COIN11: o ETF de Bitcoin que paga dividendos mensais

Entenda como funciona o COIN11, suas características, estratégias e o que avaliar ao considerar um ETF de renda mensal atrelado ao Bitcoin.
COIN11: o ETF de Bitcoin que paga dividendos mensais

O COIN11 é um ETF de Bitcoin listado na B3 que distribui rendimentos mensais aos cotistas — algo incomum entre os fundos de criptoativos disponíveis no mercado brasileiro. Em janeiro de 2026, o fundo pagou R$ 1,4664 por cota, valor que correspondeu a um dividend yield mensal da ordem de 2,3%. Esse modelo de renda difere dos ETFs tradicionais de Bitcoin, que apenas reinvestem os proventos e dependem da valorização das cotas para gerar retorno ao investidor.

COIN11 Buena Vista Neos Bitcoin High Income Etf ETF
R$ 45,37 1,50%
Cotação · atualizada há 4 horas
Variação (6 meses) -5,4%
Máxima (6 meses) R$ 49,65
Mínima (6 meses) R$ 36,80
Cotação de COIN11 — últimos 6 meses
máx R$ 49,65 mín R$ 36,80

Fonte: B3 via Brapi. Valores podem ter atraso em relação ao pregão. Conteúdo informativo, não é recomendação de investimento.

Resposta direta: O COIN11 gera dividendos mensais a partir de uma estratégia de opções chamada covered call, implementada no nível do índice de referência americano: vendem-se opções de compra sobre a exposição a Bitcoin e os prêmios recebidos são repassados como proventos. O fundo busca acompanhar o NEOS Bitcoin High Income Index — sendo BTCI o ticker do ETF americano (NEOS Bitcoin High Income ETF) que serve de veículo de exposição, e não o código do índice. A meta de distribuição varia conforme as condições de mercado. Os rendimentos são tributados: há retenção de 15% de IR na fonte sobre os proventos, sem isenção.

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O que é o COIN11 e como ele paga dividendos mensais?

O COIN11 é um ETF de renda variável listado na B3 que combina exposição ao Bitcoin com distribuição mensal de proventos. Diferente da maioria dos ETFs de criptoativos disponíveis no Brasil, ele não funciona como um fundo de acumulação puro. O objetivo do fundo é acompanhar o desempenho do NEOS Bitcoin High Income Index, índice desenvolvido para capturar tanto a variação do Bitcoin quanto os prêmios gerados por uma estratégia sistemática de opções.

É importante entender como essa exposição é montada na prática. Segundo as informações disponíveis sobre a estrutura do produto, o COIN11 não detém Bitcoin físico no Brasil: a exposição é obtida principalmente por meio de cotas do ETF americano BTCI (NEOS Bitcoin High Income ETF), e a carteira do veículo subjacente aloca parcela relevante — que pode ultrapassar 60% do patrimônio — em títulos do Tesouro americano de curto prazo (T-Bills), usados como colateral da estratégia de opções. A venda sistemática de calls é executada no nível do índice/ETF americano, e não pelo gestor brasileiro sobre Bitcoin detido diretamente.

O mecanismo de pagamento, em linhas gerais, funciona assim: sobre a exposição a Bitcoin do veículo subjacente são vendidas opções de compra (calls). Os prêmios recebidos nessas operações, somados aos juros dos T-Bills, formam a fonte de caixa distribuída aos cotistas. Portanto, o rendimento mensal não vem do Bitcoin em si — o ativo não gera caixa —, mas do mercado de derivativos e da renda fixa americana de curtíssimo prazo.

  • Exemplo ilustrativo: sobre uma exposição equivalente a 100 BTC, a venda de calls com strike acima do preço à vista gera um prêmio que varia conforme a volatilidade implícita do período — esse prêmio é a matéria-prima dos proventos.
  • Risco embutido: se o Bitcoin subir acima do strike, a estratégia entrega o ativo ao preço pré-definido, limitando o ganho do período.
  • Dependência de volatilidade: meses com alta incerteza no mercado cripto tendem a gerar prêmios maiores — e, portanto, mais renda aos cotistas.
  • Exposição cambial: como os ativos subjacentes são denominados em dólar, a variação do câmbio USD/BRL afeta diretamente o valor da cota e dos proventos em reais.

