado como um todo. Com o teto de 20%, o índice mantém diversificação mínima mesmo quando há grande assimetria de tamanho entre os componentes.

Nas reavaliações periódicas, são excluídos os FIIs que deixarem de atender aos critérios oficiais de inclusão. Durante a vigência de uma carteira, também há exclusão quando as cotas são objeto de resgate total pelo fundo emissor, além de eventos societários previstos na metodologia.

A transparência é um ponto forte do IFIX. A B3 publica o documento completo da metodologia e a composição vigente em seu site, permitindo que qualquer investidor verifique critérios e pesos — isso diferencia o IFIX de rankings informais. Para o investidor, isso tem implicação prática direta: um FII que entra no índice tende a ganhar visibilidade e demanda, pois fundos indexados e ETFs atrelados a índices de FIIs ajustam suas carteiras. Da mesma forma, a saída de um FII pode gerar pressão vendedora temporária.

Composição do IFIX em 2026: quais FIIs fazem parte?

A quantidade de componentes muda a cada reavaliação quadrimestral. Em 2026, a carteira reuniu mais de 80 fundos, conforme dados de junho de 2026. Como o número oscila, o único dado confiável é o da carteira vigente publicada na página do índice no site da B3, sempre com a data de referência explícita. A carteira é diversificada por tipo de fundo, cobrindo desde fundos com ativos físicos (tijolo) até fundos de recebíveis imobiliários (papel).

A composição pode ser agrupada em três grandes categorias:

Fundos de Tijolo

  • O que são: investem em imóveis físicos — lajes corporativas, shoppings, galpões logísticos, hospitais, hotéis
  • Renda: proventos gerados por aluguéis dos imóveis
  • Sensibilidade: maior exposição ao ciclo imobiliário e à vacância

Fundos de Papel (Recebíveis)

  • O que são: investem em CRIs (Certificados de Recebíveis Imobiliários) e outros títulos de crédito imobiliário
  • Renda: proventos gerados pelos juros dos títulos na carteira
  • Sensibilidade: exposição à inflação e às taxas de juros de mercado

Fundos de Desenvolvimento

  • O que são: investem em projetos imobiliários em construção ou desenvolvimento
  • Renda: resultado da venda ou locação após a conclusão das obras
  • Sensibilidade: maior risco de execução e prazo

Os fundos de tijolo e de papel respondem pela maior parte do peso no IFIX. Os segmentos de galpões logísticos e de recebíveis imobiliários ganharam relevância nos últimos anos, impulsionados pelo crescimento do e-commerce e pela demanda por instrumentos de crédito imobiliário indexados à inflação.

A composição exata e os pesos individuais de cada FII são atualizados quadrimestralmente e podem ser consultados diretamente no site oficial da B3 em b3.com.br. Qualquer análise baseada em dados desatualizados pode levar a conclusões equivocadas sobre a exposição real do índice.

Para o investidor, conhecer a composição tem implicação prática imediata. Se sua carteira de FIIs está concentrada em um único segmento — por exemplo, apenas fundos de papel — ela terá comportamento diferente do índice, que é diversificado. Comparar sua carteira com o IFIX sem considerar essa diferença pode gerar conclusões incorretas sobre desempenho.

Desempenho do IFIX em 2026: o que os números mostram

Retorno total e proventos: a leitura correta dos indicadores

Segundo os fechamentos oficiais divulgados pela B3, o IFIX passou de aproximadamente 3.313 pontos em 31/03/2025 para cerca de 3.870,57 pontos em 31/03/2026 — uma variação de retorno total de aproximadamente +16,8% nesses doze meses. Fontes de mercado indicam que o índice renovou máximas históricas ao longo do primeiro quadrimestre de 2026, com registros próximos à faixa de 3.930 a 3.940 pontos em abril; não é correto afirmar simplesmente que o índice “entrou 2026 em máximas”.

Duas observações importantes sobre indicadores agregados:

  • Retorno acumulado 12 meses (31/03/2025 a 31/03/2026): aproximadamente +16,8%, com base nos fechamentos publicados pela B3
  • Dividend yield e P/VP médios: a B3 não divulga esses indicadores para o IFIX. Números agregados circulam em relatórios de casas de análise, com metodologias e datas-base distintas; use-os apenas com a data e a fonte explícitas

Na prática, isso significa que qualquer comparação entre o IFIX e outras classes de ativos deve usar a mesma data-base para todos os indicadores. Misturar um retorno apurado em março com um yield estimado em outro mês produz conclusões frágeis.

