VVAR3, VIIA3 e BHIA3: a história completa da Via Varejo na bolsa

VVAR3, VIIA3 e BHIA3: a história completa da Via Varejo na bolsa

Poucos papéis da bolsa brasileira acumulam tantas mudanças de nome, de controle e de tese de investimento quanto o antigo VVAR3. De VVAR3 a BHIA3, a trajetória é um retrato de como rebranding, troca de controlador e estratégias ambiciosas de expansão podem impactar — para bem ou para mal — o valor de uma ação.

O que aconteceu com VVAR3? Houve, primeiro, uma mudança de nome: para VIIA3 (Via S.A.) em 2021 e, depois, para BHIA3 (Grupo Casas Bahia) em 2023. Quem tinha ações em qualquer dessas fases continuou dono do mesmo negócio, sem precisar mover um dedo. Mas o desfecho recente é muito mais grave do que uma simples troca de código: em 16 de agosto de 2026, o Grupo Casas Bahia e subsidiárias protocolaram pedido de recuperação judicial, com cerca de R$ 17,3 bilhões em dívidas sujeitas ao processo. A partir de 18 de agosto, a B3 passou a identificar a companhia como em recuperação judicial e determinou sua exclusão de diversos índices. Entender essa história é essencial antes de sequer considerar o papel.

O que é a Via Varejo e por que o ticker mudou?

Hoje, o Grupo Casas Bahia S.A. — negociado sob o ticker BHIA3 — é a mesma empresa que já operou como VVAR3. Cada troca de nome correspondeu a uma alteração do estatuto social, aprovada em assembleia e comunicada ao mercado. Na prática, o ticker é apenas um código operacional: quando o nome corporativo muda, a B3 atualiza o símbolo para refletir a nova identidade.

Para o investidor, a transição de código é transparente: a posição na custódia permanece, o histórico é mantido e nenhuma ordem precisa ser executada. A cronologia da companhia na bolsa, porém, é mais antiga do que a maioria imagina:

  • 1996: a Globex Utilidades (dona do Ponto Frio) abre capital e passa a ser negociada na bolsa.
  • 2012: a Globex é rebatizada como Via Varejo S.A., após a integração com as Casas Bahia.
  • Dezembro de 2013: oferta pública secundária de units, que ampliou o free float.
  • 26 de novembro de 2018: migração para o Novo Mercado, com conversão das preferenciais e fim das units.
  • VVAR3: ticker das ordinárias até agosto de 2021.
  • VIIA3: de 5 de agosto de 2021 a setembro de 2023, como Via S.A.
  • BHIA3: desde 20 de setembro de 2023, como Grupo Casas Bahia S.A.
  • 28 de dezembro de 2023: grupamento de ações na proporção de 25 para 1.

Portanto, quem pesquisar “VVAR3” hoje não encontrará o papel ativo — mas isso não significa que a empresa desapareceu. Ela apenas migrou para um novo código. A confusão é comum, especialmente entre investidores que acompanham o mercado há menos tempo.

Além disso, em 2018 a empresa encerrou o programa de units VVAR11, instrumento que agrupava ações ordinárias e preferenciais em um único papel negociável. Até então, a companhia estava listada no Nível 2 de governança, segmento que admite ações preferenciais. Em 26 de novembro de 2018, ela concluiu a migração para o Novo Mercado, convertendo as preferenciais (VVAR4) em ordinárias na proporção de 1 para 1 e encerrando as units.

De fato, o Novo Mercado é o segmento mais exigente em governança corporativa da B3: exige que todas as ações sejam ordinárias (com direito a voto) e prevê tag along de 100%, ou seja, em caso de alienação de controle o adquirente deve estender aos minoritários, via oferta pública, o mesmo preço pago ao controlador.

Para o investidor pessoa física, a implicação é clara: comprar BHIA3 hoje significa adquirir participação na mesma empresa que, décadas atrás, vendia eletrodomésticos nas Casas Bahia e no Ponto Frio. No entanto, os fundamentos financeiros mudaram drasticamente ao longo dos anos.

Consulte as regras do Novo Mercado na B3 para entender como essas proteções funcionam na prática.

