O que esperar da economia e do mercado financeiro em 2023?

2023

Renova Invest · 1 de janeiro de 2023

📌 Nota editorial (junho/2026): Este artigo foi publicado em janeiro de 2023 e apresenta as projeções e perspectivas econômicas que o mercado tinha para aquele ano, com base nos dados disponíveis em dezembro de 2022. Os indicadores (Selic, IPCA, câmbio, PIB) refletem o cenário de então. Para informações atualizadas sobre o cenário econômico brasileiro, confira as análises mais recentes do blog da Renova Invest.

Com a chegada do ano novo cada vez mais próxima, chegou a hora de analisar e ponderar o que fazer com o seu dinheiro em 2023. Não há dúvidas que o ano foi bem agitado e reservou fortes emoções para o investidor, mas nem tudo é ruim. Agora, vamos ver o que está por fim e o mais importante, como investir da melhor forma!

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Vamos nessa? 

De acordo com a análise da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), a previsão de crescimento do PIB brasileiro em 2023 seria de 1,2%, abaixo da média mundial de 2,2%. O relatório explicava que a atividade econômica no Brasil havia acelerado acima do esperado no primeiro e segundo trimestres de 2022, porém o crescimento havia perdido força no terceiro trimestre.

A expansão menor da economia brasileira projetada refletia a deterioração das previsões globais, da política fiscal mais apertada e dos efeitos dos aumentos dos juros nos últimos meses para conter a temida inflação.

Inclusive, mesmo ficando novamente abaixo da média mundial, o PIB brasileiro deveria crescer mais que o americano e da zona do euro, em que ambos contavam com expansão estimada em 0,5% e da média de 38 países da OCDE, projetada em 0,8%. A instituição previa uma leve melhoria do PIB brasileiro em 2024, com crescimento estimado em 1,4%, abaixo da média mundial, que deveria ser de 2,7%.

Preços mais baixos das commodities e a desaceleração econômica em grandes parceiros comerciais iriam reduzir a demanda externa. Condições de crédito mais rigorosas iriam limitar o consumo dos lares, como também uma desaceleração na geração de empregos em 2023 no Brasil, segundo o estudo.

Já sobre o investimento privado, seria um ponto que continuaria subindo no Brasil por conta da maior confiança empresarial. A previsão para o novo ano era de que a política monetária seguisse restritiva e a taxa de juros se mantivesse no mesmo patamar. 

E a inflação? Assunto que não saiu das notícias de jornais e relatórios macroeconômicos. O mesmo estudo previa que o índice no país deveria diminuir durante o período de projeção à medida que os efeitos dos preços mais altos da energia e dos alimentos se ajustassem. Segundo a OCDE, a taxa deveria cair de 8,9% ao ano em 2022 para 4,2% em 2023, subindo para 4,5% em 2024 com o aumento da retomada econômica.

Outro ponto importante era que, se a isenção de tributos federais sobre os combustíveis e o aumento do programa de renda, o Auxílio Brasil, fossem mantidos, poderia ser complicado para o Brasil conciliar isso com as regras orçamentárias. A necessidade de uma política fiscal mais restritiva tinha sido bastante discutida para reduzir o déficit e com isso, conter a dívida pública em 2023.

Maiores desafios previstos para 2023 

Com um histórico econômico repleto de acontecimentos ruins, a expectativa era de que os desafios continuassem. A economia global deveria crescer 3,1% em 2022, ou seja, cerca de metade do ritmo observado em 2021, de 5,9%, durante a recuperação registrada a partir do início da pandemia de Covid-19.

“A guerra na Ucrânia tem um efeito negativo persistente sobre as condições econômicas”, dizia o relatório da organização. Para a OCDE, o crescimento econômico mundial havia perdido seu impulso e a inflação alta se mantinha persistente. Ao mesmo tempo, a confiança diminuía e as incertezas eram elevadas.

Inflação alta, juros em elevação e desaquecimento do nível de atividade seriam fatores presentes em 2023. Limitando o cenário ao Brasil, o impacto da política monetária e o ritmo de expansão da atividade econômica eram pontos de atenção em um futuro nem tão distante. 

Mas as milhões de pessoas que ficaram desempregadas nos últimos anos, muito por conta do cenário da pandemia, poderiam ter um pouco mais de esperança. Isso porque o mercado de trabalho seguia em trajetória positiva, com a queda da taxa de desocupação, recuperação dos rendimentos e aumento da massa salarial real. 

Para não esquecer: estimativas do Focus em dezembro de 2022

Veja as estimativas de acordo com o Relatório Focus, elaborado pelo Banco Central e disponível na última segunda (19) de dezembro de 2022:

  • Inflação: A projeção para o IPCA foi de 5,79% para 5,76% em 2022. Já para 2023, a expectativa era de 5,17%, enquanto para 2024 continuava em 3,50%.
  • PIB: O mercado mantinha a previsão de crescimento em 3,05% para 2022. Para 2023, a estimativa era de 0,79%.
  • Selic: Após vários aumentos para conter a inflação, a taxa estava em 13,75% no fim de 2022, com possibilidade de queda em 2023.
  • Câmbio: A previsão para o dólar era de R$ 5,25 para o período projetado.

Como as perspectivas de 2023 afetavam o mercado financeiro

As previsões econômicas afetam a confiança das pessoas no mercado. Com base no cenário projetado para 2023, algumas variações eram esperadas:

  • Ações no setor de educação, varejo e habitação popular poderiam ser mais beneficiadas;
  • Empresas estatais como Banco do Brasil e Petrobras continuariam com alta volatilidade;
  • Títulos de renda fixa pós-fixados e atrelados ao CDI e à Selic sofreriam com a provável queda de juros em 2023.

Com as incertezas e riscos globais acerca do cenário econômico de 2023, uma opção bacana era manter uma carteira “dolarizada”, incluindo ações que pagam dividendos que deveriam sofrer menos com a crise. Investir no longo prazo evita as perdas imediatas, se houver recessão. A diversificação oferece proteção e resiliência — uma lição que permanece válida independentemente do ano.

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