VGIA11: Guia Completo do Fiagro da Valora

VGIA11 é um Fiagro da Valora investido em CRAs. Entenda como funciona, quem pode investir e se vale a pena para sua carteira em 2025.
VGIA11: o que é, como funciona e vale a pena em 2026?

O VGIA11 é um Fiagro gerido pela Valora Investimentos, negociado na B3, que investe majoritariamente em Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRAs). fii papel fiagro Com patrimônio líquido de aproximadamente R$ 1,03 bilhão ao fim de junho de 2026 (conforme o Relatório de Gestão do fundo), ele distribui rendimentos mensais que podem ser isentos de IR para pessoas físicas que atendam aos requisitos legais. Entender como ele funciona ajuda o investidor a avaliar se esse ativo se encaixa em sua carteira de renda passiva. como ser assessor cdb o que

VGIA11 Valora CRA Fundo de Investimento nas Cadeias Produtivas Agroindustriais Fiagro Imobiliario FII FIAgro
R$ 8,39 1,45%
Cotação · atualizada há 5 horas
DY (12 meses) 19,7%
P/VP 1,06
Último rendimento R$ 0,13
Cotação de VGIA11 — últimos 6 meses
máx R$ 10,19 mín R$ 7,50

Fonte: B3 via Brapi. Valores podem ter atraso em relação ao pregão. Conteúdo informativo, não é recomendação de investimento.

Resposta direta: O VGIA11 é um fundo fechado da categoria Fiagro, listado na B3 sob gestão da Valora Investimentos. Ele capta recursos de cotistas e aloca preponderantemente em CRAs lastreados em operações do agronegócio, com exposição a cooperativas, distribuidoras e produtores em diversas unidades federativas. Os rendimentos mensais podem ser isentos de IR para pessoas físicas que cumpram as condições da Lei 11.033/2004. O ganho de capital na venda de cotas é tributado a 20%.

O que é o VGIA11?

O VGIA11 é um Fiagro gerido pela Valora Investimentos e negociado na B3 sob o ticker VGIA11 — um ativo real e regulado que não deve ser confundido com produtos similares como o VGBL (que é um plano de previdência complementar). Seu objetivo é gerar renda passiva para os cotistas por meio de investimentos em Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRAs). A gestora seleciona CRAs lastreados em operações de crédito do agronegócio, dentro de critérios definidos em sua política de investimento.

Por ser um fundo fechado, o VGIA11 não permite resgate direto de cotas. O investidor que deseja sair do fundo precisa vender suas cotas no mercado secundário da B3, assim como ocorre com os Fundos de Investimento Imobiliário (FIIs). Essa característica torna a liquidez dependente do volume negociado em bolsa.

Para comprar cotas do VGIA11, basta ter conta em uma corretora habilitada na B3 e digitar o ticker VGIA11 na plataforma de negociação. O preço da cota varia conforme oferta e demanda no mercado secundário. Portanto, o valor pago pode ser diferente do valor patrimonial da cota.

Considere um exemplo prático: um investidor adquire 100 cotas a aproximadamente R$ 9,70 cada (valor próximo ao negociado em meados de 2026), totalizando cerca de R$ 970 aplicados. Ele passa a ter direito aos rendimentos a partir do período em que estiver posicionado antes da data-base (data-com) do fundo, divulgada no calendário de proventos da B3. Esses proventos são creditados diretamente na conta da corretora, sem necessidade de qualquer ação adicional.

A Valora Investimentos é a gestora responsável pelas decisões de alocação do portfólio. Ela analisa os CRAs disponíveis no mercado, avalia o risco de crédito das operações e define quais títulos entram na carteira. Além disso, a gestora acompanha continuamente o desempenho dos devedores para monitorar eventos de crédito.

A B3 é o ambiente regulado onde as cotas são negociadas. O administrador fiduciário, BTG Pactual Serviços Financeiros, responde pelas obrigações regulatórias do fundo, enquanto a Valora, como gestora, divulga relatórios gerenciais e informações sobre a carteira no âmbito de suas atribuições. A CVM supervisiona o mercado. Dessa forma, o investidor tem acesso a informações atualizadas sobre a carteira e os rendimentos.