Das Casas Bahia ao Ponto Frio: como nasceu a Via Varejo

A história da companhia começa muito antes da oferta de 2013. Ela é o resultado da combinação entre duas gigantes do varejo brasileiro: a Casas Bahia, fundada por Samuel Klein em 1957, e o Ponto Frio, cuja controladora Globex passou ao Grupo Pão de Açúcar (GPA) em 2009. A integração dessas redes, porém, não foi simples.

Em resumo, o GPA adquiriu o controle da Globex em 2009, enquanto a família Klein buscava um sócio estratégico para modernizar a gestão das Casas Bahia. Em 2010, ambos uniram forças: as operações da Casas Bahia foram incorporadas à estrutura da Globex, criando o que se tornaria a Via Varejo. Na época, a empresa combinada operava cerca de 1.000 lojas em todo o país, além de centros de distribuição e plataformas de crédito ao consumidor.

A integração de 2010: desafios operacionais

A fusão trouxe desafios que ecoariam por anos. Por exemplo, as Casas Bahia tinham um modelo de negócios muito centrado no crediário próprio para consumidores de baixa renda, enquanto o Ponto Frio atendia um público de classe média, mais urbano e com menor dependência do crédito da própria loja. Integrar operações com culturas e mixes tão distintos exigiu investimentos pesados em gestão, TI e logística.

Consequentemente, para quem comprou ações após a oferta de 2013, o risco era claro: o sucesso da empresa dependeria da capacidade da gestão de consolidar essas diferenças e extrair sinergias. Até hoje, essa integração é citada por analistas como um dos fatores que dificultaram o desempenho consistente da empresa.

Em 2012, após a consolidação operacional, a Globex foi rebatizada como Via Varejo S.A., formalizando a nova identidade corporativa. A empresa operava sob controle do GPA, que detinha participação majoritária.

Para quem investia na companhia naquela fase, o ativo subjacente incluía:

  • Uma rede de cerca de mil lojas físicas.
  • Operações de crédito ao consumidor, essenciais para financiar vendas.
  • Plataformas de e-commerce ainda em desenvolvimento.
  • Uma carteira de imóveis comerciais e centros de distribuição.

A oferta secundária de 2013 e os primeiros anos na bolsa: VVAR3 explicado

Em dezembro de 2013, a Via Varejo realizou uma oferta pública secundária de units na B3, de aproximadamente R$ 2,845 bilhões. Não foi um IPO: a companhia aberta já existia desde o IPO da Globex, em 1996. Por ser secundária, a operação não trouxe recursos ao caixa da empresa — o dinheiro foi para os vendedores. Os principais foram a família Klein (aproximadamente R$ 1,9 bilhão) e o GPA (cerca de R$ 896 milhões).

VVAR3: o único papel negociado após 2018

Após a migração ao Novo Mercado, apenas ações ordinárias (VVAR3) permaneceram em negociação. Para quem ainda encontra referências ao VVAR11 em carteiras ou pesquisas, é importante esclarecer que as units existiram apenas até 2018.

De fato, uma unit era um certificado que agrupava diferentes classes de ações em um único papel negociável. No caso da Via Varejo, cada VVAR11 correspondia a:

  • 1 ação ordinária (VVAR3) — com direito a voto.
  • 2 ações preferenciais (VVAR4) — sem direito a voto, mas com preferências patrimoniais definidas em estatuto.

Dessa forma, as units simplificavam a negociação para investidores que queriam exposição à empresa sem comprar as classes separadamente. Essa estrutura era compatível com o Nível 2, mas não com o Novo Mercado, que admite apenas ações ordinárias.

Foi justamente por isso que, ao migrar de segmento em 26 de novembro de 2018, a companhia converteu cada VVAR4 em uma VVAR3 e encerrou o programa de units. O ticker VVAR11 deixou de existir.

Em resumo, no plano societário, cada unit passou a corresponder mecanicamente a três ações ordinárias, sem alienação compulsória da posição — embora o valor de mercado dessa posição continuasse sujeito às oscilações normais da bolsa.

Os primeiros anos na bolsa foram marcados por volatilidade. A empresa enfrentou pressão de margens, concorrência crescente do e-commerce e desafios operacionais. O cenário macroeconômico brasileiro entre 2014 e 2016 — recessão, desemprego elevado e queda do consumo — afetou especialmente o varejo de bens duráveis.