A gestora declara uma meta de distribuição que varia conforme as condições de mercado. Esse valor depende da volatilidade implícita do Bitcoin no período, que determina o valor dos prêmios arrecadados. Meses com alta volatilidade tendem a gerar prêmios maiores; meses calmos produzem proventos menores.

Para entender na prática, considere um cotista com 100 cotas do COIN11. Em janeiro de 2026, o fundo distribuiu R$ 1,4664 por cota. Esse investidor teria direito a R$ 146,64 brutos naquele mês — sem precisar vender nenhuma cota. Como há retenção de 15% de IR na fonte sobre os proventos, o valor efetivamente creditado em conta seria de aproximadamente R$ 124,64 líquidos. No pagamento mais recente confirmado, referente à competência de agosto de 2026 e creditado em 09/09/2026, o provento foi de R$ 0,8571 por cota (algumas fontes secundárias registram R$ 0,8546), o que representaria cerca de R$ 85,71 brutos — aproximadamente R$ 72,85 líquidos — para as mesmas 100 cotas. A diferença entre os dois meses ilustra bem a dependência da volatilidade do Bitcoin. Para evitar confusão, todos os valores por cota citados neste artigo são brutos, salvo indicação expressa em contrário.

A diferença fundamental em relação a ETFs tradicionais de Bitcoin — como HASH11, QBTC11 ou BITH11 — é que nesses fundos os resultados da carteira são reinvestidos automaticamente. O cotista só realiza ganho quando vende as cotas com valorização. No COIN11, parte do retorno é antecipada em forma de renda mensal, o que atrai investidores que buscam fluxo de caixa recorrente, não apenas apreciação de capital.

Na prática, o COIN11 funciona como uma ponte entre o universo cripto e o perfil de investidor orientado a renda — um nicho que cresceu com a popularização dos FIIs e das ações de dividendos no Brasil. Porém, é essencial compreender que os “dividendos” do COIN11 são dividendos sintéticos: proventos financeiros gerados por derivativos e juros de curto prazo, não distribuição de lucros operacionais de uma empresa.

Como funciona a estratégia de opções que gera os dividendos do COIN11?

A renda distribuível vem da venda de opções de compra (calls) sobre a exposição a Bitcoin do veículo subjacente — técnica conhecida como covered call. Os prêmios recebidos são repassados mensalmente aos cotistas como proventos. Trata-se de uma estratégia estruturada, não oportunista: a venda é feita de forma sistemática a cada ciclo.

O covered call funciona da seguinte maneira: a carteira detém exposição ao ativo-objeto e, simultaneamente, vende a terceiros o direito de comprar esse ativo a um preço determinado (o preço de exercício, ou strike) até uma data futura. Em troca desse direito, o comprador da opção paga um prêmio. Esse prêmio é a principal fonte dos proventos mensais.

Simulação numérica de um ciclo de covered call:

  • Cenário: Bitcoin cotado em R$ 100k; venda de calls com strike em R$ 110k; prêmio recebido de R$ 2k por BTC (exposição equivalente a 100 BTC = R$ 200k de prêmio total, sobre um valor de mercado de R$ 10 milhões).
  • Se Bitcoin subir para R$ 115k: o ativo é entregue a R$ 110k. O resultado é o ganho de capital até o strike (R$ 10k × 100 BTC = R$ 1 milhão) somado ao prêmio de R$ 200k, ou seja, +12% no período, contra +15% caso não houvesse a venda da call. O custo de oportunidade é de cerca de 3 pontos percentuais — e não de 13, como uma leitura apressada do prêmio isolado poderia sugerir.
  • Se Bitcoin cair para R$ 95k: a posição permanece na carteira e o prêmio de R$ 200k é integralmente retido, amenizando a queda de -5% para aproximadamente -3%.
  • Conclusão prática: o covered call reduz perdas em quedas moderadas, mas limita ganhos em altas fortes — é um trade-off entre renda corrente e apreciação potencial.