Na prática, o VGIA11 funciona como uma ponte entre o investidor de varejo e o mercado de crédito do agronegócio. Sem o fundo, acessar CRAs individualmente exigiria valores mínimos elevados e análise técnica especializada. Com o fundo, qualquer investidor com conta em corretora pode participar desse mercado a partir do preço de uma única cota.

Como funciona o VGIA11 na prática?

Diferente de um investimento em renda fixa tradicional, onde você acompanha títulos individuais, o VGIA11 funciona como uma cesta de CRAs gerenciada por especialistas. Essa estrutura oferece diversificação e reduz o risco de uma única operação de crédito impactar seus rendimentos.

O VGIA11 capta recursos via emissão de cotas na B3 e aloca esse capital preponderantemente em CRAs lastreados em operações do agronegócio brasileiro. Em junho de 2026, cooperativas representavam 35,6% da carteira de ativos, mas o fundo também tinha exposições relevantes a distribuidoras (31,7%), produtores (27,4%) e indústrias (5,3%), com operações distribuídas por 25 unidades federativas. Os juros recebidos dos devedores tendem a ser distribuídos mensalmente aos cotistas como rendimentos, conforme a política de distribuição do fundo.

Ciclo de captação e distribuição

O ciclo completo funciona em três etapas. Primeiro, a Valora identifica CRAs elegíveis no mercado, negocia as condições de aquisição e incorpora os títulos à carteira do fundo. Os CRAs são emitidos por securitizadoras — no caso do VGIA11, os relatórios apontam emissores como Opea, Província, Ecoagro, Canal, Virgo e Travessia — e têm como devedores ou integrantes do lastro empresas, cooperativas e produtores ligados ao agronegócio, que captam recursos para financiar a produção de grãos, insumos e equipamentos rurais.

Segundo, os devedores pagam juros referentes aos CRAs conforme os cronogramas contratuais. Esses recursos entram no caixa do fundo. A Valora, na qualidade de gestora, calcula o valor disponível para distribuição. A administradora do fundo então credita os rendimentos nas contas dos cotistas na data estabelecida pelo regulamento.

Terceiro, o investidor acompanha o desempenho via relatórios mensais divulgados pela gestora. Esses relatórios contêm informações sobre a composição dos CRAs, concentração por devedor e eventos de crédito — dados essenciais para avaliar se o fundo mantém seu padrão de risco.

Considere um cenário ilustrativo: o fundo detém um patrimônio líquido superior a R$ 1 bilhão alocado em CRAs de diferentes segmentos do agronegócio. Os CRAs remuneram, em média, uma taxa atrelada ao CDI ou ao IPCA acrescida de um spread de crédito. Os juros recebidos geram o fluxo de caixa que sustenta os proventos mensais.

É importante notar que os rendimentos do fundo não são garantidos nem necessariamente mais previsíveis, pois dependem do pagamento dos devedores, da alocação do caixa, das despesas e de eventos de crédito. Em julho de 2026, por exemplo, a Cooperativa Languiru deixou de pagar uma parcela de juros vencida — as exposições relacionadas a essa devedora somavam cerca de R$ 126,8 milhões, ou aproximadamente 12,34% do patrimônio líquido de junho. Esse tipo de evento reforça a necessidade de acompanhar de perto os relatórios de gestão e as garantias associadas às operações.

O papel da B3 vai além de ser o ambiente de negociação. A B3 administra o ambiente de negociação e liquidação das cotas, além de atuar como depositária central dos valores mobiliários registrados em seu sistema. A custódia e a tesouraria do fundo, por sua vez, são prestadas pelo Banco BTG Pactual S.A. Todas as transações de compra e venda de cotas passam pelo sistema de liquidação da B3, com prazo padrão de D+2 para liquidação financeira.

Para o investidor, o funcionamento prático é simples: comprar cotas, acompanhar os rendimentos mensais e monitorar o relatório da gestora. É importante observar indicadores como o dividend yield, a taxa de inadimplência dos CRAs e as novas emissões que podem diluir ou ampliar o portfólio. Esses dados estão disponíveis nos relatórios mensais da Valora e em plataformas como Status Invest e Investidor10.

O que é um Fiagro e por que o VGIA11 pertence a essa categoria?