A saída do GPA e a pulverização do controle em 2019

Em junho de 2019, o Grupo Pão de Açúcar (GPA) vendeu sua participação de 36,27% na Via Varejo em leilão na B3, a R$ 4,90 por ação, totalizando cerca de R$ 2,3 bilhões. A operação pulverizou o capital e deixou a companhia sem controlador definido. Acionistas ligados à família Klein passaram a ter participação relevante e influência na administração, mas não receberam formalmente o controle naquela transação.

Por outro lado, é importante entender como funciona a proteção do minoritário. O Novo Mercado prevê tag along de 100% quando há alienação de controle: nesse caso, o novo controlador deve realizar oferta pública aos minoritários pelo mesmo preço pago pelo bloco. Como a venda de 2019 resultou em uma companhia sem controlador definido, essa proteção não foi acionada naquela operação.

Consequentemente, o mercado reagiu de forma positiva à notícia. A percepção era de que a empresa ganharia agilidade sem os potenciais conflitos de interesse que existiam com o GPA. As ações se valorizaram no período seguinte.

A nova administração, com forte influência dos Klein, trouxe uma agenda clara: digitalização, expansão do e-commerce e desenvolvimento de serviços financeiros próprios. Na prática, a empresa investiu pesado em tecnologia, logística e marketplace, tentando competir diretamente com Magazine Luiza e Amazon.

No entanto, a governança se tornou ponto de atenção. A concentração de influência e certas decisões estratégicas geraram críticas de analistas e investidores institucionais. Vale destacar: o tag along protege na alienação do controle, mas não garante alinhamento de interesses no dia a dia.

Por que o pico de 2020 não se sustentou

Em 2020, impulsionada pelo boom do e-commerce durante a pandemia, a ação atingiu sua máxima histórica. Em valores nominais negociados na época, o papel chegou à faixa de cerca de R$ 20 a R$ 22. Atenção: gráficos atuais mostram números muito maiores para aquele período porque as cotações são ajustadas retroativamente pelo grupamento de 25 para 1 realizado em 28 de dezembro de 2023 — sem esse contexto, a comparação com preços de hoje é enganosa.

Três fatores explicam o colapso posterior:

Primeiro, a normalização do consumo digital. Durante o lockdown, as vendas online explodiram. Quando as lojas físicas reabriram, o ritmo de crescimento desacelerou. A empresa, que havia apostado em expansão agressiva, viu margens encolherem e estoques se acumularem.

Segundo, a concorrência com múltiplos mais altos. A Magazine Luiza se posicionou como empresa de tecnologia, atraindo investidores institucionais com avaliações generosas. A Amazon intensificou sua presença no Brasil, e a Via Varejo, ainda vista como varejista tradicional, teve dificuldade para competir em narrativa e em preços.

Terceiro, e mais crítico: o crescimento acelerado da dívida líquida. Para financiar a expansão, a empresa tomou empréstimos pesados. A alavancagem saiu de patamares moderados em 2019 e atingiu níveis preocupantes entre 2021 e 2022. Em contrapartida, as margens pressionadas reduziram a capacidade de geração de caixa, aumentando o risco percebido pelo mercado.

Em resumo, mudanças de controle podem criar valor, mas a execução da estratégia é o que define o resultado de longo prazo. Rebranding não substitui resultados financeiros consistentes.

De VVAR3 para VIIA3: por que a empresa mudou de nome em 2021?

Em 5 de agosto de 2021, a Via Varejo S.A. passou a se chamar Via S.A., e o ticker mudou de VVAR3 para VIIA3. A alteração foi aprovada em assembleia e comunicada ao mercado. O processo na B3 é padrão: a empresa convoca a assembleia, aprova a mudança do estatuto, registra o ato na Junta Comercial e notifica a bolsa. Em poucos dias úteis, o novo código entra em vigor.

Para o investidor, o impacto operacional é nulo. As ações permanecem na custódia sob o novo código e o histórico de preços é preservado. Ordens abertas podem precisar ser recolocadas, mas a posição em si não sofre alterações.