O ponto crítico dessa estratégia é o limite de upside. Se o Bitcoin subir muito acima do strike vendido, a estratégia entrega o ativo ao preço combinado — ou recompra a opção com prejuízo. Em outras palavras: em meses de alta expressiva do Bitcoin, o COIN11 tende a capturar menos valorização do que ETFs que simplesmente acumulam o ativo. O cotista recebe o prêmio, mas abre mão de parte do ganho potencial.

Por outro lado, a volatilidade implícita do Bitcoin é historicamente elevada — e isso beneficia quem vende opções. Quanto maior a volatilidade esperada pelo mercado, maior o prêmio pago pelas calls. Portanto, em períodos de incerteza ou turbulência no mercado cripto, o COIN11 tende a distribuir proventos mais altos.

Compare dois cenários hipotéticos para ilustrar:

  • Mês de alta volatilidade: Bitcoin com volatilidade implícita elevada → prêmios de opções maiores → DY mensal pode ser mais alto → cotista recebe mais proventos, mas o fundo pode ter ganho de capital limitado se o Bitcoin subir além do strike.
  • Mês de baixa volatilidade: mercado cripto estável → prêmios menores → DY mensal pode ser mais baixo → cotista recebe menos proventos, mas o fundo acompanha melhor a valorização do Bitcoin.

Essa dinâmica explica por que o dividend yield do COIN11 não é fixo. A meta de distribuição varia conforme as condições de mercado e não é uma garantia contratual. O investidor que entra no fundo esperando um fluxo constante e previsível pode se frustrar em cenários de baixa volatilidade prolongada.

Para investidores que já conhecem como funciona a B3 e como negociar ETFs, a lógica do covered call é familiar. Para quem está começando, o resumo prático é: o COIN11 troca parte do potencial de valorização do Bitcoin por uma renda mensal em dinheiro — e adiciona, a esse pacote, a variação do dólar.

Qual o dividend yield real do COIN11 em 2026?

O COIN11 pagou R$ 1,4664 por cota em janeiro de 2026, o que correspondeu a um DY mensal próximo de 2,3%. Os proventos variaram ao longo do ano conforme a volatilidade implícita do Bitcoin. Algumas análises de mercado projetam um DY anualizado na casa de dois dígitos altos a partir da extrapolação dos pagamentos mensais — mas esse tipo de número é apenas uma anualização de um histórico curto, varia conforme os ciclos de volatilidade e não representa taxa fixa nem promessa de rentabilidade.

Para contextualizar, é preciso escolher a métrica correta de comparação. A taxa CDI anualizada corrente está em torno de 13,90% ao ano (com a Selic meta em 14,00% a.a.), medida que difere do CDI acumulado em 12 meses — este último é a referência adequada quando se compara com um DY anualizado, e deve ser consultado na fonte oficial antes de qualquer comparação. Ainda assim, a comparação direta é enganosa: o CDI é um rendimento de renda fixa com risco baixo, enquanto o DY do COIN11 carrega a volatilidade do Bitcoin e o risco cambial como risco de principal.

A tabela abaixo reúne os proventos dos meses já pagos em 2026. Os valores devem ser confirmados no informe da gestora (Buena Vista Gestora de Recursos) e do administrador (Vórtx) ou na B3 antes de qualquer decisão, pois há divergências entre fontes secundárias — o pagamento de junho, por exemplo, é registrado por parte das fontes em R$ 0,8630 por cota (DY de ~2,10%), com pagamento previsto para 08/07/2026.

Mês (2026) Provento por cota (bruto, aprox.) DY mensal aprox. Volatilidade implícita aprox.
Janeiro R$ 1,4664 ~2,30% Alta
Fevereiro R$ 1,2850 (a confirmar) ~2,05% Alta
Março R$ 1,0420 (a confirmar) ~1,82% Moderada
Abril R$ 0,9230 (a confirmar) ~1,65% Moderada
Maio R$ 1,1560 (a confirmar) ~1,98% Moderada-Alta
Junho R$ 0,8630 (a confirmar) ~2,10% Moderada
Julho R$ 1,3250 (a confirmar) ~2,25% Alta
Agosto (pago em 09/09/2026 — último confirmado) R$ 0,8546 a R$ 0,8571 (divergência entre fontes) ~1,5% Moderada

O provento referente a setembro de 2026 ainda não havia sido divulgado até a data desta publicação — os pagamentos costumam ocorrer no início do mês seguinte à competência. Por isso, não há como apresentar valores para setembro em diante.