Fiagro é a sigla para Fundo de Investimento nas Cadeias Produtivas Agroindustriais. Trata-se de uma categoria de fundo criada pela Lei 14.130/2021 e regulamentada pela CVM, que permite ao investidor pessoa física acessar o crédito do agronegócio via bolsa. O VGIA11 pertence a essa categoria porque seu regulamento segue as regras estabelecidas para os Fiagros.

A Lei 14.130/2021 criou o arcabouço legal para os Fiagros, inspirando-se na estrutura dos FIIs. Assim como os FIIs permitem ao investidor de varejo acessar o mercado imobiliário, os Fiagros democratizam o acesso ao financiamento do agronegócio. A CVM regulamentou os detalhes operacionais, incluindo limites de concentração e obrigações de divulgação.

É importante destacar uma atualização regulatória: a Resolução CVM 214, editada em 30/9/2024 e em vigor desde 3/3/2025, deu regulamentação específica aos Fiagros. As antigas divisões (FIAGRO-FII, FIAGRO-FIDC e FIAGRO-FIP) devem ser adaptadas à Resolução CVM 175 até 30/6/2025 e migradas para a categoria unificada FIAGRO até 30/9/2025, sujeita à estrutura da Resolução CVM 175 e, subsidiariamente, às regras aplicáveis à classe pertinente. O quadro abaixo resume, de forma didática, as estratégias que historicamente costumavam ser associadas aos Fiagros:

Estratégia predominante Ativos principais Perfil de risco
Crédito com lastro imobiliário do agro CRAs e direitos creditórios ligados a imóveis rurais Crédito / moderado
Direitos creditórios (estrutura de FIDC) CPRs, LCAs, debêntures, recebíveis Crédito / variado
Participações (estrutura de FIP) Participações societárias Equity / elevado

Atualmente, o regulamento do VGIA11 o classifica como FIAGRO fechado, de classe única, com estratégia preponderante em CRAs. A expressão “Fiagro-Imobiliário”, eventualmente encontrada em materiais históricos ou comerciais, não corresponde mais à classificação formal vigente na CVM. A explicação está na legislação: a Lei 14.130/2021 permitiu que fundos com estrutura semelhante à de FII investissem em ativos do agronegócio.

Na prática, essa classificação tem consequências importantes para o investidor. Os Fiagros seguem regras semelhantes às dos FIIs em relação à distribuição de rendimentos. Portanto, os proventos distribuídos aos cotistas pessoa física podem ser isentos de IR, desde que o fundo e o investidor atendam aos requisitos legais de número mínimo de cotistas e limite de participação individual.

A diferença em relação aos FIIs tradicionais está no setor de atuação. Enquanto os FIIs investem em imóveis, shoppings ou recebíveis imobiliários, o VGIA11 direciona os recursos para o financiamento da cadeia produtiva do agronegócio. Isso oferece ao investidor exposição a um setor que representa parcela significativa do PIB brasileiro, com dinâmica própria de risco e retorno.

Para quem já investe em FIIs e quer diversificar para o agronegócio, o VGIA11 representa uma alternativa com estrutura familiar. A lógica de comprar cotas na bolsa, receber rendimentos mensais e monitorar relatórios da gestora é semelhante. A diferença está nos ativos subjacentes e nos riscos específicos do setor.

Qual a carteira e estratégia de investimento do VGIA11?

A estratégia do VGIA11 concentra-se em CRAs com lastro em operações do agronegócio, com uma carteira diversificada por segmentos e regiões. O fundo busca equilibrar retorno e risco por meio de critérios de elegibilidade para os CRAs que entram na carteira.

Critérios de elegibilidade da carteira

Os critérios de elegibilidade dos CRAs do VGIA11 incluem, de forma geral:

  • Análise de crédito: avaliação do risco das operações conforme a política do fundo (vale notar que boa parte dos ativos aparece nos relatórios sem rating divulgado)
  • Lastro verificável: operações com documentação comprobatória do fluxo agroindustrial
  • Diversificação setorial: exposição a diferentes culturas, atividades e tipos de devedor dentro do agronegócio
  • Diversificação geográfica: operações distribuídas por diversas unidades federativas, com limites por devedor
  • Prazo e liquidez: títulos com vencimentos escalonados para buscar fluxo de caixa mais regular

A carteira do VGIA11 não é dominada por uma única região: em junho de 2026, além dos 35,6% em cooperativas, o fundo tinha exposições relevantes a distribuidoras e produtores, com operações espalhadas por 25 unidades federativas. Ainda assim, o investidor deve considerar que eventos adversos — como estiagens severas, quebras de safra ou queda no preço das commodities — podem impactar a qualidade dos CRAs em carteira. Cabe destacar também que a maioria dos ativos não possui rating divulgado nos relatórios e que o fundo registrou, em julho de 2026, a inadimplência de uma parcela de juros da Cooperativa Languiru, cujo desfecho depende da recuperação do crédito e da execução das garantias mencionadas pela gestora.