A lógica do rebranding: de varejista para “plataforma de tecnologia”

Segundo a comunicação oficial da companhia, a nova marca buscava unificar o posicionamento da Via junto ao consumidor e refletir a integração entre lojas, marketplace, logística e serviços. No mesmo movimento, a marca Pontofrio passou a se chamar Ponto.

Uma leitura frequente no mercado, que aqui se apresenta como análise e não como intenção declarada, era de que o nome neutro e moderno ajudaria a afastar a imagem de varejista tradicional e a aproximar a empresa das companhias de tecnologia — com potencial efeito sobre múltiplos e sobre o interesse de investidores institucionais. A tendência setorial reforçava essa interpretação: a Magazine Luiza havia se reinventado como “Magalu” e o Americanas investia em infraestrutura digital.

Em agosto de 2021, parte do mercado ainda comprava essa narrativa. Qualquer avaliação sobre desempenho de caixa naquele momento, porém, exige olhar as demonstrações financeiras do período — e não a percepção de mercado.

O ponto central é que rebranding não substitui resultado financeiro. Em 2022, a empresa seguiu com dívida crescente, margens pressionadas e concorrência intensa. O ticker VIIA3 ficou ativo por pouco mais de dois anos, período em que as ações despencaram.

De VIIA3 para BHIA3: a volta ao nome Casas Bahia em 2023

Em setembro de 2023, a Via S.A. adotou a denominação Grupo Casas Bahia S.A., e o ticker passou de VIIA3 para BHIA3 em 20 de setembro. A mudança reverteu o rebranding de 2021 e recolocou no centro a marca de maior reconhecimento popular do grupo.

O contexto era de crise. A empresa acumulava prejuízos, a dívida havia crescido de forma expressiva e o mercado precificava risco elevado de reestruturação. Em dezembro do mesmo ano, veio o grupamento de ações de 25 para 1, medida usual quando a cotação unitária fica muito baixa.

Consulte o histórico da empresa na B3 para acompanhar a evolução dos dados financeiros e das mudanças societárias.

Para quem tinha VIIA3, a troca de ticker foi automática, como nas mudanças anteriores.

Fundamentos financeiros: EBITDA, dívida e geração de caixa

A partir de 2023, o quadro se agravou. Em 2024, a companhia recorreu a uma recuperação extrajudicial (processo nº 1065066-61.2024.8.26.0100, na Justiça de São Paulo), envolvendo aproximadamente R$ 4,078 bilhões em dívidas, com alongamento de prazos e redução de encargos.

Houve também mudança estrutural no controle. Em 7 de agosto de 2025, a Mapa Capital converteu R$ 1,5 bilhão em debêntures em 558,7 milhões de novas ações ordinárias, alcançando cerca de 85,5% do capital social e tornando-se acionista controladora. A família Klein, que era acionista de referência desde 2019, deixou de ocupar essa posição.

Em 16 de agosto de 2026, o Grupo Casas Bahia e subsidiárias protocolaram pedido de recuperação judicial, com cerca de R$ 17,322 bilhões em dívidas sujeitas ao processo, acompanhado do fechamento de aproximadamente 298 lojas e do desligamento de cerca de 3.000 funcionários. Desde 18 de agosto, a B3 identifica a companhia como em recuperação judicial e a excluiu de diversos índices.

Os números do primeiro semestre de 2026 explicam a gravidade: prejuízo de R$ 11,181 bilhões, patrimônio líquido negativo de R$ 8,270 bilhões e insuficiência de capital circulante. No relatório de revisão das informações intermediárias de 30/06/2026, a EY absteve-se de concluir sobre as demonstrações e destacou incerteza relevante quanto à continuidade operacional.

Para o investidor, isso significa risco extremo. Recuperação judicial, patrimônio líquido negativo e dúvida do auditor sobre a continuidade das operações são fatores que podem levar à perda total ou quase total do capital do acionista, já que o acionista é o último a receber em qualquer reestruturação. O valor da marca ajuda no relacionamento com consumidores e fornecedores, mas não substitui geração de caixa consistente.

Antes de qualquer decisão sobre BHIA3, leia integralmente as demonstrações financeiras mais recentes, o relatório do auditor, o plano de recuperação judicial e os fatos relevantes publicados pela companhia. São esses documentos — e não o ticker — que contam a história real.