Interpretando um P/VP abaixo de 1,0: oportunidade ou risco?

Ao longo de 2026, parte relevante dos FIIs negociou abaixo do valor patrimonial, ou seja, com P/VP inferior a 1,0. Um desconto desse tipo pode indicar oportunidade — ou refletir deterioração dos ativos. É preciso analisar fundo a fundo, e não pelo agregado.

Desconto por oportunidade: o mercado pode precificar queda de juros no médio prazo. Se a Selic cair, os valores patrimoniais e as cotações tendem a reagir positivamente (pela redução da taxa de desconto), e o P/VP pode convergir para 1,0 ou acima. Nesse caso, quem compra com desconto captura potencial de valorização futura.

Desconto por risco: o mercado precifica deterioração real dos fundamentos — aumento da vacância, redução de aluguéis em termos reais ou qualidade questionável da carteira de ativos e do crédito. Nesse cenário, o desconto pode persistir ou aumentar.

A investigação deve ser individual. Compare o P/VP de um fundo específico com sua própria série histórica: está em patamar anormalmente baixo? Verifique a ocupação dos imóveis, o crescimento da receita de aluguel, a inadimplência dos recebíveis e o histórico do gestor. Esses dados dirão se o desconto é oportunidade ou aviso de risco.

Comparação com Tesouro Direto e CDI: o trade-off risco-retorno

O contexto macroeconômico de 2026 é decisivo para interpretar a atratividade dos FIIs. A meta Selic vigente é de 14,00% ao ano, conforme o histórico do Banco Central na data de publicação deste artigo. Com juros nesse patamar, os FIIs competem diretamente com a renda fixa pela preferência dos investidores.

Veja o comparativo, com a ressalva de que as bases de apuração devem ser idênticas para uma conclusão válida:

  • IFIX: retorno total de aproximadamente +16,8% entre 31/03/2025 e 31/03/2026 (já incluindo os proventos reinvestidos teoricamente)
  • Tesouro Selic: rentabilidade vinculada à Selic, sujeita a preço de compra, spread, taxa de custódia e tributação. Em venda antecipada, o título é recomprado a preço de mercado; a rentabilidade contratada é assegurada se mantido até o vencimento
  • Outros títulos do Tesouro: Tesouro IPCA+ e Prefixado têm risco de preço relevante em saída antecipada, por efeito da marcação a mercado
  • CDI: acompanha de perto a Selic e oferece liquidez diária em boa parte dos produtos indexados; para comparar com o IFIX, use o acumulado exatamente na mesma janela de doze meses

A comparação precisa considerar retornos na mesma data-base, líquidos de impostos e custos, e reconhecer que nenhum ativo negociado está isento de oscilação de preço em resgate antecipado. Se o investidor acredita que a Selic cairá nos próximos 12 a 24 meses, FIIs negociados com desconto sobre o valor patrimonial podem entregar retorno total (preço mais proventos) superior à renda fixa no mesmo período — mas isso é cenário, não garantia. Vale lembrar ainda que os rendimentos de FIIs são isentos de IR para pessoa física quando cumpridos os requisitos legais, enquanto os títulos públicos são tributados pela tabela regressiva, com alíquota mínima de 15% para prazos superiores a 720 dias.

A sustentação do IFIX em patamares elevados mesmo em ambiente de juros altos é compatível com a leitura de que o mercado precifica expectativa de queda de juros no médio prazo, ou de que os rendimentos distribuídos estão suficientemente atrativos para compensar o risco de capital. São interpretações plausíveis, não fatos verificáveis pelo índice em si.

Veja um cenário prático. Um investidor com R$ 50.000 aplicados em uma carteira que replicasse o IFIX teria, na janela de 31/03/2025 a 31/03/2026, um retorno total teórico de aproximadamente +16,8%, ou cerca de R$ 8.400, levando o patrimônio equivalente a R$ 58.400. Esse número já incorpora os proventos, porque o IFIX é um índice de retorno total — por isso os rendimentos recebidos não devem ser somados novamente a ele. Para o investidor real que não reinveste, o resultado observado se decompõe em duas partes: a variação de preço das cotas no período e os proventos recebidos em caixa. Cada componente deve ser calculado separadamente, e a soma dos dois não equivale mecanicamente ao retorno total do índice.