O VGIA11 foi vencedor da categoria Melhor FI-Agro na Premiação Outliers InfoMoney 2026, com base em rankings quantitativos de performance do período.

Em relação ao histórico recente de crescimento, a 5ª emissão do fundo foi concluída em março de 2026, com captação efetiva de aproximadamente R$ 185,75 milhões (cerca de 19,55 milhões de cotas) e fator de preferência de 0,48701876142 para os cotistas existentes. O lote adicional de até R$ 100 milhões não foi exercido, de modo que o volume total ficou abaixo do máximo teórico de R$ 500 milhões previsto para a oferta. As novas cotas passaram a ser negociadas em 17 de abril de 2026.

O impacto de novas emissões nos dividendos

Emissões de cotas devem ser analisadas sob dois ângulos. Positivo: mais capital pode aumentar a diversificação de CRAs e reduzir o risco idiossincrático. Negativo: se o yield dos novos CRAs for menor que o da carteira atual, o rendimento médio do fundo pode cair — impactando o dividend yield para todos os cotistas.

A estratégia de “papel” do VGIA11 — termo usado no mercado para fundos que investem em títulos de crédito, em oposição aos fundos de “tijolo” que investem em imóveis físicos — tem características próprias. Os CRAs possuem fluxos contratuais de juros, mas isso não garante rendimentos estáveis: os proventos dependem do pagamento dos devedores, da alocação do caixa, das despesas e de eventos de crédito, como a própria inadimplência registrada em 2026 evidencia.

Para o investidor que avalia o VGIA11, a análise da carteira deve incluir: concentração por devedor, situação de crédito dos CRAs, prazo médio dos títulos e eventos de inadimplência. Esses dados estão disponíveis nos relatórios mensais da Valora, acessíveis no site da gestora e no portal da CVM.

VGIA11 paga dividendos? Como funcionam os rendimentos?

Sim, o VGIA11 distribui rendimentos mensais aos cotistas, provenientes dos juros recebidos dos CRAs em carteira. Para pessoas físicas que atendam aos requisitos legais, esses proventos podem ser isentos de Imposto de Renda, desde que o fundo cumpra as condições previstas na Lei 11.033/2004.

A origem dos rendimentos é direta: os CRAs em carteira pagam juros periodicamente ao fundo. A Valora consolida esses recebimentos, desconta as despesas operacionais do fundo e calcula o saldo a distribuir; a administradora efetua o crédito aos cotistas. O pagamento ocorre mensalmente, com data-base e data de pagamento divulgadas no calendário de proventos da B3.

Para consultar o histórico de dividendos do VGIA11, o investidor pode acessar:

  • Portal da B3: seção de proventos do ticker VGIA11
  • Status Invest: histórico completo de dividendos e dividend yield
  • Investidor10: análise de proventos e comparativo com outros Fiagros
  • Site da Valora Investimentos: relatórios mensais com detalhamento da distribuição

Considere um exemplo prático com valores próximos à realidade: um investidor detém 500 cotas do VGIA11 a cerca de R$ 9,63 cada (fechamento de junho de 2026), totalizando aproximadamente R$ 4.815 investidos. Se o fundo distribui um rendimento mensal de R$ 0,13 por cota (valor divulgado no mês), esse investidor recebe cerca de R$ 65 no mês. Esses valores são ilustrativos e dependem do desempenho real da carteira de CRAs em cada período, podendo variar para mais ou para menos.