Um alerta importante: dividend yield elevado em ETFs de Bitcoin reflete volatilidade do ativo e uso intensivo de derivativos, não geração de caixa recorrente como em empresas maduras. Um FII de tijolo que paga 0,7% ao mês distribui renda de aluguéis reais. O COIN11 distribui prêmios de opções e juros de títulos americanos de curto prazo — e o valor patrimonial das cotas oscila com o Bitcoin e com o câmbio.

Na prática, o retorno total do cotista é a soma dos proventos líquidos recebidos mais (ou menos) a variação do preço das cotas. Se o Bitcoin cair 20% no mês e o fundo distribuir 2% de DY, o resultado líquido ainda é negativo em aproximadamente 18%. Portanto, avaliar apenas o dividend yield sem considerar o retorno total é um erro comum entre investidores iniciantes.

Para investidores que buscam renda com exposição a cripto, o COIN11 é um dos principais veículos disponíveis na B3 com essa proposta. Porém, a decisão de alocar deve considerar o tamanho da posição em relação ao portfólio total — dado o risco de volatilidade, posições concentradas podem comprometer seriamente o patrimônio em cenários adversos.

COIN11 vs outros ETFs de Bitcoin na B3: qual a diferença?

A principal diferença é que o COIN11 distribui rendimentos mensais a partir de uma estratégia de opções, enquanto ETFs como HASH11, QBTC11 e BITH11 reinvestem os resultados — o investidor só realiza ganho vendendo as cotas. Essa distinção define perfis de uso completamente diferentes para cada produto.

Veja as características de cada ETF:

COIN11

  • Modelo de retorno: Distribuição mensal de proventos originados em estratégia de covered call
  • Estratégia: Busca acompanhar o NEOS Bitcoin High Income Index, com exposição via ETF americano BTCI e T-Bills de curto prazo
  • Perfil indicado: Investidor que busca renda mensal com exposição a cripto e tolera risco cambial
  • Tributação: Renda variável; proventos com 15% de IR retido na fonte

HASH11

  • Modelo de retorno: Valorização das cotas (sem distribuição)
  • Estratégia: Exposição a carteira diversificada de criptoativos
  • Perfil indicado: Investidor de longo prazo focado em apreciação
  • Tributação: Renda variável; ganho de capital na venda das cotas

QBTC11

  • Modelo de retorno: Valorização das cotas (sem distribuição)
  • Estratégia: Exposição ao Bitcoin via veículo internacional
  • Perfil indicado: Investidor que quer Bitcoin sem estratégia de derivativos sobreposta
  • Tributação: Renda variável; ganho de capital na venda das cotas

BITH11

  • Modelo de retorno: Valorização das cotas (sem distribuição)
  • Estratégia: Exposição ao Bitcoin via índice da Hashdex
  • Perfil indicado: Investidor de acumulação em Bitcoin
  • Tributação: Renda variável; ganho de capital na venda das cotas

Além desses, o mercado brasileiro conta com produtos do mesmo nicho do COIN11. O XBCI11 combina exposição ao Bitcoin com distribuição de renda mensal em um perfil de risco ainda mais elevado. Já o DIGY11 adota uma abordagem diferente: investe em ações preferenciais de empresas que mantêm Bitcoin em balanço e busca distribuir proventos em reais mensalmente, sem uso de derivativos diretamente sobre o Bitcoin — embora utilize derivativos de câmbio para hedge cambial. Vale registrar que o DIGY11 estreou na B3 em 15 de setembro de 2026: não há, portanto, histórico operacional, proventos pagos ou liquidez comprovada que permitam compará-lo de forma justa ao COIN11 neste momento.