Para o investidor, o desempenho do IFIX em diferentes janelas serve como referência para avaliar a própria carteira. Se seu portfólio rendeu 10% em uma janela em que o IFIX rendeu 16,8%, há um gap de performance que merece investigação — seja por composição diferente, seja por escolha de fundos com fundamentos mais frágeis.

IFIX como benchmark: como usar o índice para avaliar sua carteira de FIIs

O IFIX é o principal benchmark do mercado de FIIs brasileiro. Ele cumpre para fundos imobiliários um papel semelhante ao do Ibovespa para ações: representa o desempenho médio do segmento e serve de referência para avaliar se uma carteira individual gera retorno superior ou inferior ao mercado.

Usar o IFIX como benchmark exige entender suas limitações. O índice é teórico — reinveste proventos automaticamente, o que o investidor real raramente reproduz com exatidão. Além disso, não considera corretagem, spread de compra e venda ou imposto de renda sobre ganho de capital na venda de cotas. Portanto, a comparação direta entre o retorno do IFIX e o retorno líquido de uma carteira real tende a favorecer o índice.

Mesmo assim, o IFIX é a melhor referência disponível. Veja um checklist prático para usá-lo corretamente:

  1. Calcule o retorno total da sua carteira: some a variação de preço das cotas aos proventos recebidos no período.
  2. Compare com o IFIX no mesmo período: use a série histórica disponível no site da B3, com as mesmas datas inicial e final.
  3. Ajuste para composição: se sua carteira tem mais fundos de papel que o IFIX, compare também com índices ou amostras específicas desse segmento.
  4. Considere os custos: desconte corretagem, spread e eventual IR sobre ganho de capital do seu retorno real.
  5. Avalie em janelas longas: comparações de curto prazo (menos de 12 meses) são pouco conclusivas para FIIs.

O IFIX também pode ser comparado a outros benchmarks para contextualizar a atratividade dos FIIs em diferentes ciclos. Em períodos de juros altos, o CDI tende a se mostrar mais competitivo no curto prazo. Em ciclos de queda de juros, o IFIX historicamente reagiu de forma favorável, com redução dos descontos sobre o valor patrimonial e maior atratividade relativa dos rendimentos — comportamento observado no passado, sem garantia de repetição.

Comparado ao Ibovespa, o IFIX historicamente apresentou menor volatilidade, em parte pela distribuição regular de proventos. Comparado ao IPCA, entregou retorno real positivo em janelas longas, especialmente quando se considera o retorno total. Frente ao IPCA e ao CDI, vale sempre a mesma regra: mesma janela, mesma data-base.

A diferença entre usar o IFIX como benchmark e ignorá-lo está em descobrir se você está gerando alfa ou apenas acompanhando o mercado com custos maiores. Sem referência objetiva, é impossível saber se as escolhas funcionaram.

Para quem deseja exposição diversificada sem selecionar FIIs individualmente, os ETFs de fundos imobiliários listados na B3 são uma alternativa a considerar — desde que se verifique o índice de referência de cada produto. O XFIX11, por exemplo, acompanha o IFIX L, e não o IFIX. Vale lembrar que a rentabilidade de um ETF pode divergir do índice por taxas de administração, tributos, custos operacionais, caixa e tracking error, mesmo quando o benchmark é de retorno total.

Em resumo, o IFIX é uma ferramenta poderosa para qualquer investidor de FIIs. Usá-lo corretamente — com consciência das suas limitações — é o que separa uma avaliação de carteira fundamentada de uma comparação superficial.

Resumo prático

  • O IFIX é o índice de retorno total dos FIIs da B3, criado em 2012, e considera variação de preço das cotas e reinvestimento teórico de proventos.
  • Em 2026, a carteira reuniu mais de 80 fundos; o número exato muda a cada reavaliação e deve ser conferido na carteira vigente publicada pela B3.
  • Estimativas de patrimônio líquido consolidado do segmento em 2026 variam, em diferentes levantamentos, entre cerca de R$ 175 bilhões e R$ 200 bilhões, conforme a data e o critério; a B3 não divulga esse consolidado, nem dividend yield ou P/VP oficiais do índice.
  • A composição inclui fundos de tijolo (lajes, shoppings, galpões), fundos de papel (CRI) e fundos de desenvolvimento — com pesos atualizados quadrimestralmente pela B3, com vigência em janeiro, maio e setembro.
  • A ponderação usa o valor de mercado da totalidade das cotas emitidas, com limite de 20% por fundo e redistribuição do excedente.
  • Entre 31/03/2025 e 31/03/2026, o IFIX registrou retorno total de aproximadamente +16,8%, segundo os fechamentos oficiais da B3.
  • Rendimentos de FIIs são isentos de IR para pessoa física quando cumpridos, cumulativamente, os requisitos legais: cotas admitidas à negociação exclusivamente em bolsa ou balcão organizado; no mínimo 100 cotistas; cotista pessoa física com menos de 10% das cotas e sem direito a mais de 10% dos rendimentos; e observância dos limites aplicáveis a conjuntos de pessoas físicas ligadas (30% das cotas ou dos rendimentos), conforme a Lei 11.033/2004 com as alterações da Lei 14.754/2023.