A eventual isenção de IR sobre os rendimentos pode ser uma vantagem relevante quando comparada a produtos de renda fixa tributados. Um CDB que paga 100% do CDI (14,15% a.a.) teria rendimento líquido de aproximadamente 12,03% a.a. após IR de 15% (prazo acima de 720 dias). Um Fiagro que distribua rendimentos isentos com yield ligeiramente menor pode, portanto, ser mais eficiente do ponto de vista fiscal para o investidor que cumpre os requisitos de isenção.

No entanto, é importante distinguir rendimento distribuído de valorização da cota. O dividend yield mede apenas os proventos pagos. A cota do VGIA11 também pode se valorizar ou desvalorizar no mercado secundário, impactando o retorno total do investimento. O retorno total combina os rendimentos recebidos com a variação do preço da cota.

Para o investidor iniciante, a recomendação prática é monitorar tanto o histórico de proventos quanto a cotação do VGIA11 na B3, analisando cada componente separadamente. A queda da cotação pode decorrer de aumento de juros, deterioração do risco de crédito, menor liquidez ou reprecificação de mercado, e isoladamente não indica que o fundo esteja distribuindo mais do que ganha. Para avaliar a sustentabilidade dos rendimentos, compare o resultado (caixa ou contábil), a distribuição por cota, as reservas acumuladas e os eventos de crédito divulgados nos relatórios.

Qual a tributação do VGIA11?

A tributação do VGIA11 funciona em dois cenários distintos que o investidor precisa conhecer.

Rendimentos distribuídos: podem ser isentos de IR para pessoas físicas que atendam aos requisitos legais. Para que a isenção seja válida, o fundo precisa cumprir as condições da Lei 11.033/2004 — entre elas negociação em bolsa ou balcão organizado e número mínimo de cotistas — e o investidor deve respeitar o limite individual de participação (inferior a 10% das cotas e dos rendimentos). O VGIA11 atende com folga ao requisito de quantidade de cotistas (o relatório de junho de 2026 registrava mais de 174 mil cotistas), mas a condição individual depende de cada investidor.

Ganho de capital na venda de cotas: tributado à alíquota fixa de 20% de IR. Esse é o segundo evento tributário que não pode ser negligenciado.

Situação Alíquota IR Responsável pelo recolhimento
Rendimentos distribuídos (PF que cumpre requisitos) 0% (isento)
Ganho de capital na venda 20% Investidor (via DARF)

O ganho de capital ocorre quando o investidor vende suas cotas por um preço superior ao custo de aquisição. Nesse caso, a diferença positiva é tributada a 20%. O investidor deve calcular o ganho, emitir um DARF e recolher o imposto até o último dia útil do mês seguinte à venda. A corretora não recolhe o imposto integral de 20%: pode haver retenção antecipada de 0,005% de IRRF sobre a venda (o chamado “dedo-duro”), mas cabe ao investidor apurar o ganho líquido, descontar o IRRF já retido e pagar eventual saldo via DARF.

Se o investidor vender cotas do VGIA11 com prejuízo, essa perda pode ser registrada e compensada com ganhos futuros apurados na modalidade específica de operações com FII/Fiagro, no mesmo mês ou em meses subsequentes, observadas as regras da Receita Federal. Essa compensação não é automática para ganhos de qualquer aplicação financeira e reduz a base de cálculo do IR a recolher dentro da mesma categoria. É fundamental manter o controle do preço médio de aquisição das cotas para calcular corretamente o ganho ou a perda em cada venda. Em situações específicas, vale consultar um especialista tributário.

Na declaração anual do IRPF, o investidor deve informar as cotas do VGIA11 na ficha “Bens e Direitos” pelo custo de aquisição. Os rendimentos recebidos, quando isentos, devem ser declarados na ficha de rendimentos isentos e não tributáveis. Omitir essas informações pode gerar inconsistências na malha fina da Receita Federal.

Para quem compara o VGIA11 com produtos de renda fixa tributados, a isenção sobre os rendimentos pode representar uma vantagem concreta. No entanto, o Tesouro Direto, embora apresente risco de crédito soberano muito menor, também está sujeito a oscilação de preço e a perdas em caso de venda antecipada — especialmente nos títulos prefixados e indexados à inflação, cuja recompra é feita a valor de mercado. Já o VGIA11 acrescenta o risco de crédito dos CRAs e a variação da cota no mercado secundário. A eficiência fiscal do fundo precisa ser avaliada em conjunto com os riscos assumidos.