Para investidores que priorizam acumulação de longo prazo, ETFs como HASH11 ou BITH11 tendem a capturar melhor os ciclos de alta do Bitcoin. Para quem quer fluxo de caixa mensal e aceita abrir mão de parte do upside, o COIN11 é uma das alternativas disponíveis na B3 hoje. A escolha depende do objetivo: renda corrente versus crescimento patrimonial.

Como o COIN11 é tributado no Imposto de Renda?

Há dois regimes distintos e é essencial não confundi-los: (1) os proventos mensais sofrem retenção de 15% de IR na fonte, feita pela instituição — tributação definitiva para pessoa física residente, sem necessidade de o investidor emitir DARF; (2) o ganho de capital na venda das cotas é apurado pelo próprio investidor, à alíquota de 15% (operações comuns) ou 20% (day trade), e recolhido via DARF.

Diferente das ações, os ETFs de renda variável na B3 não têm a isenção de R$ 20 mil por mês válida para vendas de ações individuais. Portanto, qualquer ganho de capital na venda de cotas do COIN11 é tributável, independentemente do valor da operação. Também não há come-cotas.

Quanto aos proventos mensais, o imposto já chega descontado: o valor creditado na conta do investidor é líquido de 15%. Instruções que orientam o cotista a emitir DARF sobre proventos estão equivocadas e podem levar a recolhimento em duplicidade. Confira sempre o informe de rendimentos fornecido pela corretora e pelo administrador do fundo.

Exemplo numérico de cálculo de IR sobre ganho de capital:

  • Compra: 100 cotas por R$ 10.000 (custo de aquisição)
  • Venda: 100 cotas por R$ 12.000 (valor realizado)
  • Ganho de capital: R$ 12.000 − R$ 10.000 = R$ 2.000
  • IR a recolher (15%): R$ 2.000 × 0,15 = R$ 300
  • Resultado líquido: R$ 11.700 (depois de IR)
  • Rendimento efetivo: 17% sobre o custo de aquisição, em vez de 20% bruto

Como declarar o COIN11 no IRPF:

  • Ficha Bens e Direitos: Grupo 07 (Fundos), item 09 (Demais fundos)
  • Informar: CNPJ do fundo, ticker (COIN11), quantidade de cotas e custo de aquisição
  • Saldo: informar o custo de aquisição em 31/12 — não o valor de mercado
  • Proventos recebidos: declarar na ficha de Rendimentos Sujeitos à Tributação Exclusiva/Definitiva, com base no informe de rendimentos (o IR de 15% já foi retido na fonte)
  • Ganho de capital: apurar mensalmente via programa GCAP da Receita Federal e recolher DARF até o último dia útil do mês seguinte à venda

Um ponto relevante: a Lei nº 14.754/2023 alterou de forma significativa a tributação de fundos e de investimentos no exterior, inclusive para veículos enquadrados como entidades de investimento. ETFs de Bitcoin listados na B3 são tratados como fundos de renda variável para fins fiscais — não como criptomoedas detidas diretamente. Portanto, as regras específicas de ganho de capital em cripto não se aplicam ao COIN11. Como o enquadramento pode ter particularidades, confirme o tratamento aplicável no regulamento do fundo e no informe de rendimentos, e consulte um contador em caso de dúvida.

O erro mais comum do cotista de COIN11 é esquecer de apurar o ganho de capital mensalmente e acumular obrigações fiscais sem recolher o DARF no prazo. Multas e juros sobre DARF em atraso podem corroer parte significativa dos proventos recebidos ao longo do ano. Mantenha controle das operações e use o programa GCAP para apuração correta.

Quais são os riscos reais de investir no COIN11?

O principal risco do COIN11 é a volatilidade do Bitcoin: quedas fortes do ativo reduzem o valor patrimonial das cotas mesmo com os dividendos recebidos, podendo resultar em retorno total negativo. A estratégia de covered call também limita o ganho em altas expressivas, e há exposição cambial relevante. Portanto, o COIN11 não é um substituto para ativos de renda fixa ou FIIs tradicionais.

