Receita de R$ 3,1 bilhões e primeiro IPO em cinco anos marcam o melhor desempenho recente da bolsa
A B3 S.A. – Brasil, Bolsa, Balcão encerrou o segundo trimestre de 2026 com receita total de R$ 3,1 bilhões, avanço de 12,2% sobre o mesmo período de 2025 e recuo de 3,8% na comparação com o 1T26 — reflexo do sazonalidade típica que concentra ofertas e volumes no início do ano. O EBITDA recorrente atingiu R$ 1,9 bilhão, com margem de 70,2%, e o lucro líquido recorrente chegou a R$ 1,4 bilhão, alta de 8,0% na comparação anual. O trimestre foi marcado por um evento simbólico para o mercado de capitais brasileiro: o primeiro IPO em cinco anos, movimentando R$ 3,0 bilhões dentro de um volume total de R$ 11,6 bilhões em ofertas públicas.
- Receita total: R$ 3,081 bilhões (YoY +12,2% | QoQ -3,8%)
- Receita líquida: R$ 2,766 bilhões (YoY +8,8% | QoQ -3,7%)
- EBITDA recorrente: R$ 1,939 bilhão (YoY +13,0% | QoQ -5,6%)
- Margem EBITDA recorrente: 70,2% (+47 bps YoY | -139 bps QoQ)
- Lucro líquido recorrente: R$ 1,377 bilhão (YoY +8,0% | QoQ -8,2%)
- Lucro líquido recorrente por ação: R$ 0,28 (YoY +12,3% | QoQ -8,1%)
- ADTV – Renda Variável: R$ 31,3 bilhões (YoY +20,1% | QoQ -10,1%)
- ADV – Derivativos: 11,1 milhões de contratos (YoY -8,3% | QoQ -15,8%)
- Distribuições no trimestre: R$ 1,3 bilhão (R$ 1,1 bi em JCP + R$ 196,9 mi em recompras)
Acima do histórico recente, mas abaixo do 1T26: o que os números dizem na comparação
O resultado do 2T26 precisa ser lido em duas dimensões. No eixo anual — que é o mais relevante para avaliar tração de negócios —, a B3 entregou expansão em todos os indicadores-chave. Receita, EBITDA e lucro cresceram entre 8% e 13%, sustentados por uma combinação de volume, repricing de tarifas e crescimento estrutural em verticais como renda fixa e data analytics. No eixo sequencial, o recuo é esperado: o 1T26 foi excepcionalmente forte, com receita total de R$ 3,2 bilhões e lucro recorrente por ação de R$ 0,30, números que, segundo cobertura especializada da época, superaram as estimativas de mercado e foram qualificados como recordes pela própria companhia. Portanto, a queda de 8,2% no lucro recorrente do 1T26 para o 2T26 não representa deterioração, mas normalização de um pico.
No plano anual, o crescimento de 12,3% no lucro por ação recorrente — de R$ 0,25 no 2T25 para R$ 0,28 no 2T26 — é ainda mais expressivo do que o crescimento do lucro absoluto (8,0%), o que reflete o efeito do programa sistemático de recompra de ações: desde 2021, a B3 recomprou cerca de 19% do seu capital social, reduzindo o denominador e amplificando o retorno por papel. As ações em tesouraria somavam 48 milhões ao fim de junho. Segundo a cobertura de analistas registrada no ciclo do 1T26, o viés de mercado para o nome seguia construtivo após a sequência de resultados acima das estimativas — mas sem preço-alvo atualizado disponível nas fontes apuradas para o 2T26.
Renda variável e ofertas públicas puxam para cima; derivativos e empréstimo de ativos pressionam
Os motores do crescimento
O segmento de Renda Variável foi o principal acelerador do trimestre. O ADTV de ações à vista saltou de R$ 26,1 bilhões no 2T25 para R$ 31,3 bilhões no 2T26, alta de 20,1%, com destaques para o crescimento de 41,8% em BDRs e de 73,6% em Fundos Listados. A receita do segmento avançou 22% na comparação anual, para R$ 692 milhões, puxada por negociação, pós-negociação e a retomada de ofertas. O IPO de R$ 3,0 bilhões — o primeiro desde 2021 — e o volume total de R$ 11,6 bilhões em ofertas contribuíram para o avanço de 25,8% em Soluções para Mercado de Capitais (R$ 201 milhões).
O segmento de Renda Fixa e Crédito também ganhou destaque, com receita de R$ 385 milhões, alta de 17% no ano, sustentada pelo estoque crescente de instrumentos em ambiente de juro elevado. O estoque de renda fixa avançou 16,5%, com o estoque de debêntures subindo 14,4%. A vertical de Tecnologia e Plataformas somou R$ 527 milhões (+15,7% YoY), beneficiada pelo aumento do número de clientes Balcão (+8,7%) e pelo crescimento de 21,7% no estoque médio de cotas de fundos. Em Soluções Analíticas de Dados, a receita de R$ 315 milhões cresceu 22%, com destaque para o novo modelo de cobrança do SNG, que adicionou R$ 27,5 milhões de receita incremental — com contrapartida integral na linha de despesas atreladas ao faturamento.