Perguntas Frequentes

O que aconteceu com VVAR3?

VVAR3 mudou de ticker para VIIA3 em 5 de agosto de 2021, quando a empresa alterou seu nome corporativo de Via Varejo S.A. para Via S.A. Essa mudança foi administrativa: quem tinha ações de VVAR3 viu sua posição ser atualizada automaticamente para VIIA3 na custódia, sem necessidade de ação e sem alteração na quantidade de ações. O valor de mercado da posição, naturalmente, seguiu oscilando conforme a cotação.

VIIA3 e BHIA3 são a mesma empresa?

Sim. VIIA3 (Via S.A.) e BHIA3 (Grupo Casas Bahia S.A.) representam o mesmo ativo em momentos diferentes. Em setembro de 2023, a Via S.A. reverteu o rebranding de 2021 e voltou ao nome “Casas Bahia”, com o ticker BHIA3 a partir de 20 de setembro. Quem tinha VIIA3 teve a posição migrada automaticamente. Em dezembro de 2023 houve, ainda, o grupamento de ações de 25 para 1, que reduziu a quantidade de papéis e elevou proporcionalmente a cotação unitária.

Por que a empresa mudou de nome duas vezes em dois anos?

Em 2021 (VVAR3 → VIIA3), a companhia comunicou que buscava unificar o posicionamento da marca Via e refletir a integração entre lojas, marketplace e serviços. Em 2023 (VIIA3 → BHIA3), retomou o nome histórico Casas Bahia, em um contexto de forte deterioração financeira. Uma leitura possível do mercado era de que a primeira mudança buscava aproximar a empresa das companhias de tecnologia e a segunda pretendia reancorar a companhia em sua marca mais reconhecida. Em resumo, rebranding é uma ferramenta de comunicação, mas não substitui resultados financeiros consistentes.

Quem controla o Grupo Casas Bahia hoje?

Conforme as informações societárias divulgadas pela companhia, o controle é exercido pela Domus VII Participações S.A., veículo integralmente controlado pela Mapa Capital, que detém cerca de 82,11% das ações. A Mapa Capital assumiu o controle em agosto de 2025, ao converter R$ 1,5 bilhão em debêntures em novas ações ordinárias. A família Klein não controla mais a companhia; Raphael Klein permanece como membro do conselho de administração. A empresa segue listada no Novo Mercado, mas identificada como em recuperação judicial desde agosto de 2026.

O que era VVAR11?

VVAR11 era uma unit, certificado de depósito que agrupava 1 ação ordinária (VVAR3) e 2 ações preferenciais (VVAR4) em um único papel negociável. As units facilitavam a negociação para quem não queria comprar as classes separadamente e eram compatíveis com o Nível 2 de governança, onde a companhia estava listada. Em 26 de novembro de 2018, com a migração ao Novo Mercado, cada preferencial foi convertida em uma ordinária e o programa de units foi encerrado — de modo que cada unit passou a corresponder, mecanicamente, a três ações ordinárias.

O Grupo Casas Bahia ainda opera as lojas Casas Bahia e Ponto?

Sim. O Grupo Casas Bahia S.A. (BHIA3) segue operando lojas físicas e canais digitais das marcas Casas Bahia e Ponto (nome adotado em 2021, em substituição a Pontofrio), agora no contexto da recuperação judicial protocolada em 16 de agosto de 2026, que envolveu o fechamento de cerca de 298 lojas. As marcas permanecem ativas no varejo brasileiro de eletrodomésticos e eletroeletrônicos, mas a continuidade das operações depende do andamento do processo.

Em resumo: VVAR3, VIIA3 e BHIA3 representam a mesma empresa em momentos distintos de sua trajetória na bolsa. As mudanças de nome e ticker refletiram estratégias corporativas, mas não alteraram a natureza do negócio — e não impediram a deterioração financeira que culminou na recuperação extrajudicial de 2024 e no pedido de recuperação judicial de 2026. Para o investidor, entender essa história é fundamental para avaliar, com realismo, os riscos por trás do ticker atual.

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Fonte: Banco Central · 10/09/2026

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