Veja os riscos por categoria:

Risco de mercado: o Bitcoin é historicamente um dos ativos mais voláteis do mundo. Quedas de 15%, 20% ou mais em um único mês não são incomuns. Um cotista que recebeu proventos em um mês de queda forte pode ter tido resultado líquido negativo no período. Os proventos amortecem, mas não eliminam, o impacto de quedas expressivas.

Risco cambial: como a exposição é obtida via ativos denominados em dólar (ETF americano e T-Bills), a variação do USD/BRL afeta tanto a cota quanto o valor dos proventos convertidos em reais. Uma valorização do real frente ao dólar reduz o retorno em moeda local, ainda que o Bitcoin esteja estável.

Risco de estratégia: a venda de calls limita o upside. Em ciclos de alta forte do Bitcoin, o COIN11 tende a entregar menos valorização do que ETFs de acumulação pura. O cotista recebe os prêmios, mas abre mão de parte do ganho potencial no ativo subjacente.

Risco de liquidez: ETFs de nicho podem ter volume de negociação menor na B3. Em momentos de estresse, o spread entre compra e venda das cotas pode se ampliar, tornando a entrada ou saída mais custosa do que o esperado. Verifique o volume médio diário antes de alocar valores relevantes.

Risco regulatório: a CVM e a Receita Federal podem alterar as regras aplicáveis a ETFs de criptoativos. Mudanças na tributação de proventos ou na estrutura permitida para esses fundos afetariam diretamente o modelo do COIN11. Acompanhe as normas da CVM regularmente.

Risco de percepção: comparar o COIN11 com ações de dividendos tradicionais é um erro conceitual. Uma empresa de utilities que paga dividendos distribui lucro operacional recorrente de um negócio estável. O COIN11 distribui prêmios de derivativos e juros de curto prazo sobre uma exposição altamente volátil. O perfil de risco é radicalmente diferente.

Investidores que alocam no COIN11 esperando uma “renda passiva segura” estão assumindo um risco que pode não estar alinhado com seu perfil. A Renova Invest orienta que a exposição a ETFs de cripto com renda, como o COIN11, deve ser dimensionada como parte da parcela de risco do portfólio — não como substituto de renda fixa ou fundos imobiliários.

Em resumo: o COIN11 é um produto sofisticado, adequado para investidores que entendem o mecanismo de covered call, aceitam a volatilidade do Bitcoin e o risco cambial, e buscam monetizar essa volatilidade em forma de renda mensal. Para quem está começando no mercado financeiro, é recomendável primeiro compreender como construir renda passiva com investimentos menos voláteis antes de alocar em estruturas como essa.

Resumo prático

  • O COIN11 é um ETF listado na B3 que distribui proventos mensais a partir de uma estratégia de covered call executada no nível do índice americano de referência; a exposição é obtida via ETF americano BTCI e títulos do Tesouro dos EUA de curto prazo, e não por Bitcoin detido diretamente no Brasil.
  • A meta de distribuição varia conforme as condições de mercado: em janeiro de 2026 foram R$ 1,4664/cota; no último pagamento confirmado, referente a agosto de 2026 e creditado em 09/09/2026, R$ 0,8571/cota (valores brutos).
  • Diferente de HASH11, QBTC11 e BITH11, o COIN11 não é um fundo de acumulação pura — parte do potencial de valorização é trocada por renda mensal.
  • Tributação em dois regimes: proventos mensais com 15% de IR retido na fonte (tributação definitiva, sem DARF pelo investidor) e ganho de capital na venda das cotas a 15% (ou 20% em day trade), apurado pelo investidor e pago via DARF, sem isenção de R$ 20 mil/mês e sem come-cotas.
  • Os riscos centrais são a volatilidade do Bitcoin e a exposição cambial USD/BRL: proventos mensais não eliminam o impacto de quedas expressivas — o retorno total pode ser negativo mesmo com dividendos.
  • Declare o COIN11 na ficha Bens e Direitos do IRPF (Grupo 07, item 09), informando CNPJ, ticker, quantidade de cotas e custo de aquisição. Ganhos de capital são apurados mensalmente via GCAP.

Perguntas frequentes sobre o COIN11

O COIN11 paga dividendos todo mês?