Os vetores de pressão
O segmento de Derivativos apresentou queda de 1% na receita anual (R$ 882 milhões), com o ADV recuando 8,3% em razão do menor volume de criptoativos — produto que havia inflado as comparações de 2025. A RPC média subiu 4,1%, parcialmente compensando o volume menor e refletindo o melhor mix de Taxas de Juros em R$ (+6,7% em ADV) e Índices de Ações (+20,4%). O segmento de Empréstimo de Ativos caiu 5,6% no ano (R$ 75 milhões), afetado pela redução da taxa média do doador. No lado das despesas, o salto de 22% em Pessoal e Encargos (R$ 459,8 milhões), que inclui despesas extraordinárias com mudanças na Diretoria Executiva de R$ 40,5 milhões e maior provisão de PLR, foi o principal vetor de pressão — compensado pelo controle em depreciação e amortização (-1,6%) e pela redução de provisões (-43,7%).
O que o resultado muda na tese: alavancagem estável, remuneração robusta e ação perto do piso do ano
Para o investidor, o 2T26 apresenta um quadro de solidez operacional com atenção a dois pontos: despesas e múltiplo. A alavancagem financeira ficou em 2,0x dívida bruta/EBITDA recorrente LTM, estável em relação ao 1T26 e ao 2T25, com dívida bruta de R$ 14,9 bilhões. O cronograma de amortização é gerenciável: a próxima obrigação relevante é o B3 Inova (US$ 250 milhões), com parcelas entre agosto de 2026 e novembro de 2027, seguida de debêntures com vencimentos entre 2027 e 2031. O spread médio das debêntures sobre o DI recuou de 1,77% em 2022 para 0,57% no 2T26, sinal de melhora de percepção de crédito pelo mercado.
A política de remuneração ao acionista segue intensa. No 2T26, a B3 retornou R$ 1,3 bilhão entre R$ 356 milhões em JCP ordinário, R$ 750 milhões em JCP extraordinário e R$ 196,9 milhões em recompras. No acumulado de seis meses, os proventos somaram R$ 1,479 bilhão — mais do que o dobro dos R$ 706 milhões distribuídos no mesmo período de 2025. O retorno por ação circulante foi de R$ 0,26 no trimestre.
No mercado secundário, o papel B3SA3 é negociado a R$ 14,29, com queda de 2,59% na sessão mais recente, market cap de R$ 71,3 bilhões e distância de 30% em relação à máxima de 52 semanas de R$ 20,33 — uma amplitude que revela a pressão competitiva e macroeconômica sobre o múltiplo da companhia nos últimos doze meses. A mínima de 52 semanas foi de R$ 12,12, e o papel opera 18% acima desse piso, sugerindo que o mercado já precificou parte da recuperação operacional — mas ainda não voltou aos patamares de 2024. O ponto de atenção central segue sendo a linha de despesas: o crescimento de 15,5% nas despesas totais, acima dos 12,2% de receita, comprimiu levemente a conversão de receita em lucro e será monitorado pelo mercado nos próximos trimestres.
Próximos passos: teleconferência, agenda de produtos e sinais para o segundo semestre
A B3 realizou sua teleconferência de resultados do 2T26 em 12 de agosto de 2026, onde executivos devem detalhar os drivers de cada segmento, a perspectiva para volumes no segundo semestre e o ritmo de investimentos em tecnologia. No front operacional, três iniciativas merecem acompanhamento: o início da produção assistida da duplicata escritural em julho — que pode ampliar a receita de registro e custódia de crédito —, o programa de formadores de mercado para debêntures, que busca dar liquidez ao mercado secundário de dívida corporativa, e os novos contratos de eventos financeiros vinculados ao PIB e IPCA, que diversificam a grade de derivativos. Também vale monitorar a expansão dos ativos elegíveis ao RLP (Retail Liquidity Provider) e o lançamento de novos índices da família B3 Tesouro IPCA. A retomada do mercado de IPOs — após cinco anos de seca — é o sinal mais relevante para a tese estrutural: se o pipeline de ofertas ganhar tração no 2S26, o segmento de Soluções para Mercado de Capitais tem espaço para crescimento adicional acima das receitas recorrentes. Por fim, o mercado acompanhará se a companhia manterá o ritmo de distribuições extraordinárias de capital, dado o nível de caixa gerado — R$ 3,9 bilhões antes de distribuições nos primeiros seis meses de 2026.
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