FAQ: perguntas frequentes sobre o IFIX e FIIs

O que é o IFIX?

O IFIX é o índice de fundos de investimento imobiliário da B3. Mede o desempenho médio das cotações dos FIIs negociados em bolsa e balcão organizado por meio de uma carteira teórica ponderada pelo valor de mercado da totalidade das cotas emitidas, com limite de 20% por fundo. É um índice de retorno total: considera a variação de preço das cotas e o reinvestimento teórico dos proventos. Foi criado em 2012 e é calculado em tempo real pela B3.

Como investir no IFIX?

Não é possível investir diretamente no IFIX — é um índice de referência, não um produto. Para buscar exposição semelhante, o investidor pode: (1) montar uma carteira de FIIs replicando a composição divulgada pela B3, proporcionalmente aos pesos; ou (2) avaliar ETFs de fundos imobiliários listados na B3, verificando o índice de referência de cada um. Atenção: o XFIX11 acompanha o IFIX L (alta liquidez), não o IFIX. Confirme o benchmark no regulamento e na página oficial do produto antes de investir.

Qual a diferença entre IFIX e Ibovespa?

O IFIX mede o desempenho dos fundos imobiliários; o Ibovespa mede o desempenho das ações mais negociadas da B3. Ambos são índices de retorno total, mas a ponderação difere: o IFIX considera a totalidade das cotas emitidas, enquanto o Ibovespa utiliza o valor de mercado do free float, sujeito aos limites de sua própria metodologia. Historicamente, o IFIX apresentou menor volatilidade que o Ibovespa, com distribuição regular de proventos.

Os FIIs do IFIX pagam imposto de renda?

Os rendimentos distribuídos podem ser isentos de IR para pessoa física, desde que atendidas cumulativamente as condições legais: cotas admitidas à negociação exclusivamente em bolsa ou mercado de balcão organizado; fundo com no mínimo 100 cotistas; cotista pessoa física titular de menos de 10% das cotas e sem direito a mais de 10% dos rendimentos; e observância dos limites aplicáveis a conjuntos de pessoas físicas ligadas, conforme a Lei 11.033/2004 com as alterações da Lei 14.754/2023. Já o ganho de capital na venda de cotas em bolsa é tributado à alíquota de 20%, conforme as regras vigentes. Em caso de dúvida sobre sua situação, consulte um profissional habilitado.

Como consultar a composição do IFIX?

A composição atualizada do IFIX — com todos os FIIs componentes e seus respectivos pesos — está disponível gratuitamente no site oficial da B3 em b3.com.br. A carteira teórica é reavaliada quadrimestralmente, com vigência de janeiro a abril, maio a agosto e setembro a dezembro. Para consultar, acesse a seção de índices, localize o IFIX e faça o download da composição. Os dados incluem ticker, nome do fundo, quantidade teórica e participação percentual de cada componente.

Conclusão: IFIX como ferramenta de decisão

A diferença entre uma carteira de FIIs com visibilidade real e uma com resultados aleatórios está em uma ferramenta simples: um benchmark. Sem comparar seu portfólio com o IFIX — na mesma janela, com os mesmos critérios e descontando custos —, é impossível saber se você está gerando alfa ou apenas acompanhando o mercado com despesas maiores.

Estruturar uma carteira de FIIs alinhada ao seu perfil de risco, objetivos de retorno e horizonte exige essa disciplina de benchmarking, além de checar sempre a data-base dos dados que embasam suas decisões. Se você quer transformar FIIs de um investimento nebuloso em uma estrutura clara e monitorável, é hora de começar. A Renova Invest pode ajudá-lo a construir essa visibilidade — converse com um assessor nosso.

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CDI hoje
13,90% a.a.
  • Meta Selic14,00%
  • CDI 12 meses14,71%
  • CDI em 20268,88%
Ver CDI e simulação →
Fonte: Banco Central · 19/08/2026

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