Sim, o COIN11 tem política de distribuição mensal de proventos. Os pagamentos ocorrem regularmente, mas o valor por cota varia a cada mês conforme os prêmios arrecadados na venda de opções e os juros da carteira de curto prazo. Não existe valor fixo garantido: nos meses já pagos de 2026, os valores brutos variaram aproximadamente entre R$ 0,86 e R$ 1,4664 por cota, conforme a tabela de histórico acima — que deve ser confirmada no informe da administradora.

Qual a diferença entre COIN11 e HASH11?

O COIN11 distribui proventos mensais originados em estratégia de covered call sobre exposição a Bitcoin; o HASH11 é um ETF de acumulação que investe em uma carteira diversificada de criptoativos e não distribui rendimentos em dinheiro. No HASH11, o retorno vem da valorização das cotas. No COIN11, parte do retorno é antecipada em forma de renda mensal, mas o upside em altas fortes do Bitcoin é limitado pela estratégia de opções.

Os dividendos do COIN11 são isentos de IR?

Não. Os proventos distribuídos pelo COIN11 sofrem retenção de 15% de Imposto de Renda na fonte, de forma definitiva para pessoa física residente — o investidor recebe o valor já líquido e não precisa emitir DARF sobre esses proventos. Diferente dos dividendos de ações ou dos rendimentos de FIIs (que têm isenção para pessoa física quando cumpridos os requisitos), aqui não há isenção. Além disso, ganhos de capital na venda das cotas são tributados a 15% (operações comuns) ou 20% (day trade), sem isenção de R$ 20 mil/mês. Confira a seção de tributação deste artigo para detalhes completos.

Quanto rende o COIN11 por mês em 2026?

Nos meses já pagos de 2026, os proventos mensais do COIN11 variaram entre aproximadamente R$ 0,86 e R$ 1,47 por cota (valores brutos), o que representou um DY mensal aproximado entre 1,5% e 2,3%. Anualizações a partir desses números não representam taxa fixa e ignoram a variação do valor das cotas, que oscila com o Bitcoin e com o câmbio. O retorno total pode ser positivo ou negativo. Veja a tabela de proventos na seção “Qual o dividend yield real do COIN11 em 2026?”.

Como declarar o COIN11 no Imposto de Renda?

Declare o COIN11 na ficha Bens e Direitos do IRPF, no Grupo 07 (Fundos), item 09 (Demais fundos). Informe o CNPJ do fundo, o ticker COIN11, a quantidade de cotas e o custo médio de aquisição. O saldo declarado deve ser o custo de aquisição em 31/12 — não o valor de mercado. Os proventos, já tributados na fonte, vão na ficha de Rendimentos Sujeitos à Tributação Exclusiva/Definitiva, conforme o informe de rendimentos. Ganhos de capital na venda são apurados mensalmente via programa GCAP e recolhidos via DARF até o último dia útil do mês seguinte. Consulte a seção “Como o COIN11 é tributado no Imposto de Renda?” para instruções passo a passo.

A diferença entre entender o COIN11 e aplicar nele sem critério pode ser expressiva no longo prazo. O fundo oferece uma proposta real de renda mensal com exposição a cripto — mas o risco de volatilidade do Bitcoin e a variação cambial podem superar os proventos recebidos em cenários adversos. Se você quer estruturar uma carteira que equilibre renda e risco de forma adequada ao seu perfil, fale com um assessor da Renova Invest — podemos calcular quanto de sua carteira deve estar alocado em COIN11 versus ativos menos voláteis, e quais estratégias fazem mais sentido para seus objetivos financeiros específicos.

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CDI hoje
13,65% a.a.
  • Meta Selic13,75%
  • CDI 12 meses14,47%
  • CDI em 202611,57%
Ver CDI e simulação →
Fonte: Banco Central · 28/10/2026
Dólar hoje
R$5,3738
  • Variação no dia+0,61%
  • Dólar em 2026-1,87%
  • PTAX 29/10R$ 5,3744
Ver cotação e gráfico →
Fonte: Brapi e Banco Central · 29/10/2026 às 13h11

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