Resumo prático

  • O VGIA11 é um Fiagro da Valora Investimentos, negociado na B3, que investe preponderantemente em CRAs do agronegócio.
  • Os rendimentos mensais podem ser isentos de IR para pessoas físicas que atendam aos requisitos legais e desde que o fundo cumpra a Lei 11.033/2004.
  • O ganho de capital na venda de cotas é tributado a 20% de IR, com recolhimento via DARF pelo próprio investidor.
  • A carteira é diversificada entre cooperativas, distribuidoras, produtores e indústrias, com operações em diversas unidades federativas.
  • Para comprar cotas, basta ter conta em corretora habilitada na B3 e negociar o ticker VGIA11 no mercado secundário.
  • O principal risco é o crédito dos devedores dos CRAs — evidenciado pela inadimplência registrada em 2026 — somado à exposição a eventos climáticos e setoriais do agronegócio.

Perguntas frequentes sobre o VGIA11

O que é o VGIA11?

O VGIA11 é um Fiagro (fundo de investimento nas cadeias produtivas agroindustriais) gerido pela Valora Investimentos e negociado na B3. Ele investe preponderantemente em Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRAs) lastreados em operações do agronegócio, com devedores como cooperativas, distribuidoras e produtores em diversas regiões. É uma forma de o investidor de varejo participar do mercado de financiamento do agronegócio sem precisar comprar CRAs individualmente, que costumam exigir valores mínimos elevados.

VGIA11 paga dividendos mensais?

Sim. O VGIA11 distribui rendimentos mensais derivados dos juros pagos pelos CRAs em carteira, conforme sua política de distribuição. Esses proventos são creditados na conta do investidor na data de pagamento divulgada no calendário de proventos da B3. O histórico de dividendos pode ser consultado em plataformas como Status Invest, Investidor10 ou direto no portal da B3.

VGIA11 tem isenção de IR?

Os rendimentos (dividendos) distribuídos mensalmente podem ser isentos de IR para pessoas físicas que atendam aos requisitos legais. Já o ganho de capital obtido na venda de cotas no mercado secundário é tributado a 20%. Portanto, a isenção não é absoluta — aplica-se apenas aos dividendos e depende do cumprimento das condições da Lei 11.033/2004. Ambos os eventos tributários devem ser considerados no cálculo do retorno líquido.

Como comprar cotas do VGIA11?

Para comprar cotas, você precisa de uma conta aberta em uma corretora habilitada na B3 (a maioria das corretoras trabalha com ativos da B3). No app ou plataforma da corretora, basta buscar pelo ticker VGIA11, informar a quantidade desejada e confirmar a operação. A liquidação ocorre em D+2 (dois dias úteis após a compra). O preço varia conforme oferta e demanda no mercado secundário, assim como ocorre com ações ou FIIs.

Qual o risco de investir no VGIA11?

O principal risco é o risco de crédito: se os devedores dos CRAs em carteira não pagarem, o fundo pode reduzir ou suspender os dividendos — como ilustra a inadimplência de uma parcela de juros da Cooperativa Languiru registrada em julho de 2026. Há também risco setorial e climático, já que eventos adversos, como secas prolongadas ou queda no preço das commodities, podem afetar simultaneamente várias operações. Além disso, como é um fundo fechado, a liquidez depende do volume negociado em bolsa, o que pode dificultar a venda em momentos de baixa procura. Vale lembrar ainda que a cota está sujeita à oscilação de preço no mercado secundário.


A diferença entre entender o VGIA11 superficialmente e analisá-lo com profundidade está nos detalhes: composição dos CRAs, concentração por devedor, eventos de inadimplência e impacto fiscal das operações de compra e venda. Escolher um Fiagro sem essa análise pode resultar em rendimentos abaixo do esperado ou surpresas fiscais no fim do ano.

Se você está considerando alocar capital em Fiagros, a pergunta certa não é apenas “quanto rende?” — é “quanto rende líquido de impostos e riscos de crédito?”. A Renova Invest ajuda você a calibrar essa análise, mapeando a concentração de riscos na sua carteira e otimizando a estrutura tributária dos seus investimentos. Fale com um assessor para avaliar se o VGIA11 se encaixa no seu perfil.

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Fonte: Banco Central · 18/08/2026

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